O que a Copa do Mundo nos mostrou


Há pouco menos de um ano para os Jogos Olímpicos de 2016, temos duas seleções, além do Brasil, classificadas para a disputa: China e Sérvia. Ambas conseguiram as vagas pela Copa do Mundo.

A Copa do Mundo foi bem interessante na reta final. Quando tudo caminhava para a classificação dos EUA, a Rússia foi lá e derrubou as norte-americanas. Quando tudo caminhava para a classificação russa, foi a vez da China cortar o barato e roubar a vaga e o título da Copa do Mundo. E enquanto isso, como quem não quer nada, a Sérvia foi vencendo de 3x2 em 3x2 e também carimbou o passaporte para o Rio de Janeiro.

Acho que a história desta Copa do Mundo mostra bem o equilíbrio entre as seleções e como nenhuma delas desponta como favorita à medalha de ouro em 2016. Todas as seleções mostraram que têm calcanhares de Aquiles bem expostos e limitações. 
 
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Uma das seleções que mais mostrou suas limitações foi os Estados Unidos. A não-classificação norte-americana foi um belo choque de realidade – para elas e para nós. Acho que está na hora do Brasil parar de insuflar o time dos EUA, como se ele fosse a última maravilha do vôlei.

Uma coisa é jogar o favoritismo para o adversário – o que funciona até bem contra as norte-americanas, que não sabem lidar com isso. Mas esta babação de ovo recorrente aos EUA têm os colocado, dentro de quadra, numa situação de superioridade que não é real. Eles perderam o respeito de enfrentar o Brasil e o Brasil tem um respeito exagerado ao enfrenta-los.

Os EUA têm um time habilidoso, com boas opções no banco e disciplinado taticamente. Mas, ao contrário do grupo que foi a Londres em 2012, não têm jogadoras de definição e que assumam a partida quando a situação está preta. Como de costume, tem um jogo regular, muito estudado e baseado nos erros adversários, mas é pouco capaz de reviravoltas e insights.

Os EUA serão sempre um adversário dificílimo para o Brasil, pois temos estilos de jogos parecidos. E é isso. Já passou da hora de matar o bicho-papão que construímos na nossa imaginação.

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Sobre as seleções classificadas, creio que o maior problema para o Brasil sejam as poucas oportunidades que tivemos para enfrentá-las – ao menos, com elas estando com o time completo.

A Sérvia ainda é uma incógnita. Apesar das grandes vitórias que conseguiu nesta Copa do Mundo, mostrou ser um time instável e que ainda tem que amadurecer. Quase botou tudo a perder ao vencer a Argentina somente no tie-break. Soube ser a zebra, bater os favoritos jogando sem grandes responsabilidades. Agora terá que aprender a jogar como gente grande, fazendo valer sua grandeza contra os menores.

Será que ela alcança este equilíbrio? Tenho minhas dúvidas. A Sérvia já ensaiou algumas vezes esta vinda para o grupo de elite do vôlei feminino e até agora não conseguiu se firmar.

Ainda assim, coloco a Sérvia juntamente com a China, como duas seleções que correrão por fora pela briga dos três lugares do pódio em 2016. Claro que tudo depende dos cruzamentos, das situações dos elencos no ano que vem, mas, com o cenário que temos agora, coloco EUA, Rússia e Brasil em um nível acima.

Apesar da China ter conseguido duas grandes classificações nos dois últimos principais campeonatos (o vice no Mundial e, agora, o título da Copa do Mundo), é uma seleção que ainda não me convence. Tem um time jovem e o fenômeno Zhu, mas assim como a Sérvia, me parece um time muito instável (talvez pela juventude) e que, principalmente, foge do estilo de jogo que tanto a caracterizou nas últimas décadas de velocidade e volume de jogo.

Não que uma seleção não possa mudar, só que acho a China esqueceu de manter o que tinha de mais forte e a diferenciava e não achou um ponto de equilíbrio. A China de hoje em quadra é um time sem personalidade. 

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Por fim, para falar de todos os principais adversários da seleção brasileira em 2016, temos a Rússia. Um time um tanto indisciplinado, por vezes displicente e que, ao que parece, com um relacionamento atribulado entre jogadoras e treinador. Tudo isso poderia descredenciá-la ao pódio no Rio, mas sabemos que, com a Rússia, a história é outra.

