O equilíbrio que quase derrotou o Sesc

Pinheiros 2x3 Sesc-RJ
Foto: Ricardo Bufolin

Antes de começar a partida, o Paulo de Tarso disse numa entrevista que o desafio do Pinheiros contra o Sesc era ser agressivo e não cometer muitos erros. Pois o time conseguiu esse equilíbrio, fez, muito provavelmente, a sua melhor partida na temporada e quase derrotou o favorito carioca.

Prevendo os confrontos de quartas, comentei que o maior adversário do Sesc neste duelo seria ele mesmo. Pois me enganei. Nesta partida, o Pinheiros foi um grande adversário. Lembrou aquele antigo Pinheiros, que joga no limite da sua capacidade e não se assusta contra os times grandes. 

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O Pinheiros usou muito bem o seu melhor fundamento, o saque. Caçaram a Drussyla e deram um trabalho enorme para a Gabi cobrir a colega. Aliás, um aparte: não sei porque o Bernardinho não lança mão mais vezes (e por mais tempo) da Kasiely no lugar da Drussyla para dar um estabilidade maior à linha de passe.

Bem disciplinado, aproveitou a estratégia de saque para crescer na defesa e nos contra-ataques. O volume de jogo das duas equipes, é bom que se diga, elevou o nível de disputa. 


O Pinheiros, tradicionalmente, tem dificuldade em virar de primeira. Contra o Sesc não foi diferente. O time foi conseguir maior tranquilidade neste quesito nos sets finais. Mas teve maturidade para esperar e se apoiar na sua defesa para criar novas oportunidades de ataque.    

Um tipo de jogo que era comum ao Rio de Janeiro e o qual o time carioca tem lutado para encontrar nesta temporada. Desta vez, se viu um Sesc mais cuidadoso e paciente no ataque, mas principalmente mais decisivo. Fazia tempo que não se via o time tão mais seguro com a virada de bola – claro, quando a recepção funcionava.

Isso porque teve na Peña uma saída de ataque eficiente. A dominicana já se mostra mais à vontade na posição de oposta que assumiu recentemente e a sua presença tem se mostrado fundamental para um time que sofre muito na recepção. Ela e Gabi estão formando uma dupla importante para safar a equipe dos problemas de passe. Sem querer, o Sesc parece ter encontrado uma maneira de fazer o seu ataque fluir. 

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Para o Sesc foi sofrido, mas também foi importante que tenha enfrentado um Pinheiros tão corajoso e gigante na decisão. Isso fez com que, depois da derrota no Sul-americano, o Rio mantivesse uma sequência de jogos que o desafiasse e contestasse, de certa forma, a sua posição. E o time mostrou que, apesar da temporada tumultuada e de estar longe de jogar o seu melhor voleibol, aquele espírito vencedor permanece.

Acho pouco provável que o Pinheiros consiga repetir a atuação deste primeiro duelo no próximo encontro. O retrospecto nesta temporada nos mostra que a equipe não consegue manter uma regularidade. Tomara que, novamente, minhas previsões para o confronto estejam erradas.

Comentários

Anônimo disse…
Torci muito pelo Pinheiros. Quase meu coração saiu pela boca. Mas na hora H, mostraram porque são um time pequeno e que não ganha nada: erraram várias bolas de xeque, mão na rede, saque na rede, se afobaram, etc. Não gosto desse técnico, mas se eu fosse ele teria infartado. Não dou para ser técnico não.
L. Mesquita disse…
Nem TANDARA, nem TIFANY, nem BRUNA HONORIO. Ficou mais que provado que a pancada mais forte dessa SUPERLIGA é a da dominicana PEÑA ISABEL que resolve tudo na base da FORÇA BRUTA, despejando potência. PEÑA está muito longe de ter a técnica e a variabilidade de golpes que a MONIQUE, mas resolve na base da ignorância mesmo, descendo o braço! São estilos totalmente diferentes entre PEÑA e MONIQUE: ALTURA e FORÇA BRUTA X TÉCNICA e VARIAÇÃO de GOLPES. Bernardinho, com isso, pode mudar totalmente o estilo de jogo na saída de rede de acordo com as características de PEÑA e MONIQUE.InfeliZmente Monique está lesionada e fora de combate.
Cesar Nascimento disse…
Laura muito boa análise , foi um jogão sou Sesc , mais gostei muito do Pinheiros que fez uma excelente partida obrigando o Sesc a jogar muito bem tbm , Drussyla é boa jogadora mais tá dando muito prejuízo tanto no passe quanto no ataque do lado do Pinheiros a Cassemiro vou te falar viu ! a Penha foi bem Bruna tbm enfim só acho que o Pinheiros não vai conseguir repetir a façanha e o Sesc deve confirmar o favoritismo , já no jogo do Bauru elas perderam a oportunidade de ganhar o jogo perderam pra elas mesmas o praia tá longe daquele time da primeira fase um time que almeja alguma coisa não pode perder uma parcial de 12x 0 estava ganhando de 9x 0 e levou 17x9 aí fica difícil né
Antonio disse…
Òtimo jogo. O Pinheiros jogou muito bem, faltou tranquilidade nos momentos decisivos do 5o set. A Pena ainda está se adaptando à posição de oposta, quando tiver também o golpe no corredor (paralela), vai ser uma grande oposta.
Zelirbem 90 disse…
Cesar, em qual set aconteceu isso? O jogo do Praia Clube, assisti e reassisti e não vi isso, vc está arredondando esses números aê...
No mais, Claudinha foi substituída pela Ananda que entrou bem, e a substituição fez bem à própria Claudinha que voltou muito bem quando a Ananda já não estava correspondendo.
Chandler Bing disse…
Adorei o jogo. Salvou a noite com este espetáculo. Tie break pra acelerar qualquer coração de quem ama este esporte... independente para quem estavam torcendo.

Bruna mais uma vez mostrando o seu valor... o saque entrou muito bem. Ela é a grande jogadora do time.

Peña já havia se mostrado esta jogadora de força... e agora na saída de rede, com a responsabilidade só de atacar, esteve ainda mais solta. Uma pena que ela dê um grande prejuízo na defesa... coisa que a Monique dava um up.

Arbitragem errando contra o time do SESC é ótimo de se ver. Acaba um pouco aquela bobagem de sempre.
Eu já acho que o Sesc / RJ precisará contar com uma melhora na sua linha de passe, se quiser chegar às finais. A Drussyla tem se mostrado irregular no passe, sobrecarregando a Fabi e a Gabi. Se ela, pelo menos, compensasse no ataque, tudo bem. Mas, não é o caso. Eu também acho, como foi dito pela Laura, que a Kasiely deveria participar mais efetivamente das partidas. Se a recepção conseguir garantir um melhor passe, a Roberta conseguirá ter mais opções de ataque, efetivando mais as centrais e aliviando o trabalho da Pena e da Gabi. Até porque não será todo dia que a Pena estará em dia de graça. O Pinheiros não conseguiu ajustar a relação bloqueio-defesa à Pena, mesmo com a dificuldade dela em atacar no corredor pela saída de rede. Espero que o Pinheiros não baixe a guarda na próxima partida. O time tem uma recepção mais regular, conta com boas centrais e uma ótima oposta. Gostei muito da Lana na partida, mas senti falta de uma porteira mais efetiva no ataque, até para aliviar o trabalho da Bruna. A Mari ajudou em vários fundamentos, mas não esteve bem no ataque.