GP - Brasil 3x0 Holanda

 
Nesta semifinal, ficou claro a diferença que a recepção faz no Brasil. Como ela pode alçar o ataque brasileiro a outro patamar - como aconteceu nos dois primeiros sets; e como pode prejudicar, não só o ataque, mas todo o bom trabalho feito nos outros fundamentos - vide o  terceiro set. 

A Holanda resolveu desde o início da partida sacar em cima da Natália, talvez mais preocupada com os ataque da jogadora do que com os da Garay. Se eu fosse o Guidetti, teria focado na Garay, a mais frágil da linha de passe brasileiro. Talvez ele tivesse um resultado mais ao seu gosto porque a sua estratégia só foi dar algum resultado no terceiro set, quando a Natália se desconcentrou, começou mal na recepção e a Holanda abriu vantagem.

Ali vimos aquele Brasil da primeira fase, com dificuldade na virada de bola e bem marcado. Até então, o passe brasileiro tinha dado condições de jogo para a Dani usar todas as atacantes e para o time manter um bom ritmo de virada de bola.

O terceiro set assustou um pouquinho por nos lembrar que ainda estamos vulneráveis na recepção, tão fundamental para nosso jogo fluir. Mesmo quando encostávamos no placar com um bom saque e contra-ataque, devolvíamos os pontos com problemas no passe. Demoramos a conseguir a virada no set, que veio com erros providenciais da Holanda e com uma sequência de bons saques da Roberta. 
 
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Apesar de ter começado o post com o ponto negativo da apresentação brasileira, não vou deixar de ressaltar a “encaixotada” que o time deu na Holanda. O Brasil não deixou a Sloetjes jogar. Mal levou os dois primeiros pontos de bloqueio, a oposto sentiu a pressão, perdeu a confiança e começou a errar.

Com a boa marcação na Sloetjes e um bom saque, a seleção praticamente matou o adversário. A Dijkema só foi conseguir utilizar as centrais no terceiro set. A Holanda ganhou até uma sobrevida com a entrada da Plak, mas não resistiu a pressão e aos próprios erros. 
 
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No duelo particular com a Sloetjes, Sheilla, ainda que com menos pontos de ataque, saiu vencedora por não ter deixado seu time na mão. Não foi o destaque brasileiro porque não foi uma partida de destaques individuais. O conjunto esteve bem, com cada jogadora fazendo bem a sua parte e tendo seu momento de protagonismo.

A Thaisa encontrou seu saque, Fabiana pontuou no bloqueio em momentos decisivo, Natália manteve-se bem no ataque – e, apesar do terceiro set, é ainda melhor passadora que a Garay -, e Brait mostrou que está viva na disputa com a Léia. Nas primeiras partidas desta fase, aliás, as duas líberos deram um salto de qualidade no passe. O fundamento vinha sendo um problema inclusive para elas, mas tanto Léia como Brait, nas pouca vezes que tiveram que recepcionar nestas últimas partidas, mostraram segurança. 

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É claro que o grande teste está por vir e acontecerá amanhã, na final contra os Estados Unidos. Ali teremos uma melhor noção se a dupla Garay-Natália se sustenta na titularidade, por exemplo. 
 
Mas pelo menos entramos nesta final com um time que, pela sua evolução, passa muito mais confiança e que tem apresentado nesta fase final um jogo mais de acordo com seu potencial e apoiado principalmente naquilo que o Brasil tem de melhor: o conjunto.

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Mais GP
 
- Falando em EUA, a falta de repertório de ataque e o passe deficiente russos ajudaram a equipe norte-americana a conquistar a vaga na final. A Rússia até conseguiu fazer um boa marcação no bloqueio, mas nada que compensasse as trapalhadas na recepção. Os EUA teve na Hill sua melhor atacante e a participação das suas centrais no ataque como boa opção de escape, ainda que, com elas, a Glass tenha dado umas derrapadas no levantamento. Murphy continua devendo e Lowe entrou bem nas inversões. Este é o grande perigo dos EUA. Ao contrário da Holanda – e até do Brasil em certo ponto-, se uma atacante é anulada, o time americano continua vivo e ainda tem boas opções no banco para mudar a história do jogo.

