A força das circuntâncias


Depois do título em Montreux, o Brasil se prepara para o Grand Prix, o anual torneio-maratona do vôlei feminino. Nesta terça-feira, recomeçaram os treinos da seleção.

seleção brasileira vôlei feminino Grand Prix
Como já publicado no site da FIVB semana passada, a lista de 19 jogadoras seleção brasileira não conta com Gabi e Juciely. 

Os planos do Zé Roberto para o GP não estão saindo muito dentro do previsto. Ele queria trabalhar com 16 jogadoras para o torneio, mas Leia pediu dispensa e Gabi e Jucy estão sem condições físicas. Restaram 14 17 jogadoras, nas quais se incluem o grupo campeão do Montreux, os reforços de Monique e Macris, além da Bia que retorna após se recuperar de lesão.

Nenhuma das demais inscritas para o GP (Paula Borgo, Val, Juma e Saraelen) foi chamada para treinar com o grupo. 

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Apesar de, obviamente, não comemorar os problemas físicos da Gabi e da Jucy, estou achando ótimo estes e outros casos que estão obrigando o Zé Roberto a sair da rotina. Porque não sei o quanto o treinador estaria disposto a trazer novos nomes à seleção se não fossem os pedidos de dispensa e as limitações físicas.

É verdade que, mesmo neste cenário que o empurra para uma renovação, ele ainda consegue ser um tanto conservador - vide a questão das opostas. Mas as circunstâncias não deixaram alternativas ao treinador a não ser apostar em algumas caras novas para o grupo. 



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Por mais que Gabi e Jucy não tenham sido titulares nos últimos anos, não é nelas que reside a minha curiosidade em ver defendendo a seleção no GP, acho que já sabemos o que elas podem acrescentar. 

Pode-se dizer que é uma oportunidade que se perde em tê-las como protagonistas do time brasileiro, mas oportunidade maior perdida será se não se colocarmos as novatas para jogar. O GP tem rodadas a rodo para fazer testes. 

Mas sei que é pedir demais do Zé, já estou convencida que a minha curiosidade em ver Macris, Gabiru, Bia, Edinara e etc em quadra não será totalmente saciada. 


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+GP

- Os EUA irão para o GP com uma proposta semelhante ao Brasil, mas mais radical. Lloyd, Gibbmeyer, Dixon e Murphy formam a base para a maioria das novatas.

- A Sérvia, por sua vez, inscreveu sua força máxima. A dúvida é saber se o Terzic irá usar Mihajlovic, Rasic e Boskovic (que se recupera de uma lesão) em todas as rodadas. Pelo que conhecemos do treinador, não. Mas não se pode esquecer que o GP serve como preparação para o Europeu.

- A Rússia resolveu poupar suas duas maiores estrelas: Kosheleva e Goncharova não participam do GP. Em compensação, caras conhecidas como a de Shcherban, Zaryazhko e Startseva estão na lista russa.

- A China é que surpreende ao levar para o GP todo o time titular campeão olímpico. Não porque o time seja velho e precise de renovação, muito pelo contrário. É que a seleção costuma não dar bola para o torneio e, com o ritmo acelerado de renovação que tem, não seria nada anormal ver um grupo totalmente novo. De qualquer forma, muitas novatas vistas no Montreux vão estar disponíveis para o GP, caso da central Gao, da levantadora Diao e da ponteira Qian. 



Comentários

Gilbert Angerami disse…
Acredito que está cada vez mais claro a filosofia da atual comissão técnica: tentar jogar sempre com que eu tenho de melhor no momento.
Experiências? Somente em caos extremos tipo passe esta quinando, não esta virando, entra alguém e resolve, esse alguém permanece e ganha a vaga momentaneamente até se firmar se conseguir.
Uma coisa acho que esta clara: ele não mexerá no esquema tático e como disse no post anterior, É O QUE TEM PRA HOJE!!!
Nos resta torcer e trocar nossas ideias em busca de uma seleção consistente e competitiva.
Leonardo Lucas disse…
N sei pq convocou essas dai, se elas nem vao poder mostrar serviço.Paula e Lorenne deviam ser. Testadas, alem disso val e alta e tem q ser lapidada , assim como juma ,1ue tem q ter experiencia internacional
Yano o Chato disse…
Esta convocação deixa claro que a renovação já acabou. Ele vai tentar ganhar o Grand Prix a todo custo, eu vou torcer muito mesmo, mas duvido que ganhe. Eu quero muito queimar a língua com essa nova fase da seleção, mas acho difícil.

Achei um absurdo não ter levado a Juma, Paula, Lorenne, entre outras. Nem que fosse pra entrar um set ou treinar junto, já que jogar mesmo ele nunca deixa.

