O quarteto coadjuvante

O pré-olímpico de Tóquio não precisou chegar ao fim para sabermos os quatro qualificados para os Jogos 2016: Coreia, Itália, Holanda e Japão.

O torneio também não precisou terminar para desmanchar muitas das minhas perspectivas. Uma delas, sobre o desempenho da República Dominicana. Achava difícil ela conseguir uma classificação, mas não imaginava que seria um saco de pancadas e que jogasse tão mal. Diferentemente do que eu disse, mesmo se ela estivesse no outro classificatório, não conseguiria uma vaga do jeito que está jogando.

A Rep. Dominicana esteve sem qualquer organização e confusa. Se já errava bastante antes, agora então... Nem seus pontos fortes, o ataque e a defesa, estiveram bem. Não fizeram frente a nenhum time de peso - sequer ao Peru, que, mostrando mais valor de grupo, foi o melhor representante latino-americano da competição. Como comentamos nos últimos posts, o ciclo do Marcos Kiwek acabou. Percebe-se que o trabalho dele chegou ao limite e não mais consegue se refletir em quadra. 

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Outra expectativa que se dissolveu foi referente ao equilíbrio das partidas. O torneio até que foi embolado, mas os jogos em si não. Itália levou uma lavada da Holanda, que levou uma da Coreia, que, por sua vez, foi vencida com superioridade pela Itália. E no meio disso tudo, o Japão não venceu nenhum dos top de linha.

Estes altos e baixos nos mostram como nenhuma destas seleções tem consistência e é confiável. A não ser que um golpe de sorte favoreça os cruzamentos, dificilmente alguma delas passa das quartas. Chegam ao Rio para serem coadjuvantes.

Delas, Coreia me surpreendeu por ter mostrado um pouco além da Kim – ainda que se mantenha como uma Kimdependente.Teve um saque muito bom, o que foi fundamental para vencer partidas contra Japão e Holanda, e bom volume de jogo. Só que a levantadora é muito limitada em qualidade e estratégia. Entendo que com uma jogadora como a Kim em quadra fica difícil fazer um jogo equilibrado na distribuição, mas se percebe claramente que não há um pensamento por trás de nada, ela simplesmente quer se livrar da bola.

Já a Holanda se mostrou muito frágil na recepção e, provavelmente por isso, ficou muito nas mãos da Slöetjes. Ainda bem que a oposto correspondeu de forma brilhante, mas a seleção holandesa tem que ser mais do que isso se quiser incomodar na Olimpíada. O grande ponto desta nova fase holandesa é exatamente ter um grupo de atacantes qualificadas e, com o Guidetti, ter construído um jogo mais veloz e menos “bola alta na ponta para o oposto”. No fim, neste pré-olímpico, a Holanda esteve mais com a cara do tempo em que contava com a Flier. E, mesmo nos seus primeiros passos, ela pode ser mais do que isso.



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Enganei-me quando pensei que a Itália estaria vulnerável no levantamento. Gostei do torneio da Orro. Jogou à vontade, foi objetiva, optando sempre pela maior distância e colocando as centrais para jogar. Aliás, como vocês bem observaram, a Itália foi uma das poucas - senão a única – seleções a realmente contar com a participação das meios, seja como opção de ataque seja no bloqueio. As demais estiveram bem apagadas. Claro que ainda acho que o ideal seria ter uma levantadora mais experiente, nem que fosse para o banco, mas já deu para perceber que a vibe do Bonitta será mesmo apostar nas jovens. Mesmo porque, fora a Del Core e a Guiggi, as veteranas não têm dado provas de que merecem a confiança. Estão nas mãos de Egonu e Sylla – e até de Diouf, que ficou fora do pré – a responsabilidade de resolver a crônica falta de poder de ataque italiano. A Itália virá ao Rio com um time de olho em 2020. Seria bem irônico se desta vez, quando não há qualquer expectativa em torno dela (ao contrário das últimas edições), ela passasse das quartas-de-final de uma Olimpíada.

O Japão chega ao Rio sem qualquer chance de repetir a campanha da última Olimpíada. Nestes quatro anos, a seleção passou por uma semi-renovação que trouxe mais perdas do que ganhos. A verdade é que está sendo cada vez mais difícil para as japonesas fazerem frente às seleções do topo e terem poder de decisão. Continuam uma equipe que erra pouco, mas, ao mesmo tempo, estão bastante irregulares no desempenho individual, principalmente no ataque. Sem Ebata e com a Saori rendendo menos do que antes, o pré-olímpico ficou nas mãos da eficiente Nagoka. 



