Fluminense é o novo Pinheiros?

Pinheiros 2x3 Fluminense
vôlei feminino Renatinha
Foto: Ricardo Bufolin/ECP
Quem acompanha a Superliga há alguns anos sabe que o Pinheiros sempre teve um papel importante no campeonato mesmo sendo coadjuvante. Nunca teve grandes investimentos, mas sempre trazia bons nomes para a disputa e, principalmente, se destacava pela força do seu conjunto e pela sua raça que incomodavam os grandes elencos das equipes favoritas.

Pois faz umas duas temporadas que o Pinheiros parece ter perdido um pouco destas suas características, sendo um time menos competitivo no confronto com os grandes - apesar de continuar trazendo à tona bons nomes à SL. E estou achando que o papel que tantos anos foi desempenhado pelo clube paulista está, nesta temporada, se transferindo ao Fluminense.

No duelo entre Flu e Pinheiros na noite desta quinta-feira é que me pareceu mais clara esta mudança. Vi muito do Pinheiros das décadas passadas no jogo carioca, pelo menos no que se trata da atitude. Mais do que questões técnicas e táticas que fizeram a vitória ir para o lado tricolor, pesou muito a personalidade de cada equipe. O Flu está fazendo jus ao slogan da torcida, importado do futebol, que o chama de “time de guerreiras”. 

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O treinador do Pinheiros há algumas rodadas comentava que um dos objetivos da equipe era diminuir o número de erros que dava ao adversário. Contra o Flu, o time conseguiu isso num desempenho exemplar, com uma média de 3 pontos por set somente. A média do tricolor foi muito maior, 7 pontos.

Mas o que impediu a vitória do Pinheiros mesmo tendo esta diferença absurda a seu favor? Parece contraditório, mas pode ter faltado um pouquinho mais de erros. Não erros bobos, mas erros que fossem resultado de uma maior agressividade, de uma postura de tentar encurralar o adversário. A impressão que deu é que o Pinheiros tentou ser perfeitinho, mas faltou sangue nas veias.
 
O Pinheiros deixou o Flu jogar e esperou pelos erros tricolores - que vieram aos montes -,  mas não fez sua parte com competência. Sem um saque agressivo, o bloqueio foi pouco presente. A falta de uma maior efetividade de suas atacantes nos momentos decisivos também pesou. Quando a Bruninha não consegue trabalhar com as suas centrais com mais frequência, principalmente a Roberta, fica muito peso em cima da Bruna Honório pelas pontas.

O Flu também poderia ter este problema na partida, sendo a Thaisinha a mais sobrecarregada no ataque, mas a Renatinha, desta vez, apareceu muito bem para compartilhar a responsabilidade. A recepção, que vinha sendo um obstáculo para o tricolor, esteve bem mais regular nesta partida. A relação saque e bloqueio não foi das mais constantes, mas acabou sendo bem mais decisiva do que a do Pinheiros.

No terceiro o set, o mais equilibrado, o Flu trabalhou com perfeição esta relação para se recuperar no placar e conseguir a virada. E se o bloqueio não pontuava, o contra-ataque era matador com a Thaisinha. 
 
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O Flu é bastante dependente do desempenho da Thaisinha que nem sempre (naturalmente) está num dia muito inspirado ou consegue manter um nível alto a partida inteira. Quando a Renatinha ou a Michelle conseguem acompanhar a colega, o time ganha um alívio ofensivo. O saque e o bloqueio cresceram durante a SL e tem se mostrado uma arma importante, mas que carece de regularidade.

Aliás, constância não é uma palavra que se encaixa muito ao Flu. Mas não dá para negar que, aos trancos e barrancos, o time tem dado seu jeito para conseguir os resultados. Venceu Osasco e Barueri e dispensou o Pinheiros, concorrente direto na tabela. Correndo por fora, pode dar dor de cabeça aos favoritos na SL – coisa que o Pinheiros não tem tido personalidade para fazer.

Comentários

L. Mesquita disse…
O FLUMINENSE venceu neste TURNO: NESTLE, BARUERI e PINHEIROS.
Frequento as LARANJEIRAS e sei que o FLUMINENSE sempre respirou voleibol, lembro-me de MONIQUE e MICHELLE PAVÃO desde que elas eram atletas da NATAÇÃO e de DRUSSYLA desde que ela era atleta do VÔLEI DE PRAIA.
O FLUMINENSE é um CELEIRO DO VOLEIBOL, forma bastante jogadores na base.
O FLUMINENSE é HEXACAMPEÃO SUL-AMERICANO (1971, 1972, 1977, 1978, 1979 e 1980) e BI-CAMPEAO BRASILEIRO (1976 e 1981) de vôlei.
Quando GIOVANNA GASPARINI recusou a proposta de ser reserva da ROBERTA no SESC RJ para ser a levantadora titular do FLUMINENSE é porue ela confiava no projeto e na montagem do elenco com jogadoras de experiência internacional jogando pela SELEÇÃO BRASILEIRA como RENATINHA, SASSA e MICHELLE PAVÃO.
Além disso, o FLUMINENSE tem se destacado muito no fundamento BLOQUEIO com excelentes atuações das centrais LARA NOBRE e LETICIA HAGE.
L. Mesquita disse…
Em relação à derrota do NESTLE para o PRAIA: O fato é que, com LUIZOMAR, as GRINGAS não tem rendido o que podem, por exemplo, lembram-se do que BJELICA e MALESEVIC renderam sob o comando do TERZIC na SERVIA e o que elas renderam sob o LUIZOMAR no NESTLE?
Outra coisa, pela PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA dos JOGOS BOLIVARIANOS, a seleção feminina peruana não é OURO, recorde negativo do PERU do LUIZOMAR.
Outro resultado negativo foi que o PERU ficou em TERCEIRO LUGAR no qualificatório ao MUNDIAL 2018 e a ARGENTINA ficou com a vaga derrotando as PERUANAS no PERU.
E outra, creio que o NESTLE so foi CAMPEÃO PAULISTA 2018 porque quem estava no comando era o SPENCER LEE e o LUIZOMAR estava com o PERU.
fredrise25 disse…
Ótimo post (como de custume) @Laura. Gostaria que você falasse sobre o jogo do Osasco x Sesi. Não pelo o jogo em si, mas pela aparente nova formação do time de Osasco.
Beijox 1000
Laura disse…
Obrigada, fedrise! Não vou conseguir fazer um post sobre o jogo, mas já digo que me agrada que o Luizomar esteja tentando esta formação com a Tandara como oposta. É mais equilibrado assim do que Tandara e Leyva na linha de passe e uma Paula Borgo inconstante na saída. E é mais interessante o resultado q o time pode ganhar ofensivamente se conseguir q a Leyva e a Tandara joguem juntas. Mas, de qq forma, precisa-se de paciência para q a formação ganhe forma. Tomara q a Leyva consiga evoluir sob a pressão que já está recebendo no passe e possa render mais no ataque.