Sem vontade mais de comentar sobre o Zé.
Guilherme Andrade disse…
Lendo o comentário do Gilbert Angerami, lembrei da queda do Brasil diante das chinesas na Rio-2016: "É O QUE TEM PRA HOJE...", vide a inércia do Zé em ter feito alguma modificação a tempo de reverter o resultado daquela infeliz partida... Na realidade, O Zé me passa a impressão de que nunca confia no banco de reservas que tem... Mas como confiar no banco se ele não deixa as reservas jogarem para que possam ganhar rodagem?? Triste... Queria muito que ele não focasse em vencer o torneio e aproveitasse a oportunidade para que os novos talentos ganhassem experiência internacional...Caso a vitória do torneio acontecesse ao final, esse gostinho de campeão seria muito maior, pois ganharíamos, além do título, jogadoras mais experientes para ciclo olímpico que se inicia...
Lucas Gadelha disse…
Levar Fernanda Tomé e Edinara(que é uma grata surpresa e tem muito potencial) e não levar Paula Borgo e Lorenne é uma incoerência gritante. Paula Borgo, apesar de ter feito uma superliga irregular e um tanto apagada, foi uma das grandes pontuadoras das duas superligas anteriores à última. Foi a bola de segurança do Brasil no Montreux 2016, chegando a anotar quase 30 pontos em uma partida contra a seleção da Turquia(que tinha jogadoras titulares). A menina tem potencial. O mesmo se aplica a Lorenne. Lorene duelou na final do Mundial Juvenil contra a Martinez( que hoje é a grande estrela da seleção dominicana com 20 anos) marcando 39 PONTOS. As duas possuem boa estatura e características que a seleção carece há muito tempo. Pelo menos um "convite" para treinar elas poderiam receber.
Gilbert Angerami disse…
Guilherme Andrade agora quem me fez lembrar de um fato foi vc.
Nos áureos tempos da seleção masculina, quando os titulares Ricardinho e André Nascimento estavam mal, era feita a inversão e SEMPRE o Anderson entrava e virava a maioria das bolas, revertendo vários placares adversos, ou seja, havia confiança no banco e ele NUNCA foi o titular da posição.
Na minha ótica, Seleção não existe reserva mas sim quem está melhor no momento ou quem tem características melhores para enfrentar tal equipe, já que voleibol é um esporte coletivo.
Tudo leva crer que o ZRG está fazendo testes sim, mas para o banco de reservas!
Yano o Chato disse…
laura, tem como postar gráficos, tabelas e imagens aqui?
Yano o Chato disse…
Gente, tô um pouco perdido. Alguém poderia colocar de fato uma lista das jogadoras que vão para o Grand Prix? Por favor.
Laura disse…
Yano, nos comentários não.

Eu é que confundi o número de jogadoras, o Zé tá trabalhando com 17. Vou voltar pra escola para aprender a contar... =/

Levantadoras: Roberta, Naiane e Macris,
Opostas: Tandara, Monique, Fernanda Tomé e Edinara
Ponteiras Natália, Rosamaria, Drussyla e Amanda
Centrais: Carol, Adenízia, Bia e Mara
Líberos: Suelen e Gabi.

Não sei se ele vai revezar todo este grupo nas viagens ou se vai haver uma redução antes.

Jess disse…
Boa noite gente;

Nossa, da uma agonia dessa convocação da seleção.. pra que levar Tandara, Monique, Natália? Cadê a Valquiria, Samara, Lorenne, Paula?

