Supercopa do desequilíbrio


Tivemos nesta sexta-feira a primeira Supercopa, que reúne, em uma partida, o campeão da Superliga e da Copa Brasil da temporada passada. A ideia chega com anos e anos de atraso ao Brasil, mas finalmente aterrissou por aqui.

Infelizmente, a primeira edição não foi das mais expressivas. Mesmo que Rexona e, principalmente, o Pinheiros, mantivessem as suas formações da temporada passada, a disputa teria um certo desequilíbrio. Neste ano, com o time paulista totalmente reformulado e com um elenco bem mais modesto, o desequilíbrio foi gigantesco.

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Ainda assim, imaginei que o Pinheiros conseguisse, ao menos, compensar a falta de poder ofensivo com um bom volume de jogo. Por estar com mais ritmo de competição do que o Rexona, deduzi também que seria mais regular, dando menos erros de pontos ao adversário. Mas foi contrário. Nem quando esteve a frente do placar no terceiro set, o time do Wagão conseguiu apresentar um bom voleibol. A vantagem na parcial conquistada foi muito mais por relaxamento do Rexona do que mérito próprio.

Com estas primeiras impressões, o Pinheiros dá a entender que não será aquele time aguerrido e difícil de ser batido dos últimos anos. Parece não ter ainda um padrão de jogo e disciplina, características que sempre o destacaram.Tem uma dupla de centrais boas, que deve ter um bom desempenho no bloqueio. Mas as pontas são muito irregulares, tanto no passe como no ataque. 

Clarice voltou ao vôlei brasileiro mostrando a mesma fragilidade de quando saiu, a recepção. Mas, sem dúvida, pode render mais no ataque do que vimos até o momento. A Fofinha, se não me falhe a memória, nunca foi uma jogadora de definição, mas de composição. Portanto, não é de se esperar agora, veterana, que ela tenha esta responsabilidade. Provavelmente, virá da Paula Borgo as melhores respostas no ataque, apesar de ela ter, como oposto, um peso muito grande a carregar com as dificuldades das suas colegas neste fundamento.

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Já o Rexona me surpreendeu positivamente pelo entrosamento com a nova levantadora Courtney Thompson. Com uma base que vinha jogando não só na temporada passada, mas também na seleção neste ano, o maior desafio seria este mesmo. Só que a Thompson esteve muito à vontade com a equipe, até para arriscar bolas que normalmente demoram para engrenar, como a china com a Jucy – que funcionou muito bem, aliás - e as da linha de 3 pontos.

O Rexona começa a temporada em um nível acima da anterior, sem dúvida. Acho que a grande preocupação estará sobre as condições físicas de Natália e Gabi, principalmente. Ambas são essenciais para o time e estão tendo um ano muito desgastante. Bernardinho terá que saber equilibrar o ritmo durante a SL para não chegar na hora decisiva com o time sem fôlego.

Comentários

Marco Barbosa disse…
Olá, Laura e amigos. A Supercopa apareceu como abertura oficial da temporada, mas parece não ter entusiasmado tanto e acabou mais como o 'último evento da pré-temporada'. Esperava mais do Pinheiros, mas ficou claro que o Wagão ainda não tem um time, ou sequer uma direção para dar ao seu elenco e lembrou-me os piores momentos do Talmo, com suas trocas aparentemente randômicas, esperando que o método de tentativa e erro acabe esbarrando em alguma solução. No Rexona todo mundo queria ver a Thompson e acho que os torcedores cariocas ficaram contentes. Ela é uma jogadora atlética e entusiasmada, contribui com a defesa e imprime velocidade. Falta um melhor entrosamento, pois em vários momentos ela pareceu-me mais rápida que o time. Para Bernardinho, o melhor seria que suas atacantes seguissem o ritmo da gringa, pois diante dos rivais bem mais altos a combinação de muita defesa e alta velocidade será vital contra times que têm em quadra jogadoras como Thaisa ou Klineman.
Nei disse…
Gostei muito do jogo da Thompson, além dela ser muito simpática. Só para complementar sobre a Supercopa: na versão masculina foi ainda pior, pois o Cruzeiro, todo poderoso, bicampeão mundial, jogou com time completo enquanto Taubaté entrou com time reserva. Sejam quais forem as desculpas acho muito estranho que isso tenha acontecido. Creio que os clubes deveriam prestigiar o evento. Foi horrível o jogo.
Laura disse…
Marco, bem lembrado! Resumiste bem o Wagão e o Pinheiros neste momento, se assemelham mto ao piores momentos do Talmo no Sesi.

Nei, não sabia que o Taubaté tinha jogado com os reservas. Realmente, as equipes precisam levar a sério o torneio pq o desequilíbrio tira todo a importância do evento. É mais um meio de turbinar a exposição da marca, aproximar o vôlei de outras praças e aquecer o vôlei nacional. Se continuarmos a ter jogos de baixo nível de qualidade e disputa, vai ficar difícil defender a manutenção da Supercopa.
Nei disse…
Pois é Laura, parecia um jogo de amador contra profissional. Lucarelli não jogou, Lipe não jogou, Rapha não jogou, o oposto se machucou e saiu. O Cruzeiro passou o rolo compressor. Foi bizarro. Tem que ser repensado isso. Se for pra ser dessa forma, é melhor acabar.
Anônimo disse…
Bernardinho, vai ficar famoso ao longo da história do vôleibol, por ser o único a conseguir tranformar aquela jogadora " suburbana " em jogadora Top..
Nei disse…
o que seria uma jogadora suburbana?
Nei disse…
Gente eu assisti a São Bernardo x Sesi na Rede TV e fiquei me perguntando como funciona a escolha da melhor jogadora, pois no sportv a escolha é feita nos eu site e quanto às outras emissoras? Não vai ter melhor jogador na Rede TV? Isso não seria atribuição da CBV?

Não vi o final pra saber se teve melhor jogadora, mas alguém sabe como vai funcionar?