GP - Brasil 2x3 Sérvia

Da perfeição ao desastre. Esta foi a trajetória do Brasil na partida contra a Sérvia.

Um primeiro set de um Brasil bonito de se ver. A seleção jogou com facilidade na virade de bola pela boa recepção, a Dani quebrou o bloqueio sérvio com jogadas aceleradas e até algumas jogadas “novas”, o time teve ótimo volume de jogo e cometeu pouquíssimos erros. No segundo, os erros começaram a jorrar, principalmente no saque, o que foi permitindo que a Sérvia ganhasse campo na partida. Nossa recepção começou a dar ali os primeiros sinais do que seria o pesadelo nos demais sets. A partir do terceiro set, só deu o saque sérvio, com o passe do Brasil terrivelmente mal, o time perdido em quadra sem saber o que fazer e sem conseguir manter um mínimo de regularidade no saque quando retomava – normalmente por um erro sérvio, não mérito próprio – a posse de bola. 
 
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O tie-break seguiria esta mesma tendência se não fosse a entrada da Jaqueline para equilibrar a recepção e ajudar numa reação. Entrada tardia essa, que seja dito. Se houve um jogo que mais clamasse pela Jaque foi esse. E o Zé Roberto só foi usá-la para apagar o incêndio quando ele já tinha se alastrado, ou seja, no tie-break.

Não sei explicar por qual razão ele ficou olhando o time se desmontar num fundamento quando tinha uma especialista no banco. Queria que o time fosse testado? Se isso acontecesse na Olimpíada ele não iria ficar olhando, né? Digo, o teste era exatamente colocar a Jaque no sufoco e ver como o time reagia, e não deixar como estava. A não ser que ela ainda não esteja 100% fisicamente...

Mesmo a tentativa, no terceiro set, da Gabi no lugar da Garay – que esteve numa partida para esquecer - era interessante e merecia ser melhor considerada no restante da partida. Ainda que, assim como a Garay, a Gabi dependa de velocidade para ter um bom ataque, coisa impossível naquele momento pela má recepção, pelo menos ela é mais habilidosa para tentar algo que não seja fechar os olhos e atacar pra baixo como a Garay insistiu em fazer durante toda a partida. Mas ele nem deu tempo pra jovem tentar alguma coisa. É teste ou não é teste? 

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Defensivamente, o Brasil está até agora buscando a marcação para cima da Boskovic, que marcou 30 pontos no ataque. Apesar da Sérvia se caracterizar por bolas altas nas pontas, ela não é uma seleção lenta quando a Ognjevocic está no levantamento e recebe bons passes. Por isso um saque agressivo se faz ainda mais necessário para que o sistema defensivo entre em ação. Coisa que o Brasil só conseguiu fazer com consistência no primeiro set.

Todas as jogadoras tiveram seus momentos de erros neste fundamento; algumas como a Dani e a Garay até conseguiram algumas sequências boas. Mas uma arma brasileira importante no saque está escondida: Thaisa. Ou erra ou faz um saque fácil para o adversário, muito longe daquele venenoso que a tanto caracteriza. 

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Acho que o Brasil não é todo esta maravilha do primeiro set, quando foi pouco exigido pela Sérvia, e muito menos o desastre dos demais. Os problemas que a Sérvia expôs na recepção e no ataque não são novidades. O que preocupa nesta derrota é que, desta vez, a seleção não soube compensá-los com outros fundamentos que costumam funcionar bem, mais especificamente no sistema defensivo.

Se o Grand Prix está aí para servir como teste, que nos aprimoremos com ele. Pensemos o quanto vale a pena ter Garay e Natália como dupla de ponteiras ou mesmo se a Brait não tem que ocupar maior espaço na linha de recepção para protegê-las. Olhemos com mais atenção nosso saque que tem sido tão irregular.

Agora,a realidade que não dá para mudar e com a qual temos que lidar é que não possuimos peças no banco capazes de mudar o rumo de uma partida. Ou melhor, temos uma. Só que ela precisa ser utilizada. 
 
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Foi a primeira derrota do Brasil para a Sérvia em jogos oficiais e isso é significativo. É um sinal das fases que cada seleção está passando (uma decadente, outra em ascensão) e de uma provável tendência. Não é fazer terra arrasada, mas tampouco se pode considerar este marco apenas um tropeço. 

