Montreux - Brasil 2x3 Turquia


Com mais esta derrota, a seleção brasileira ficou sem chances de se classificar para as semifinais do Montreux. Pelo menos conseguimos ver um Brasil bem diferente daquele que enfrentou a China. Desta vez, a seleção mostrou maior capacidade de jogo, com maior volume defensivo e organização, além de uma melhora significativa de desempenho de todas as jogadoras.

A Paula Borgo fez um duelo especialmente inspirado e bonito de se assistir contra a oposto turca Uslupehlivan. A Paula acabou por ser nossa principal saída de ataque, mas, de certa forma, a distribuição da Naiane esteve melhor equilibrada neste segundo confronto. Isso, porém, não a livrou de ter cometido erros importantes em escolhas de jogadas, principalmente em contra-ataques. A Naiane, por querer tanto fugir da obviedade, por vezes esquece que fazer o simples também vale ponto – e muitas vezes é o caminho mais seguro. Falta à levantadora achar este meio termo entre a ousadia e a criatividade e a objetividade. 
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Agora, a Naiane teve o trabalho dificultado em boa parte do jogo por causa da nossa irregular recepção. As turcas queimaram a Rosamaria logo de cara e forçaram a entrada da Drussyla. Essa, por sua vez, melhorou o fundamento, mas não garantiu a ele segurança. E foi a recepção brasileira que afastou o Brasil da vitória. Dificultou a virada de bola, já complicada pela boa defesa turca, e deu pontos fáceis à Turquia.

A Turquia também não foi toda esta segurança no passe. Os melhores momentos do Brasil foram aqueles nos quais a seleção melhor sacou e o bloqueio, por consequência, se fez presente com Fran e Mara - que deixaram, desta vez, de serem meras espectadoras dentro da quadra. Só que o que o Brasil conquistava com o saque, deixava escapar com muito mais facilidade e em proporções maiores logo depois quando recebia a bola.

Enfim, a seleção pecou na insegurança e deu umas bobeadas, mas mostrou uma personalidade e uma qualidade bem mais compatíveis àquilo que se espera do Brasil, mesmo com um time B/sub-23. Agora o Brasil enfrenta a Bélgica ainda pela fase de grupos e, sábado, disputa mais uma partida para definir do 5º ao 8º lugar.

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Pediu o chapéu

Assim como a irmã Michelle na seleção B, Monique pediu dispensa da seleção principal que se prepara para o Grand Prix e a Olimpíada. Ambas alegaram problemas particulares, mas não sei se na verdade não é “vontade particular”. Seja o que for, elas têm todo o direito de escolher aquilo que querem para suas carreiras.

A chance de Monique integrar o grupo das 12 olímpicas era mínima, ainda mais com as declarações do Zé Roberto dizendo que as jogadoras mais versáteis sairiam na frente nesta disputa. Com Natália e Tandara podendo fazer duas funções e tendo características diferentes à titular Sheilla, aliada à sua baixa estatura, a missão de chegar aos Jogos tornou-se praticamente impossível para Monique. Ela sabia disso e tudo deve ter ficado ainda mais claro quando sequer começou um set como titular nos amistosos do último final de semana.

Por tudo isso, não é uma perda a se lamentar. Talvez o único senão desta história toda é deixar a Tandara em uma situação muito mais confortável, sem qualquer sombra à ameaçá-la. Sim, porque, para mim, ela, ainda que fora da forma ideal, não corre perigo de perder sua vaga seja por uma quarta central, uma terceira levantadora ou outra ponteira (no caso, Mari PB). Se acontecer, Zé Roberto irá me surpreender.

Na letra fria das quadras, Tandara, por enquanto, não merece esta vaga. Está lá mais por seu potencial e pelo seu histórico nos clubes do que exatamente pelo que mostrou na última temporada. Espero que, mesmo sem concorrência, esta consciência seja o grande motor para que ela mude a sua história na seleção que, até hoje, por diversos motivos, é pouco convincente.

