2005 vs. 2017



Neste início de ciclo, tem sido comum a comparação entre o processo vivenciado pela seleção hoje e o experimentado em 2005. Há mesmo muitas semelhanças. Nos dois casos, a seleção vinha/vem de um insucesso numa Olimpíada e precisou/precisa encaminhar uma renovação.

Os mesmos torneios que hoje vão ser campo de testes para o novo grupo brasileiro (Montreux, Grand Prix e Copa dos Campeões) também serviram para dar corpo ao elenco de 2005 que, na sua maioria, acabou por permanecer e defender o Brasil nos anos seguintes. 


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Em 2005, porém, a seleção levava muito pouco de 2004. Mais precisamente, Sassá e Valeskinha, as únicas jogadoras de Atenas presentes na campanha daquele ano. Claro que depois, como todo mundo sabe, juntaram-se a elas Fofão, Mari e Fabiana.

Neste ano, Tandara, Adenízia e Natália fazem a vez das experientes. E se estivessem em condições, Gabi e Jucy também estariam no elenco. E, se bobear, se não pedissem dispensa, Garay e Dani Lins.

As jogadoras que iniciaram o ciclo de 2005 também estavam, me parece, mais preparadas para segurar a missão, tanto a nível técnico como de experiência. Houve uma renovação precoce e forçada no Mundial em 2002 que deu cancha à Sheilla, Paula e Fabi. Além disso, Raquel e Carol Albuquerque já eram figuras constantes nas listas do Bernardinho anos antes. 

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Para não nos prendermos somente a números e nomes, há 12 anos havia outro espírito. Uma vontade de fazer o novo muito forte, de deixar o trauma de Atenas para trás e construir uma jornada vitoriosa. E não falo isso sob a perspectiva atual em que já conhecemos o final da história. Era a minha sensação na época e, por sua juventude e ambição, aquilo que as novas jogadoras transmitiam em quadra. 

Ainda não percebo o mesmo espírito e foco neste início de ciclo. Talvez seja porque há um maior conservadorismo, talvez porque haja um menor sentido de necessidade de mudança. Não sei bem.

O bom é que as histórias não precisam ter o mesmo começo para ter o mesmo final feliz. 


Quem sabe o Grand Prix, que começa na próxima sexta-feira, possa nos mostrar que o grupo atual, ainda pouco inspirador, também tem potencial para construir e nos fazer acreditar em um novo ciclo vitorioso

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Seguem os jogos do Brasil na primeira rodada do GP:

07/07 – 13h30 - Brasil x Bélgica

08/07- 10h30 - Brasil x Sérvia

09/07 – 13h30 - Brasil x Turquia 


Comentários

Gilbert Angerami disse…
Nada a ver com o post, mas.....
Alguém sabe se o Volosh saiu do Estadão? Ele pode ser capcioso, maldoso e polêmico, mas que tem uns furos e noticias quentes não podemos negar.
Rah Silva disse…
O grande desafio dessa primeira etapa será a Sérvia que vem muito forte mesmo com alguns desfalques.
Zivkovic/Bjelica
Mihajlovic/Malesevic
Rasic/Stevanovic
É uma líbero nova que n lembro o nome mais fez bonito na Yelstin.
Nesse jogo eu reversaria a Roberta de titular com a Macris na inversão porque a Macris é ousada e pode ajudar muito. Tandara e Monique seria ideal porque Monique tem muitos golpes e pode ajudar muito.
Na ponta começaria com as titulares Natália/Rosamaria. Mais seria a chance de da uma força a Tomé ou Edinara na ponta caso Rosa nao corresponda suficiente. A líbero a Suellen que é nossa melhor opção no elenco. De Central melhor a Adê está recuperada, e caso Carol n corresnpoda o melhor seria Mara que Bia.
Lincoln Maeda disse…
Ele postou essaensagem no facebook: "Há uma sequência de etapas quase inevitáveis quando a gente decide mudar. A pausa é uma delas. É apenas o processo vital da vida que pede a renovação. O fim é o começo, ou recomeço, a história é repetição, ou nova versão, tudo que se move muda, ou reestrutura. Ciclos, fases, páginas, chame como quiser. É o velho ditado: "você é o autor da própria história"." E criou um perfil como blogdovoloch...
Yano o Chato disse…
Laura, eu acho que a SFV tinha uma missão: a de se colocar no mundo do vôlei tal qual a seleção masculina e vencendo campeonatos e se apresentando como time forte a ser respeitado. Para isso três gerações lutaram muito: a de Ana Moser e Venturinni, a de Fofão e Waleswka e a de Sheilla, Fabiana, Fabi, Jaque, Thaísa. Enfim, conseguiram o feito.