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Mais GP
 
- Não estava levando a sério a possibilidade da Adenízia como oposto – ou melhor dizendo, assumindo esta posição na inversão 5x1. Com esta opção, o Zé Roberto deu uma tapinha na cara na Tandara na primeira partida contra a Sérvia e, agora, deu dois murros. Se ela não acordar agora... o que eu considerava improvável – o Brasil ir sem uma oposto reserva – vai acontecer. Chances da Jucy e até da Roberta participarem dos Jogos crescendo horrores com a inércia da Tandara. 

- Já que a FIVB quer descaracterizar o vôlei preocupada com a televisão, poderia pelo menos exigir algumas contrapartidas das emissoras, não é mesmo? Ela precisa estabelecer um padrão de transmissão entre os países. Não é possível oferecer uma transmissão tão precária como esta de Macau aos telespectadores. Alguns pontos se perderam no cochilo da corte de câmera e os replays foram raríssimos.

Comentários

BOLHANTE disse…
Oi Laura! Concordo com vc, o Brasil hoje não tem no banco alguém capaz de entrar e mudar uma partida! Todas as meninas foram mal, mas acho que a Garay prejudicou de maneira importante a seleção, não apenas no passe,como também no ataque e a Dany não percebeu isso, insistindo em demasia com ela. A Sheila, embora pouco acionada foi bem e a Natália me surpreendeu positivamente, na recepção e defesa. Com relação a Gabi, não dava pra ela continuar, ela tomou 2 aces consecutivos no pé. A Jaque não pode ser banco, alguém vai cair e acho q será a Garay.
Unknown disse…
Dani dificilmente levanta bola para Sheila e hoje deu pra perceber que Jaqueline é titular absoluta, prefiro Mari Paraíba do que a Gabi.
Concordo com você, apesar de achar que Natália não foi tão bem assim
Welmer Sales disse…
A seleção só jogou bem o primeiro set, a partir do segundo a Sérvia equilibrou a partida e no terceiro e no quarto set dominaram o jogo, o fim do tie-break voltou a ser equilibrado mais por conta dos erros sérvios que por uma melhora da seleção.

No primeiro set tudo funcionou bem, o saque conseguiu pressionar a Sérvia, o sistema defensivo tava proporcionando contra-ataques, Dani tava fazendo uma boa distribuição e as atacantes estavam virando as bolas. No segundo set os erros começaram a aparecer e a seleção não conseguiu recuperar o bom voleibol jogado no set inicial. Eu tento e tenho me esforçado muito para defender Natália e Garay de titulares na seleção, mas a cada jogo eu tenho cada vez mais certeza que essa dupla não se sustenta, se tivéssemos uma Fofão no levantamento talvez até valesse a pena investir, vide o que ela fazia com o Rexona com uma recepção praticamente inexistente. Dani é uma boa levantadora, mas é infinitamente melhor com o passe nas suas mãos, quando a recepção da seleção não funciona ela parece, como muita gente fala, entrar em pane e acaba se perdendo na partida.

Não entendi a entrada da Gabi no quarto set para corrigir a recepção, Gabi é boa ponteira, mas não é especialidade dela a recepção, tanto que tomamos alguns pontos de saque em cima dela. Aquele momento da partida pedia a entrada da Jaque e até agora tô tentando em entender o fato do Zé não a ter colocado em quadra. Posso estar viajando, mas não me pareceu que era por ela não está 100% fisicamente, já que pelos vídeos que a CBV tem postado ela está treinando normalmente. Acho que Zé quer limitar a Jaque a sacar e fazer fundo como em Pequim 2008 e firmar Natália e Garay como titulares. Jaque tem um clamor popular muito grande, se ela entra naquele momento da partida e vai bem as contestações sobre quem deve ser titular iriam começar e acho que isso é o que o Zé menos quer, aí ele só foi colocá-la no final do Tie quando tudo parecia perdido, para que não falassem que ele não deu oportunidade.