Comentários

anônimo disse…
O Brasil foi quase perfeito nos dois primeiros sets. O que aconteceu no terceiro set, é exatamente o que me preocupa. O Brasil depende solenemente de um passe eficiente para engrenar seu esquema tático. Sem isso, o Brasil simplesmente "empaca", poque não tem uma jogadora que tenha estatura e cacuete para virar bola altas. Todas as grandes e até as médias seleções possuem uma: Sloetes, Goncharova, Kosheleva, Egonu,Thing Zu,Larson, mas o Brasil, não. A Sheilla no seu auge desempenhava muito bem esse papel, mas agora não tem mais o mesmo vigor e potência. A Natália é a única que poderia tentar, já que tem um bom alcance, mas esse diminuiu notavelmente após o tumor na canela. Se você, eu e tantos outros percebem isso apenas de expectadores, imagina o Kiraly, a Lang Ping e o Terzic? Vai ser a primeira coisa que eles vão tentar minar. Apesar de terem evoluído francamente, Garay e Natalia ainda não são exímias passadoras. O Brasil precisa urgentemente de uma matadora de ofício.
raphael martins disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
raphael martins disse…
Com a linha de passe do terceiro set não haverá jogo amanhã, se a recepção for consistente e nossas centrais acionadas no ataque, temos boas chances. A não ser que Garay esteja inspirada, pois está acostumada a jogar com bolas altas no voleibol russo, mas ainda assim o bloqueio norte-americano tende a ajustar-se muito bem quando o ataque adversário centraliza-se numa só jogadora.
raphael martins disse…
E vocês viram a superioridade do passe da Roberta no final do terceiro set? Do jeito que a Dani anda tecnicamente instável e previsível, para não dizer óbvia, nos levantamentos, acho que o Zé Roberto poderia também permitir uma briga na titularidade da posição.
Renato Santos disse…
Amanhã será a prova de fogo e saberemos qual é a diferença entre Brasil e Estados Unidos. Eu acredito que as Americanas vençam por ter o melhor time do mundo, o Brasil evoluiu bastante, mas não será suficiente para passar pelas Americanas amanhã.
Eu concordo com o comentário acima, quando o passe Brasileiro não funciona, ninguém consegue virar bola alta na ponta por termos uma seleção baixa, já as outras seleções conseguem se virar. A Paula Borgo seria uma boa opção porque ela é alta e tem um bom alcance, mas o ZR não vai testa-la infelizmente.
L. Mesquita disse…
Marichev e o pior tecnico do volei feminino olimpico. Erro ao convocar. Erro ao cortar. Erro no relacionamento c/jogadoras. Erro na hora de pedir tempo. Erro na hora de pedir desafio. Erro nas substituicoes. Erro na volta da inversao do 5x1. Enfim, Marichev e o proprio, um erro total. Com Marichev, sem Sokolova, sem Gamova, sem Podskalnaya, sem Seshenina e, talvez, sem Kosheleva, a Russia e um candidato a menos ao Ouro.
Ander disse…
Parabéns Meninas e Zé!!! Jogaram bem!! Para quem falava que elas no máximo ficariam em quarto lugar nesse GP, elas já superaram isso é tão calando a boca de muitos!!😂😂
Abraão disse…
O Nalbert comentando a excelencia dos Estados Unidos me dá até aflição, o quanto eles são articulados, o quanto o Karch Kiralíy é fenomenal e bla, bla, bla! Parece mais esses "torcedores" que comentam aqui no papo.
Isa Costa disse…
Teve Mari Paraíba.
L. Mesquita disse…
Engracado, os comentaristas do Sportv falam dos EUA como se os EUA fossem os BI-campeoes e Olimpicos e nao o Brasil! Acordem! EUA tem zero ouron olimpico no feminino!
Jess Bonfim disse…
O Nalbert comentando a excelencia dos Estados Unidos me dá até aflição, o quanto eles são articulados, o quanto o Karch Kiralíy é fenomenal e bla, bla, bla! Parece mais esses "torcedores" que comentam aqui no papo.[2]
Alysson Barros disse…
L. Mesquita, sem Sheshenina? Você é humorista?

