Mais uma vez Minas

Minas 3x0 Dentil/Praia Clube
Carol Gattaz levanta a taça

No campeonato mineiro não tem enrolação. Com uma edição ainda mais enxuta que a do ano passado, o torneio definiu seu campeão em apenas três dias, com um quadrangular disputado por Minas, Praia Clube, Lavras e o convidado Brasília.   

E, assim como em 2017, o Minas comemorou o título estadual, vencendo todos os confrontos.

Contra Larvas e Brasília, obviamente era esperada a superioridade do Minas. O que não se esperava era que na “final”, no clássico com o Praia Clube, o time de Belo Horizonte sobrasse tanto.

Com exceção do equilibrado segundo set, o Minas teve sempre o domínio do jogo sobre um Praia bastante problemático no seu sistema ofensivo. A equipe de Uberlândia não conseguiu encontrar uma constante na virada de bola e nem aproveitar os contra-ataques criados pelo seu bom trabalho defensivo.

E a causa desta ineficiência ofensiva esteve por todas as partes. Primeiro, na frágil linha de passe. O Praia sofreu com o saque do Minas, principalmente com o da Bruna. Segundo, falta entrosamento entre a Lloyd e as atacantes. A levantadora parece estar bem perdida no tipo de bola de cada jogadora, tentando impor velocidade, mas pecando na precisão. E, terceiro, quando as bolas chegavam boas, as atacantes desperdiçavam, cometendo erros bobos.

O Praia não achou nenhuma bola de segurança no seu ataque. Fawcett e Garay estiveram bastante apagadas e Lloyd até tentou, mas não conseguiu efetivar as bolas com as centrais. Do outro lado, o Minas esteve mais equilibrado nas responsabilidades. Gabi fez um primeiro set muito bom no ataque. Quando caiu, Bruna e Natália apareceram como opções. 

Mas o mais importante, sem dúvida, foi a segurança no passe que Gabi, Natália e Leia deram à Macris. É bem verdade que o Praia não teve, em geral, boas passagens de saque. Mas tentou caçar a Gabi, depois a Natália e não conseguiu desestruturar seriamente a linha de passe do Minas.

Houve momentos, principalmente no segundo set, que o Minas cometeu erros demais, o que considero natural para um início de temporada. No entanto, com o pouco tempo de preparação que teve, surpreendeu-me como já conseguiu montar uma equipe jogueira, sem arriscar nos ataques em más condições e apostando no seu trabalho defensivo e nos contra-ataques, coisa que no Praia não se viu com a mesma qualidade.


 


Certamente o Minas terá desafios maiores na Superliga - e, é claro, no Mundial - que deixarão mais claras as suas deficiências, mas não dá para negar que o time entra com grande trunfo para a competição nacional. Tem, entre as principais equipes, a linha de passe mais confiável, o que é um diferencial enorme nestes tempos de escassez de boas passadoras. 

Natália é o ponto mais vulnerável desta composição, mas, ainda assim, não é nenhum caso que necessite de muita proteção de suas colegas. Sem contar que pode compensar no ataque. Aliás, acho que o nível de sucesso da temporada do Minas estará diretamente ligado ao desempenho da Natália, principalmente no ataque. Vamos ver se, depois da cirurgia e dos problemas físicos, ela consegue repetir a última SL que fez pelo Rio. 

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Já o Praia parece ter um caminho longo pela frente para se acertar com a nova levantadora. Mas o mais importante, a meu ver, é conseguir uma maior regularidade na recepção, até mesmo porque, só assim, será possível aproveitar as melhores características da Lloyd.

Garay não fez uma boa partida na recepção nesta final estadual e, apesar de saber que ela pode render mais no fundamento, o ideal seria não deixa-la sobrecarregada nesta função. E Suelen não é uma líbero confiável para o passe a ponto de, como às vezes faz a Brait, cobrir boa parte da quadra.

Só que as opções que o Praia tem para compor a linha de passe também não são muito animadoras com Ellen e Rosamaria. Teoricamente, a Michele seria a jogadora que equilibraria a recepção. Digo teoricamente porque ela não vem de boas temporadas neste fundamento, apesar de, por suas características, ser a que melhor se encaixa para a função.

De qualquer forma, o Praia não terá muito tempo para resolver estas questões. Sábado já é a disputa da Supercopa, contra o Osasco – outro vice estadual. Prevejo uma decisão equilibrada. Embora seja o último campeão da SL e tenha um elenco mais forte, o Praia ainda está longe de fazer valer todo o seu potencial. Já o Osasco tem a seu favor o maior entrosamento e mais treinos e jogos de preparação. O que pesará mais? 

Comentários

Mantronix Inc disse…
Minas 3 x 0 Praia

Um jogo não digno de uma final.
Primeiro, foram muitos erros de ambas as equipes, mas o Praia extrapolou.

