O GP do Brasil na balança


DEU GOSTO VER

Tandara  

Toda avaliação individual acaba por não ficar imune à inconstância do time no Grand Prix. A Tandara não é exceção, mas deu para perceber a sua evolução durante o torneio. Cresceu na fase final, deixando o excesso de erros de lado e sendo a bola de segurança que o Brasil precisava. Há algum tempo esperávamos esta resposta da Tandara, e acho que ela também. A posição de oposto era uma das mais delicadas para repor neste início de ciclo. Muitas promessas, nenhuma confirmação. A Tandara, sobre quem muito se discutiu se deveria ter sido escalada nesta posição, acabou vestindo bem o papel de oposta neste GP. 

Centrais 

O prêmio da Bia ao final do Grand Prix serve como reconhecimento as demais centrais brasileiras que entraram em quadra. Bia, Adenízia e Carol tiveram, cada uma, momentos importantes na campanha. O fato do Zé Roberto tê-las usado conforme a característica dos adversários também foi um fato positivo. No caso da Bia especificamente, começou como titular, perdeu posição contra as seleções asiáticas por causa da sua lentidão, e recuperou a vaga na fase final aparecendo bem no bloqueio e - o principal - sendo um importante escape no ataque.

 Ataque do fundo-meio  

Tanto a Natália como a Tandara, juntamente com a Roberta, transformaram esta jogada numa bola de segurança para o Brasil. Funcionou bem em todas as partidas, com exceção da semifinal contra a Sérvia. Uma bola que a Roberta está à vontade para fazer e que é uma saída importante na rede de dois. 


Capacidade de reação

Cheguei a comentar em um dos posts antes do Grand Prix, que considerava este novo grupo pouco inspirador e apático. Individualmente continua não sendo muito empolgante, mas o time como um todo mostrou um espírito de luta muito bacana quando ficou em apuros durante o torneio. Uma força e uma energia coletiva que não estava vendo até o início do GP e que, felizmente, apareceu.



NÃO AGRADOU

Líberos 

A defesa brasileira demorou a aparecer neste GP e ainda ficou devendo em muitas situações. É bem verdade que, normalmente, é um dos últimos aspectos a se acertar num time. Isso pode dar um desconto, mas não esconder o fato de que a Suelen, a líbero titular, ficou abaixo do esperado. Faltou vir dela o exemplo de correr atrás de cada bola e comandar do fundo de quadra. Suelen deixou a desejar na agilidade e no reflexo. Apesar de ser extremamente técnica, teve momentos comprometedores na recepção quando deveria vir dela a segurança no fundamento. Já a Gabi, que estreou na posição, mostrou agilidade na defesa e muita vontade. Porém, mostrou que tem uma estrada longa para se firmar nesta nova função. Não se saiu bem no passe e lhe faltou qualidade nos levantamentos de contra-ataque, o que também comprometeu o desempenho brasileiro. 


Inversão 5x1 

Não foi um recurso útil para o Brasil neste GP por diversas razões. Primeiro porque a Monique, por suas características, não costuma ser jogadora de inversão, daquelas que entra e logo mostra resultado. Ela é jogueira, precisa de mais tempo em quadra para render. Segundo porque a Roberta é, além de mais alta, melhor bloqueadora que a Monique. Terceiro, os ataques atrás da linha de três pontos funcionaram bem no Brasil neste GP, em geral. Ou seja, a inversão pouco ou nada acrescentou. 


Passe 

O principal motivo de tantos “baixos” da seleção durante o GP foi a irregularidade no passe. Rosamaria não se saiu bem e as tentativas de escondê-la no passe causaram muitas dificuldades no torneio. Natália ficou muito sobrecarregada. Drussyla dividiu melhor a responsabilidade da recepção com Natália do que a Rosa, mas não é, ainda, uma passadora muito confiável. Os problemas no passe acabaram por prejudicar também o trabalho da Roberta na distribuição. Como ela não é das levantadoras mais habilidosas, as centrais só foram acionadas com o passe A, o que aconteceu muito pouco.


Inconstância  

Com uma base de time definida desde o início da temporada, esperava que o Brasil chegasse ao final do GP com mais regularidade. A diferença entre uma partida e outra foi enorme, fora os altos e baixos dentro da mesma partida. Sem dúvida tudo isso fez com que o título tivesse muita emoção e graça, mas também quase nos deixou de fora do final six e, depois, da semifinal.  

