Daria para voar um pouco mais alto


Genter Bauru 0x3 Dentil/Praia Clube


Foto: Neide Carlos


O Bauru conquistou o quarto lugar no primeiro turno da Superliga porque venceu as partidas que estavam ao seu alcance - e, de bônus, ainda surpreendeu o Minas na estreia do campeonato. Contra os demais times de maior investimento, perdeu sem muita resistência.

E acho que é isso que se deve esperar do Bauru no restante da competição, nem mais nem menos. Até porque o time chegou ao segundo turno com o mesmo estilo, apostando nas trocas constantes como paliativos para o seu elenco mediano ao invés de investir numa evolução técnica e tática individual e de grupo.

Sem um elenco estrelar, com a Brenda Castillo sendo a única jogadora de alto nível – Mari, infelizmente, não é mais - o Bauru teria somente uma arma para enfrentar com maior equilíbrio os favoritos: o conjunto.

Mas quanto mais se desenrola a competição, menos se enxerga esta qualidade. O Bauru se resume a uma série de tentativas e erros, com alguns poucos acertos pelo caminho, principalmente quando enfrenta os grandes. 
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Contra o Praia, o Marcos Kwiek resolveu começar com a Bruna como oposto. Pouco se viu da jogadora que foi logo substituída, juntamente com a Juma, por Mari e Lyara. O mesmo destino teve a Mari Cassemiro, trocada pela Dayse.

Lyara se acertou na distribuição do segundo set, mas, no geral, pecou na qualidade dos levantamentos. Dayse melhorou um pouquinho a recepção, mas não contribuiu em nada no ataque. Mari esteve naquela média de pontuar sem ser decisiva. Em resumo, as substituições deram uma sobrevida ao time, mas não foram suficientes para que ele sustentasse um nível de jogo competitivo contra o Praia. 



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O troca-troca impede que o time evolua e tenha um jogo mais refinado, sem tantas falhas. Tanto que chega na hora da decisão, como aconteceu no segundo set contra o Praia, e não há nenhuma jogadora, com exceção da Thaisinha, preparada para enfrentar este momento. Aí é bola mal levantada, erro bobo de recepção ou ataque...

Talvez para o Kwiek esta seja a única forma do Bauru conquistar alguns bons resultados. Classificar-se para a Copa Brasil e ir para as quartas de final da SL não deixam de ser conquistas importantes para o jovem time.

Mas eu acredito que o Bauru poderia ir um pouco mais além, voar um pouco mais alto. Não, dificilmente bateria Rexona, Osasco ou Praia. Mas poderia dar muito mais trabalho se fosse mais disciplinado e organizado. E, para isso, esta estratégia - ou ansiedade - do Kwiek em não dar continuidade a um elenco titular não contribui em nada.

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Pelo lado do Praia Clube, o Picinin não quer saber de ter que substituir ninguém. Agora com o time titular, sem os desfalques que incomodaram no primeiro turno da Ramirez, e, depois, da Álix, o Praia ganhou outra postura em quadra.

Não foi uma partida exemplar já que a equipe se perdeu em algumas viradas de bola e erros, mas respondeu como se esperava dela nos momentos mais críticos. A recepção não foi das melhores, mas a Claudinha teve habilidade para manter um padrão nos levantamentos sem comprometer o fluxo de ataque. As jogadas com as centrais é que não foram muito precisas e em nada variadas, o que acaba sempre por ser um desperdício quando se tem duas jogadoras como Wal e Fabi.

O Praia foi gigante no bloqueio, que apareceu nos momentos mais decisivos do segundo set e apagou de vez qualquer força de reação que o Bauru pudesse ter no terceiro set.

Desnecessário dizer que a mesma postura agressiva que veio principalmente pelo saque e pelo bloqueio precisa aparecer novamente contra o Bauru no jogo eliminatório da Copa Brasil na próxima terça-feira.

Comentários

Joffre Neves disse…
Praia deu uma melhorada porém vai ter que melhorar muito ainda,isso é fato.Mas é um passo muito importante já dado,o que há de ser dito também é na falta de educação do repórter depois do jogo...Se a Michelle não gosta e não se sente a vontade para uma entrevista não é nada legal forçar a mesma a uma entrevista segurando a mão dela pra ela sair pro vestuário e também interromper do nada a fala de um entrevistado de forma deselegante.


No mais o Dentil-Praia melhorou o seu jogo e espero que erros de hoje não se repitam,especialmente de passe porque ter duas centrais de alto nível e não poder jogar com elas é bem preocupante,as levantadoras do bauru precisam treinar mais o levantamento porque teve muita bola colada a rede...Thaisinha tem 1,74 e não faz milagre não,já me contentei com a mari não decisiva,só queria que ela aproveitasse um pouco mais a altura e atacasse com com força em certos momentos porque ela perde muita agressividade em pontos em que a força resolveria e muito,e sabemos que ela sabe sim atacar forte...Se ela não arriscar e travar esse psicológico pós lesões fica impossível vencer um jogo tão importante.

