Montreux de olho em Tóquio 2020

Semifinais: Tailândia 3x2 Turquia; China 3x2 Holanda

Final: China 3x0 Tailândia

 
O Brasil terminou o Montreux na quinta colocação. Com a nossa seleção fora da disputa das medalhas, restou-nos acompanhar os demais times. E valeu a pena. Foram duas semifinais muito bem disputadas e uma final sem grandes emoções, mas de boa qualidade por parte da China e de mais um espetáculo da levantadora Tomkom, da Tailândia. Além disso, pode-se dizer que, em Montreux, a maioria das seleções esteve com os olhos virados para o futuro. O ciclo Tóquio 2020 já começou a ser desenhado na Suíça. 

*******************************


Para chegar à final, a China bateu a Holanda que, com exceção da Slöetjes, jogou com a base titular do pré-olímpico. A oposto Pietersen não teve o mesmo brilho da titular, mas ao menos a Holanda teve uma distribuição mais equilibrada para as ponteiras. O problema é que, na maioria das partidas, somente a Plak correspondeu bem no ataque.


Pelo grupo que tinha, esperava que o time holandês fizesse um torneio melhor. Perdeu para Tailândia, China e as reservas da Turquia – essa na disputa do terceiro lugar. É uma seleção fraca defensivamente, seja no bloqueio como no fundo de quadra, e, por sua juventude, instável. Instabilidade essa ainda agravada pelo descontrolado treinador Giovanni Guidetti. Na semifinal contra a China, ele mandou a equipe sair de quadra após um erro da arbitragem. Depois da confusão, as meninas voltaram desorientadas ao tie-break. 


*******************************
 
A Tailândia, por sua vez, venceu a Turquia nas semifinais. Bastante renovada, a Turquia sentiu os momentos decisivos. Contra a Tailândia teve o tie-break nas mãos e o entregou devido a passes ruins e a pouca capacidade de definição. Deixou que o adversário desenvolvesse aquele ritmo acelerado que desnorteia o adversário. Mas a Turquia mostra que possui jogadoras com potencial para mantê-la com relevância no cenário internacional. A oposto Uslupehlivan é um desses nomes, assim como a líbero Dalbeler e a jovem atacante Baladin.

*******************************

A China, assim como os Estados Unidos, tem conseguido formar bons times mesmo quando não conta com suas principais jogadoras. Isso mostra a quantidade de jogadoras que está formando em condições de brigar pelo grupo principal. Em Montreux, a China aliou bons nomes jovens (jogadoras altas e de qualidade) com um conjunto organizado, de volume de jogo e forte ofensivamente. Duas jogadoras foram as principais condutoras ao título: a experiente Ruoqi Hui e a jovem Gong.

Na final, a China deu poucas brechas à Tailândia. O passe, que poderia ser um ponto frágil chinês, foi pouco pressionado pelo inconstante saque tailandês. As poucas oportunidades que a Tailândia teve para se aproximar ou ganhar da China foram jogadas fora em erros, reflexos da imaturidade do time.

É impossível torcer contra a boa-vontade, o esforço, o entusiasmo e, principalmente, a beleza dos levantamentos da Tomkom. Mas, muitas vezes, essa é uma torcida inglória. A Tailândia depende muito do seu passe que, apesar de a seleção ser de mais técnica do que de força, não é um porto seguro. Ela precisa impor aquele ritmo de velocidade no seu ataque para, não só escapar do bloqueio adversário, como também para envolver o oponente e tirá-lo do eixo.

A Tailândia conseguiu fazer isso com a Turquia nas semifinais em muitos momentos, além de ter contado, na hora decisiva, com um bom saque e a instabilidade turca no tie-break. O “feitiço”, no entanto, não conseguiu atingir as chinesas, que saíram, com muito merecimento, vencedoras do torneio de Montreux.


*******************************

Pê ésse:
 
- É muito bonito ver a Tomkom jogar. Ela é absurdamente habilidosa, faz o que quer com a bola. As chutadas que faz com as centrais, principalmente com a Thinkaow, nos contra-ataques acontecem com uma naturalidade impressionante.

- De olhos nelas: A chinesa Gong junto com a Baladin, da Turquia, foram as gratas surpresas do torneio. Ambas com menos de 20 anos e sendo referência nos ataques de seus times. Zhang, meio-de-rede chinesa de 19 anos, também se destacou.