Comentários

Anônimo disse…
Discordo quanto a inversão em parte.... toda vez que o José Roberto fazia inversao o Brasil estava perdendo com 5, 5, 7 pontos de diferença ai fica complicado para qualquer uma jogadora na fase da terra resolver sozinha tirando muitos pontos como mencionado,sem contar que quando entrava era nessas condiçoes e nao tinha continuidade para pegar ritimo logo a tirava. Acredito muito no jogo da Monique e a vejo tao boa quanto a Tandara cada uma com seus aspectos de jogo lógico.
Kamila Azevedo disse…
Perfeita a sua análise, Laura. Não tem muito o que acrescentar, a não ser o fato de que sou contra o Brasil trabalhar com 3 levantadoras, por exemplo, para um torneio como o Grand Prix. A Macris foi prejudicada pelo pouco tempo de treinamento que teve com as jogadoras (que, em sua maioria, já vinham jogando juntas desde Montreux) e isso foi visto no erro da combinação de algumas jogadas, como aquela china com a Bia, na final contra a Itália, por exemplo.

Acho que o ZRG, no caso específico das levantadoras, deveria trabalhar somente com 2 convocadas, ao invés de 3 jogadoras, visando justamente o melhor entrosamento do grupo.
Sergio Roberto disse…
Gostaria de destacar a participação da Roberta. Fofão foi reserva da Fernanda Venturini por muitos anos. Dani Lins e Fabiola chegaram até a seleção já titulares absolutas em s us clubes. Roberta disputou uma Superliga inteira como titular e uma final. Com 27 anos tem ainda muito futuro pela frente.
Embora ela não tenha uma técnica apurada, joga para o timeless é disciplinada taticamente, além de bloquear, sacar e defender muito bem.
Robstter disse…
Ótima analise novamente Laura.
Com esse título me lembrei da Mari em Pequim com o gesto de silêncio. Praticamente ninguém do mundo do vôlei daria esse titulo ao Brasil, mas é aquela historia: se o Brasil chegar a final dificilmente perde. Destacaria tbm as substituições do ZRG, que nessa fase final saiu um pouco do seu conservadorismo. E para mim o melhor aspecto dessa seleção é a bola meio- fundo, ela funciona com uma naturalidade enorme. E Laura, vc poderia fazer uma analise das outras seleções da fase final. Abraço.
A Tandara fez um ótimo campeonato como oposta na seleção. Paula Borgo e Lorenne terão alguma chance na seleção adulta? Ou somente para depois de 2020? Tandara volta ao Vôlei Nestlé para jogar de ponteira-passadora tendo justamente as duas revelações na posição de oposto no mesmo clube.
O Zé vai insistir com a Gabi de líbero? Ela vai pro SESC-RJ jogar de ponteira-passadora. Já foi comentado em outros posts que o Brasil tem boas líberos nas categorias de base. Por que não dar oportunidade a elas?
Isso não tira os méritos da conquista do Grand Prix pelo Zé Roberto, mas essas trocas de funções entre as jogadoras é algo, digamos, estranho.
Pop On Air disse…
No Brasil infelizmente se tem essa mentalidade de que a jogadora é muito nova e precisa ser lapidada, ai ficam anos no banco dos clubes e nao tem chances reais na Selecao. Enquanto vimos varias jovens de outras seleções ja chamando a responsabilidade. A Lorene nao vai ter oportunidade na Sel adulta nem tao cedo
L. Mesquita disse…
Em relação às liberos acho que a tática da seleção masculina de revezar os liberos THALES HOSS, quando o Brasil recebe o saque e THIAGO BRENDLE quando o BRASIL está sacando, poderia ser utilizada na seleção feminina para que a SUELEN não ficasse sobrecarregada. Porém, acho necessário uma libero de verdade para revezar com a SUELEN e não uma jogadora adaptada na posição, como é o caso da GABIRU... O Ze poderia revezar a SUELEN com a JU PAES FILIPELLI, CAMPEÃ MUNDIAL SUB23, ou com a LAIS VASQUEZ, CAMPEÃ SUL-AMERICANA SUB23, que são duas liberos da nova geração que já poderiam estar ganhando ritmo de jogo na SELEÇÃO PRINCIPAL nesse GRAND PRIX... Caso não queira contar com uma novata e prefira uma jogadora mais experiente, ZE poderia contar com o retorno da LEIA para revezar com o SUELEN. No final das contas, na seleção, é imprescindível contar sempre com DUAS BOAS LIBEROS, pois como diz o velho ditado: "Quem tem uma, não tem nenhuma, quem tem duas, tem uma"!!!
Em relação à MONIQUE, basta rever os jogos do MUNDIAL DE CLUBES cujos os CLUBES EUROPEUS, repletos de estrelas de todo o canto do MUNDO e são mais fortes do que as seleções nacionais de CHINA, SERVIA, ITALIA, HOLANDA ou EUA, pra ver o valor da MONIQUE como jogadora... Comparando o MUNDIAL DE CLUBES com o GP, VAKIFBANK, ECZACIBASI, VOLERO ZURICH e DÍNAMO MOSCOW, tinham equipes mais fortes que as seleções nacionais do GP e a MONIQUE se virou muito bem contra elas. O fato é que MONIQUE praticamente não teve a oportunidade de mostrar seu jogo no GP e não pode ser criticada se não pode mostrar seu jogo. O fato é que ela é muito raçuda é guerreira e se precisasse ela iria se doar em quadra.
Raimundo Aoki disse…
A posição de oposto nunca tive preocupação. Se fosse para para substituir a jogadora aí sim ficaria preocupado.
A Suelen perdeu a oportunidade.
Roberta ainda é muito verde. Macris acho que não tem chance, pelo estilo de jogo e altura.
Passe, esse pra mim o maior problema. Não apareceu duas ponteiras passadora eficientes. Treinamos a Tandara Natalia, Rosa pra função, mas não funcionou ainda.
Laura disse…
Alexssander, é um mistério. A Lorenne fez uma grande SL e nem foi chamada para treinar. Edinara entrou no Montreux algumas vezes e só. O Zé gosta mto da Monique, então acho q ele vai apostar nela e na Tandara para serem as opostas.

