segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Novo velho treinador




Um velho conhecido. Literalmente. Aos 69 anos, Vladimir Kuzyutkin retoma o comando da seleção feminina russa, cargo que ocupou entre 2009 e 2011. Sim, ele esteve por trás do vice-campeonato mundial do Brasil em 2010. Mas também foi responsável pela eliminação russa no Campeonato Europeu de 2011 para a Turquia, fato que culminou na sua saída do comando da seleção.

Em entrevista, Kuzyutkin disse que a permanência dele até 2020 dependerá das atuações no Europeu deste ano e no Mundial 2018. Após estes trabalhos, será avaliada a sua permanência. Ou seja, o nome de
Kuzyutkin é bancado pela Federação Russa até certo ponto.

Aí já está o primeiro problema desta escolha. Se não há a convicção por parte da Federação que Kuzyutkin é o treinador deste ciclo, ele não deveria ter sido o escolhido. O segundo está no tempo em que o treinador está longe das quadras, desde 2013.

Provavelmente, para amenizar estes dois problemas, a Federação colocou como assistente técnico Konstantin Ushakov, ex-jogador da seleção russa e atual treinador do Dinamo Krasnodar. Com 46 anos e ativo no mercado, poderia ter sido a primeira opção de uma seleção que clama por renovação. 
 
 
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Kuzyutkin afirmou que irá colocar as jovens para disputar o Grand Prix e a Copa Yeltsin. Mostrou-se bastante ciente da necessidade de novos nomes para a seleção.

Contudo, não são somente novos nomes que a Rússia precisa. A seleção precisa rever seu estilo de jogo. Não digo abandonar as bolas altas e lentas nas pontas que a caracteriza. Falo de acrescentar outras jogadas ao repertório que, inclusive, reforcem a participação das esquecidas meios de rede, por exemplo.

Também de desenvolver o fundo de quadra, seja o passe como a defesa, valorizando jogadoras mais técnicas. Claro que este é um processo que poderá ser custoso e bem mais demorado se o trabalho nas categorias de base não estiver sendo bem feito.

A verdade é que Rússia corre atrás do tempo perdido, o momento de se construir uma nova história já passou. A decadência do time já era anunciada no início do ciclo passado, principalmente quando começou a insistir e depender das idas e vindas de Sokolova e Gamova. Prendeu-se demais nestas duas jogadoras e no seu passado e negligenciou o presente e futuro que tinha em mãos.

Ao trazer Kuzyutkin de volta, a Rússia não estará incorrendo no mesmo erro? Mais uma vez tentando repetir o passado?

14 comentários:

Yano o Chato disse...

Não sei até que ponto gosto desse imperativo de jogo rápido. Acho que jogo lento é um estilo e pode ser funcional. A própria Rússia e União Soviética já fizeram história assim. Cuba levantava bola alta até no meio e era imarcável. E por aí vai. Só tem que ajustar as coisas. Jogar com as centrais mesmo. Melhorar demais o fundo de quadra: elas não passam nem defendem. E achar uma boa levantadora. Este pra mim é um dos principais pontos. Se der, dá uma acelerada. Não acho que a Rússia tenha ficado para trás por causa do jogo alto e lento, mas sim pelo jogo alto e lento mal feito. O ataque, o saque e o bloqueio funcionam muito bem. Têm que ajustar o resto. Acho o máximo uma bola alta na ponta, bloqueio duplo montado, defesa plantada e aí vem a Kosheleva, ou a Goncha ou a própria Gamova e cravam a bola ignorando tudo isso.
Lembrando que a aceleração do jogo é uma necessidade que surgiu para as equipes de baixa estatura superarem as de alta. Não é regra. Lembrando também, que a própria China, atual campeã olímpica, que tem jogadoras altas e faz jogo rápido, na hora do bicho pegar, é bola alta pra Zhu, ao estilo Russo. O ginásio todo sabe que a bola vai ser pra ela e não tem bloq ueio nem defesa certos.

