sábado, 18 de março de 2017

Para além do feijão com arroz

Quartas de final – 1º jogo

Dentil/Praia Clube 3x1 Brasília 
 
 
Foto:Túlio Calegari/Praia Clube
 
Deve ter batido um medinho nos torcedores do Praia Clube quando viram o Brasília vencer o primeiro set com um jogo redondinho e de poucos erros enquanto a sua equipe se perdia em falhas de saque, passe e ataque.

Eu mesma fiquei com receio de que, emocionalmente, o Praia sentisse demais a derrota. Afinal, o time de Uberlândia não é dos mais estáveis da Superliga. Mas o Brasília também não.

O problema do Brasília, porém, é mais tático e técnico do que emocional. O que limitou que a equipe de Anderson Rodrigues perdesse a força a partir do segundo set foram os poucos recursos ofensivos. Nenhuma novidade, não é mesmo?

Já comentamos aqui que o Brasília praticamente joga com uma jogadora a menos em quadra, principalmente se considerarmos o momento do ataque. Andreia não “chegou” para esta temporada.

E Macris demonstrou nesta partida exatamente por que não consigo admirá-la. Ela tem de qualidade técnica o mesmo que tem de falta de criatividade. Se no início da campanha, o Brasília era só as centrais, agora é só as ponteiras. Falta equilíbrio e o fator surpresa na distribuição.

Na partida, a levantadora teve em sua defesa a queda de qualidade do passe, que foi acontecer mais significativamente no terceiro set. Mas até lá, houve muito pouca variação. Nem a recrimino por não acionar a Andreia, mas sim por desperdiçar a velocidade das suas centrais. 
 
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Sem grande variação, o Praia Clube acertou sua marcação nas bolas da Amanda e da Paula. Curiosamente, muito mais na defesa do que no bloqueio, que só foi aparecer mais para o final da partida. Com tranquilidade e qualidade, aproveitou muito melhor os contra-ataques.

A partida toda não foi de muito protagonismo dos sistemas defensivos. Saque e ataque falaram mais alto na disputa.Também foi um jogo de muitos erros de saque e ataque, o que baixou um pouco o nível do confronto. 

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Individualmente, o Praia teve os destaques da Michelle e da Claudinha. A ponteira foi responsável pelo crescimento do fundo de quadra mineiro e pela regularidade no ataque. 
 
A levantadora fez novamente uma partida correta tanto na distribuição como na qualidade, principalmente dos contra-ataques. Colocou todas as suas atacantes pra rodar e, desta vez, manteve a ousadia na dose certa. 
 
Em resumo, enquanto o Brasília serviu feijão com arroz, o Praia serviu um PF completo.
 
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Praia Clube e Brasília se enfrentam novamente na próxima terça-feira (21/03). Para empatar a série, o Brasília terá que tirar uma oposto da cartola e ampliar os horizontes da sua levantadora. Ou então, contar com um desencaixe muito grande do Praia. A esta altura do campeonato, a segunda opção, mesmo difícil, é a mais possível de acontecer.

10 comentários:

Paulo Roberto disse...

Concordo Laura. Só não entendo o que o Anderson vê na Andreia pra insistir com ela no time titular. Outra coisa, alguém sabe quem foi "jênio" que orientou a Andreia a virar oposto?

Rodolpho Francis disse...

Paulo, acredito que tenha sido o Wagão. Acontece que na superliga 13/14 ela foi a Melhor atacante da edição(parece até mentira, rs) foi convocada, na superliga 14/15 pelo Rexona e mesmo no Rexona nunca rendeu o esperado, mesmo tendo a Fofão como levantadora. Ela bancou pra Bruna e depois pra Regis, nas semis. No ano seguinte foi pro SESI e mesmo sem pontuar era a titular(detalhe a Sabrina era a reserva dela). Nessa edição da Superliga me parece que o Anderson tentou reviver a dupla Andreia + Macris, do Pinheiros. Pena que não tenha dado certo. Quando a Andreia mudou de posição ela foi fantástica, mas agora ja esta na hora de aposentar.

Paulo Roberto disse...

Verdade Rodolpho, agora me lembro. Aquela primeira temporada dela como oposto parecia mesmo promissora, mas só ficou naquilo mesmo. Deu "chabu".

Chandler Bing disse...

Pois é... Andréia tentou ser ponta, mas não rendia no ataque, daí virou oposta e vamos combinar, ela foi bem. No Rio tinha vezes que não era nem escalada. Depois de lá, não jogou mais nada.
O que é uma pena pro Brasília, se tivessem uma oposta de desafogo (sei que este assunto já está chato) poderiam ter ido além.

Macris não me convence, não tem jeito. Pode ser melhor levantadora em estatísticas, mas pra mim uma levantadora vai além das estatísticas, e Macris não me enche os olhos.

