A zebra e a quase zebra

O líder Rexona quase protagonizou a segunda zebra da rodada – a primeira foi a derrota do Minas que falaremos mais adiante. Foi por pouco, muito pouco mesmo, que o Rio do Sul não levou a partida e manteve a invencibilidade em casa.

Foi um duelo equilibrado onde as equipes fizeram com perfeição o mais difícil e se complicaram nas situações mais simples.

Enquanto o time de Santa Catarina brilhou pelo conjunto, o Rexona se salvou pela individualidade. Não foi uma noite boa para a equipe de Bernardinho. O ataque, com exceção da Natália, teve muita dificuldades em pontuar. A defesa, que tanto proporciona bons contra-ataques, não funcionou e dependeu muito do desempenho do bloqueio que, depois do terceiro set, desapareceu. Courtney não esteve também num bom dia na distribuição das bolas, esquecendo das centrais e concentrando o jogo pelas pontas. 



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Normalmente, nos últimos vitórias do Rexona, praticamente todo o time titular saía das partidas como merecedor do troféu Viva Vôlei. Ontem não. Só houve uma merecedora, a Natália. A ponteira foi o ponto de segurança no ataque e salvou o time nos momentos de apuros. Junto com o saque da Drussyla e as bobeadas do Rio do Sul, foi decisiva para as viradas do Rexona no placar.

A temporada de Natália tem sido excelente, o que nos dá grandes esperanças de que ela, depois de muitos anos, seja realmente merecedora do seu lugar na seleção e lute em condições para ser titular.

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No encerramento do primeiro turno, minha projeção era de que o Rio do Sul cairia de rendimento e não seria mais uma surpresa. Ledo engano. As catarinenses venceram Osasco e venderam caríssima a derrota para o líder da SL.

O pecado do Rio do Sul na noite de ontem foi ser inexperiente. Sentiu a pressão ao liderar o placar. Desperdiçou contra-ataques e cometeu erros bobos na recepção que deram a brecha necessária para o Rexona se recuperar. A irregularidade do passe, aliás, é o ponto que mais impede o Rio do Sul de ser um time mais forte na competição. Volta e meia, põe a perder, de forma boba, todo o trabalho suado dos demais fundamentos.

Ao contrário do seu adversário, se vencesse, seria difícil escolher para quem dar o Viva Vôlei. A levantadora Giovana, a maior pontuadora Helô, a Ju Nogueira – querendo mostrar serviço contra o ex-técnico e voando muito alto -, e até a central Francynne seriam sérias candidatas.

Grande campanha do Rio do Sul e do Spencer Lee. É o time que mais faz valer o fato de jogar em casa. Quem enfrenta-lo nas oitavas, vai ter trabalho para batê-lo. 

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A zebra desta rodada, como falei, ficou por conta do Minas, que perdeu para o Pinheiros. O ataque paulista, um dos maiores problemas nesta temporada da equipe, conseguiu fazer frente às mineiras. Por sua vez, o retorno para a SL da Rosamaria não tem sido dos melhores. Ela não tem feito boas partidas. O desempenho da oposto dá maior importância ainda para o retorno da Tandara para as pretensões do Minas na SL.

Mas o que me pareceu ter sido bastante decisivo nos sets finais que definiram a vitória ao Pinheiros foi o número de erros dados ao adversário. O Minas continua dando muitos pontos de graça e oportunidades para os adversários crescerem e equilibrarem partidas nas quais, na teoria, ele teria superioridade. 

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Resultados da 4ª rodada do returno 

São Bernardo 0x3 Concilig/Bauru

Pinheiros 0x3 Camponesa/Minas

Dentil/Praia Clube 3x0 Renata Valinhos/Country

Sesi 0x3 Terracap/Brasília

Rio do Sul/Equibrasil 2x3 Rexona/Ades

São Cristóvão/São Caetano 0x3 Vôlei Nestlé/Osasco

- Nem contabilizo as derrotas do Sesi como zebra, né? Pelo contrário, a derrota para o Brasília era previsível. Só não imaginei que fosse um 3x0. Destaque para o bom rendimento da oposto Bárbara, o que é importantíssimo para o Brasília conseguir ser mais competitivo na SL.

- E que boa notícia ver que o Osasco venceu - e muito bem - o cascudo São Caetano. Mesmo com Ivna no passe, o time não fraquejou. É esta firmeza, mesmo com os imprevistos e improvisos, que se espera de uma equipe grande e com recursos como o Osasco.

