Minas e Superliga: o reencontro

Dentil/Praia Clube 1x3 Itambé/Minas
Foto: Orlando Bento/MTC


Depois de 17 anos, o Minas se reencontra com o título da Superliga. E, assim como 2001/02, este time entra pra história não só pela conquista nacional, mas também pela qualidade que demonstrou em quadra.

Daqui a alguns anos vamos nos lembrar da equipe de 18/19 como aquela que tinha Macris e Carol Gattaz num entrosamento impecável; Gabi e Natália como a melhor dupla de ponteiras da SL e o competente treinador italiano Stefano Lavarini.

Não é a toa que todos estes nomes citados acima estão na seleção do campeonato. O Minas foi o time mais regular e consistente da SL e teve o sistema ofensivo mais bem estruturado e equilibrado entre todas as equipes. 

A segurança na recepção, a qualidade da Macris em sua melhor temporada, e as afiadas atacantes, que se revezavam durante as partidas segurando as demandas do ataque, foram o diferencial do Minas na SL e, especialmente, na final.

O Minas ganhou atacando e contra-atacando. O Praia tentou combate-lo defendendo e foi, das equipes da SL, que melhor conseguiu. Mas não resistiu por muito tempo, até por conta das próprias fraquezas. Enquanto o saque e o bloqueio encaixaram, o time de Uberlândia fez frente ao de BH. Mas quando dependeu do seu ataque, principalmente da virada, sentiu falta de maior qualidade em todo o processo, da recepção à definição.

Este foi um problema do Praia durante toda a SL e que se repetiu, sobretudo, neste segundo jogo, muito porque não teve à disposição a Fernanda Garay. Rosamaria substituiu-a bem no primeiro set, mas oscilou nos seguintes; Michelle não tem característica de definição, apesar de, nos dois primeiros set, ter tido papel importante na pontuação; e Fawcett não apareceu no jogo.

Sem uma pressão constante na relação saque-bloqueio, o Praia perdeu combatividade ao longo da partida. Conseguiu uma ótima reação no quarto set, mas morreu exatamente na falta de poder de definição do ataque.

***************************************

O Minas não fez das suas melhores atuações na final. Tanto que esteve num momento crítico quando a Bruninha errou um levantamento no final do segundo set. Mesmo com a parcial equilibrada, o Praia estava com mais moral naquele momento depois da boa vitória no primeiro set. O curioso é que foi justamente ali que o time surgiu para a final. Macris retornou e o time engatou um ritmo parecido com o imposto no restante da campanha.

Apesar das oscilações que sofreu, o Minas, ao contrário do Praia, encontrou equilíbrio entre suas atacantes. Gabi e Natália apareceram para definir em momentos diferentes e importantes para o time, compensando a falta de uma jogada mais constante com a Gattaz e de uma maior eficiência da Bruna.

Algumas vezes durante esta temporada o Minas teve que sair de situações difíceis como as destas finais. E ele conseguiu de uma forma tranquila e consciente, sem deixar que o desespero tomasse conta das ações. Acho que isso tem muito a ver com a forma de gestão do grupo por parte do Lavarini – e com a sua personalidade – e pela consistência do grupo titular. 

O Minas não teve recursos no banco capazes de mudar a cara de um jogo. Mayany sempre foi uma ótima peça de reposição (por mim até seria titular), mas não tinha este poder. O time sempre dependeu das titulares para dar a volta por cima. E conseguiu isso porque teve uma estrutura muito bem consolidada.



Este título do Minas vem premiar um projeto que vem investindo pesado nos últimos cinco anos no vôlei feminino. Depois de várias temporadas como coadjuvante, em que até se questionou a continuidade da equipe, o clube voltou, em 2014/15, a formar um time forte que, aos poucos, foi, juntamente com o Praia, combatendo e ameaçando a hegemonia do Rio.

E temos, assim, mais um ano com um campeão diferente (o que é inusitado em se tratando da última década de SL feminina) e de novo com um representante mineiro, região que tinha ficado por muito tempo sem o peso que merecia no campeonato. 


*****************************************

Melhores da SL 18/19

Ponteiras – Gabi (Itambé Minas) e Natália (Itambé Minas)

Centrais – Carol Gattaz (Itambé Minas) e Carol (Dentil/Praia Clube)

Levantadora – Macris (Itambé Minas)

Oposto – Nicole Fawcett (Dentil/Praia Clube)

Líbero – Camila Brait (Vôlei Osasco Audax)

Craque da Galera – Carol Gattaz (Itambé Minas)

Melhor técnico – Stefano Lavarini (Itambé Minas)

MVP – Macris (Itambé Minas)

 

- Ter Gabi e Natália no mesmo time é garantia de título. Quarta temporada que jogam juntas, quarto título. 