Posso estar completamente errado, é apenas minha leitura, mas desde então o foco das jogadoras que entram na seleção é outro, o de realização pessoal. Não que as gerações anteriores não pensassem nisso. É claro que pensavam, mas havia um patriotismo, um senso de responsabilidade, uma vontade de chegar onde as gerações anteriores não conseguiram e honrar as jogadoras anteriores, a camisa verde e amarela e representar o país.

Hoje o sonho das jogadoras de vôlei é chegar à seleção apenas. É uma conquista individual. É como querer ser médico porque dá status e dinheiro, não importando que tipo de médico eu vá ser e que contribuição darei à sociedade. As jogadoras querem ser Sheilla, Jaque, Mari, Paula, Fabiana, Tháisa, mas não são.

Acho que um espírito de responsabilidade e compromisso ficou pelo caminho, o mesmo aconteceu na seleção masculina. Giba, Serginho, Ricardinho e cia, não eram apenas craques. Eles representavam um ideal. Eram monstros quando jogavam, intimidavam os adversários. Sérginho e Fabi são ícones ótimos para exemplificar o quero dizer e talvez não esteja conseguindo. O desespero em não perder Fabi e Serginho não é apenas pela perda de bons jogadores técnicos, é o desespero de perder líderes, referências, jogadores que na hora da pressão aparecem e resolvem, não tremem.

Isso se perdeu, e junto foi um pouco de técnica, de altura, no longo de 20 anos o vôlei mudou, as outras seleções modernizaram seu jogo, ou seja, o quadro hoje é muito mais difícil para o Brasil.

Eu vou torcer, mas não sou otimista com essa formação. Já disse antes. Não vejo Natália, Tandara, Rosamaria entre outras decidindo jogos que Sheilla, Fofão e Jaque, por exemplo, definiram. Também já não acho o técnico tão bom como antes. Não se reciclou. Não renovou.

É isso. Mas juro que estarei aqui comentando e torcendo pelas meninas e perturbando vocês.