Sobre a transmissão, também senti falta dos replays, mas acho que isso foi por conta da diferença curta de tempo entre o fim de um ponto e o início do outro. E pegando carona na sua crítica, Laura, ao esforço da FIVB em descaraterizar o voleibol, é absurdo o que eles querem fazer, tudo só para o esporte se encaixar na TV aberta. Se as mudanças que a FIVB quer implementar forem pra frente, acho que o esporte só tem a perder, pois acho que dificilmente o vôlei ganhará espaço na TV aberta e ainda corre o risco de perder público por conta da descaracterização do esporte.
Dani dificilmente levanta bola para Sheila e hoje deu pra perceber que Jaqueline é titular absoluta, prefiro Mari Paraíba do que a Gabi.
Gabriel disse…
A Garay teve um dia para esquecer. Foi caçada e não aguentou a pressão. Natália melhorou muito no passe e nas defesas, mas ainda está devendo muito naquilo que é seu forte, o ataque, nem de longe vi aquela jogadora agressiva e decisiva do Rexona em quadra ainda, e parece que ainda falta entrosamento dela com a Dani. Aliás, nossa levantadora sofreu hoje mesmo, precisamos dar um desconto, mas achei que ela pecou na distribuição. Sheilla definitivamente precisa rodar mais bolas, pegar mais ritmo de jogo, ainda mais quando ela não tem reserva a altura, hoje que seria uma excelente oportunidade, foi ignorada pela Dani. Vimos hoje que para as pretensões do Brasil, Jaqueline é fundamental. Como eu havia comentado em um post anterior, ela tem que ser titular, o time joga bem mais solto com ela, Garay e Natália que disputem a vaga de ponteira de definição.
George disse…
Jaque é titular absoluta, por favor. Com a Naty e a Garay, a Brait fica ocupando boa parte da quadra e com a Jaque elas dividem. Em 2008 funcionou pq a Fabi vivia uma fase excelente e a levantadora era a Fofão. Em 2012, que a Fabi já não estava em boa fase, a Jaque era imprescindível pq as levantadoras eram Fernandinha e Pani. A atuação da Brait no mundial foi ótima pq ela não tinha que cobrir a quadra inteira.
Joao Ismar disse…
O passe destruiu o time, mas o passe ruim nao justifica uns levantamento medonhos que a Dani Lins fez. Há um tempo ela vem queimando as jogadoras de extremidade com falta de precisao nos levantamentos. Passe quebrado na 6 e ela me levantando de manchete quase atrás do segundo árbitro. Se a levantadora só sabe jogar com passe perfeito (nem isso as vezes) não dá pra ter duas ponteiras que não tem excelência nesse fundamento. Garay fez o seu pior jogo pela seleçao, fato. Natália foi razoavelmente bem no passe, mas nao conseguiu atacar e o prejuízo foi maior ainda... Assistindo a partida tava com a impressão do bloqueio estar desorganizado, mas o fundamento estava certinho, as sérvias que vinham ou por cima da levantadora ou tiravam do bloqueio. Pra finalizar, só assisti os três últimos sets, então nao vi a parte boa do jogo, contudo, achei o time desorganizado taticamente: Boskovic estava com a Diagonal aberta, nao entendi pq estavam bloqueando a paralela dela, e porque o Brasil sacava na líbero? O passe dela é pior que o da Mihalovic? O jogo de hoje vai ser muito interessante, mas não acredito que as Sérvias consigam passar lisas pelo bloqueio chinês.
Laura disse…
É, Welmer, pelo que podemos ver pela CBV, tá tudo ok com a Jaque. Tb acho q não foi este o caso de ela não ter entrado antes no time. E sobre a FIVB e as mudanças, concordo. Ledo engano achar q isso irá atrair mais transmissões. Ainda mais q a própria FIVB disponibiliza transmissão pelo YT de quase todos os jogos e com ótima qualidade.

João, eu não prestei mta atenção no bloqueio brasileiro, mas teve momentos em que elas fecharam a diagonal e deixaram a paralela para a Boskovic. E tb não deu certo. =/ O saque tb me perguntei. Vi q a líbero tava protegendo bem a Miha. Quero acreditar q o Brasil estava era mirando nela, não na líbero. Mas poderia ter tentado outra estratégia.

Não comentei sobre a Dani Lins pq o trabalho que ela teve foi absurdo e fica difícil avaliar qd se tá com um passe tão ruim e a todo o momento correndo atrás da bola. Fica difícil exigir uma estratégia de distribuição legal. Mas achei q ela esteve mto mal no final do segundo set, qd o passe nem tava este pesadelo todo, com bolas ruins e más escolhas em contra-ataques.

Isa Costa disse…
Camila Brait prejudicou muito o passe, Nat e Garay caíram no fundamento e ela não conseguiu executar bem o quando sacavam em cima dela.