Comentários

Kamila Azevedo disse…
Vou começar falando pelo time derrotado: o Praia Clube tem um bom time e é bem treinado pelo Paulo Cocco. Elas sabiam que seria muito difícil bater o Minas, mas foram valentes e lutaram até onde podiam. Mas, ficou claro, ontem, que várias peças importantes do time não renderam o que poderiam, como Nicole Fawcett e Fabiana. Carol foi a melhor jogadora do Praia em todo o torneio e merece todo nosso respeito. Rosamaria e Michelle foram bem e conseguiram suprir a ausência da Fernanda Garay, mas sabemos que, caso ela estivesse em quadra, a situação seria completamente diferente.

Agora, falando sobre o Minas: foi o time que melhor investiu para a temporada, foi o time a ser batido desde o início e era o time que estava um patamar acima de todos os outros. Lavarini faz a diferença como técnico. Vou sempre falar isso, mas o cuidado e o respeito com que ele trata suas jogadoras é algo único e que poderia servir de exemplo aos técnicos brasileiros. Ele tinha suas jogadoras nas mãos e elas renderam o seu máximo também por causa dele, tenho certeza. Natália e Gabi são a melhor linha de passe do Brasil, mesmo com os erros de Natália. Carol Gattaz é uma MONSTRA, incrível como ela consegue se manter jogando em alto nível, mesmo quase chegando aos 40 anos. Bruna Honório é constante e não compromete. Léia é uma ótima líbero. A Mara é o elo mais fraco, mas compensa com sua vibração. Mas, o mais importante: o Minas tem banco, tem peças de reposição. Ontem mesmo, a Bruninha e a Malu entraram muito bem.

Mas, queria destacar, em primeiro lugar, a Macris. Que jogadora maravilhosa! Que pessoa maravilhosa! Sou fã dela e da pessoa que ela é. A Macris amadureceu muito, como pessoa, e isso se reflete na sua postura em quadra. Sinto que ela é o tipo de levantadora que precisa sentir a confiança do técnico, que precisa sentir liberdade para agir da maneira que ela acha ser a certa. E isso ela encontrou no Lavarini. Mesmo não fazendo uma partida brilhante, a Macris, quando voltou, no terceiro set, foi outra jogadora. A Macris fez uma temporada maiúscula e mereceu o prêmio de Melhor Jogadora da Superliga 18/19. Estou muito orgulhosa dela!

Espero que o Zé Teimoso entenda essas características da Macris e a respeite, para que ela possa contribuir com a nossa seleção da maneira que ela pode. Será muito frustrante chegar a temporada e vê-la bancando para a Roberta ou sendo sacada do time na primeira ousadia que fizer. Zé, por favor, te pedimos isso! Respeito a Macris!
Cristiane disse…
Momento histórico para o Minas com certeza! Conquistou quase tudo nessa temporada, só faltou o Mundial mas a vitória histórica sobre o Eczacibasi na semifinal será sempre lembrada com alegria! Gabi e Natália decisivas, atacando sempre com bloqueios pesados e conseguindo virar bolas importantíssimas! Chamaram a responsabilidade e mostraram porque hoje são as melhores ponteiras do Brasil e entre as melhores do mundo! Como bem lembrado pela Laura conquistaram tudo juntas, e não será surpresa para mim se jogarem a próxima temporada juntas novamente embora os rumores sejam que serão adversárias ( Gabi no Vakif e Natália no Ecza) vamos aguardar! Temporada memorável da Macris, como torço por ela, sou fã, espero que essa linda temporada se repita na seleção!

Parabéns ao Minas pelas contratações certeiras, montaram uma equipe para ser campeã e assim foi!
Aleksandro disse…
Não sou torcedor do Minas mas tenho que reconhecer que a temporada foi esplêndida.
Gabi, Macris e Gataz e até mesmo a Natália deram, o nome nesta temporada. Destronando até mesmo o poderoso Eczacibaci.
A expectativa é que a seleção ganhe com isso. Alguém pfv põe na cabeça daquele técnico que a macris merece titularidade na seleção meu pai???

Macris/ Natinha
Gabi/ Garay ou Natália
Carol/ Gataz
Tandara

Seria um bom time. Quem sabe até capaz de bater de frente com Sérvia e China,pram mim favoritos em qq competição que disputem hoje em dia, devido o plantel de jogadoras de altíssimo nível inclusive no banco.
Chandler Bing disse…
Já que o Zé Roberto não sai, o mínimo que ele pode fazer é convocar a Macris, colocá-la de titular e não dar aqueles pitís que ele costumava ter com a Dani em 2009 (àquela época, Ana Tiemi era a queridinha dele). Confesso que nunca fui grande fã da Macris, mas também nunca fui crítico... como muitos, eu achava que ela só seria realmente "grande" depois que tivesse a responsabilidade que teve nesta temporada. Não reconhecer que hoje ela é a melhor levantadora brasileira, seria uma grande burrice.

Minas foi um dos times mais caros, e que teve a melhor campanha. Título merecido. E que técnico e pessoa maravilhosa que o Lavarini é (aprende aí, Zé Roberto).
Matronix disse…
Duas frases q não vou parar de rir quando lembrar do Lavarine:

1 - Força na cabeça!

