quinta-feira, 16 de julho de 2015

Vitória em dose dupla



A partir de hoje, a seleção feminina está atuando em duas frentes: Pan-americano e Grand Prix. E se a seleção se desdobra nas duas competições, o Papo não fica atrás:

Pan - Brasil 3x2 Porto Rico

Eita, que sufoco a estreia brasileira no Pan-americano! Lembra – e muito – a suada vitória na estreia do Pan de 2011 contra a República Dominicana (pra lembrar: http://papodevolei.blogspot.com.br/2011/10/trabalho-na-estreia.html. Aliás, lendo o post, dá pra ver que o Brasil está muito parecido com aquele de quatro anos atrás...)

Como já havíamos previsto, o desentrosamento entre a levantadora e as atacantes foi o principal problema da seleção – além da bola diferente, mais leve, que está sendo utilizada nos Jogos. Mas a bola foi uma dificuldade para ambas equipes, que erraram saques adoidadas.

O Brasil teve um bom volume de jogo, o que oportunizou muitos contra-ataques. Mas a falta de sintonia entre a Macris e as atacantes acabou comprometendo o aproveitamento deles. Ficou claro a falta de timing nas jogadas, Jaque e Garay entravam embaixo da bola para atacar. 

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Isso já era meio que previsível que acontecesse, principalmente com a Garay e a Joycinha, que vinham treinando com a Dani Lins. Ainda bem que tínhamos Adenízia em quadra, salvando o Brasil no ataque e no bloqueio. Pensei que o tempo no banco iria deixa-la sem ritmo, mas ela foi decisiva hoje.

As substituições também foram importantes para que a seleção conseguisse sequências importantes no saque. Rosamaria e Angélica entraram no lugar das apagadas Joyce e Bárbara e conseguiram acrescentar maior consistência neste fundamento. 
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Porto Rico, como todo time caribenho, é um time com força, mas que peca pela irregularidade e pelo excesso de erros. O Brasil não ficou muito atrás nas falhas, o que acabou equilibrando a partida pelo lado negativo.

Esperava que a velha conhecida Aurea Cruz fosse a atacante que nos daria mais trabalho, mas me enganhei. A Enright roubou a cena. Foi muito bem nos primeiros sets, mas, depois, naturalmente, pela exigência acima da conta, caiu de rendimento.

No fim, foi um adversário pesado demais para uma estreia de um Brasil desentrosado. Um pouco mais à frente na competição, não daria tanta dor de cabeça como agora. 


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Agora, tenho que admitir um erro de avaliação meu sobre o Pan. Olhei os cruzamentos errados e confudi os adversários que iríamos enfrentar nesta fase classificatória (#mané). No fim, não é nada tranquilo como imaginava e nem dá tanto tempo assim para o time se ajeitar durante a competição. 

O Brasil, obviamente, tem o elenco mais forte e experiente entre os competidores, mas tem o desentrosamento pesando contra. Ele mesmo deve ser o maior obstáculo no caminho ao ouro.
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GP - Brasil 3x0 Rússia

Curioso que, no GP, apesar do adversário impor muito mais nome, a vida brasileira foi muito mais fácil do que no Pan. Acontece que a Rússia tirou o time titular de quadra e, com a eterna displicência e falta de interesse no GP, ajudou o Brasil.

Mas não vou tirar os méritos brasileiros nesta vitória. O Brasil se mostrou concentrado e fez bem a sua parte ao explorar a fragilidade da recepção russa e utilizar a velocidade com as centrais, principalmente com a Jucy. A lerdeza do bloqueio russo deixou nossas jogadoras com bloqueios quebrados ou simples quase toda vez que as bolas foram paras as meios de rede.

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Desde que começou o GP falo a mesma coisa sobre o estilo de jogo brasileiro. Não quero bater sempre na mesma tecla, mas este é o Brasil neste início de temporada: as centrais como principais saídas de ataque e o bloqueio pontuando muito. E foi assim novamente contra a Rússia.

Mas tivemos uma boa novidade nesta partida: a Natália virou muito bem no ataque. As vezes que tinha entrado nas últimas partidas ela não correspondeu. Vamos ver se ela mantém o mesmo aproveitamento no restante da competição.

Na posição de oposto, a Monique teve muitas dificuldades. Primeiro, porque as bolas, no início do jogo, estavam muito empinadas e lentas para ela. Com o passar da partida, vieram bolas mais ao seu estilo e ela melhorou. Mas ainda carece de ritmo.

E, por último, vale destacar a atuação da Sassá. Incorporou-se bem ao fundo de quadra brasileiro tanto na defesa como no passe.

Um comentário:

Paulo Roberto disse...

Vi os dois jogos.

Sobre GP me assustou a displicência com que as russas encaram o torneio. Já sabia que pra elas não tem importância nenhuma, mas pelo menos por jogar contra o Brasil pensei que pudessem se esforçar mais um pouquinho. Como o Brasil não tem nada a ver com isso, aproveitou pra passear um pouquinho em cima das rivais. Só uma ressalva, pode parecer perseguição da minha parte, mas não gosto desse jogo concentrado pelo meio. É mais bonito de se ver, com certeza, mas torna nossa seleção muito previsível, basta quebrar o passe que a seleção fica perdida, é só lembrar o que os EUA fizeram na semi do Mundial ano passado. Sassá foi muito, muito bem.

Sobre o Pan ficou nítida a falta de entrosamento do time. Não era pra ter sido o sufoco que foi, mas pesou muito porque esse grupo começou a treinar junto a pouco mais de uma semana. Gosto muito da Macris, acho que ela tem um futuro brilhante na posição, mas acho que enquanto ZRG estiver a frente da seleção ela enfrentará problemas, pois ele gosta de ter suas levantadoras debaixo do cabresto e me parece (pode ser só impressão minha) que a Macris gosta de um pouco mais de independência. Adenízia reapareceu. Acho que ela percebeu o crescimento da Carol e da Jucy e resolveu correr atrás. Vamos ver se esse time engrena dessa vez.