Quanto ao jogo em si, não gostei do passe, foi bem medíocre. O passe contra as russas foi muito superior. Será por conta da Léia? Brait não fez nada demais, só foi defender no terceiro set. Não achei a vitória convincente. Ontem foi bem mais fluida a apresentação. Gostei do saque e bloqueio apenas - méritos para Thaísa.

Natália, Garay e Dani continuam bizonhando em vários momentos. Natália parece que não vai desencantar nunca mesmo...

Enfim... Se cada uma fizer o que sabe direitinho, batem fácil nos EUA. O problema é que nunca coincide de todas estarem bem ao mesmo tempo.

Estarei torcendo bastante amanhã. Que façam uma bela partida.

P.S.: ZR ficou com dó da Mari Paraíba.
Jonas M.B disse…
Karch Kiralíy é o mais jogador da história do vôlei. Lenda.
Abraão disse…
O Brasil não é campeão olímpico por acaso!Até quando joga mal o nosso time é melhor!!!! Enquanto Sheila respirar as adversárias vão tremer.
L. Mesquita disse…
Queria saber quem tem coragem de criticar a fenomenal Sheilla???
L. Mesquita disse…
Adorei ver a Jack debochando da coreografia das yankees depois da surra de 15x9 no tie break. Maior falta de respeito a final rolando e as vadias americanas fazendo coreografia na reserva. Vao fazer coreografia no Circo, palhacas! Repito, EUA tem zero titulos olimpicos e vao continuar com zero!
Jonas M.B disse…
Zé é um monstro sagrado do vôlei. Absurdo.
Joffre Neves disse…
Sheila ganhou a premiação de melhor ponteira e a Hill segunda melhor ponteira de acordo com o twitter do saque viagem .
Premiação : tomkom,Sloetjes,thaísa e adams,sheila e hill,li líbero da china e Natália mvp.
Joffre Neves disse…
Holanda venceu de virada a rússia por 3x2 : 18-25, 23-25, 30-28, 25-21, 15-9.A sloetjes fez 24 pontos e a Goncharova 29.
Jonas M.B disse…
Jaque sem comentários, grande atuação da léia, dani lins mostrando o seu talento, sheila segura, thaísa e fabiana muito bem pelo meio e a segurança da fernanda garay. Parabéns para o Brasil.
Cadê os críticos da seleção? ??principalmente da Sheilá ? ? Da nath? ? E aí? ?? Q o Ze era paneleiro, nao quis levar a Paula Borgo ??q não tínhamos opção? ? Q não renovamos? ?? Penso o tanto q é difícil pra essas meninas, q direto tem q ficar calando a boca de alguns. Aquela minoria q pensa q entende de vôlei,só pq acompanha alguns jogos da seleção. E o estados unidos, sim, é um time fora do comum, um dos melhores q vi jogar, varias opções , time bem equilibrado, perfeito em praticamente em tudo, mas não é imbatível, como nós mesmos sendo bi olímpicas não somos, jogo é jogado, é dentro da quadra, e experiência conta sim, e uma boa juventude também, mas o respeito à humildade vale mais. Espero que daqui pra frente só evoluímos, sem ilusão, pois , olimpíadas é outra vida, mas Parabéns vcs mereceram! !
raphael martins disse…
Acho que os detratores precisam de muitos minutos de silêncio. Até a olimpíada pelo menos.