Barueri é da elite. Bom para a SL, nem tanto para a seleção

O Hinode Barueri garantiu uma vaga na Superliga 17/18 após vencer o Curitibano por 3x0 na final da Superliga B.

A ascensão do time treinado pelo Zé Roberto já era esperada visto que, além do comando, havia uma diferença bastante significativa entre o elenco de Barueri e os demais. 


***********************************
 
Há muito que se comemorar o fato de um projeto que, além de abranger um trabalho com categorias de base, deseja entrar para brigar pelas primeiras posições na elite do vôlei nacional. A SL e o esporte brasileiro precisam de mais projetos assim.

Sei que a atração que Barueri exerce sobre os apoiadores e patrocinadores está na pessoa idealizadora e comandante do projeto, o Zé Roberto. E admito que tê-lo na SL principal é muito interessante para dar um upgrade na qualidade e na competitividade da competição.

No entanto, não mudo minha opinião de que não considero saudável para a seleção ter o seu treinador no comando de um time feminino no país. Em outros momentos em que esta discussão veio à tona, comentei sobre os conflitos de interesse e desconfianças de que a “dupla jornada” pode provocar.

A última experiência que tivemos neste sentido, por sinal, resultou em convocações questionáveis. Ou alguém não lembra aquele time da Copa dos Campeões de 2013 em que a seleção era composta pela base do time de Campinas, treinado justamente pelo Zé? Aí tínhamos a Natália sem estar na sua melhor forma, a Claudinha aparecendo como uma aposta (descartada logo depois por um desentendimento do treinador com ela no clube), Wal e Gattaz sendo “resgatadas” ao invés de centrais mais jovens serem testadas e agregadas ao grupo...

Estar à frente de um time feminino brasileiro coloca uma nuvem de dúvidas sobre suas escolhas como treinador da seleção brasileira – e não só por parte de nós, torcedores, mas também pelas próprias atletas. Um desgaste que pode ser prejudicial para a seleção, ainda mais num momento que exige renovação. 



*********************************** 

Não sei o quanto o Barueri conseguirá investir no time para a próxima temporada. Rumores e boatos não faltam – é isso que não me agrada nesta época de transações, por isso prefiro comentar somente o confirmado.

Reforços obviamente são necessários para entrar forte na Superliga. Boa parte do elenco atual serviria mais para composição do que para ser titular num time que quer disputar a ponta do campeonato.

Mas, do elenco atual, o Barueri tem duas jogadoras de estilo semelhante e que, ao menos uma delas, deveria ser assegurada para a próxima temporada: a Érika ou a Suelle. Há uma escassez deste tipo de ponteira mais técnica e com forte fundo de quadra no Brasil e no mundo. Em tempos em que todos os semifinalistas desta SL têm um belo de calcanhar de Aquiles na recepção, ter uma jogadora como elas no grupo é um bem precioso.



Comentários

George disse…
Olha, ao que tudo indica, pelas performances que eu vi do time, a Suelle deve ser segurada para a próxima temporada, bem como a Ana Cristina (pra ser reserva). Gostei da atuação da Dani Terra ontem. E acredito que deva ser a aposentadoria da Daldegan que perdeu a titularidade. Talvez a Fê Isis deva continuar, mas a Vivi Góes não. Gostaria que a Sara fosse mantida, acho que ela tem futuro, sim.
Li algo sobre a Banwarth estar sendo cotada para vir para o time, mas acho que a Dani Terra dá conta do recado. Deveriam investir em estrangeira para ser ponta de definição e oposto.
Yano o Chato disse…
Eu sou completamente contra o técnico da seleção treinar um time da superliga de mesmo gênero. Você colocou todas as questões conflitantes muito bem, Laura. O caso de Campinas é o melhor exemplo. Além disso nossos dois técnicos, têm uma leve tendência à antiética, se necessário.

A figura do técnico da seleção é muito forte e atrai as jogadoras. Tudo pode virar um jogo de troca e de interesses muito facilmente.

Ainda tem o clima pesado quando as atletas da seleção cruzam com o time do técnico da seleção. Eu só vejo com maus olhos. Se ele quisesse ajudar o vôlei poderia treinar um time de base ou em outra categoria para preparar as atletas mais novas nos fundamentos do vôlei. Ou, se o objetivo é competir, treinar um time masculino.

Não gosto dessa ideia não.
Laura disse…

Isto mesmo, Yano!

Concordo com vc, George, em tudo. Eu gostaria que a Sara ficasse se fosse para jogar. Acho q o importante para ela agora é ter esta experiência como titular numa competição de maior cobrança e nível. Não sei se, pela inexperiência e idade, o Barueri não vai optar por ter uma jogadora mais rodada na posição para ser a titular.

Yano o Chato disse…
Gosto muito da Sara. Ela deveria ter continuado no Brasília e ser titular no lugar da Andréia.
Observações:

*uniforme do Hinode/Barueri é lindo!;
*ginásio do Barueri é um dos mais bonitos e, pelo pouco que vi, confortável/organizado.

Tomara que a qualidade da SL 2018 seja elevado.
Thulyo Praxedes disse…
Realmente Laura concordo com a sua opinião, e por incrível que pareça este é o meu primeiro comentário no site rs (mas não vem ao caso), o nível que o Zé Roberto passa é muito alto, um líder mesmo, creio que algumas atletas do time não continuarão no mesmo devido a uma provável "briga" para trabalhar no time do Técnico da Seleção principal, mas é inegável a importância de um novo time para apimentar a Superliga tão "taxada" como anda a nossa, com os mesmos times indo a Semi e Finais, e etc. O vôlei agradece sempre. Vamos ver as surpresas para 2018.
Unknown disse…
Laura,
Total concordância com vc e com a opinião de colegas aqui. Não é boa essa configuração de técnico da SFV ser técnico de time feminino, vice-versa no masculino.
E digo mais, nesse ciclo de Tóquio, mais do que nunca, a meritocracia deveria ser elevada ao máximo, porque é necessária uma renovação.
E, como bem lembrou Yano lá em cima, tanto ZRG quanto Paulo Coco tomam decisões com vieses pessoais, e os exemplos estão aí para nos mostrarem indícios de que essa tendência não vai mudar. Pior, temo que vá piorar.