Comentários

Matheus Silva disse…
Acho que é praticamente impossível não torcer pela Tailândia, a forma como todas jogam, se doando ao máximo, se superando mesmo porque elas bem mais fracas fisicamente que todas as seleções que enfrentou ... Mas a felicidade que jogam, sempre sorrindo .. Me encantaram, torci muito por elas , umas guerreiras !
Amos as tailandesas também, são muito alegres, jogam se divertindo, mas, claro, com o objetivo de ganhar! Torcerei muito pra que em 2020 elas estejam em Tóquio. Ainda falando sobre elas é válido destacar a Kongyot, joga muito essa menina e claro, a Tomkom - que levantadora, gente... Simplesmente sensacional, realmente muito habilidosa, até imagino ela no Fener com a Kim e a Natália. Sobre as outras seleções: A Turquia tem jogadoras muito boas, só precisam de mais frieza em certos momentos, a Baladim é muito boa atacante, se continuar assim tem tudo pra ser uma referência na equipe turca, bem como a Uslupehlivan e ainda há outras jogadoras como a Babat, Akman, etc. A China realmente tem uma base forte, o Brasil precisa investir mais na base. Bom é isso, eu acho... rs
Vicente Maia disse…
Alguém aqui vai assistir o Grand Prix de vôlei feminino nas próximas quinta-feira, sexta-feira e domingo? Ainda tem ingressos pra vender. Como não moro no Rio de Janeiro, só vou conseguir assistir a partida de domingo Brasil x Sérvia.
Cas disse…
Eu to pensando em comprar pro grand prix... mas to com preguiça de ir até a barra hahah
Das olimpiadas eu comprei um de quartas e um de semifinal... espero que caia em algum jogo do brasil. To pensando em comprar da primeira fase, que é bem mais barato e da pra assistir 2 jogos ainda.
George disse…
Torci muito pela vitória da Tailandia, mas sem passe foi quase impossível.
A China foi arrasadora e deixou poucas chances pro time tailandês. A Gong deve ser um dos nomes para o próximo ciclo. A Tailandia tem jogadoras muito competentes, como a novidade Ajcharaporn e a Pornpun (que era a substituta direta da Nootsara, jogou algumas partidas como titular, tem 23 anos) que devem brilhar nos próximos anos. Precisam urgente de jogadoras com mais de 1,80 e que o passe se estabilize pra dar a velocidade necessária.

P.s.: é chover no molhado falar da Tomkom, ela é brilhante. Poderia comparar ela à Takeshita, só que com um passe pior. Dá gosto de vê-la jogando.
George disse…
Um adendo, o que foi a Akman nas semi-finais?! É uma Thaisa, com 1,97, só que completamente descoordenada. Errou várias bolas seguidas.
O time turco tem vários bons nomes, mas ainda acho que o maior problema é a falta de padrão.
A Polen fez um ótimo campeonato, mas não sei se levo muita fé nela. É muito mais fraca que a Neslihan nos seus aureos tempos.
Gostei muito da Baladin, essa sim deve ser um dos nomes do próximo ciclo, deve entrar na brecha deixada pela Sonsirma.
Vicente Maia disse…
Cas,
Eu moro em Curitiba e vou pra Barra da Tijuca ver o jogo, se morasse no Rio iria pros três jogos do Grand Prix 😄
Renato Santos disse…
Eu adoro o time da Tailãndia. Elas são baixinhas, habilidosas e vem dando trabalho para várias seleções. A Tomkom é a levantadora mais habilidosa do mundo e eu fico impressionado com o voleibol dela.
China, Estados Unidos e Turquia estão com boas jogadoras, porque investem na sua base. A seleção Americana tem o melhor campeonato universitário do mundo, por isso aparece tanta gente boa por lá, já na China aparecem muitas jogadoras boas e altas por causa da sua grande população. No caso da Turquia, é simples, liga forte é igual a seleção forte, pois como as melhores jogadoras do mundo estão lá, o nível fica alto.
O Brasil está com uma base bem mediana e não deve fazer frente as outras seleções em 2020. Teremos boas opostas (Helo, Lorenne e Paula Borgo), centrais de medianas (Saraellen, Carol, entre outras, mas inferiores a Fabiana e Thaísa), boas levantadoras (Naiane, Juma e Roberta). Com relação a líberos eu não sei informar, mas de ponteiras estaremos super carentes, pois as que apareceram não tem nível para seleção.
Portanto a entre-safra de novas jogadoras não é muito boa, por isso viveremos um jejum de títulos por um longo período.