Copa dos Campeões - Brasil 2x3 Japão

seleção brasileira feminina de vôlei Copa dos Campeões Japão
Poderia ter sido um 3x0. Pro Japão, claro. Não fosse aquela reação brasileira no segundo set, quando o Japão vencia por 24x21 e travou na rede de dois, a partida teria sido uma lavada japonesa – uma merecida lavada, por sinal.

Se o Brasil vencesse a partida, por estes acasos do esporte, não saberia justificar. A seleção fez muito pouco por si. Com exceção do quarto set, quando o bloqueio finalmente fez valer a sua superioridade física, o Brasil não mostrou nada de bom. Nada que tivesse uma continuidade.

Teve somente breves momentos em que o saque entrava e em que a defesa mostrava volume. A única constância do time foi a dificuldade imensa em colocar uma bola no chão e de entregar o passe na mão da Roberta.

O Japão não venceu esta partida com mais tranquilidade porque é um time, ao contrário das suas formações anteriores, que erra demais. No segundo set, aquele em que poderia ter matado o Brasil, entregou 11 pontos. A maioria destas falhas aconteceram no ataque. Foram elas que mantiveram a seleção brasileira viva para além do que merecia nesta partida. 

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Contando Grand Prix e Copa dos Campeões, o Brasil enfrentou cinco vezes seleções asiáticas e perdeu todas. No Montreux, venceu Tailândia e China, ambas também com suas seleções B. A gente espera que pelo menos o Brasil vença a Coreia C na próxima partida da Copa dos Campeões. Ainda assim, o saldo brasileiro ficará negativo contra os times da Ásia em 2017.

Não sei explicar exatamente o que provocou este bloqueio brasileiro contra as asiáticas neste ano. Neste primeiro momento, levanto uma hipótese, relacionada ao estilo de jogo destas seleções e à imaturidade do time verde-amarelo.

Acho que a China se destoa um pouco daquilo que tradicionalmente se espera dos times asiáticos pelo físico e pelo perfil das jogadoras, mais fortes, altas e não tão técnicas quanto as japonesas e tailandesas. Mas todas estas seleções têm um ritmo de jogo - acelerado e de maior tempo de bola no alto - que exige do adversário uma regularidade de concentração e uma consistência nos fundamentos que o Brasil não apresentou nesta temporada.

Agora, difícil explicar como a Rússia, um time bem mais capenga do que o Brasil neste sentido, conseguiu bater o Japão, por exemplo. Talvez porque tenha feito valer a sua superioridade física, principalmente no bloqueio, coisa que o Brasil não fez.

Só espero que os resultados deste ano não respinguem no próximo. Ou seja, que o Brasil não comece a criar um respeito exagerado contra a Tailândia e, principalmente, contra o Japão que, pelo que alcançou este ano, já perdeu toda a reverência e todos os receios que tinha ao nos enfrentar. 

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Pê esse:

- Tirei o chapéu pro o Zé Roberto quando ele começou o terceiro set com Amanda e Monique. Para mim, estas substituições, sobretudo a entrada da Monique, deveriam ter sido consideradas até antes. Agora, não duram nada estas “ousadias” do Zé. Convicção zero. Tá certo que a Amanda também não se ajuda ao ficar duas vezes no menor bloqueio – que já é baixo – do Japão. Mas a Monique poderia ter continuado. Se tinha uma partida em que ela poderia acrescentar era essa. As japonesas se complicaram com o ataque dela no final do segundo set. Fora que ela poderia ajudar no fundo de quadra numa partida em que a Tandara estava tendo dificuldades na defesa. O Zé tem paciência demais com umas, e de menos com outras...

- Suelen é líbero e entrega três pontos, no início do tie-break, em erros de passe.

- A treinador japonesa, Nakada, já virou uma personagem. Não comanda os tempos técnicos, mal fala com suas jogadoras e dificilmente sai daquela expressão fechada. A televisão japonesa não tirou os olhos dela.

- Erika Araki é a Dani Scott do Japão. Desde o Mundial de 2006, está em todas as principais competições. Pela energia e regularidade, deve chegar aos 40 anos em quadra e na seleção. 