Quando elas querem e se concentram, são uma adversário muito forte e difícil de ser batido. Não há outra seleção com um arsenal de ataque tão poderoso quanto a Rússia com a dupla Kosheleva e Goncharova. Acho até que a seleção melhorou na defesa, dando mais oportunidades para o contra-ataque pontuar.

E não adianta, Brasil e Rússia não vão deixar de ser um clássico tão cedo. Há os componentes técnicos e tático e, também, o psicológico – esse, em grandes doses.

Por isso,apesar de não terem garantido suas vagas ainda, Rússia e EUA continuam sendo os principais adversários do Brasil para o tri-olímpico. Ah, além de outro adversário fortíssimo que não disputou a Copa: o próprio Brasil.

Comentários

Disse tudo, também nunca compreendi esse endeusamento com o platel americano, coisa do ze, mas o que ele diz apesar do curriculo eu não escrevo. Há muito não concordo com o que diz e com muita das suas decisões mas, laurita linda você como excelente analista de vôlei disse tudo, amo sua sobriedade.
Welmer Sales disse…
Acho que todos os leitores aqui do papo não entendem esse endeusamento do time dos EUA por parte da CT e dos jornalistas brasileiros. Dos sites e blogs que acompanho, somente aqui e no Falando de vôlei vejo análises condizentes com a realidade da seleção dos EUA. Gostaria de ver esse time todo poderoso que leio nos demais sites e blogs, porém a única coisa que vejo quando assisto aos jogos, é, sim, uma seleção boa, bem aplicada taticamente e com uma grande quantidade de boas jogadoras no plantel, mas com limitações sobretudo no ataque. A seleção brasileira não deve pregar todo esse respeito à seleção estadunidense, enquanto isso ocorrer elas irão se sobressair perante às brasileiras. A seleção americana de 2012 a meu ver era muito superior a essa que estamos vendo agora.

Quanto as demais seleções, a minha maior preocupação é a Rússia. Esse plantel russo atual tem muito potencial e acho que se estiverem focadas serão grandes adversárias ano que vem. Pode parecer menosprezo, mas China e Sérvia não me assustam, podem chegar forte e com chances de medalhas, mas se pudesse escolher seriam seleções que colocaria no caminho do Brasil no torneio olímpico. Ultimamente, o Brasil tem se dado bem nos confrontos contra essas seleções, ano passado no mundial, mesmo ficando atrás das chinesas, fizemos nossa melhor partida no torneio contra elas e também fomos muito bem contra a Sérvia. Acho que as jogadoras brasileiras aprenderam a jogar contra essas seleções.
Paulo Roberto disse…
Excelente análise Laura.

Sobre os EUA já havia dito isso aqui e em outros blogs que acompanho: não são essa coca toda que todo mundo gosta de falar. Perdemos o Mundial do ano passado por uma dessas partidas que acontecem quando não devia acontecer. Repito, peça por peça somos melhores. O trunfo delas é a disciplina tática, mas como a Laura bem falou aqui quando acontece algo fora do planejado não conseguem se virar. Acho que elas atingiram o ápice um pouca antes da hora e todo mundo começou a endeusá-las. Continuo achando que ainda são favoritas ao lado do Brasil e da Rússia. Essa sim começa a me assustar, mesmo tendo perdido a Copa. Além de terem o melhor poder ofensivo pelas extremidades, como sempre foi tradição, começaram a defender bem e até os meios começaram a jogar bem também.