L. Mesquita disse...

Depois que foi efetivada a REGRA DO LÍBERO, equipes que jogam com bolas ALTAS e LENTAS tiveram mais dificuldades.Com o líbero,o sistema defensivo melhorou muito na maioria das equipes.Na década de 1990,o VOLEIBOL FORÇA de CUBA e RÚSSIA derrubava a bola fácil.Porém,CUBA e RÚSSIA mantiveram seu estilo de jogo e não evoluíram para variar as jogadas.Inclusive a REP.DOMINICA superou CUBA no CARIBE,porque CUBA nunca teve uma líbero de ALTO NÍVEL como a dominicana BRENDA CASTILLO.Hoje a especialização está cada vez maior,as equipes podem jogar com 2 líberos e,muitas delas revezam constantemente suas líberos,em geral uma fica mais por conta do PASSE e outra mais por conta da DEFESA.No REXONA,O BERNARDINHO tem feito isso:tem revezado às vezes a FABI com a VITÓRIA,que entra mais para defender.No Brasília,a SILVANA também tem revezado com a segunda líbero FERNANDA.No PINHEIROS JULIANA FILIPPELI tem revezado com a segunda líbero Letícia Hemelly.No FLU,JULIANA PERDIGÃO tem revezado com ERICA MOTTA.No SÃO CAETANO, ERIKA e DALILA tem se revezado.Acho que CUBA tem que melhorar seu sistema de defensivo.A RÚSSIA tem que por suas centrais para atacar e também investir em LEVANTADORAS MAIS HABILIDOSAS.Fabíola fez o maior sucesso em sua temporada russa,virou a queridinha do KRASNODAR.

Joffre Neves disse...

Temos que ser francos que o jogo de bolas rápidas pra a Rússia nunca deu certo,o que acabou mesmo por lacerar o jogo russo foi que hoje eles não tem mais uma oposta de 202 cm,pode ter goncha e koshe com 1.94 1.91 que hoje estão mais marcadas que gamova e sokolova nos seus tempos aúreos.Pra o time russo melhorar o jogo é preciso que tenha uma ponteira muito alta estilo aquela reserva das olimpiadas no Rio que me fugiu o nome.Treinar mais essas centrais no bloqueio e surgir do cinza com o estilo de jogo que a fez ficar no topo,bola rápida com a rússia nunca deu certo e não vai ser agora que vai dar certo.Bom senso também : cada jogadora rússia que não ajuda em nenhum fundamento...

SUGESTÃO : TÓPICO SOBRE JOGADORAS BRASILEIRAS EM LIGAS AFORA E A BALANÇA,SELECIONÁVEIS OU NÃO.

Laura disse...

Ah, sem dúvida, bola alta tem todo o seu valor. E seria loucura pedir que a Rússia abandonasse este estilo. Mas ela resumiu-se a só isso nos últimos anos, e, como o Yano falou, nem sempre feito com qualidade.

MINEIRIM disse...

Acho muito triste uma seleção com talentos de Goncharova e Kosheleva serem submetidos na equipe nacional a um comando tão restrito tecnicamente. O grande adversário da Rússia a meu ver é a comissão técnica encabeçada pelo técnico. Foi muito amadorismo um país que gosta de vôlei ter uma federação que manteve o pífio Marichev no comando da seleção. A Rússia poderia ter ido mais longe mesmo com as jogadoras que tem e tem muito material humano para evoluir. Como apaixonado pelo voleibol feminino, apesar de brasileiro fico triste de ver que jogadoras do cacife de Goncharova e Kosheleva sob esses comandos técnicos ridículos.

Laura disse...

Verdade. Tem sido um grande desperdício ter uma dupla de jogadoras especiais como Kosheleva e Goncharova Goncharova na mesma geraçao e ter um time tao medíocre.

George disse...

E, por incrível que pareça, até tem centrais interessantes, como a Zaryazhko e a Fetisova. Precisa de uma nova levantadora sem dopping, pq a Startseva deixou na mão.

Yano o Chato disse...

Acho que a Rússia precisa de treinamento. Com o Marichev a impressão que dava é de que não treinavam. O jogo era horrendo. Os dois pontos críticos são o passe e a levantadora.
A tal jogadora estilo Gamova era a Maligina. Acho que a altura é a mesma, mas esta é bem nova e muito discreta ainda.

