O Fenerbahce também quer brilhar



 
Se no campeonato turco o Fenerbahce não tinha conseguido fazer frente aos seus rivais todo-poderosos Eczacibasi e VakifBank, na Copa Turca a história foi diferente. Depois de eliminar o Eczacibasi na semifinal, o Fener venceu com propriedade o Vakif na final por 3x0.

A partida só teve o primeiro set realmente equilibrado. O Vakif não esteve num dia bom, reflexo principalmente da má jornada da sua levantadora Naz Aydemir. Guidetti acabou abrindo mão da Naz numa inversão 5x1 logo no começo do segundo set. A questão é que, com isso, tirou a Sloetjes e colocou a Hill, o que não ajudou em nada a amenizar outro grande problema do Vakif nesta partida, o passe.

O Fener caçou a Zhu e nem sempre a líbero conseguiu encobri-la com qualidade na recepção. Foram sete pontos de saque para o Fener, um dos melhores fundamentos do time e que já havia sido essencial para a vitória também contra o Eczacibasi.

E foi no saque que a Natália teve seu melhor desempenho. Ela não correspondeu no ataque nos momentos mais críticos e se mostrou um tanto receosa em uma porção de oportunidades em que poderia encher a mão e prefiriu as largadas. 

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É bem verdade que a levantadora que iniciou a partida, a Ezgi, não ajudou em nada as atacantes do Fener. O treinador Abbondanza colocou o time em risco ao preferir começar com ela e a Grothues ao invés da Tomkom e Ushpelivan. Talvez quisesse ter mais segurança no passe com a holandesa como falso oposto. E de certa forma conseguiu, o Fener teve uma recepção, no geral, segura nos dois primeiros sets que jogou com esta composição.

Mas a Ezgi foi muito fraquinha no primeiro set, tanto na distribuição como na precisão dos levantamentos. Além das bolas grudadas na rede para as ponteiras, ela insistia com bolas  de fundo com a Natália quando tinha três atacantes na rede. E isso quase comprometeu a vitória no primeiro set.

Depois, Ezgi fez um bom segundo set com a tranquila vantagem que o time abriu logo no começo. Mas é covardia comparar com o que a qualidade que a Tomkom agrega ao time - ainda que eu ache que, por vezes, as bolas com a Kim estejam um pouco mais velozes do que a coreana consegue acompanhar.

O fato é que, independente da formação em quadra, o Fener manteve um padrão de jogo durante toda a partida e, com isso, controlou o confuso Vakif, perdido em erros de passe e pouco agressivo no ataque. 
 
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Com o título, o Fener começa a disputar um pouco mais de espaço sob os holofotes que até o momento tinham suas luzes voltadas principalmente para o Eczacibasi, campeão do mundo, e o VakifBank, atual campeão turco. Comparado aos seus principais rivais, o Fenerbahce tem um elenco (de titulares e reservas) um pouco mais modesto, mas poderoso o suficiente para equilibrar as disputas no campeonato turco e na Champions League.

Comentários

Joffre Neves disse…
Esse é o jogo onde ninguém dava nada ao fener,concordo que o Fener tem um elenco em parte mais modesto porém é um time em que elas estão rodando mais e isso faz diferença no final.Essa levantadora turca que iniciou o jogo no lugar da Tonkon é bem melhor a reserva do vakif...Natália é 8 ou 80,tem jogos que ela caça petróleo e outros em que larga quase todo o tempo,no fundo ela teve um bom desempenho e compensou bastante a sua fraca atuação no ataque,deu 2 tocos na zhu e terminou o jogo com 11 pontos.

Se vocês reclamam da arbitragem brasileira,a turca é bem pior.
Joffre Neves disse…
Tenho que pontuar esse fato :

Gothues entrou no time e encaixou muito bem por sinal,o fener cresceu de rendimento depois que ela entrou como falsa oposta e a Kim voltou de lesão.

Se o guidetti for esperto ele pode usar a influência como técnico da seleção turca feminina e naturalizar a Kim,ela está lá desde 2011 e pode ajudar no trabalho dele...Fener agradeceria porque poderia colocar '4' estrangeiras em quadra,igual ao que foi feito no azerbaijão com três cubanas que me fugiu os nomes.
George disse…
Aproveitei que foi um jogo relativamente rápido e assisti na íntegra ontem a noite. Tenho algumas ponderações e discordâncias também:
1) a Ezgi se apresentou MUITO bem perto do que eu já vi dela. Manteve um padrão de levantamentos de qualidade e precisos, me surpreendeu. Não levei muito em conta as escolhas dela pq também não tenho das melhores visões, mas ela esteve muito bem durante todo o período dentro de quadra. Sobre a Tomkom, não preciso tecer muitos comentários pq sou fã dela, acho que ela, taticamente, seja a melhor levantadora do mundo atualmente;
2) Esse arranjo da Grothues como falsa oposta deixou o time redondo, todas ficam mais soltas pro ataque;
3) O que o time do Fener defendeu não foi brincadeira. E os contra-ataques com velocidade eram mortais (ainda mais com a Akman na rede);
4) A linha de passe do Vakif esteve uma tristeza e no ataque não virava quase nada;
5) A Natália virou bem poucas, mas no passe e defesa compensou. Em termos de composição e de "time" (no sentido literal da palavra) foi um dos melhores jogos de um time que eu vi esse ano, me convenceu!