2 - O Minas na frente no placar, no segundo jogo a torcida do Praia gritando " Eu acredito"
Lavarine pede tempo e termina a fala também com " eu acreditooo! " morri.
Nei disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Camilla Paiva disse…
O resultado final dessa superliga foi super justo, tenho em vista que ganhou o time de melhor campanha e que venceu tudo o que disputou (pra mim, aquele vice no mundial de clubes foi um resultado espetacular). Falar do lavarini numa altura dessas é "chover no molhado". O carinho dele com as jogadoras, as orientações, a serenidade...é outro nivel, realmente. A forma que ele recebeu a Bruninha depois daquele erro de levantamento que ela cometeu no jogo, dando um abraço nela logo após ela ter sido substituída já escancara a diferença no modo de tratar as jogadoras. Seria um sonho a CBV abrir as portas da seleção pra técnicos estrangeiros que estejam fazendo bons trabalhos. Aqui existe esse "bairrismo" horrível, atrasado e que não está levando mais a seleção a lugar nenhum. Prefere manter a todo custo um treinador que já vem dando sinais de desgaste visíveis que pensar em uma renovação, mesmo essa renovação não sendo a partir da contratação de um técnico estrangeiro, mas de alguém que injete um fôlego novo. Já que teremos que morrer abraçados com o Zé Roberto, a esperança é que, pelo menos, ele faça escolhas mais sensatas. Como comentaram acima, espero que ele tenha paciência e confiança na Macris, que permita que ela desenvolva o seu jogo na seleção. Se ela for convocada pra ser reserva da roberta...pior que pelo que já conhecemos, a possibilidade maior é essa.

Obs- Laura, você vai fazer algum post comentando os pedidos de dispensa da seleção,a convocação da vnl e as suas expectativas para a competição?
Laura disse…
Camilla, sobre as dispensas, provavelmente sim. E vou esperar a segunda parte da convocação para comentar.
Ivonete disse…
É inadmissível uma jogadora de Seleção como a Carli Lloyd não conseguir se entrosar com as centrais. Perdeu 40% da arma de ataque do time. Engraçado que todas as americanas que vieram aqui não conseguiam isso.....Glass, Thompson, Lloyd.

Corre nos bastidores que quem pediu a dispensa da Claudinha do Praia foi o Paulo Coco e o mesmo forçou a contratação da Lloyd. Isso explica ele insistir tanto com ela e esquecer a Ananda no banco
Mantronix disse…
Não da pra acreditar, Rio contrata Tandara mas renova com Gabiru!!
Sem linha de passe nao da pra fazer milagre Jesuis!!
Sokolova disse…
Eu creio que quem vão ser as titulares serão a Drussyla com a Amanda, o que em tese garante um bom passe, já que a Amanda é mediana no ataque, porém boa no passe.Isso dividiria a quadra mais igualmente, passando com até três jogadoras em vez de duas. Tandara de oposta, Drussyla na ponta, Jucy e Lara pelo meio garantiriam a força de ataque e tudo isso aliado a uma levantadora madura ( Fabíola ) e a segunda melhor líbero do campeonato que é a Natinha.

Em teoria, teriam que sacar perfeitamente bem para tirar o passe da mão da Fabíola. Teria na reserva Milka, que tem um bom bloqueio, lembrando muito a Mayhara e se nada der certo colocar a Gabiru na ponta pro ataque.
Kamila Azevedo disse…
Mantronix, mas a Gabiru deve ser a líbero reserva. O SESC terá uma boa linha de passe com Drussyla, Amanda e a líbero Natinha.

Ao contrário do ano passado, o Bernardinho está montando um excelente time neste ano:

Fabíola
Tandara
Lara/Milka (acho que a Juciely vai ser banco)
Amanda/Drussyla
Natinha

É um time com muito potencial!
Unknown disse…
Mantronix. A Gabiru sofreu um acidente de trabalho e não pode ser dispensada enquanto não estiver completamente recuperada.
Sokolova disse…
É Kamila, tbm acho que Jucy deve ser banco, mas conhecendo o potencial da mesma, creio que na fase decisiva ela entra como titular, tendo em vista já os títulos que o Rexona e SESC conquistaram graças à atuação dela.Uma reserva de luxo, digamos assim.

O passe chegando na mão da Fabíola, ela vai saber o que fazer e sair da mesmice que as maioria das atuais levantadoras tem no repertório. Colocando muito as centrais, deixando Tandara de boa para não desgastar ela desnecessariamente e fazendo Drussyla e Amanda se entrosarem cada vez mais.
Mantronix disse…
Laura,
Vamos falar de Mercado?
Nacional e Internacional?

https://www.melhordovolei.com.br/mercados/feminino.html

Abs

Alysson Barros disse…
Parabéns ao Minas, à Macris, à Gattaz, à Gabi, à Natália quinadeira (quinou a partida inteira, quinou tanto que entregou sozinha o primeiro set) e a todos os demais envolvidos!
Lulu disse…
Que tal Spencer Lee no Minas?