Anônimo disse...

A Maligina foi para a Olimpíada do Rio para imitar o início da Gamova na seleção da Rússia. Gamova começou, magricela e bem verde, sob o comando de Karpol, e era banco mesmo. Na época ela teve que jogar mesmo nos GranPrix da vida. A jovem Gamova entrava raramente para sacar. Tempos depois, ela surgiu para o Mundo! Sendo a jogadora recordista de pontos contra o Brasil em jogos decisivos em Olimpíadas somados com Mundiais. Em 2 finais de Mundias contra o BRA, Gamova superou a marca de 50pts! A Maligina tem chances de tentar ser uma Gamova! a Nova Sokolova é a Sherban ou uma novata que será convocada em breve. A RUS com esta nova equipe técnica será, com certeza, melhor que o comando de Marichev. Mas porque esse técnico tem tanto prestigio no vôlei russo? saiu da seleção feminina e já virou técnico de club masculino.

Chandler Bing disse...

Yana Shcherban vai ter que comer muito arroz com feijão pra chegar perto do que Sokolova foi para o vôlei. Sokolova era craque, se garantia tanto no ataque quanto na recepção. Rússia precisa mesmo de uma "nova Sokolova", mas esta não será a Shcherban.
Espero que Malygina com seus 2,02 não seja uma outra decepção como foi a Merkulova.
No mais, Rússia precisa também de uma líbero que se garanta no passe.
Quanto as levantadoras, tenho achado Sheshenina (atual Babeshina) menos ruim do que a jaqueira que ela era no passado. Até jogar com as meios ela aprendeu.

George disse...

A Babeshina (Sheshenina) tá muito bem no Uralochka.
Uma promissora, que tá segurando muito bem o rojão de ser a estrela do time, o mesmo Uralochka da Sheshenina, é a Parubets (Ilchenko). Tá tendo pontuações expressivas e ótimas atuações tanto no ataque, quanto na recepção. Para o padrão russo, é um pouco baixa, tem 1,84 e ataca bolas mais rápidas. Tem tudo pra desbancar a mediana Scherban (que às vezes rende muito bem e em outras - a maioria - fica bem abaixo do esperado).

Joffre Neves disse...

Yana Shcherban vai ter que comer muito arroz com feijão pra chegar perto do que Sokolova foi para o vôlei. Sokolova era craque, se garantia tanto no ataque quanto na recepção. Rússia precisa mesmo de uma "nova Sokolova", mas esta não será a Shcherban.
Espero que Malygina com seus 2,02 não seja uma outra decepção como foi a Merkulova.
No mais, Rússia precisa também de uma líbero que se garanta no passe.
Quanto as levantadoras, tenho achado Sheshenina (atual Babeshina) menos ruim do que a jaqueira que ela era no passado. Até jogar com as meios ela aprendeu.

RT RT RT RT

L. Mesquita disse...

Sheshenina-Babeshina eh esforcada, longe de fazer o que Fabiola fez na RUSSIA: com passe B ou pior FABIOLA jogava com velocidade com a Garay ao mesmo tempo q levantava as tradicionais bolas altas para as outras ponteiras russas e ainda punha as centrais pra jogar, correndo o jogo inteiro atras do passe. Os russos adoravam Fabiola e como reconhecimento a elegeram MVP DA COPA DA RUSSIA. O URALOCHKA nao foi pareo para VAKIFBANK E ECZACIBASI e esta praticamente ELIMINADO DA CHAMPIONS. No GRUPO DA MORTE, as POLONESAS DO CHEMIK POLICE bateram o CONEGLIANO dentro de casa na BRIGA PELA SEGUNDA POSICAO e o MODENA lidera o grupo.

L. Mesquita disse...

O grande problema da RUSSIA eh mesmo de LEVANTADORA TALENTOSA e uma comissao tecnica atualizada! Jogadoras ALTAS E FORTES eles tem,FALTA CEREBRO pra equipe dentro(LEVANTADORA) e fora(TECNICO)de quadra. Parece o o gigante MASTER-BLASTER do MAD MAX sem o CEREBRO!