Sei que Não, mas queria que ele testasse muito a Edinara, Mara, Tomé, Drussyla, Rosamaria, Gabiru de libero..
Guilherme Andrade disse…
Apoiadíssimo Gilbert Angerami, esse conservadorismo do Zé chega a irritar, como bem se percebe pelos comentários aqui do blog...Como a Laura bem observou diversas vezes, acho que o tempo dele já passou... De fato, é um bom técnico, tem os méritos dele, mas não podemos ficar pra sempre focados no presente, temos que estar sempre pensando no agora e no futuro da seleção, para que o Brasil se mantenha sempre competitivo...De fato, como muitos comentaram, parece que ele está sempre focado em ganhar títulos, completar o currículo, pelo menos é o que se pode concluir dessas atitudes dele...Na Rio-2016, apesar da China ter escondido um pouco o jogo, fiquei com a impressão de que ele ignorou completamente o forte time chinês, fez questão de 02 amistosos contra a Sérvia antes, achando que a final seria Brasil vs Sérvia, e na hora que se precisou, na hora do sufoco, pareceu-me que ele não tinha um plano B contra a China, ao contrário da Lan Ping...Acho difícil o técnico chegar a essa altura da carreira e mudar de atitude, vamos observar...Acho que a China com força total no Grand Prix seria um ótimo teste experimental para as novatas...
André disse…
Laura, eu acho seus textos extremamente cirúrgicos: você sempre apresenta ótimas análises e vai ao ponto chave da questão. Admiro demais o trabalho do ZRG, acho um técnico de muita competência (e não à toa é tricampeão olímpico). Mas, é algo incompreensível essa mania de falar que vai dar oportunidade às jogadoras, que fará rodízio para dar experiência e acaba só ficando na fala. Nós temos material humano imenso nesse país, mas não estamos sabendo trabalhá-lo. Enquanto Estados Unidos, China, Sérvia e até mesmo a Itália já estão renovadas ou iniciando o seu processo, a gente estacionou no tempo. Por dois ciclos olímpicos, tivemos jogadoras fantásticas, mas o tempo chega para todas. Na Rio/2016, sofremos muito por levarmos um time jogueiro, mas envelhecido. Além disso, como muitos já disseram, ele, no jogo contra a China, sequer ousou mudar o esquema tático. Claro que não podemos abrir mão de jogadoras como Garay, Natalia, Tandara e Adenízia nesse momento (mas, todas essas estão próximas ou já passaram dos 30 anos). Quantas jogadoras abaixo dos 25 anos, de fato, estão com chances de defenderem a seleção? (só Gabi?). E vamos insistir em manter Jaqueline e convidar Fabiana e Sheilla pra voltarem??? Não nos esqueçamos que esse teimosia do ZRG nos deixou um legado ruim que é falta de uma levantadora diferenciada. Tivemos Fofão e Venturini durante muito tempo (e ainda bem que tivemos)... mas, ficamos insistindo só nelas e acabou que nós pulamos o desenvolvimento de levantadoras de uma geração (Carol Albuquerque, Fabi Berto, Marcelle e Gisele só ficaram na promessa). Não acho a Dani Lins uma levantadora extraordinária. ELa é boa, mas está longe de ser tão diferenciada, especialmente, quando tem uns apagões inexplicáveis.. Não sei, eu começo a defender que, para o bem da renovação de nosso voleibol, ZRG deixe o cargo. É preciso renovar a comissão técnica também.
Paulo Roberto disse…
Como alguém falou ali em cima, cansei de falar sobre o ZRG. É falar sempre a mesma coisa, dando murro em ponta de faca. Resta torcer, meio que sabendo que os resultados desse ciclo me tirarão do sério.
Antonio disse…
Laura,
Desculpe a mudança do assunto, mas soube hoje que a Superliga Masculina foi totalmente reformulada, para melhor, por acordo entre clubes e CBV. Você conseguiria apurar se existe a mesma perspectiva para a Feminina?
Evandro Mallon disse…
Ola Laura e pessoas aqui.
Vc(s) viram as novas regras que serão testadas no Mundial sub23?
- O saque flutuante ou viajem, o jogador terá que aterrizar antes da quadra;
- O ataque da linha dos 3 metros , a bola no outro lado terá que cair depois da linha dos 3 metros do lado adversário. Ou seja, largadas atras do bloqueio que caiam antes da linha de 3 metros nao serão aceitas;
- 7 sets com 15 pontos cada.

O que vc(s) acha(m) disso?
Rah Silva disse…
Não lembro de quando o Motta assumiu a seleção, mais pelo q li ele que veio em si com uma renovação na seleção naquele instante, era tempo em que a seleção tava como hoje veteranas tentando ganhar tudo e quando assumiu foi boicotado pelas atletas, porém, deu chance a atletas novas como, Fabiana, Thaísa, Sheilla, Jaque, e assim foi se renovando a seleção.
Jess disse…
Evandro , EU achei uma coisa muito sem noção; E espero que isso não vá pra frente..

Vcs viram que agora a SL masculina terá finais em 3 jogos e os jogos serão transmitidos pela internet? Seria tão bom que a feminina seguisse pelo mesmo caminho..

Sobre a seleção, Ze vai colocar ACHO:

Roberta/Tandara
Natalia/Rosamaria
Ade/Bia
Suellen
Laura disse…
Evandro, eu sabia desta história dos sets em 15, mas não sabia das outras mudanças. Acho q vou fazer um post sobre isso para discutirmos.

Antonio, pelo pouco que sei, os clubes femininos não estão/são tão unidos e ativos quanto os do grupo masculino, que tem no Cruzeiro uma espécie de liderança. Foi um grande passo da SL masculina, eu tb gostaria que a feminina seguisse o mesmo caminho.
Evandro Mallon disse…
Entao Laura e Jess, eu também gostei não gostando. Porque uma: vai dar ralis enormes no feminino e com saque com menos potência, a recepção vai na mão e vai ter ataques de rede poderosíssimos.O que, na verdade, acaba indo contra a ideia de ter mais ralis, principalmente no masculino.
Uma coisa que seria a favor é subir a altura da rede no masculino uns 10cm pelo menos.
Kaike Lemos disse…
O Brasil precisa de pelo menos uma jogadora alta. Zé Roberto não da chances e é isso que me tira do serio. A Lorenne por exemplo menina é bola de segurança e faz 30 pts ou 29. A China vai vir com a Zhu, a oposta ajuda a Zhu pra não sobrecarregala. To doido pra ver Brasil x China aquelas kengas vão ver. Falando de Lorenne superliga 17/18 vai ta muito equilibrada.
Isa Costa disse…
ZR foi surpreendido em 2016, no jogo contra a China ele não sabia o que fazer. Acredito que a derrota tenha feito ele focar mais no jogo das chinesas, tenho certeza que ele vai saber montar a estratégia correta no momento oportuno.

Não confio na Gabiru, acredito que ela não vai se sair bem como líbero. Se líbero de verdade já tem dificuldade, imagina uma falsa. Ela vai se arriscar em outra posição justo na seleção brasileira, alguns meses não serão o suficiente pra ela se adaptar e mostrar um bom serviço.