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Pé esse:

- Leyva, do Peru, é impressionante. Tem algo único nela, algo que não sei bem como descrever. Em alguns lances ela me lembrou (atenção, lembrou apenas!) a Mireya Luis – pelo jeito da batida, não pela impulsão. Pena que, como informou o Saída de Rede, a confederação peruana não permite as jogadoras saírem do país antes dos 22 anos.

- Foi de cortar o coração ver as tailandesas após a derrota do Japão no tie-break. Deu pena ver o esforço delas sem ter em retribuição a conquista da vaga. Mas a Tailândia é ainda um time pouco eficiente e despreparado para momentos decisivos. Se tivesse uma Kim, talvez conseguisse resultados mais significativos. 



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Mercado
 
A Tandara é do Osasco. Bom reforço se considerarmos que veremos a Tandara da época do Sesi ou do Campinas. A gravidez, naturalmente, mexeu com seu desempenho em quadra. Sabemos que ela tem capacidade de carregar times nas costas, mas não tem porque ser assim no Osasco com a companhia da Paula. O problema a meu ver para o time é que ele continuará bastante exposto na recepção – e, assim, dependente das jogadas pelas pontas. Nem no banco há opção de alguém mais técnico, por enquanto. Haja trabalho para Brait e Dani Lins! 


Comentários

Josenei Silva disse…
Laura, assino embaixo de cada palavra que você escreveu. Perplexo com a semelhança da sua percepção com a minha. Não sei mais o que dizer.

Pra mim os semifinalistas do Rio, dependendo dos grupos e cruzamentos, é claro, serão EUA, Brasil, Rússia e China. Talvez a Sérvia no lugar da Rússia.
A lI disse…
Laura, que pena ver o choro das Tailandesas... O mais injusto de tudo é ver a fraca seleção de PORTO RICO classificada e a TAILANDIA de fora... PORTO RICO será SACO DE PANCADAS OLÍMPICO a Tailaândia traria alegria aos jogos.
KOREA entrou com o time RESERVA CONTRA as dominicanas, visivelmente as koreanas estavam se poupando contra as dominicanas.Afinal de contas nenhuma koreana quer correr o risco de se lesionar e ser cortada da olimpiada, nao é mesmo???
Essa última rodada será ridícula!!!
Josenei Silva disse…
Realmente é uma pena pela Tailândia. Pela primeira vez torci contra o Japão, em favor delas. Queria que fossem, mas não deu. Fica a reflexão pra elas.

A última rodada vai ser boa para o Peru ganhar mais rodagem e experiência. Grata surpresa esta seleção.
A lI disse…
TAILÂNDIA vence PERU por 3x0 e chora desclassificação... Peru equipe TOTALMENTE SEM BLOQUEIO levou surra de bloqueio de todas as outras equipes, só ANGELA LEYVA mesmo salva nesse time peruano... O resto é de amargar...
Reservas koreanas se divertem contra as dominicanas, que ganharam jogo que não vale nada!!!
Quando fui acompanhando os jogos fui percebendo que esses times pouco poderão incomodar o top 4 de favoritos. Só a Sérvia, como já era esperado, pode roubar o lugar de alguém nas quartas. Claro que pode haver surpresas, mas acho difícil.

Me impressionei demais com Leyva, fiquei imaginando ela jogando num grande time, sendo treinada por um treinador excepcional que poderá desenvolvê-la na plenitude de seu potencial...

Fiquei bem triste quando a Tailândia perdeu para o Japão, ainda mais pela arbitragem confusa no fim do tie-break...
Mantronix Inc disse…
Dia 30 de maio começa o Montreux Volley Masters http://www.volleymasters.ch/

Entre as jogadoras conhecidas:

Rosamaria
Michelle Pavão
Lorenne
Drussyla
Naiane
Juma

Comndo: Wagão.
A lI disse…
Desatualizado:Michelle Pavao,c om problemas particulares,pediu dispensa da Selecao B.
George disse…
Pessoal,

