Do fundo do baú



Nesta quinta-feira, tivemos a boa notícia de que a Nestlé renovou o contrato de patrocínio ao Osasco por mais um ano, formando, assim como a Unilever com o Curitiba e, depois, o Rio de Janeiro, uma das parcerias mais duradouras do vôlei nacional feminino.

Coincidentemente, no mesmo 13 de abril, há 20 anos, o Leites Nestlé conquistava seu terceiro título da Superliga. Naquela temporada situado em Sorocaba, o time comandado por Sérgio Negrão e pela Fernanda Venturini fechou a série final contra o Mizuno-Uniban/São Caetano por 3x0.

Foi o último título de SL daquela primeira fase de patrocínio da Nestlé, que terminou em 1999. O retorno aconteceu em 2009 com a parceria com o Osasco que dura até hoje – e torcemos para muitos mais anos. 


***********************************

Desde sempre a Nestlé entrou com investimentos pesado nos seus times. Quando surgiu, como Leite Moça, teve no seu elenco o trio da seleção brasileira vice-campeã mundial: Venturini, Ana Paula e Ana Moser. Outras selecionáveis como Denise, Karin Negrão e Ricarda também fizeram parte da equipe (as duas últimas estiveram nas cinco temporadas de existência do time). Depois passaram por lá Virna e Leila.

O Leites tinha tradição também de trazer estrangeiras para o elenco, como a ótima atacante norte-americana Tara Cross Batle, contratada após a saída da Ana Moser (por causa do ranking) na temporada 96/97 e que ficou até a extinção da equipe. As centrais Susanne Lahme, da Alemanha, e Dani Scott, nossa velha conhecida, também tiveram passagens marcantes. 

***********************************
 
Voltando a falar sobre a final da SL 96/97, o Leites Nestlé terminou a campanha com apenas duas derrotas. Era o super time da época, e a expectativa até era de que conquistasse o título invicto como na edição 95/96.

O time titular que entrou na final era formado por Venturini, Denise, Ricarda, Tara Cross, Karin e Susanne. Ana Paula engravidou e não jogou até o final da temporada.

Por uma ironia do destino, a hegemonia do Leites na SL foi quebrada no ano seguinte pelo estreante Rexona...

Para quem estiver na mesma vibe saudosista como eu, pode assistir o terceiro e decisivo set da final (em imagens de alta definição) aqui.

Comentários

Evandro Mallon disse…
Oi Laura, tudo bem ?
Ótima recordação isso. E também foi por causa de terem ganhado invicto a superliga em 95 - 96 foi criado o ranking.
Curiosamente o Rexona com um time mais modesto ganhou a superliga em cima do todo poderoso Leites Nestlé.Enquanto o Leites tinha Ricarda, Virna, Tara Cross, Dani Scoth , o Rexona de nome de peso tinha só a Fernanda, a Estefania e a holandesa Cintha. Na época Érica, Raquel, estavam estreiando e Valeskinha era um nome que apenas comecava a ficar forte no mercado do volei.
Rah Silva disse…
Seria interessante que...
Levantadoras: Claudinha/Ananda
Oposta: Egonu/Sara
Ponteiras: Tandara/Suelle
Maira/Thaisinha
Centrais: Flávia(Renata Valinhos)/Mayhara/Nati Martins/ Aline (Rio do Sul)
Líbero: Brait/Tássia
Laura disse…
Isso mesmo, Evandro!
Jess disse…
Que esse patrocínio continue por muito tempo..e desejo que outros patrocinadores sejam capazes de tornar nossa superliga competitiva..
Evandro Mallon disse…
Foi uma época muita boa do volei feminino. Tínhamos com condições de título o Leites, o Rexona, Mappin Pinheiros, Mesbla Recra, MRV - Suggar Minas e o Davene Paulistano.

No ano seguinte entraram UGN Guarulhos e Marco XX Estrela.