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Demais resultados da rodada:


China 3x0 Coreia

EUA 3x2 Rússia

Comentários

Pedro disse…
Não temos uma líbero de confiança na seleção feminina, isso é fato. Muitas pessoas têm medo (eu acho) de dizer isso por não estarem sendo "politicamente corretas", mas a Suelen é gorda demais para ocupar essa função. Peso em excesso prejudica o deslocamento de qualquer atleta (isso é um fato), e a Gabiru não é líbero de origem (portanto não pode ser tão cobrada assim). Temos boas jogadoras para essa posição? Temos a Brait, que mesmo que não estivesse grávida, não estaria na seleção por culpa da má gestão de pessoas praticadas pelo Zé. Na minha opinião, o comando da seleção deveria ser trocado imediatamente (não que a culpa de perdermos esse jogo tenha sido 100% dele), já que quase todos os outros treinadores conseguem taticamente dar um nó na cabeça dele
Palpiteiro disse…
Não analisei detidamente o outro jogo contra o Japão. Mas, neste último, tivemos algum problema no passe, sim, mas nada diferente das outras partidas. O principal problema brasileiro hoje foi o levantamento. Tirando o quarto set, Roberta fez uma péssima apresentação, imprecisa, erro nas seleções de jogadas, ora as levantadas muito perto da rede e baixas, favorecendo a marcação baixa das japonesas, ora muito afastadas ou foras de tempo. Muito me estranha, Zé Roberto, que tanto prima por essa posição e que já foi levantador, não ter arriscado uma mudança. Depois, poderia voltar com ela, se não desse certo. No quarto set, ela foi muito bem e voltou a complicar no quinto. Inclusive, no segundo set, que vencemos, no final, estava 24 a 20, se não me engano, quando entraram Monique e Naiane e o Brasil conseguiu a virada. Era pra manter o mesmo time do final daquele set e não trocar a levantadora. Muitas vezes, com o passe na mão, o levantamento era tão sem condições, que forçava a atacante a largar. Foram várias largadas, muitas, é só observar o jogo novamente. Me espantou que, em nenhum momento do jogo, a comissão percebeu isso. Outro ponto negativo foi o posicionamento do bloqueio, muito mal. Brasil tem que fazer muito ponto de bloqueio no Japão, sempre foi assim. Estranhei também não ter voltado com Mara no quinto set, já que vencemos tão bem o quarto. Carol estava e continuou no quinto set perdida no bloqueio. Apesar de Mara não ter feito tantos pontos, estava chegando nas bolas e forçando as japonesas a errar ou largar. Enfim, vi Zé Roberto ousado, mas errático na sua ousadia.
Alysson Barros disse…
Laura, por que você não fala também quando a Natália, que é "ponteira-passadora", entrega pontos pra cadeira do juiz e pra arquibancada?

Como por exemplo, no jogo passado contra as chinesas. Como também nas quartas na Rio 2016. Ainda não vi a partida de hoje, mas arrisco a dizer: como hoje também. E como em todas as outras em que atuou?

E fica com aquela cara de bonachona de quem não tá nem aí pra nada, às vezes dando risadas das coisas, enquanto todas as outras jogadoras estão concentradas e sérias, muitas vezes tensas.

Vinte e oito anos nas costas. A imaturidade que você mensuona no texto é refletida de modo ímpar em nossa capitã e MVP de todos os torneios que joga. Se brincar vai ser MVP de novo desse.
Kamila Azevedo disse…
Eu não falo mais a respeito da comissão técnica, uma vez que já falei demais sobre isso. Na minha opinião, o ZRG deveria ter sido demitido pela CBV após as Olimpíadas do Rio – 2016, mas tenho certeza de que ele só fica no comando do time porque quer ganhar um Campeonato Mundial e poder sair por cima, dizendo que conquistou todos os títulos possíveis com as meninas.

