Seja bem-vinda, Hooker! Só não repara a bagunça...


Nesta quinta-feira a norte-americana Destinee Hooker chegou a Belo Horizonte. A oposto coloca os pés em solo mineiro três dias depois de o Minas, time que irá defender no Brasil, ter sofrido a sua segunda derrota ((3x0 para o Pinheiros) em três partidas da Superliga 16/17 .

Ou seja, Hooker chega para alentar os corações minastenistas e dar um fio de esperança de recuperação da equipe no campeonato. Mas a missão não será nada fácil. Apesar de ser uma jogadora extraclasse, Hooker está há um bom tempo sem jogar. E o Minas está longe de estar com a casa pronta para acolhê-la. 


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O Minas não se encontrou ainda nesta SL. Vi somente a partida de estreia, mas pelos relatos e estatísticas é possível constatar que há semelhanças nas duas derrotas do time: o excesso de erros e a baixa eficiência do ataque, carregado quase que exclusivamente pela Rosamaria.

Mara faz mais uma temporada apagada no ataque. Não sei se é questão de falta de sintonia com a Naiane, mas a verdade é que, sem participação no ataque, ela some no bloqueio e, por consequência, do time.

Domingas não se encontrou também e tem tido uma desempenho muito ruim no ataque dando espaço para que a reserva Natália reivindique a posição de titular. Na outra ponta, a Pri Daroit tenta ajudar a Rosamaria, mas precisa lidar com as suas limitações em equilibrar a pressão de ser caçada na recepção e pontuar no ataque.

Aí o Minas fica dependente de uma boa recepção para poder usar a Carol Gattaz na china e, recorrentemente, da Rosamaria, uma oposta que tem dado sinais de evolução na comparação com a temporada passada, mas que não tem a característica da bola alta na ponta nem a explosão necessária para carregar um piano deste tamanho por muito tempo. 

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Neste contexto, a Hooker é o reforço ideal – considerando, claro, que a jogadora que entre em quadra nesta temporada seja uma próxima àquela que defendeu o Osasco em 2011/12. O Minas precisa de maior força de ataque e de alguém com poder de decisão e a norte-americana tem condições de sanar estas necessidades.

Só que a entrada da Hooker no time titular como oposto significa o deslocamento da Rosamaria para a ponta. O que a Rosamaria poderia acrescentar ao ataque, compondo com a Hooker uma dupla ofensiva poderosa, perde-se ao tê-la na recepção.

Vimos como a Rosa ficou limitada no ataque quando disputou como ponteira pela seleção o Montreux este ano. Por mais que ela já tenha jogado como ponteira nas seleções de base e no Campinas a verdade é que tecnicamente ela precisa evoluir no passe e adquirir maior segurança no fundamento. E isso requer mais tempo. 


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Esta adaptação não seria um grande problema se o Minas estivesse com a casa mais ou menos arrumada. Pelo contrário, o time não deu sinais de estar no caminho certo na busca da sua consolidação. Não há a informação de quando a Hooker poderá jogar – imagino que mais próximo do segundo turno -, mas a verdade é que a sua entrada causará uma mudança significativa num conjunto que já está bagunçado. 

Disse logo no início no texto que o Minas ainda não se encontrou na SL e, sinceramente, não sei se vai conseguir fazer isso a tempo de receber a Hooker como deve ser: um reforço e não um problema a mais para lidar.

Comentários

George disse…
Particularmente - e infelizmente - não acho que a Hooker será 50% do que ela foi no Sollys. Espero que a Rosa consiga render algo como ponteira pq senão vejo o futuro dela ameaçado na seleção, pois tem 2 ótimas opostos se firmando (Paula e Lorenne) e não sei se ela consegue competir a altura.
Laura disse…
É, George, tb não tenho grandes expectativas em relação à Hooker. Acho que a Rosa sai na frente na disputa com a Lorenne neste primeiro momento, principalmente se formos pensar em quem está no comando da seleção. Mas mais adiante pode ser mesmo q ela perca espaço. O importante seria definir logo esta transição.
Gustavo disse…
Laura escreveu o texto sobre a bangunça no Minas e elas responderam perdendo um set pro SESI... difícil não considerar a equipe a maior decepção da Superliga.