Yano o Chato disse...

Ai, tantas coisas para dizer sobre os jogos e sobre este especificamente. As quartas estão sendo verdadeiras lições do que é o voleibol.

Ontem me caiu a ficha e entendi a Andréia. Ela está sendo vanguardista e no futuro iremos reconhecer o que ela fez pelo vôlei. Ela criou uma nova função: oposta de composição. Ela saca, passa se precisar, cobre, compõe o bloqueio, ataca china pelo fundo!!!!!, saindo da posição 6 para a posição 1 e atacando de uma perna que nem saci. A única coisa que ela não faz é pontuar. Aliás pontua uma ou duas vezes na partida, o que já é esperado para uma oposta de composição. A culpa não é dela se o time ou o técnico esperam demais dela.

Todos os comentários acima foram ótimos e o da Laura também. Tudo batido durante a temporada toda. O bom desempenho dela com o Wagão a levou até a seleção brasileira também, mas depois disso foi só ladeira abaixo. Me admira o Anderson, que foi oposto clássico, caceteiro, do qual nunca me lembro ter largado, aceitar aquilo. Bizarro! Pra ela mesma, pro time, pra superliga, para o projeto e para os patrocinadores.


No quarto set o Anderson deveria ter deslocado a Paula Pequeno para a posição de oposta, entrar com a Amanda na rede de dois com a Macris e colocar a ponteira reserva pra jogar. Isso ia abrir a rede já que a Macris seria obrigada a jogar com a Paula.

Macris se perdeu realmente. De longe é a mais precisa, mas a que tem uma das piores distribuição. Tem momentos que ela faz tudo errado. A Sabrina também não dá.

Para o próximo jogo eu entrava com a Paula de oposta. Cogito até colocar a Silvana de ponteira, função que ela desempenhou durante anos. Ia fortalecer o passe com Silvana, Amanda e a líbero e a Paula de oposta se precisasse. Isso daria totais condições para jogar com o meio o tempo todo e teria Amanda e Paula abertas pelas pontas. Quando a Silvana entrasse na rede teria mais duas atacantes com ela e a Amanda pelo fundo, não iria ser problema.

Vou torcer pelo Brasília. Cansei do Praia.

Yano o Chato disse...

Um adendo: mantenho minha tese de que o praia joga melhor com a Natasha do que com a Fabiana.

George disse...

O Brasília precisa reformular-se para a próxima temporada com um banco mais interessante e uma oposto que defina (todo mundo sabe disso). Não consegui ver uma atuação inteira da Sabrina esse ano, será que o fato das pouquíssimas oportunidades que recebeu afetaram diretamente no desempenho dela? De qualquer forma, o time do Brasília precisa das centrais para desenvolver o jogo.
Quanto ao Praia, compartilho do que o Yano falou, acho a Natasha mais a cara do time que a Fabiana.

Chandler Bing disse...

Natasha é sim mais a cara do time. Mas tem uma coisa, Natasha joga com a Claudinha há bastante tempo, elas tem uma entrosamento excelente desde aquele time do Minas da temporada 2011-12. Claudinha por mais que tente e seja esforçada, não tem um bom entrosamento com a Fabiana, assim como tem a Dani Lins, por exemplo.

Joffre Neves disse...

Seria realmente uma boa ideia ter três ponteiras no passe e um time sem oposta de ofício.Sempre é bom testar e nas três mudanças do Anderson não deu certo não,Andrea foi o que foi a temporada inteira,Sabrina teve chance e desperdiçou e uma reserva que me fugiu o nome também.É tarde pra testar algo assim mas nessa situação é necessário,e por mim eu testaria a Paula e a Amanda no passe efetivamente e a Mari Hellen mesmo.A Mari basicamente só atacaria e o meio seria mais usado : A Silvana não seria deslocada porque a líbero reserva é pior no passe que a mesma e não seria interessante perder um passe um pouco mais caprichado da Silvana e a defesa mais presente da Fernanda.

De repente a Larissa Gongra poderia ir na saída de rede e veria se pontuaria mais.Andrea só pra bloquear na inversão de 5 x 1 e depois volta pra o banco.

Yano o Chato disse...

É isso Joffre. O meu ponto de vista é que é um jogo de vida ou morte, tem que fazer algo diferente e não perder insistindo com uma coisa que tá dando errado há tempos. Se tem banco, usa. Se tem o que fazer faz. Já tem tudo pra perder mesmo. Parece uma ideia maluca, mais não é. Com certeza mais bolas a Paula vai virar na saída do que a Andreia.

Veja o Zé Roberte contra a China, perdeu sem fazer nada, com n opções e esquemas táticos possíveis.

Tomara que o Anderson leia o blog. Acho que vou mandar um twitter para o Brasília.