Comentários

Murasaki Akane disse…
Curiosa a situação das levantadoras do Rexona: Thompson costuma ser precisa, principalmente nas bolas para entrada (e por isso mesmo Natália e Gabi recebem milhares de bolas em todos os jogos), mas vem distribuindo o jogo de forma muito previsível na maioria das vezes, abdicando das bolas de meio. Já Roberta tenta escapar mais pelo meio, mas é muito inconstante na precisão, inclusive nas próprias bolas com as centrais (notoriamente, as chinas dela quase sempre saem erradas, impressionante).Aliás, triste o árbitro deixar passar tantos 2 toques em uma partida, regra subjetiva tem esse problema.
E também espero que Rosamaria volte a jogar bem, ainda que essa oscilação dela não seja surpresa alguma. Na temporada passada, muitos culparam Macrís por sua queda de rendimento, mas agora ela vem errando com Naiane, ou seja, a culpa não era da levantadora (até porque os torcedores sempre usam levantadoras como bodes expiatórios). Uma coisa que eu sempre notei é que ela erra muito a passada e muitas vezes não consegue abrir para atacar.
Ainda sobre o Minas, semana que vem tem clássico mineiro e uma derrota do time da capital pode custar o 3º lugar para o Nestlé
Marco Barbosa disse…
Olá Laura e amigos! Se não foi uma soberba exibição de vôlei, a visita do Rexona a Rio do Sul agradou pela atmosfera no ginásio e pela imprevisibilidade do resultado, decidido na margem minima do 'tie-brake', depois de um segundo set em que as cariocas deixaram claro a superioridade do seu elenco, e de muitos momentos (a maior parte do tempo, na verdade) em que Rio do Sul parecia inevitavelmente a caminho da vitória. Da partida penso que o Rexona teve um desempenho bem abaixo do seu potencial, sobretudo por um ritmo anormalmente lento para seus padrões. Creio que tal circunstância foi até mais determinante das dificuldades enfrentadas pelas cariocas do que a previsibilidade da distribuição feita pela Thompson, fato muito citado com o qual eu também concordo. A americana não esteve em seu nível habitual, talvez sentindo o desgaste da viagem bate-volta para as festas de fim-de-ano e o compromisso do Pré-olímpico. Seja como for, o competente Spencer Lee armou seu time para pressionar as adversárias com o saque combinado com um bloqueio triplo bem armado, algo que surtiu efeito e poderia ter levado à repetição da façanha de vencer um bicho-papão do campeonato, uma semana depois do triunfo sobre o Osasco, mas seria difícil de fazer contra um Rexona em sua 'velocidade normal'. Gostaria de mencionar em especial duas jogadoras: a vencedora Natália, em ótima fase de sua carreira (finalmente!), bem fisicamente e exibindo uma lucidez invejável no ataque e um passe bastante seguro, vencendo o duelo contra a parede do Spencer que tanto pressionou Gabi, Monique e as centrais. Arrisco dizer que se as Olimpíadas fossem hoje, Natália seria uma das titulares. E, do lado derrotado, cito a levantadora Giovana Gasparini, promissora e talentosa, observando que ela poderia se beneficiar com uma melhor preparação física, até para prevenir lesões. Quando teve o passe, deixou o competente bloqueio do Rexona perdido e consegue tirar o máximo da Helô e da Ju Nogueira, jogadoras que sempre pareciam ter algo mais para mostrar e que agora corresponde ao que delas esperamos. Creio que Rio do Sul pode ambicionar mais nessa SL, deixando para trás alguns times paulistas com investimento superior.
Rah Silva disse…
Até agr p mim a seleção da SL é:
Levantadoras: Naiane, Claudinha e Giovana
Opostas:Helô e Ramirez
Ponteiras: Klineman, Ju Nogueira, Pri Daroit e PP4
Centrais: Walewska, Larissa Gongra, Saraelen e Juciely
Líberos: Andressa, Tássia e Sassá
Vinicius disse…
Gostaria de mencionar a grata surpresa que foi assitir a Sassá ao vivo jogando como líbero. Essa moça possui uma técnica apuradissíma, seus passes são todos A durante grande parte do jogo. Sem falar que varreu o fundo de quadra ao lado da Amanda, o que me impreciona é a evolução dela em tão pouco tempo de migração de posição. Acho que ainda falaremos muito dela por aqui.
Laura disse…
Murasaki, bem lembrado sobre a oscilação da Rosamaria. Nunca reparei sobre a passada, vou prestar mais atenção sobre isso.
A lI disse…
Vinicius, não fico tão impressionado assim com o desempenho da SASSÁ não. Até porque ela sempre foi uma PONTEIRA-PASSADORA verdadeira e não uma QUINADORA DE PASSES. Foi isso que fez a SASSÁ ser a titular na PRATA da COPA DO MUNDO/2003 e no OURO na COPA DOS CAMPEÕES/2006, a sua capacidade de ser uma excelente passadora. Agora,como líbero,ela só está dando vazão ao que ela tem de melhor que é o passe!

Laura me ajuda. O Marcus Freitas esta cada dia mais chato ou é impressão minha?
Eu não gosto de ficar criticando narração ou comentário porque não deve ser um trabalho fácil.
Mas ele quer comentar todos os lances! Eu acompanho outros esportes e os comentaristas não falam tanto quanto ele. Ele comenta quando erra e porque erra, quando acerta e porque acerta.
Eu acho que falta alguém falar para ele que ele perdeu a mão. Ele entra em detalhes que nenhum jogador entra. Em outras palavras ele quer ser mais realista que o rei, tá dando desespero. A maioria dos comentários são óbvios, repetitivos e redundantes.
Eu é que estou errando na mão com ele ou não?