Hoje, finalmente, consegui assistir ao jogo. Incrível como o Brasil virou freguês do Japão nesse ano. Também estou impressionada em como o Brasil não tem tido paciência para jogar contra as equipes asiáticas. O jogo contra o Japão tem que ser jogado ponto a ponto, com calma e paciência, as atacantes têm que explorar o bloqueio, evitar largar... Saber o momento certo de definir e colocar a bola no chão, porque elas defendem tudo.

Ah, sou fã da Erika Araki: essa é uma das melhores centrais que já vi jogar!

Entretanto, o que me chamou a atenção mesmo foi a postura da técnica japonesa: a mulher NÃO fala, não reclama, não grita, não esbraveja, não elogia, não faz nada. Ela é técnica decorativa?? rsrsrsrs
Sergio disse…
Como alguém pode analisar um jogo que não viu? Sinceramente, as vezes as pessoas deveriam pensar antes de escrever comentários (critica) a uma jogadora. Vi que houve comentários reclamando de Natalia, mas uma linha de passe que tem libero que não consegue passar 70% das bolas e uma ponteira que parece mais uma oposta (como ela consegue se esconder tanto no passe?) então ficamos com duas jogadoras para passar no caso natalia e a libero. Outra é a falta de paciencia que nosso treinador tem com GABI, Michele, Mara. No quarto set quando mara entrou fez até uma gracinha, quando pensei que ele iria continuar com ela, volta carol. Michele, no primeiro erro, foi substituida por Tandara, que não levou bloqueio mas o Japão amorteceu 90% das bolas dela. Então a culpa não foi só de Natalia.
Anônimo disse…
Lindíssimas as japa. Nossa! elas pareciam bonequinhas robóticas! E quando colocam maquiagem ficam mais excêntricas. São sincronizadas; eximias defensoras e chegam a causar as adversarias de tanta defesa que fazem. Nossa! imagina se aparecesse, uma Gamova Japa ou Uma Zhu Japa? A comissão técnica também chama a atenção: há uma interprete;um técnico gringo bonitão e uma técnica que parece mais uma robô:ela não emite emoções e fica distante nos tempos técnicos. Demais! Nipônicas estão de parabéns. Essas Lindas Bonecas versáteis merecem o título.
Laura disse…
Kamila, pior que me veio o mesmo pensamento na hora sobre a treinadora do Japão! Ela tá criando o posto de treinadora decorativa. E o curioso é que o Akbas Ferhat, o treinador turco que comanda os tempos, não é oficialmente nem o primeiro assistente, é o segundo.

Alysson, é só uma questão do que se espera de cada uma. Apesar de ter melhorado no fundamento, a Natália não é especialista em passe e, durante todos estes anos, tem dessas coisas: faz uma jogada genial e logo depois comete uma besteira. Se ela não deveria ser titular, se o Zé insiste nela por demais, é outra discussão que, volta e meia, aparece por aqui. No início do ano, já tinha escrito que a Natália não passa a confiança q uma capitã ou uma jogadora de referência do time deveria ter. Acho tb que ela está recebendo responsabilidades maiores do que as suas capacidades (depois de terminada a temporada vou falar mais disso). Ainda assim, me irrito mais quando ela comete erros bobos no ataque do que no passe, pq o forte dela não é o passe.

Ao contrário da Suelen que, como líbero, deveria ser a primeira jogadora a dar segurança neste fundamento. Esperava mais dela no passe, até por sua qualidade técnica. Entre defesa e recepção, as funções de uma líbero, ela sempre foi melhor na recepção. E não foi só nesta partida que ela cometeu erros seguidos de passe. Erros que dão pontos, que sequer dão continuidade na jogada. Se não podemos contar com a líbero na recepção, vamos contar com quem?
Was disse…
Uma dúvida (não acompanho o vôlei japonês a tanto tempo assim):
Aquela técnica do japão foi uma jogadora importante no passado? É incrível o quanto a tv japonesa foca ela o tempo todo. A mulher parece ser uma celebridade . Kkk
Laura disse…
Was, ela foi sim! Foi levantadora da seleção nas Olimpíadas de 1984, 88 e 92. Antes de virar treinadora, trabalhou como comentarista (é o que diz o site da FIVB, eu não conhecia ela). Só não sei se o fascínio da TV é por causa da sua importância ou pelo comportamento peculiar dela.
Was disse…
Entendi, valeu por sanar a dúvida.
Nem quando a Sheilla jogava no japão era tão visada pelas câmeras.
Matheus disse…
Partida LAMENTÁVEL. Tinha que levar um sonoro 3 a 0 para aprender a pararem de jogar assim e pro Zé entender que Natália NÃO FAZ MILAGRE e que Suelen não deveria ter ido nem pra Suíça em maio, pois o placar de 3 a 2 foi totalmente mascarado para uma partida sem pé nem cabeça. Aliás, o Japão teve seus méritos pq esmurrou o Brasil com o 25/18 e 25/15 e só levou pancada no 4º set.