Comentários

Gabriel disse…
Assisti o jogo a partir do segundo set, achei que o Brasil bobeou em momentos que não podia. Naiane errou muito nas suas escolhas, forçando o jogo com a Gabi e errando nos levantamentos muitas vezes, aliás Gabi virou a ponteira de força, daí nós podemos ver como o time estava descaracterizado, Drussyla jogou bem melhor. Paula cumpriu bem seu papel de oposta. Gosto da forma como ela joga, muito forte, e tem muita personalidade, com a saída da Monique não seria nada mal se ela fosse chamada para treinar com a seleção principal e acho tbm uma pena ela não ter ido pro Rio, imagina essa menina sendo lapidada pelo Bernardinho?!
As meios apesar de terem jogado um pouco melhor, ainda mostraram muitas falhas, ambas são lentas no bloqueio, e no ataque Mara conseguiu fazer alguns pontos, mas não me lembro delas pontuando em jogadas chinas rápidas, bola que a Naiane tanto usa no Minas, acho que são características das duas centrais mesmo, só atacar pela frente, aliás, a Naiane tentava fugir da obviedade do jogo brasileiro com jogadas pelo meio-fundo, já que nossas centrais eram nulas no quesito ataque. Foi uma boa experiência para essas jogadoras, mas a sensação é que faltou algo e que o Brasil poderia sim até brigar por esse título.
George disse…
Achei um jogo bem melhor de assistir. Ainda acho a Naiane muito crua e peca muitas vezes por tentar ousar em vez de fazer o básico com perfeição. A Juma peca um pouco na variação, mas o básico ela faz muito bem.
De resto, Paula foi o nome do jogo, cravou várias bolas ignorando o bloqueio. A Gabi está ali pelo passe, tem que cobrir mais a quadra deixando a outra ponteira (Rosa ou Drussyla) livre.
Laís esteve mais segura, mas está longe de ser a melhor líbero dessa nova geração.
Agora concordo contigo, Laura. As meios são lentas demais. O ataque da Fran era só de ponta de dedo. Insisto na pergunta: Por que a Saraelen está na reserva?

Em off, sobre o torneio: Como não torcer pelo time tailandês? Elas são um time compacto, ágil e com o jogo mais bonito de se ver. Fora que estão sempre sorrindo.
L. Mesquita disse…
Verdade,a Tailandia e o "Time Simpatia" da competicao,alegres,sempre sorrindo,jogando um voleibol super-tecnico e coletivo superaram dois times de gigantes:Servia e Holanda.Esse novo tecnico teve pouco tempo p/trabalhar entre o Pre-olimpico e Montreux,mas parece ser muito bom,sabe mudar o jogo c/substituicoes pontuais.
Renato Santos disse…
Finalmente a Monique pediu dispensa da seleção. Eu não entendo porque ela vem sendo convocada até hoje. Para o clube do Rio e superliga, ela é ótima, mas para seleção não, pois o nível e a estatura dos adversários é superior. A Helo, Paula e Lorenne são opostas altas e fortes no ataque, mas para o ZR só existia a Monique aff. Sem contar nossos adversários na olimpiada que as opostas tem 1,90 pra cima.
Com relação a seleção sub 23, as únicas que se salvam do time são: Paula, Lorenne, Juma, Naiane (Sem ousar demais) e Drussyla, porque o restante não tem nível para seleção adulta não.A Rosamaria é uma jogadora comum pra mim e não vejo nada demais nela, já a Gabi é super baixa e não vejo futuro na seleção pra ela.
George disse…
Brasil ganhou 3 x 0 do time completo da Bélgica, que havia ganhado da Turquia inclusive. Foi uma boa vitória, pra fechar o campeonato com honra.
Acredito que não fosse o nervosismo no primeiro jogo, poderiam ter jogado de igual para igual com a China.
Mara ao meu ver poderia ser treinada para mudar de posição, é muito lenta no bloqueio pra ser central. Seria ótimo uma ponteira com 1,90. Mesma coisa a Fran. Ambas são novas e podem mudar de posição tranquilamente ainda.