Na Superliga, quem manda é o Praia

Vôlei Nestlé 0x3 Dentil/Praia Clube
Fernanda Garay bia Osasco
Foto: João Neto/Fotojump

No reencontro entre Praia Clube e Vôlei Nestlé após a final da Copa Brasil, os papéis estiveram mais de acordo com o que estamos acostumados nesta temporada.

Ou seja, de um lado um Praia agressivo no saque e no ataque; do outro, um Osasco muito instável, principalmente no passe e no ataque.


E, desta vez, a Tandara não conseguiu salvar a equipe. Inicialmente pouco acionada, a oposta acabou por não engrenar em nenhum momento da partida e, como de costume, nenhuma das outras atacantes da ponta ajudou a desafogar o pressionado ataque paulista. 

Com um passe muito irregular desde o início da partida (e Mari PB sobrecarregada no função) e sem a sua carregadora de piano inspirada, o resultado foi um Osasco sempre na corda bamba. Mesmo quando teve vantagens no placar – conquistadas pelos bons momentos de saque e do bloqueio – não demonstrou ter o controle do jogo nas mãos. 


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O Praia poderia ter perdido a mão do jogo com a saída da Garay no terceiro set. De fato o time perdeu parte da sua agressividade ofensiva e uma opção importante de contra-ataque (muito bem trabalhado pelo time, por sinal). Acabou dependendo de uma Fawcett ainda em processo de retorno às quadras e que não foi uma bola de segurança para o ataque.

Mas o conjunto se manteve estável e foi mais paciente e preciso nos finais do sets, trabalhando a bola e fazendo valer as fragilidades do Osasco. Cresceu nos momentos decisivos, impulsionado pelos bons saques, principalmente da Fawcett, e pelo bom aproveitamento dos contra-ataques. 


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O Praia tem sido assim na Superliga. Um time com propriedade e padrão de jogo, que costuma ter a partida sob o seu controle. Porém, no testes de decisão da temporada – Copa Brasil e Mineiro – o time decepcionou e se apequenou.

E não adianta. Por mais méritos que o Praia tenha tido nesta vitória e por mais qualidade que tenha apresentado, a dúvida sobre o poder de decisão do time permanece – e vai permanecer até que passe pelos playoffs. 



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Demais resultados da 9ª rodada do returno:

Hinode Barueri 3x2 Vôlei Bauru

São Cristóvão Saúde/São Caetano 2x3 Fluminense

Renata Valinhos/Country 1x3 BRB/Brasília 





Pinheiros 3x0 Sesi-SP

- O Zé Roberto ultimamente deixou a cautela que tanto lhe caracteriza de lado. Primeiro, mal chegou a levantadora Lloyd, no meio da temporada, já a colocou como titular. Agora, Thaisa voltou às quadras, depois de quase um ano afastada, também como titular. A central jogou dois sets e fez um ponto de bloqueio. O tempo é curto para que ela recupere o ritmo de jogo e realmente reforce o Barueri. Mas quem sabe, em questões pontuais, como num saque ou numa rede de bloqueio ela consiga ajudar. Quem realmente pode fazer a diferença ao Barueri nos playoffs - e já está fazendo – é a Skowronska. O ataque não fluía com a Edinara, Suelle e Érika. A polonesa entrou no lugar da primeira e, junto com a Lloyd, está dando outro ritmo ao ataque.

Comentários

Kamila Azevedo disse…
Bom, comparando com a partida contra o Minas, em que Tandara foi acionadíssima por Fabíola, no jogo de ontem, Fafá parece ter se preocupado mais com a distribuição de bolas entre as demais jogadoras. Bia fez um jogo irretocável, mas, realmente, em sua formação completa, o Praia Clube é um time imbatível.

A diferença aqui foi que, após a saída de Fernanda Garay, o time mineiro soube manter a calma e virar o set, para acabar vencendo a partida.

Por fim, só queria dizer que achei muito deselegante por parte do repórter do SporTV, ao final da partida, vir questionar a Fabíola dizendo que a Tandara reclamou por ter sido pouco acionada. Fafá ficou visivelmente irritada. Esses são assuntos que devem ser tratados no vestiário.
Paulo Roberto disse…
Ficou a impressão que aquele Osasco da Copa Brasil foi só um lampejo do que o time realmente poderia fazer. Ontem tudo, absolutamente tudo deu errado. Passe horroso, Fabíola correndo atrás da bola feito louca e quando o passe saia por vezes fez escolhas erradas, uma das piores partidas da levantadora desde que voltou ao Brasil. As ponteiras fizeram o de sempre: Mari Paraíba claramente sente a responsabilidade de estabilizar a linha de passe (sinto falta de uma maior liderança da Tássia aqui)e Leyva não consegue compensar na rede o que lhe falta no fundo de quadra. As meios pouco decisivas: Bia teve lampejos da jogadora do ano passado (pelo menos compensa no block sua péssima fase no ataque) e a sérvia é aquilo de sempre. Não entendi porque a Tandara recebeu poucas bolas. No início do jogo pensei que seria estratégia para não puxar uma marcação mais forte, mas as outras atacantes não correspondiam. Depois percebi que ela também não estava numa boa noite, por vezes no segundo set foi acionada e não virou.