Preocupante saber que não temos oposta reserva, Adenízia ainda não foi testada pra valer, o Zé poderia ter evitado a derrota colocando Jaque e Juciely antes.

Se o Brasil depende de bom passe, bloqueio e centrais atacando, que o Zé fique com Natália, Jaque e Mari PB então. Garay está muito abaixo e Gabi é baixinha, instável no passe e inexperiente.
Renato Santos disse…
Eu não assisti o jogo, por isso não posso opinar sobre o que aconteceu para termos perdido. No entanto, estamos com sérios problemas no passe e ataque, já que as nossas passadoras não sabem receber saque viagem e nenhuma das nossas atacantes vira uma simples bola alta na ponta quando o passe não funciona.
Somos uma seleção que é totalmente dependente de passe A, dai basta o passe cair um pouco que dá desespero de ver como cai muito o nosso jogo. Para uma seleção que quer ser tri olimpica isso não é um bom sinal, pois é impossível jogar com o passe na mão o tempo todo.
A Natalia e a Tandara estão péssimas no ataque, sendo que as duas possuem mais potência e explosão do que as demais, mas não estão conseguindo ser efetivas nesse fundamento.
Não podemos tirar o mérito da Sérvia que tem evoluido muito e hj joga de igual para igual contra qualquer seleção do mundo.

Welmer Sales disse…
Justamente, Laura. Pelo que o Voloch publicou no blog dele a intenção da FIVB é dar limite de 25 minutos para a duração dos sets (?) para que assim o jogo dure em torno de 1h45min, isso foi a coisa mais nonsense que li. Duas das melhores características do vôlei é justamente a pressão que os times sofrem em momentos críticos como ter que abrir dois pontos para fechar um set e história particular que cada set proporciona. Limitar um esporte como o voleibol ao tempo é dar muitos tiros no próprio pé. Se o esporte não tem espaço na TV é porque estão vendendo o esporte de forma errada, se até o beisebol um esporte extremamente monótono tem um alcance significativo de público, um esporte dinâmico como o voleibol tem plenas condições também, basta ser gerido de forma correta. A FIVB e a CBV tem uma fixação tão grande pela TV aberta, mas se eles pararem para observar existe outros caminhos como a internet, o canal da FIVB no Youtube é uma prova disso. O canal que quando começou a transmitir o quali olímpico tinha em torno de 90 mil inscritos, hoje já tem algo em torno de 120 mil inscritos e com jogos com mais 300 mil visualizações. (Infelizmente a Globo/Sportv já bloquearam as transmissões dos jogos no Youtube para o Brasil)
Laura disse…
Nossa, Welmer, não sabia q tinham bloqueado. Tenho aquela extensão q permite acessar conteúdos bloqueados em certos países, entao nem me dei conta disso. Fui ver em outro pc e realmente, até jogos q não são do Brasil estão bloqueados... Que ridículo!

O curioso é q não vejo ninguém discutindo mudar as regras de esportes como o tênis, cujas partidas duram ate 4 horas. Enfim, tb acho q serão um tiro no pé estas mudanças.
Laura, qual o nome dessa extensão que permite acessar conteúdos bloqueados em alguns páises?
L. Mesquita disse…
MIHAJLOVIC está muito forte, está atacando e sacando como homem! Difícil alguém fazer um passe decente no saque dela! Boskovic é uma monstra no ataque e no bloqueio, não existe no Brasil oposta como a Boskovic!
raphael martins disse…
http://proxflow.com/

Para destravar o youtube galera!
Gabriel disse…
https://m.youtube.com/channel/UCXsko36jNV9PgfHwbl9NTAg
Estou conseguindo assistir os jogos por essa canal do YouTube. Assistindo a China x Sérvia, e a China TITULAR sendo atropelada pelo time RESERVA da Sérvia
L. Mesquita disse…
O Técnico Terzic da Sérvia fez questão de perder para a China, nem no tie break ele pôs as titulares pra jogar. A Sérvia entrou com o time reserva contra a China e mesmo assim levou o jogo ao tie break. Mihajlovic e Boskovic, as matadoras sérvias, ficaram no banco assistindo. Dizem que Terzic talvez não queira se classificar para a fase final do Grand PRix para focar na Olimpíada.
Laura disse…
Gleidson, eu uso o Hola. Valeu pelas dicas, Gabriel e Raphael! ;)