quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Liga italiana: corte de estrangeiras?


O novo presidente da Federação Italiana de Vôlei (Fipav), Bruno Cattaneo (foto), está decidido: quer restringir a presença de estrangeiras na liga feminina a partir da temporada 2018/19. Para ele, ao menos uma vaga por equipe deve ser cortada. Atualmente, é obrigatória a inscrição de seis atletas italianas por partida e a escalação de três delas em quadra. Já neste próximo campeonato, uma novidade: não poderá haver mais de duas jogadoras provenientes da mesma federação estrangeira.

Para Cattaneo, o excesso de estrangeiras tem, de certa forma, prejudicado o desenvolvimento da seleção nacional. E, para reforçar o seu discurso, faz referência à eliminação da Itália para a Holanda nas quartas de final do Europeu deste ano. “Na Holanda quase todas as jogadoras jogaram ou jogam na Itália. Então, devemos fazer alguma coisa sobre a presença de muitas estrangeiras”, disse em entrevista à Gazzetta dello Sport.

Por sua vez, o presidente da Liga Feminina italiana, Mauro Fabris, entende que a qualidade da seleção não está ligada ao número de presença ou não de estrangeiras no campeonato e, como exemplo, lembra do grupo vencedor do Mundial de 2002, época em que não havia qualquer restrição às jogadoras de fora da Itália na liga. Fabris lembra também que todas as jogadoras da seleção atual atuam na série A italiana e que, portanto, o argumento de que as promessas nacionais perdem espaço para as estrangeiras não se confirma. O dirigente, aliás, é a favor de que não haja qualquer limitação. “Se não se pode abrir as fronteiras como antes, ao menos que mantenhamos esta proporção.", defendeu Fabris, também em entrevista à
Gazzetta
 
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Esta é uma discussão antiga e que, volta e meia, vem à tona. Desta vez, vem à tona exatamente num momento em que o campeonato italiano começa a recuperar o seu prestígio e ser atrativo para as principais estrelas depois da crise que afetou os clubes em 2008.

Colocar limites a estrangeiras pode ser um tiro no pé desta retomada de investimentos. Ainda mais agora em que os clubes italianos precisam brigar contra outras ligas muito mais atraentes financeiramente – dificuldade que pode ser agravada se a Turquia acabar com a restrição de estrangeiras na sua liga.

É bastante compreensível que haja uma proteção às jogadoras locais. A imposição de um determinado número de vagas é necessária para que as atletas, principalmente as novatas, encontrem espaço no seu país, prossigam na carreira e, o mais importante, participem de um campeonato de alto nível.

No caso da Itália, acho que a liga ajuda bastante a seleção. Ela tem o Clube Itália, time que dá espaço justamente para as revelações do país disputarem a liga e a aparecerem; tem um mercado amplo, com duas séries com mais de dez times cada; e um campeonato bastante disputado, que tende a formar jogadoras mais preparadas para o cenário internacional.

Se uma seleção não vai bem, provavelmente tem mais a ver com questões geracionais ou de formação do que com o campeonato em si. E, convenhamos, é muito simplório pegar a eliminação no Europeu como um argumento a favor ao corte de estrangeiras.

Um comentário:

Anônimo disse...

Não acho que diminuir as estrangeiras ajude a seleção Italiana crescer, pois sem essas jogadoras o campeonato ficará mais fraco