Pelo lado do Praia, essa vitória sobre o Osasco deu mais moral e recupera a confiança que estava um pouco abalada. Wal jogou como deveria ter jogado na Copa Brasil. Garay dispensa comentários, hoje é nossa melhor ponteira. A americana faz o que se espera de uma oposta. Elen, embora tenha tido momentos de apagão não comprometeu. Suelen não foi muito exigida pelo saque de Osasco e quando precisou fez boas defesas. Claudinha teve uma noite muito boa. Foi muito segura com o passe na mão e nas raras vezes que o passe quebrou chamou quem virava. Mas continuo com a minha desconfiança sobre esse time justamente por causa da Cláudia. Embora eu a considere uma levantadora de mediana pra quase boa, nos momentos decisivos costuma bugar (lembra uma certa levantadora campeã olímpica, guardadas as devidas proporções).Além disso considero a Fabizona meio que a alma do time. Quando as coisas não saem como planejado basta olhar pra cara dela e você percebe que o time está mal e ela não consegue usar a experiência pra chamar as companheiras de volta.

Enfim, tomara que eu esteja errado e que dessa vez o Praia consiga desfazer a hegemonia carioca na SL.
Não concordo que a Bia está em má fase no ataque não. Acho que ela está jogando bem em todos fundamentos.
O entrosamento dela com a Fabíola ainda precisa melhorar. O time do Osasco é inconsistente nas pontas.
Nenhuma das duas passa confiança.
Acho que deveria voltar a Tands de ponteira e colocar a Paula.

Anônimo disse…
Acho que a Tandara esta se achando muito. Não adianta nada ser lider em pontos na SL e nao conseguir ser uma liderança positiva no seu time. Jogar a Fabiola no fogo foi muito baixo, assim como fez na derrota da primeira fase para o Praia, se desviou das proprias responsabilidades. So como comparaçao, a Claudinha mão de onça nunca foi jogada no fogo por uma de suas companheiras mesmo quando o time perdeu por suas falhas.
Kaike Lemos disse…
O Osaaco esta muito dependente da Tandara, é visivel que a mesma chegara morta ao Mundial! Visivel tambem é que a Fabiola n vai pra seleção, se mostrou bem limitada nesse jogo! Bia e Tandara se salvam nesse time,do jeito que está Osasco para na semi pro Barueri. Como a Laura havia dito a polonesa Skowronska jogou muito bem contra Bauru e a volta de Thaisa e Jaqueline com a cabeça no lugar, o time tem tudo pra chegar a final da SL.
Paulo Roberto disse…
Letícia, pensei nessa solução também. Leyva só deu certo na Copa Brasil.

Concordo contigo anônimo. Realmente o vôlei é um esporte coletivo. Como disse no meu comentário anterior nas vezes que Fabíola acionou a Tandara ela não correspondeu como nos outros jogos.

Kamila eles tem feito isso mesmo nessa temporada. Coisa que é interna, que poderia ser tratada depois eles ficam trazendo quando a jogadora tá de sangue quente. Fizeram a mesma coisa com a Garay na derrota da Copa Brasil.
Laura disse…
Pois é, Paulo. Acho q essa coisa de não usar a Tandara foi estratégia no início. Só q qd acionaram a jogadora, ela não esteve bem. Acabou dando tudo errado.

Acho q a Leyva se adapta melhor ao levantamento da Carol. Não é desculpa para q, até agora, a peruana não se justifique no ataque, mas é a minha impressão.

Kamila, não vi a entrevista. Vc tem toda a razão, parece q quer criar intriga entre as jogadoras.
Anônimo disse…
Paulo Roberto. Na questao a entrevista, a tandara não é juvenil, tem que saber se esquivar de dar esse tipo de declaraçao. A Fabiola por exemplo não polemizou e não passou a responsabilidade para a companheira. Na copa do Brasil a Garay foi rispida com o reporter, em nenhum momento falou que a Claudinha tinha lavado louça antes do jogo e por isso não conseguia levantar. O reporter faz o dele de buscar a informaçao, cabe ao atleta segurar a frustração e no caso da Tandara, não terceirizar a sua propria responsabilidade! abs
Paulo Roberto disse…
Anônimo concordo também que a jogadora tem que saber o que fala, mas cabe ao repórter ter a sensibilidade de tratar certos temas quando o sangue ficar mais frio e a jogadora poder fazer uma análise mais coerente.

No caso da Garay por exemplo ele ficou perguntando sobre detalhes do jogo que ela teria melhor condições de responder depois que tivesse visto o vt.