No Praia, com exceção da Garay, jogadoras nitidamente sem condicionamento físico, Fawcet sem poder de definição como as demais precisam ainda focar no inicial trabalho de musculação/preparação física.

Mas o desastre maior do Praia foi a falta de entrosamento da Loyd com as jogadoras, proporcionando momentos de erros bizarros.

Por parte do Minas, Macris precisou de uma puxada de orelha do Lavarini. Mas o time mostrou q o conjunto esta mais evoluído enquanto grupo, entrosamento, física, técnica e taticamente q o Praia. Mas ainda precisa "limpar" os erros. Natália esta magrinha e voando, gostei de ver.

O Praia, atrasado em sua re-construção, pelo q demonstrou nessa final vai ter q correr muito atrás do prejuízo como um todo, senão quiser fazer feio no Mundial.
Jogo não foi bom. O Minas estava mais inteiro. Gabi e Gataz jogaram muito bem. O trio Nath, Gabi e Bruna vai dar muito trabalho.Quando ao Praia só teve Garay, LLoyd e Fawcett se apresentaram muito tarde, Rosa ´[e melhor como oposta. Na final da SuperCopa acho que Osasco leva, se a Hooker e carol puderem reforçar o time.
Anônimo disse…
Não sei quem é pior, a Natália ou a Rosamaria.
Kamila Azevedo disse…
Acho que o resultado do jogo não deve servir como parâmetro para o que virá pela frente. O Minas teve a oportunidade de trabalhar melhor com grupo, uma vez que boa parte de suas jogadoras não estava no Mundial. Ao contrário do Praia, que ainda tem um grupo sem entrosamento e ritmo, na medida em que a maior parte das jogadoras encontravam-se no Mundial.
Kaike Lemos disse…
Esperava mais do Praia! A dúvida paira se a agilidade da Lloyd nos levantamentos vai dar certo com as centrais, já que o entrosamento com a Akinradewo nunca existiu!

Léia fez boa partida, defendeu muito! Suellen não podemos dizer o mesmo, a libero não tem tido atuações convincentes no passe, o que foi o diferencial para o Minas que manteve o equilíbrio no fundamento durante toda a partida!

A falta de entrosamento no Praia foi maior, tem que avisar a Lloyd que não é característica do jogo brasileiro a central ser acionada com o passe de contra ataque mal feito! A Carol pedindo a china, mds ...

O que dizer da Ellen Braga, a mulher joga só no truque! Nunca vi largar, explorar e aliviar tanto ...

Bruna SELEÇÃO! A mulher é constante sacando viagem e tem um braço pesado no ataque! Esse ano o Minas deve jogar no conjunto e não sobrecarregando uma ou outra ...

Praia vai ter nova derrota na SUPERCOPA, a não ser que Leyva e CIA façam de tudo pra entregar o jogo!

E a Rosamaria irá sofrer bastante nessa temporada com o: SACA NA ROSA!
Espero que ela não bata no peito.

Pra fechar com chave de ouro, FLU ganhará na segunda feira, em cima de Kosheleva e CIA. Dará muita confiança a esse elenco que está melhor que Barueri e Osasco.
Luiz Felipe disse…
Laura, dois comentários:

Não é "Larvas", mas "Lavras", terra natal inclusive da meio Ana Paula da seleção.

E justo com esse ótimo e promissor time, participando de todas as competições importantes possíveis nesta temporada, o Minas não conseguiu um patrocinador master.

Anônimo disse…
Se a Rosa bater no peito, será o fim dela. kkkkkkk
Anônimo disse…
A melhor jogadora do Minas foi a Rosa Maria!
Anônimo disse…
A melhor contratação que o Minas fez nos últimos tempos foi Stefano Lavarini! Depois que Lavarini chegou a MG, a hegemonia de 6 títulos estaduais do Hexa-Campeão Praia Club acabou no Estado de MG. Com Lavarini, o Minas conquista agora seu segundo título Mineiro consecutivo e ainda foi Campeão Sul-Americano e volta com força total para o Campeonato Mundial de Clubes.
A contratação de Gabi pelo Minas, foi um desfalque tremendo que será muito sentido pelo SESC-RJ. Gabi é a ponteira mais completa em atividade no Brasil, excelente no ataque e segura no passe, a saída de Gabi e aposentadoria de Fabi fez o SESC RJ perder de uma vez só 2 de suas principais jogadoras.
Além disso, o Minas tem o time mais equilbrados em todas as posições, e possui uma dupla de levantadoras que é Macris e Bruninha que fazem uma ótima inversão do 5x1 com as opostas Bruna Honório e Malu.
Lana é uma ponteira muito agressiva, uma definidora!
Mara, apesar de não aparecer muito no ataque, é uma exímia bloqueadora, já Mayany é uma atacante nata e Carol Gattaz, completa, se destaca tanto no ataque quanto no bloqueio.
Marquito disse…
Stefano Lavarini! O "cara" é um estudioso do Voleibol, é um dos melhores, senão o melhor Técnico de "Todos"!