sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

No encalço do todo-poderoso da SL


Rexona/Sesc 3x1 Terracap/Brasília

A boa sequência de vitórias do Brasília foi encerrada pelo Rexona na noite passada. Mas a tarefa de frear o ímpeto da surpresa da competição não foi nada fácil para as cariocas. Por pouco, muito pouco, a partida não foi para o tie-break (coisa que tem sido rara neste primeiro turno de SL, aliás).

O jogo esteve em aberto o tempo todo, qualquer equipe poderia ter saído vencedora. Se o Rexona teve um ataque um pouco mais variado e decisivo, o Brasília compensou com um bloqueio mais efetivo. Foi difícil, com exceção do segundo set, para qualquer time se distanciar no placar.

É que, na verdade, não é só na tabela que Rexona e Brasília estão próximos. São equipes muito parecidas no estilo de jogo. Ambas são agressivas no saque e têm muito volume de jogo. Os dois times precisam trabalhar com um leque de opções de ataque amplo porque não tem ponteiras nem opostos carregadoras de piano. E ambos têm fragilidades na recepção. 
 
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Foi o passe que, infelizmente, acabou por enfear a disputa. Apesar de equilibrado, o confronto não foi dos mais qualificados devido aos problemas de passe das duas equipes, que proporcionou erros grosseiros ou impossibilitou jogadas melhores construídas.

O Rexona teve na Buijs seu principal ponto de fraco na linha de passe, apesar de ter ido bem no ataque nas poucas vezes que foi acionada. Bernardinho apostou na reserva Drussyla em busca de maior segurança na recepção, o que não aconteceu. A jovem tem recebido várias oportunidades, até porque o treinador sabe que precisa de alguém no banco em condições de estabilizar o passe na hora do aperto. Mas a Drussyla ainda não consegue ser esta peça de confiança para o time. Ela demora a entrar no ritmo da partida e a ganhar confiança na sua capacidade técnica no passe.

Os problemas no passe desestabilizaram o Rexona, mas comprometeram mais o jogo do Brasília. A irregularidade deixou a Macris sem condições de acionar com frequência as centrais Vivian e Roberta, essenciais para que todo o ataque do Brasília flua. Em momentos mais estáveis, quando estas jogadas puderam ser utilizadas, não foram poucas as vezes que a levantadora brincou com o bloqueio do Rexona. Mas esta não foi a norma. No geral, o jogo acabou por ficar mais concentrado na Amanda e na Paula, e a veterana, a meu ver, não teve uma noite inspirada. 
 
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Se ofensivamente o Brasília teve dificuldades, na defesa é onde esteve sua maior força. A começar com o saque agressivo, desestabilizando até quem é especialista no fundamento, a Fabi. Segundo, com o volume de jogo que tirou a paciência do Rexona, sempre acostumado a trabalhar a bola e não desperdiçar. O Brasília colocou o Rexona contra a parede e a equipe do Bernardinho deu suas fraquejadas.

Só que no final do quarto set, na hora decisiva, foi o Brasília que sucumbiu às próprias falhas enquanto o Rexona foi preciso, com Gabi segurando as pontas na virada de bola muito bem.

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A diferença do líder para o – até aqui - vice esteve, além de no melhor controle nos momentos finais, em mais recursos individuais para resolver a partida. O Rexona é sempre reconhecido pela força do seu conjunto e nisso se inclui exatamente o fato de ter um grupo de individualidades equilibrado e com capacidade de dividir a responsabilidade de “carregar” o time. 
 
Assim, numa hora a Buijs é que vira, na outra a Monique, depois a Gabi ou até a Carol, que tem tido um entrosamento muito bom com a Roberta. De repente, a Jucy faz uma sequência de saques muito boa e a Carol resolve no bloqueio. 

No Brasília, estas forças ainda não estão muito equilibradas e acabam por ficar concentradas somente na Paula. Mas o time passa por um processo de transformação extremamente recente. Por mais que o clube esteja na ativa há um bom tempo, somente agora o Brasília começa a entrar realmente na briga com os grandes. E, como o Praia Clube mostrou recentemente, para ganhar a manha de ficar por ali e vencer precisa-se de tempo e de muitas disputas como a de ontem contra o Rexona, este sim, já mais do que acostumado ao topo da tabela. O caminho está certo, é só seguir.

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Pê esse:

- A Roberta está com segurança de jogar com a Carol, o que tem feito a central ser mais ativa no ataque do que em outros anos. Mas com a Jucy a coisa ainda anda nebulosa. Ontem deu para comparar lado a lado “expectativa vs realidade”. A velocidade com que a Macris faz a bola da Vivian deveria ser a mesma utilizada pela Roberta para fazer a da Jucy. Tem sido um pouco doloroso ver como a Jucy não está sendo utilizada no seu melhor, batendo chinas esquisitas e fora do tempo ideal.

4 comentários:

Nanda Ribeiro disse...

Os erros da Silvana em momentos cruciais acabaram atrapalhando o psicologico do Brasilia, acredito ainda que o Brasilia possa ganhar a superliga, principalmente com esse esquema tático que vem demonstrando, unica coisa que falta é uma oposta que desafogue quando o passe não sair, deveriam testar a Sabrina mais vezes, pois na minha visão ela tem bastante potencial.

Gustavo disse...

Acho que o mais decepcionante pro Brasília foi não terem conseguido um ponto, chances tiveram, especialmente o 4º set, mas aí o Rexona passou a frente logo no instante final (foi similar ao que ocorreu hoje na SL masculina com o Sada Cruzeiro vencendo o primeiro set contra o SESI) e conseguiu uma típica vitória da equipe, aparecendo pra fechar nos momentos de maior pressão.

Passe não foi lá grandes coisas no duelo, e nem trocar a Buijs pela Drussyla fez com que as coisas melhorassem muito pro Rexona, PP4 também errou mais do que a média, mesmo tendo sido uma boa passadora durante o campeonato, mas o Brasília encaixotou o Rexona no bloqueio, incluindo 14 pontos, o que tornou a partida mais equilibrada, e contou com um grande jogo da Amanda, o que foi um pouco anulado pela Paula não ter sido eficiente virando bolas mas principalmente pela falta de uma oposta, Andréia foi uma nulidade, aquela china manjada dela era quase sempre defendida. Pelo Rexona, a Gabi, apesar de alguns erros e não ter passado imune ao bloqueio brasiliense, apareceu na hora certa, virando no final do 4º set.

Mas o pior mesmo foram os dois (ou seriam cinco?) toques da Silvana, partida empatada em 23x23 e ela esqueceu a manchete em casa, aí a moral vai lá embaixo e o jogo acaba em uma bola pra fora da Roberta.

Falando na outra Roberta, tá realmente complicada a sintonia entre ela e Jucy, aproveitamento da central no ataque caiu demais, tem algumas horas que ela até faz boas distribuições, mas é bem inconsistente e o toque de bola dela é muito feio.

Alexssander Nascentes da Silva disse...

O Brasília se tivesse uma oposta mais decisiva poderia até ganhar o jogo. Uma oposta de marcou somente nove pontos na partida, não dá pra confiar.

Alexssander Nascentes da Silva disse...

O Brasília se tivesse uma oposta mais decisiva poderia até ganhar o jogo. Uma oposta de marcou somente nove pontos na partida, não dá pra confiar.