A Dayse é tipo aquelas jogadoras que não acrescentam em nada como ponta e como oposta,erro da montagem no time e muito feio por sinal.Não vou mentir não,seria mais jogo pegar a arlene e botar ela atacando porque não duvidaria nada ela atacar melhor que a Dayse e passar bem mais...
George disse…
Foi um jogo de agonia. Achei um nível abaixo do que esperava. Quando assisti, ainda no começo do 1º set, já era Lyara e Mari em quadra e, pra mim, não resolveram nada. Prefiro seguir apostando na Bruna e Juma. A Mari tem feito seus pontos, mas a Bruna está muito mais em forma. Kwiek fazendo um cosplay de Talmo no sesi e não deixando nenhuma jogadora ser titular. À exceção das meios e da Brenda, o time fica rodando o tempo todo. Achei incrível não ter voltado com a Juma e Bruna e ter deixado a Dayse em quadra quase o jogo inteiro mesmo não virando nada.
Rafael Modesto disse…
Esse jogo ficou muito aquém das expectativas. Foi de um nível técnico sofrível, principalmente por parte das três levantadoras que atuaram, mas com destaque negativo pras duas de Bauru. A Lyara levantou muito mal as bolas na entrada de rede e a Juma chegou a acionar as meios de rede através de um levantamento de manchete... Esse troca-troca incessante das ponteiras é extremamente prejudicial, tanto no que diz respeito a confiança das jogadoras quanto no que tange ao sistema tático da equipe. E aí entra a montagem do elenco porque, sinceramente, não dá pra confiar na Dayse pra nada. Não resolve absolutamente nenhum problema, tanto na saída quanto na entrada de rede. Claro que ela levou uns tocos graças a Lyara, que levantou várias bolas pra ela em rallies longos. Faltou habilidade e leitura tática pra essa jogadora variar mais as opções de contra ataque. Mas faltou a Dayse usar melhor os golpes porque, quando teve uma oportunidade de atacar sem bloqueio, ela mandou a bola na rede...

A Rivera tem sido apenas um gasto a mais na folha de pagamento do Bauru. Ela não melhorou sua condição física desde que desembarcou no Brasil e parece que ataca de olhos fechados, fora que ela dá prejuízo na linha de passe. Vem sendo completamente desnecessária para a equipe. O Kwiek tem insistido na Mari como ponteira, mas ela não sabe o que é passar regularmente desde 2008, quando treinou incansavelmente com o Zé Roberto pra ser titular nas Olimpíadas de Pequim. Ela também ainda não mostrou sua capacidade de decisão e não acho que esse lado dela voltará à tona na sequência do campeonato ou mesmo no restante de sua carreira. Ela se tornou uma atacante burocrática: pontua no decorrer dos sets, mas pouco acrescenta nos momentos decisivos.

Mari Cassemiro é a ponteira que está com mais ritmo de jogo e que menos dá prejuízo na recepção, apesar de ter errado em momentos decisivos nos jogos contra o Minas e contra o Praia Clube. Ela consegue ser minimamente regular nesse fundamento e ajudar a Castillo no fundo de quadra. Apostaria nela como titular se fosse o treinador, mesmo que ela dê prejuízo em alguns momentos. É melhor do que confiar na Dayse, Mari ou Rivera pra cumprir essa função.

Pontos positivos ficam pra Bruna, que corresponde e é decisiva no ataque quando o jogo aperta. Marcou 24 pontos contra o Minas na última rodada. Devia ser titular. Brenda Castillo segue segurando a recepção e varrendo a quadra na defesa. E de quebra dando show nos levantamentos. E as centrais seguem sendo importantes pelo meio, mesmo com os problemas no levantamento da equipe. A Gelka tem chamado atenção, pois é efetiva na bola de primeiro tempo e tem pontuado bem no bloqueio. A Val também tem uma performance razoável no bloqueio, só precisa melhorar o ataque.

Agora, as transmissões da RedeTv são péssimas. O narrador vive confundindo as jogadoras, sempre tem conversas paralelas entre os comentaristas e o narrador enquanto que o rally ta pegando fogo. A "interatividade" sempre atrapalha e aquela tela dividida dá nos nervos. Além disso, acho que os comentários da Ana Moser pouco acrescentam à transmissão. Ela faz poucos comentários técnicos, e quando os faz, estes não contribuem em muita coisa e não oferecem uma visão diferenciada do andamento da partida. Fora os fiascos que são as entrevistas do pós-jogo, nas quais claramente as jogadoras ficam desconfortáveis e as perguntas do repórter são sempre previsíveis e desconexas, o que gera respostas igualmente previsíveis. E ao que parece, as transmissões em rede aberta têm pouco apelo popular. Algumas partidas às vezes nem chegam a 1 ponto no IBOPE. E isso não se resume ao feminino, no masculino também as partidas são pouco assistidas. Nem mesmo o campeão de tudo Sada Cruzeiro escapa às péssimas médias da RedeTV.
Mantronix Inc disse…
Me desculpem o preconceito mas a verdade é q a Redetv é basicamente uma emissora de televisão p/ classe D q só se interessa por fofoca e guaraná Dolly. A Band pelo menos tem uma tradição em esportes, mas a RedeTV é o q tem d mais trash de todas as emissoras.