O reino de Osasco

Vôlei Nestlé/Osasco 3x0 Pinheiros (Golden set: 25x19)

A decisão do paulista deste ano ganhou um toque de emoção porque, para variar, o Osasco deu dos seus apagões e simplesmente não se achou, perdendo a primeira partida da final por 3x1 para o Pinheiros. O time teria que fazer outra atuação horrível para deixar escapar mais um título paulista.

E não foi o que aconteceu. Osasco beirou a perfeição, com a Dani Lins fazendo uma distribuição correta, Tandara decisiva, Bia se destacando no saque, ataque e bloqueio e Brait dando volume de jogo. A pouca pressão do Pinheiros também colaborou para que as donas da casa jogassem à vontade. 


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O Pinheiros apareceu somente no Golden set. Ali, com um bom saque, desestabilizou o passe de Osasco. Mas não conseguiu segurar o ritmo da virada de bola e no aproveitamento dos contra-ataques. A primeira partida da final que a Bárbara fez, quando fez mais de 20 pontos, é mais uma exceção do que regra. Ela não tem a natureza de uma oposto, não é de decisão nem carregadora de ataque. E suas companheiras são jogadoras ainda inexperientes, que erram muito no passe e no ataque. Os erros, aliás, mataram a principal arma do Pinheiros para equilibrar a partida que é a disciplina.

Ainda assim, o Pinheiros traz para esta temporada uma equipe bem mais interessante da passada. Não sei se será mais competitiva porque tem outros times para disputar a mesma faixa da tabela como o Fluminense e o Bauru. Porém, coloca como titulares jovens jogadoras, mantendo assim uma das suas tradições de dar oportunidades para que atletas-revelação joguem, se consolidem e ganhem destaque. Seriam os casos de Maira, Milka, Vanessa e Ju Paes, líbero que fez boas atuações no Paulista. 

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Gostei do que vi do Osasco até agora. Acho que a dupla Tandara e Paula estão dando consistência para um ataque que, depois de muito tempo, não terá nas centrais saídas de segurança. Bia parece recuperar a sua melhor fase assim como a Camila Brait.

Agora, será difícil o Osasco fugir do seu principal problema na temporada passada: o passe. A Malesevic não chega a cometer erros absurdos como a Buijs, por exemplo, mas está longe de ser a segurança no fundamento. Ela teve que sair quando o saque do Pinheiros apertou nesta final e isso deverá ser uma constante na Superliga.

E este apagão no primeiro jogo da final também deixa uma pulga atrás da orelha do quanto o Osasco foi realmente capaz de se renovar da temporada passada para esta. A Superliga 16/17 responderá com maior precisão esta questão.

Comentários

Gustavo disse…
O maior inimigo do Osasco nunca foi o Rexona, e sim ele mesmo. Parece que é o Rexona pela coleção de derrotas, mas isso é virtude do abismo técnico entre Bernardinho e Luizomar, quando o melhor do mundo enfrenta um técnico que fala "moçada" 5 vezes em cada pedido de tempo e conversa em português com estrangeiras, dá nisso, o espírito pipoqueiro que assombra o time acaba falando mais alto mesmo com talento à disposição, porque esse talento não é maximizado, nenhum time tropeça mais nas próprias pernas que Osasco.

A própria final do Paulistão quase foi um exemplo disso, no primeiro jogo Osasco levou um vareio e teve seu ataque anulado pelo bloqueio do Pinheiros, Brait não defendeu uma paralela e Dani Lins teve um dia de Pani Lins e o time só ganhou um set porque a Carol Albuquerque entrou no jogo e melhorou muito a distribuição. No 1º jogo a Paula fez sua pior partida pelo Osasco, bloqueada constantemente, isolando bolas, exceção foi no set vencido pela equipe, onde a Carol a botou pra jogar e a tirou dos bloqueios montados em cima dela pela distribuição previsível da Dani. Foi um jogo tão ruim que a Bia dentro de todas as suas limitações acabou sendo a melhor do time junto com a Carol.

Segundo jogo, tudo invertido, Osasco dominou o Pinheiros por completo, Tandara e Paula funcionaram, Dani fez uma partida excelente, daquelas que faz você acreditar que ela é tudo aquilo que o Marco Freitas a considera ("craque de bola", "levantadora top mundial").

Me preocupa o passe, a questão é, quão melhor Osasco consegue ser no passe na temporada passada em que ele era inexistente com a Carcaces, Malesevic tem que ao menos fazer com que o passe não caia inteiro em cima da Brait, dado que ela não é forte no ataque, ainda mais que a Dani é bem dependente de um bom passe. Mas principalmente por um motivo, qualquer partida mais ou menos e o Luizomar coloca sua favorita Gabiru em quadra e essa daí não tem bola pra ser titular nem do próprio Pinheiros, até hoje me traumatiza com as 4 bolas que ela recebeu na semifinal com 21x16 no 3º set pra não virar nenhuma, quanto menos minutos com Gabiru em quadra, melhor pro time, ela é muito ruim (e o MF disse no primeiro jogo que era uma "excelente ponteira de preparação"), mas sempre arruma um jeito de jogar.

Mas Osasco vai vencer ou morrer por meio de duas jogadoras: Tandara e Paula. Com o grande downgrade que é trocar Thaísa e Adê por Bia e Saraelen como centrais, o desafogo irá todo pra entrada e saída de rede. Pra quem aguentou Ivna como oposta titular por tanto tempo, a possibilidade de ter um talento como a Paula, que ainda pode ser lapidado e tem potencial pra ser titular da seleção, é bastante atraente, que o arsenal de pancadas dela e possa brilhar na SL, já a Tandara finalmente voltou à forma pré-gravidez, agora terá de assumir na SL o protagonismo como uma jogadora que irá receber muito volume de jogo, porque se ela e a Paula não virarem, o ataque irá emperrar, Bia até tem marcado bastante pontos, mas é limitada e por isso menos confiável contra adversários melhores, Malesevic raramente tem um jogo de 10+ pontos, então...
George disse…
Gostei de uma coisa nessas partidas finais, vi o Spencer passando instruções em algumas paradas. É um alívio ver isso em meio a tanto "carinho na bola, moçada" do Luizomar.
Quanto aos jogos em si, a Dani tem que começar o jogo concentrada, coisa que não aconteceu no primeiro jogo e matou a Paula. Admito que esperava mais da Bjelica, mas deve ganhar entrosamento e melhorar ao longo da SL. A Malesevic tem um gap grande de melhora, acredito bastante que ela deve dar volume a esse time, mas sem protagonismos. Agora Tandara e Paula tem tudo pra crescer ainda mais, tá dando gosto de ver. Tand inclusive deu uma afinada. Espero que a Sara aproveite a oportunidade pra crescer muito, mas no Paulista do ano passado ela foi bem melhor que no desse ano. Agora é esperar.
Quanto ao Pinheiros, espero crescimento grande da Milka - inclusive, torço pra que na próxima temporada consiga vaga em algum time grande - e da Ju Paes.
L. Mesquita disse…
Osasco pode até reinar no Paulista! Mas só no Paulista!!! Pelo que tenho visto na Pré-temporada o elenco mais forte de todos é o do Praia Club, e o time mais entrosado é o do Rexona. Aposto numa final Rexona x Praia, Osasco não consegue derrubar esses 2 times não!
Paulo Roberto disse…
Concordo e muito com o Gustavo. Nada a acrescentar.