Mesquita, vc fica sempre tão na defensiva quando se fala da Monique q não presta atenção. Eu não critiquei a jogadora em si, o que eu disse é q ela tem um perfil, características de jogo que, na minha visão, não combinam tão bem com a inversão. Acho a Monique muito competente e não duvido que, se tivesse mais tempo em quadra, teria se saído bem. É mais negócio tê-la no time titular do que como opção de inversão. Por quê? Exatamente pq ela é uma jogadora super técnica e habilidosa, com um ótimo fundo de quadra, mas que, por não ser alta nem ter muita explosão, precisa de tempo para pegar a manha do bloqueio adversário para explorá-lo e etc. O problema é que a inversão não dá todo este tempo, são umas três passagens para resolver o pepino. E isso é que não funcionou no GP. Aliás, faz tempo q o Brasil não tem esta opção bem desenvolvida. É nisso q reside a minha crítica, não na Monique especificamente.

Robstter, pretendo fazer!


L. Mesquita disse…
Boa Noite Laura, entendi seu ponto de vista e acho que vc está certíssima, quando eu falei de críticas não me refria a você, mas àqueles que discriminam a Monique sem prestar a atenção no trabalho dela com rótulos tipo Toconique... Entendi sua observação, e acho que Monique seria melhor aproveitada na seleção como OPOSTA-PASSADORA com TANDARA e NATALIA de ponteiras e EDINARA entrando na inversão do 5x1. Mas enfim, isso é só achismo meu... No final das contas, o que mais gostei nessa seleção foi que todas jogaram(unica exceção foi a MARA, que não entrou) e nenhuma que foi substituída deu chilique ou ficou de cara amarrada... Pela PRIMEIRA VEZ NA VIDA vi o ZE mexendo BASTANTE no time sem medo... Ao meu ver não temos nessa seleção de agora jogadoras que se sentem estrelas como DANI LINS, THAISA e JAQUELINE. Todas entram em saem sem fazer CARAS E BOCAS! O conjunto prevaleceu, as jogadoras do banco foram fundamentais e eu vi uma mudança de atitude no Ze tanto na semifinal qto na final... Tomara que ele não volte a ficar ENGESSADO como ficou na RIO 2016 e no MUNDIAL 2014. Espero que o ZE deixe a ousadia fazer com q as reservas joguem, como foi nas FINAIS desse GP!!!
Laura disse…
Mesquita, peço desculpa por ter entendido errado. ;) Abraço!
Kaike Lemos disse…
Nada contra Monique , mas precisamos de uma 2· oposta mais agressiva no ataque. A Paula e a Lorenne tem que ter a oportunidade. Tomara que o ZRG chame elas e teste a MARA no sul-americano. As Russas estao precisando de uma ponteita boa de passe pra cubrir a Kosheleva, que é um DESASTRE no passe!! Os EUA começaram bem a competição, mas aí Bartsch machuca , Murphy apaga e a Kingdon desespera no passe. Agora e classificar pro Mundial , pra ver se nos ganhamos. Obs: Pra MIM a Ofelia Malinov foi a melhor levantadora. A Ding é toda lesada pra levantar!