A maior tristeza após o fim do pré-olimpico foi a eliminação da Tailândia. Tirou o título da equipe japonesa de time mais simpático, é simplesmente impossível não torcer pra elas. É o time mais vibrante e carismático do mundo, sem sombra de dúvidas. Ainda não entendi pq a Tomkom estava na reserva nos últimos jogos, mas não houve nenhuma perda, já que a reserva, Pornpun é muito eficiente. A confederação tailandesa poderia se empenhar em trabalhar melhor seus talentos mais altos, nem que seja tentar chegar nos 1,80. Elas são muito baixas, uma media de 1,75, se conseguissem aumentar a altura poderiam fazer frente as outras seleções pelo esquema tático extremamente competente. Preciso fazer uma ressalva: atualmente, elas são as melhores exploradoras de bloqueio. Elas só tentam furar o bloqueio quando este está quebrado ou em formação.

Com os grupos das olimpiadas já definidos, o grupo da morte é composto por: EUA, Servia, China, Holanda, Italia e Porto Rico. Com a certeza de que Porto Rico será o saco de pancadas do grupo, acredito que fique entre Holanda e Itália (pelo apresentado no pré olimpico) a outra definição de eliminado. No outro grupo já temos os quatro classificados pras quartas: Brasil, Russia, Coreia e Japão (Argentina e Camarões não preciso nem comentar). Assim, a maior briga será pelo primeiro lugar para pegar uma quarta de final mais tranquila, já que o segundo colocado deve pegar um jogo forte. Coréia e Japão dificilmente passarão das quartas dessa vez.
Laura disse…
E tem mais: é bem provável que a Naiane jogue o Montreux. A levantadora Lyara tb pediu dispensa e, pelo que dá para ver nas redes sociais, a Naiane está treinando e tendo o mesmo "calendário" da seleção B.

Nei, tb, pela primeira vez, torci contra o Japão. Acho que este pré tem que ficar de reflexão para ambas as seleções, Tailândia e Japão. O bronze nos últimos Jogos acho que meio que enganou sobre a real capacidade e papel do time perante as seleções principais.Para conquistar algo sem contar com ajuda do destino, q volta e meia dá cruzamentos mais fáceis, ou por ser anfitrião das competições vai precisar muito mais.
Josenei Silva disse…
Vai mesmo Laura. Elas jogam bonito e tal, defendem muito dão volume, arrastam os jogos para o tie break, mas não ganham nada. Olhe que o Japão tem Saori, que é fera, mas não sei por quanto tempo jogará assim.

A Tailândia é muito baixa todos os times passam por cima do bloqueio e por mais que defendam fica difícil ganhar assim. Elas já apuraram tudo o que podia para compensar a baixa estatura: sacam bem, recepcionam bem, defendem demais, levantam com primor e exploram bloqueio como ninguém. Mas sofrem com seleções altas que não se permitem explorar e atacam por cima do bloqueio dela. Tudo isso vale para o Japão também.
Se elas conseguissem pelo menos uma oposta alta, já ajudaria muuuuuito.
Rah Silva disse…
Neste sábado (28/05) a Seleção B Feminina embarca para a Suíça, onde disputará o tradicional Montreux Volley Masters. O Brasil será comandado pelo técnico Wagão e representado por jogadoras da nova geração do voleibol brasileiro.



Entre as atletas que foram convocadas na lista inicial, não viajam a ponteira Michelle, que pediu dispensa por motivos pessoais, a oposto Helô, pois não conseguiu se apresentar a tempo, já que estava disputando a Liga da Indonésia, e a levantadora Lyara, que foi cortada. No lugar de Lyara, irá a levantadora Naiane, que estava treinando com a Seleção Adulta.



Desta forma, vestirão a camisa verde e amarela as líberos Laís e Érica, as levantadoras Juma e Naiane, as centrais Fran, Mara, Saraelen e Lays, as ponteiras Gabi, Rosamaria, Maira e Drussyla e as opostos Paula Borgo e Lorenne.



Confira os primeiros adversários de nossa Seleção:



MONTREUX VOLLEY MASTERS 2016

31.05 (TERÇA-FEIRA) BRASIL x China – 13h45 (hora de Brasília)

02.06 (QUINTA-FEIRA) BRASIL x Turquia – 13h45 (hora de Brasília)

03.06 (SEXTA-FEIRA) BRASIL x Bélgica – 11h30 (hora de Brasília)