Laura, você poderia fazer um post sobre o perfil das jogadoras convocadas, o que acha?
Yano o Chato disse…
Lincoln Maeda, esse post do Voloch é velho. Também tô preocupado com o fofoqueiro mor do vôlei brasileiro. Já tem semanas com aquela foto da Skowronska lá. Será que foi preso por calúnia ou difamação?
L. Mesquita disse…
Prabenizo a Laura e seu blog pelo alto nível, profissionalismo e qualidade dos textos e temas abordados e também pelos filtros que impedem que esse blog seja o baixo nível que eh o daquele Senhor... Houve muitas reclamações por parte dos leitores do ESTADÃO, inclusive eu, sobre os textos de péssima qualidade técnica, repletos de deboches, de factoides, de rancor, de inverdades, de perseguições a técnicos, jogadores e a alguns clubes e babação de ovo de outros... Uma das coisas que mais me incomodavam era a perseguição ao Brasília com aquele indigesto "PENETRA", perseguições ao Bernardinho, a Fabíola, a Mari, a Paula, ao Medioli dirigente do Cruzeiro, ao Praia Club... Enfim eram muitos desafetos... A cada postagem mentirosa ou denegridora da imagem seja das pessoas ou dos clubes eu fazia questão de ligar para o SAC(serviço de atendimento ao consumidor) do Estadão, reclamando da falta de profissionalismo desse PSEUDO-JORNALISTA! Mais uma vez ele foi EXPULSO de canal de comunicação, assim como já havia sido EXPULSO do UOL e da BAND, justamente por ser mentiroso, fofoqueiro e desagregador. Além do que ele só publicava comentários que eram favoráveis a ele, inclusive muitos de baixíssimo nível , e ignorava outros tipos de opinião.
Laura disse…
Yano, interessante sua análise. Sobre o post, minha intenção é publica-lo hj de noite, mas nao sei se conseguirei.
Anônimo disse…
Amei o post. Parabéns Laura! O PapoDeVolei e o ToFly são os melhores sites sobre vôlei. Sou fã.
Unknown disse…
Então..Eu creio que são histórias diferentes na pratica do esporte brasileiro na perspectiva de género. Isso fica mto claro pra começar na composição dsd comissões técnicas diante das atuações das mulheres.Isso se reflete em treinamento, abordagem pessoal,em questões de calendário e premiacoes, haja visto Grand Prix e Liga Mundial qUE se equivalem enquanto competições.Temos uma questão mais profunda que é o descaso e descuidado com a pratica da educação física nas escolas fomentando o gosto pela prática de esportes. Se a gente pensar no masculino até a Rio 2016 revelação era única era o Lucareli.Precisa-se tomar um certo cuidado para falar de uma relacao no esporte, sendo ele um espaço de poder masculino e hetero na relação patriotismo e vida pessoal.Nesse sentido, o Wallace não tem e não terá que amamentar e que se não bastasse ainda foi elogiado pela midia por ter sido Pai e ter tido "um tempo"com a família. Me poupem. Falta de investimentos e de vontade de lagar o osso nos comandos desse espOrte não pode culpabilizar as atletas.Convoca quem manda e aceita quem suporta esse universo.
Paulo Roberto disse…
Concordo e muito com o que o Yano falou e acrescento o que já havia dito em outro post: as jogadoras de 2005, mesmo mais novas que as atuais já assumiam mais responsabilidades, não eram tratadas como bebês, promessas que iriam vingar. Se exigiu delas o mesmo que se exigia da geração anterior, com jogadoras como Virna, Leila, Ana Moser, Venturini e cia que dispensa comentários.

Mas sem querer ser repetitivo, mas já sendo, isso passa pelo comando e pela gerência. Repito, o Zé tem seus méritos, um dos melhores do mundo sim, mas tudo tem o seu tempo e acredito que o tempo dele na SFV já passou. Sobre a gerência, acho que isso também é fruto de um trabalho muito mal feito na base, que não consegue revelar tantos talentos como em outros países.
Yano o Chato disse…
Concordo contigo também Paulo. As gerações anteriores não eram de meninas, eram de mulheres. O perfil delas era de mulheres maduras, responsáveis, comprometidas. Não vejo isso hoje. Hoje vejo mais meninas trilhando um sonho glamoroso.

A CBV precisa garimpar no Brasil afora e tirar o vôlei do eixo sul-sudeste. É muito pouco para um país tão grande. O Brasil é miscigenado demais para perdemos o benefício da mistura de raças. Poderíamos achar jogadoras interessantíssimas por aí, fortes, altas, com outro tipo emocional, etc. Mas se quer todos os estados brasileiros participam do campeonato nacional. Algum tipo de inclusão deveria ser feito nesse sentido. Talvez um time na superliga que tivesse 2 jogadoras de cada região ou algo assim.

Unknown, também acho que a questão de gênero atravanca o desenvolvimento do vôlei feminino. Você deveria elaborar mais seu ponto de vista e apresentar para nós.
cleyton nayos disse…
Yano , entendi bem o que quis dizer.
Concordo contigo, principalmente com relação ao Zé Roberto, antes ele era mais humilde e o ouro de Pequim subiu à cabeça, ele ficou se achando O ESTRATEGISTA e passou a dar ênfase na parte tática. Podem reparar que antes de Pequim ele treinava as jogadoras, tanto que a equipe toda chegou em Pequim no seu auge físico e técnico, mas agora ele parece ser um tanto desmanzelado com isso e tenta apenas "encaixar as peças certas" ao invés de "preparar as peças".
Kaike Lemos disse…
Essas meninas podem conseguir muita coisa! Jogar igual Sheilla Castro, Jaque, Fabiana só se elas treinarem até a exaustão. Esse novo time é um time sacador. Passe Regular. Ataque Bom e bloqueio excelente. Só a defesa (exceto a Suelen) precisa melhorar.
Unknown disse…
Combinado....não sei porque meu nome não sai aqui.