Além disso, a postura de Zé Roberto e sua comissão técnica tem que ser avaliada urgentemente. Postura essa que custou as Olimpíadas no ano passado. Nunca vi TANTA TEIMOSIA em um técnico só. Tá tudo errado, tudo! Espero que em 2018 as coisas possam melhorar pois temos que comer muito feijão com arroz para o título inédito no Mundial, além de aprender a voltar a ganhar da China e do Japão (e da Tailândia rs).
Foi bom termos perdido novamente para China e Japão, senão ZRG e companhia acabariam que o time já está pronto após vencer o GP.

No Brasil se tem o péssimo costume de ver única e exclusivamente o resultado, mas se esquece de como chegou lá.
Se "esqueceria" que passamos para a fase final do GP na bacia das almas, tendo que jogar tudo em Cuiabá. "Esqueceria" que só fomos para a semi após um milagre da China (que havia nos atropelado). Mas como vencemos, pronto, não importaria mais.

Camilla Paiva disse…
Jogo horroroso. É impressionante como essas meninas não passam confiança. Esses esses apagões que elas sofrem imobilizam o time todo, e não tem ninguém, nem em quadra e nem fora dela que as façam reagir. O Zé, apesar de fazer uma mudança no time não a mantém. Mesmo a Mara entrando melhor que a Carol e marcando o bloqueio japonês, ele tira ela no set seguinte. Assim como fez com a Monique no lugar da tandara. Outra coisa que falaram acima e eu concordo, como a Suelen não está correspondendo a expectativa! Ela Vem fazendo partidas irregulares e nessa, especificamente, entregou o tie break, não ta dando segurança na recepção. Zé deveria ter posto a gabiru pra jogar, pois apesar dela não ser libero de origem, tem feito boas partidas e chegado nas bolas, o que a Suelen não consegue várias vezes. Quanto a saída do Zé e da comissão eu acho que reclamar disso é "chover no molhado". Teremos que engolir o Zé até 2020, pelo menos, pq se ele por ventura vencer esse mundial, duvido que irá sair sem querer o tri olímpico. Então acho que pro torcedor resta esperar pelo milagre desse time de ajeitar. No fim das contas, pelo menos pra mim, o problema não tem sido perder, porque eventualmente isso pode acontecer, mas sim a forma como elas perdem. Nesses apagões elas parecem um bando de amadoras perdidas em quadra, sem rumo, e quem assiste de fora fica inerte. É de dar nos nervos mesmo.
L. Mesquita disse…
Mais uma vez eu pergunto: o que NAIANE foi fazer no JAPÃO???
Nas finais do GRAND PRIX MACRIS foi muito útil nas inversões, e NAIANE? O ZÉ não confia nela para as inversões então o que ela está fazendo no JAPÃO???
Kaike Lemos disse…
O ZRG ja tinha se superado , ao levar a levantadora mais irregular da SUPERLIGA e tirou a melhor levantadora do Brasil. Naiane é só mais uma Ana Tiemi só tem altura. AGORA PERDER PRO JAPÃO! A IRREGULARIDADE das meninas preocupa demais pois assim não da pra confiar. AGORA É BATER OS EUA E CONSEGUIR UMA PRATA. NESSA COPA DOS CAMPEÕES VERGONHOSA!