Agora nosso principal adversários somos nós mesmos: a filosofia da CT que continua com posições no mínimo equivocadas, os adversários que não enfrentamos, o peso psicológico de ser favorito em casa, e o banco fraquíssimo que temos a disposição, fruto de um péssimo trabalho de renovação.
Nei disse…
Não vou acrescentar nada sobra a Copa pois tudo já foi dito e concordo com tudo e todos que falaram até agora. Minhas maiores preocupações são 2: a ausência de um banco à altura de uma equipe como o Brasil, que não possui jogadoras que possam ajudar o time na hora do pepino; o psicológico. Essa semana a Ana Paula estava no Roda de Vôlei e assim como Virna, na semana passada, afirmou que o psicológico das meninas tem que começar a ser trabalhado desde agora, e não começar um trabalho em cima da hora. A pressão de jogar em casa e o emocional contra os EUA são os pontos críticos para mim. Não adiantará estar bem treinada e voando no jogo se a cabeça estiver mal e acontecer o que aconteceu na final do Mundial, na qual as meninas não fizeram nada. É isso! Tomara que o Zé Roberto leia este blog.
A lI disse…
Olha gente, o melhor torneio para se trabalhar o psicológica das brasileiras era essa COPA DO MUNDO, que eu considero o modelo de torneio mais difícil, desgastante e estressante do voleibol eplos seguintes motivos:
1. A COPA DO MUNDO é por pontos corridos, qualquer deslize conta para o resultado final, tanto que o PRIMEIRO JOGO DA COPA MUNDO, CHINA 3 X 1 SÉRVIA, foi decisivo para a CHINA ficar com o OURO e a SERVIA com a PRATA.
2. Na COPA DO MUNDO não tem como escolher adversário, procurar atalhos porque TODOS JOGAM CONTRA TODOS, vence realmente a melhor equipe.
3. Os EUA sentiram na PELE que vencer uma COPA DO MUNDO é MUITO MAIS DIFÍCIL que vencer o GRAND PRIX, pois no GRAND PRIX muitas equipes o fazem de laboratório para testar jogadoras mais novas, já na COPA DO MUNDO É FORÇA MÁXIMA, cada partida é uma FINAL!
O BRASIL tinha que ser testado PSICOLOGICAMENTE contra as equipes da COPA DO MUNDO e não em amistosos contra equipes desinteressadas que vieram aqui fazer turismo como a BULGÁRIA, enquanto isso o PERU que ficou com a vaga que deveria ser do BRASIL foi À COPA DO MUNDO para levar surra de todo mundo.
Como uma equipe pode ser considerada A melhor do mundo SEM TER VENCIDO UMA COPA DO MUNDO??? É melhor essa imprensa brasileira parar de ENDEUSAR OS EUA, porque pra mim uma EQUIPE QUE NÃO CONSEGUE GANHAR UMA COPA DE MUNDO DE PONTOS CORRIDOS E TODOS CONTRA TODOS NÃO PODE SER CONSIDERADA A MELHOR DO MUNDO!!!
Enquanto isso a CHINA ACUMULA 4 TÍTULOS!!! SOMENTE CHINA e a geração cubana da REGLA BELL são TETRA-CAMPEÃS DA COPA DO MUNDO!!!
ITalianas TEM 2 ´titulos, russas e japonesas tem 1 cada...
Ao passo que Brasil, Eua, Sérvia, Korea e as demais seleções ainda estã o na lista de espera...
Nei disse…
Pois é A II, eu acho que a Copa seria excelente mesmo, especialmente contra as americanas. Mas já foi. Lembro que em 2008 teve uma psicóloga na equipe, não sei se em 2012 ela estava presente, mas acho que tem que ser tratada essa questão sim. Seria f*da chegar numa final e não expressar reação para jogar, seja a equipe que fosse. Sem mais.
Anônimo disse…
Laura,
Vc acha q a ausência da Murphy, da Hooker e da Hodge, deu uma enfraquecida no time americano?
Nei disse…
Eu acho que aquela tal de Easy é a Hodge disfarçada, não?
Ela mesma
Marco Barbosa disse…
Parabéns para a seleção sub 25 da República Dominicana, campeã do mundo na categoria juvenil!
A lI disse…
Até que enfim as GIRAFAS GIGANTES da REPÚBLICA DOMINICANA conseguiram ser CAMPEÃS MUNDIAIS, com a GIRAFA-MOR Brayelin Elizabeth Martínez,com seus incríveis 2,01m de altura e apenas 19 aninhos, sendo a MVP do torneio!!!
BRAYELIN fez incríveis 32 pontos no jogo do título e também foi a maior pontuadora da competição, com 177 pontos. A ponteira-passadora-oposta já atua na seleção adulta e disputou a COPA DO MUNDO 2015.
“Estou muito feliz por ter conquistado o MVP neste meu último torneio na categoria (sub-20) e me sinto muito bem por ter feito meu trabalho e ter podido ajudar meu time”, disse BRAYELIN Capitã DOMINICANA.
Em 2015, Brayelin foi BRONZE no PAN de TORONTO, BRONZE no MUNDIAL SUB23 e OURO no SUB20.
Brayelin Elizabeth Martínez é uma versão TURBINADA da GAMOVA. Mas por que TURBINADA??? Pelos seguintes motivos:
1. Martinez é mais versátil joga tanto de ponteira como de oposta, GAMOVA não passa, só joga de oposta, já Martinez sabe passar.
2. Martinez ainda é juvenil e já tem 2,01m, ou seja ELA AINDA PODE CRESCE MAIS!!!
3. Martinez é uma negra caribenha e salta mais, isto é, tem mais impulsão que a GAMOVA.
4. Martinez também tem mais força física que a GAMOVA.
5. Martinez já está na seleção principal e vem se destacando já com 19 anos, enquanto GAMOVA já está no fim de carreira.
Sempre disse aqui que acho que o principal problema da REPÚBLICA DOMINICANA é o técnico MARCOS KWIEK, por isso:
1. Como o time que tem a MELHOR LÍBERO(Brenda Castilho) e a MELHOR LEVANTADORA(Niverka Marte) da COPA DO MUNDO não está no PODIUM???
2. Com as atacantes gigantes que tem aliadas à melhor líbero e à melhor levantadora era para esse time estar disputando o OURO!!!
3. Acontece que, com MARCOS KWIEK, a REP.DOMINICANA é punhado de GRANDES TALENTOS JUNTOS, mas não é UM TIME: FALTA ORGANIZAÇÃO TÁTICA E PULSO FIRME DO TREINADOR PARA FAZER ESSAS GIGANTES RENDEREM COMO UM TIME!!!
4. JÁ disse também que com um TÉCNICO tipo BERNARDINHO, essas girafas dominicanas já teriam sido CAMPEÃS MUNDIAIS OU OLÍMPICAS...
5. Será coincidência que o ÚNICO TÍTULO MUNDIAL das dominicanas tenha sido conquistado sob o comando do técnico Wagner Pacheco e não do Marcos Kwiek???
6. Das duas uma: ou Marcos Kwiek é muito PÉ-FRIO ou é INCOMPETENTE MESMO!!!
Nei disse…
Há um tempo eu já acho que o Marcos Kwiek e a República Dominicana estão se prejudicando mutuamente. O time chegou ao limite com este técnico. O trabalho dele foi ótimo e muito bem feito, mas ele não tem mais nada a oferecer. É a hora da mudança. A II não mencionou uma das melhores atacantes: Bethania De La Cruz. Mas elas precisam evoluir muito em técnica e um pouco em mobilidade. Elas são muito grandes e pesadas. Têm que emagrecer um pouquinho. Mas já deu para o Kwiek. Acho que ele seria um técnico perfeito pra trabalhar na África com times como o Quênia ou a Argélia. Iria acrescentar muito lá. Gosto dele, mas na ilha caribenha já deu.
Anônimo disse…
Laura,