Isso a 20 anos atras, ou seja, estou na flor da idade e acabei de completar 18 anos hehehehe.
L. Mesquita disse…
Cintha Boersma foi a primeira e unica MVP OLIMPICA q ja jogou no REXONA, maior estrela do primeiro titulo da Superliga que o Rexona conquistou em 1998. Jogava como central ou oposta na quadra e tambem jogou volei de praia. Foi Capita da Holanda na conquista do Primeiro Campeonato Europeu pela Holanda em 1995, eliminando a favorita Russia na semifinal que contava com Sokolova, Artamonova, Godina, Morozova e Tischenko. Nas Olimpiadas de Atlanta/1996, como Capita da Holanda, foi eleita MVP OLIMPICA, nessa olimpiada nao havia libero e Cintha Boersma jogava como CENTRAL-PASSADORA pela Holanda, assim como ANA PAULA jogava como central-passadora pelo Brasil, antes de ir para o volei de praia. A primeira olimpiada com libero foi em Sidney/2000. Cintha Boersma era uma jogadora FANTASTICA, muito simples e carismatica como pessoa, liderou um Rexona com um plantel cheio de novatas na conquista da Superliga contra o FAVORITO NESTLE, cheio de estrelas da SELECAO BRASILEIRA da epoca!!!
Rodrigo André disse…
Laura, boa lembrança do Leites Nestlé... Eu sou de Sorocaba e cresci vendo esse time jogar. Aliás, esse time que me fez gostar de ver o volei. Era um time que se envolvia com a cidade. Lembro-me de uma visita que Fernanda Venturini fez, à época, na minha escola (com outras atletas do clube também). Se me permite uma correção, o tricampeonato aconteceu ainda em Sorocaba. Somente no ano seguinte o time se mudou para Jundiaí, onde não ganhou mais e terminou extinto 2 anos depois. Diziam por aqui que o que motivou a saída da Nestlé da cidade foi o fato de o novo prefeito não permitir mais que o ginásio municipal continuasse todo pintado de azul e com a marca da Nestlé. Procuraram, então, outra cidade. Uma pena, pois tinha uma forte identidade com o local (antes do volei, a Nestle já tinha patrocinado o basquete aqui). Sobre os times do Leites, algumas curiosidades: o trio Fernanda, Ana Paula e Ana Moser foi sem dúvida o grande destaque da equipe, e quando surgiu o ranking uma delas teve que partir. Quem saiu foi Ana Moser, que tinha se lesionado na temporada anterior, mas que era uma das mais guerreiras do time. Denise e Ricarda sempre compuseram bem as pontas. A última tb teve uma lesão que atrapalhou muito seu desempenho no ataque, mas a consistencia que ela dava ao fundo de quadra compensava (aliado ao poderio ofensivo com Tara, Karin, Ana Paula...). Karin, aliás, se não me engano foi eleita 2 vezes a melhor atacante da superliga, e me surpreendeu que não tenha jogado nas Olimpiadas de 96. Tudo bem que Ana Flavia passava, mas naquele ano, no ataque, era a nossa melhor central. Atacava inclusive do fundo, tendo feito passagens como oposta posteriormente na própria seleção. Josiane, uma central discreta no ataque, tambem colaborava no passe, e pelo que sei ficou em Sorocaba (as vezes a vejo por aqui). Na final em que o time ganhou o Tri já se sabia que a Fernanda estava de partida para a equipe do Unilever, a ser montada pelo Bernardo. Essa dupla sem dúvida era quase imbatível. Mesmo com Virna, Karin, Dani Scott não foi possível segurar as curitibanas. A esforçada levantadora Andrea Marras não comprometeu, mas tb não conseguiu extrair tudo daquele time. No segundo e ultimo ano do Leites em Jundiaí, Leila era a oposta e uma central do leste europeu reforçou o time, mas a campanha modesta fez cruzar com o Rexona nas semis. O time até cresceu nessa fase mas não passou, e acabou desfeito. Interessante que na temporada seguinte, para recuperar o título perdido no ano anterior para o Uniban, o Rexona parecia uma reedição do próprio Leites de antes, com Fernanda, Karin e Tara Cross. E deu certo!
Laura disse…
Rodrigo, que legal as suas lembranças! Na época, eu tinha uns 11, 12 anos, não me lembro de muita coisa, mas lembro como o ginásio, todo personalizado, era marcante. Era um time q destoava dos demais por todo este investimento e marketing.

Impressionante como, com a invenção do líbero, as meios mudaram, né?

E obrigada pela correção! Realmente me atrapalhei nas datas. Na verdade, para mim, na minha memória, o Leites sempre foi em Sorocaba, me surpreendi qd li que tinha passado por Jundiaí tb.