Vejo Minas como o anti-Osasco, a recepção tem sido a força da equipe (antes dessa rodada, era a 2ª melhor do campeonato) mas o ataque é anêmico, apenas o 8º melhor do campeonato, faz com que o Minas seja mais uma equipe na Superliga (as outras são Bauru e SESI) cujo ataque é extremamente dependente de uma única jogadora: Rosamaria.

No jogo de hoje contra o SESI, Rosa já jogou como ponteira (Mara foi deslocada pra saída), ela tem uma recepção bastante limitada como toda oposta convertida (estamos vendo isso coma a Tandara), mas deve ser algo que o Minas pode ir adiante se melhorar o ataque (ao menos contra o SESI, nenhum problema, Rosa foi novamente a maior pontuadora e fechará a rodada liderando a SL), Léia e Dariot tem dado conta da recepção, Daroit ficará menos pressionada, receberá menos bolas, o que é bom, considerando suas limitações ofensivas, também significa que a fraca Domingas será sacada, bom porque até aqui ela é uma das piores atacantes da SL.

Não é realista acreditar que a Hooker será a salvadora da pátria e repetirá suas atuações dos tempos de Osasco, acredito mesmo que o melhor que ela pode oferecer, baseado no que escrevi no outro parágrafo, é fazer com que o Minas seja um ataque balaneceado e não o Rosamaria Voleibol Clube, ao contratá-la elas acreditavam que poderia brigar pelo título, dado o começo irregular da equipe, a realidade hoje é outra, e os próximos três jogos devem ser fundamentais para que, se não consigam ter vantagem de jogar mais partidas nas quartas-de-final em casa, ao menos escapem do trio Rexona-Praia-Osasco, Rio do Sul fora é sempre difícil, Brasília e Flu adversários diretos na briga pelo 4º-6º lugares.

Outra coisa que é importante frisar, o Minas tem duas derrotas mas não tem sido exatamente espancado pelos seus adversários, por incrível que pareça, a maior diferença pela qual o Minas perdeu um set foi apenas 6 pontos, perdeu 3 deles por apenas dois e em sets decididos por 3 ou menos pontos, venceu 1 e perdeu 4, dá pra certamente dizer que a falta de opções ofensivas prejudica a equipe quando a disputa é ponto a ponto, mas considerando a quantidade de derrotas por margens tão pequenas, ao menos um pouco azarada a equipe tem sido, um simples retorno à média (do tipo, vencer metade desses sets, perder metade) já ajudaria um pouco.

Post ficou muito longo, farei outro pra discutir a disputa entre as opostas na seleção já que o George tocou no assunto
Gustavo disse…
Quanto as opostas, acho que a Rosa sai em vantagem por um motivo (mesmo se movida pra ponteira): já disputou uma competição oficial pela seleção (Pan em 2015), Paula e Lorenne só jogaram Montreux, tudo bem que o time do Pan era um reservão, mas o do Montreux era sub-23, Paula pode até tomar a posição dela, Lorenne ainda não, infelizmente.

Porém, apesar da Rosa ser a maior pontuadora da SL e marcando 18,5 pontos/jogo, considero que as outras duas estão sendo mais eficientes, a Rosa tem errado mais do que as duas (lidera a SL em tocos e 3ª em erros), claro, há de se considerar que ninguém tem recebido tantas bolas como ela (5 a mais do que a Lorenne, 47 a mais do que a Paula) e que a última tem melhores opções ofensivas pra dividir a responsabilidade, mas a Paula bota quase metade das bolas atacadas no chão e a Lorenne tem que carregar um time ainda pior que o da Rosa, dos times de uma atacante só que mencionei no post anterior, Bauru e Minas ao menos vencem jogos quando suas principais atacantes marcam pontos a rodo (exceção foi a derrota do MTC pro Pinheiros), o SESI no máximo ganha um set.