A China,a Rússia, os EUA, a Sérvia todos estão com times com jogadoras altíssimas é 1.90m pra cima. O Brasil tem q prestar atenção nisso!!

A Sérvia é Boskovic-dependente 50% das bolas são pra ela.

Mihajlovich (sempre erro o nome dela) tem q parar com esse saque viagem, metade vai pra fora e a outra metade não cause muito efeito.

Achei a China mercedora do título, China esta bloqueando como nunca bloqueou em sua história.
A lI disse…
Discordo que a Sérvia seja Boskovic dependente, pois teve jogos que a MIHAJLOVIC pontuou mais que a BOSKOVIC. Além disso, as centrais sérvias são excelentes atacantes e costumam colaborar muito nesse fundamento.
Anônimo disse…
Oi Laura,
Altura das nossas jogadoras, fiquem a vontade p/ complementar ou corrigir. Lembrando q a própria CBV também erra.

1.78m- Fê Garay, Monique, Michelle, Macris(?)
1.79m-
1.80m- Gabi, Mari Paraíba, Sassá, Érika, Cybele
1.81m- Renata Colombo, Claudinha (?)
1.82m- Pri Daroit, Carol Albuquerque, Fê Isis
1.83m- Dani Lins, Carol
1.84m- Aqui vem a enxurrada.., Natália, Tandara, Fabíola, Jucy, Lili, Paula, Rosamaria, Mari Casemiro(?)
1.85m- Sheilla, Adenizia, Ivna, Roberta, Ana Moser
1.86m- Jaqueline, Suelle
1.87m- Lía
1.88m- Mari, Ana Tiemi, Letícia Hage(?), Bárbara(?)
1.89m- Regiane
1.90m- Joycinha, Walewska
1.91m- Carol Gattaz, Raquel Pelucci
1.92m-
1.93m- Fabiana Claudino
1.94m-
1.95m-
1.96m- Thaísa