terça-feira, 21 de julho de 2015

Pan - Brasil 3x2 EUA



Parecia decisão valendo ouro tamanha disputa entre as seleções. E os torcedores é que ganharam com um belo jogo.

Digamos que a partida pode ser resumida em diversas sequências de saque para cada equipe. Tanto Brasil como os Estados Unidos se destacaram pelo seu jogo defensivo e pela dificuldade na virada de bola. O Brasil funcionou melhor no bloqueio, os EUA na defesa e contra-ataque.

As norte-americanas tiveram uma organização e um aproveitamento melhores nos contra-ataques. Isso me fez crer que elas levariam a partida. Mas uma velha característica dos EUA, que pensei tivesse sido extinta com a conquista do Mundial, reapareceu: a “tremedeira” na hora da decisão.

O quarto set foi praticamente entregue ao Brasil em erros bobos e oportunidades desperdiçadas pelos EUA. Exatamente no final, elas começaram a cometer falhas que não vinham cometendo até então.

Na seleção brasileira aconteceu o contrário. Se as falhas norte-americanas deram o quarto set ao Brasil, o tie-break foi totalmente conquistado por méritos brasileiros. Na hora que precisou decidir, Rosamaria soltou o braço e, finalmente, decidiu no ataque enquanto que a Joycinha simplesmente fechou a rede fazendo pontos seguidos de bloqueio.

Isso nos deixa mais confiante. Afinal, mesmo com o time capenga e com muitas falhas, a seleção consegue fazer valer a camisa e o histórico.

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Falando em falhas brasileiras...

Houve falhas de recepção, mas esta não foi a constante da partida. Foram pontuais. Portanto, não se pode colocar na conta do passe a dificuldade da virada de bola. Houve também o mérito da defesa americana, sem dúvida. Elas estavam por todo os lados da quadra, era realmente difícil cair a bola na quadra delas.

Mas isso não pode ser desculpa para não pontuar na primeira bola de ataque. Somente Garay e Adenízia tiveram bom aproveitamento neste sentido. Aliás, a Garay foi o destaque na partida. Assumiu a responsa de jogadora mais experiente (a Jaque não jogou) e de pontuar pelas pontas, além de varrer a quadra na defesa. Bom vê-la de volta à velha forma.

Acho que, nesta partida, tanto Joycinha como Rosamaria estiveram ansiosas e não prestaram atenção nas oportunidades que tiveram. Mesmo com bloqueios quebrados, elas não viam as brechas tampouco exploravam o bloqueio. Rosa só foi fazer isso no tie-break.

O aproveitamento brasileiro também teria que ser melhor nos contra-ataques. Aí pesa o entrosamento, mas também a falta de visão da Macris. Muitas vezes parece que ela só quer mesmo é se livrar da bola, jogar o abacaxi pra atacante. São levantadas que não possuem uma estratégia, um objetivo. Agora, pelo que apresentou a Ana Tiemi nas inversões de 5x1, é melhor ficar com a mão mais calibrada da Macris mesmo em quadra.

Temos mais dias de treinamento para melhorar estes pontos para a final, que deve ser novamente contra os EUA. Temos que fazer mais para vencê-las novamente, não dá pra ficar somente à espera dos erros do lado de lá.

9 comentários:

Welmer Sales disse...

É sempre bom ganhar das estadunidenses, seja em amistoso, fase classificatória, categorias de base e, claro, finais.

Sobre o jogo, vou fazer alguma considerações:

1 - Vansant, a jovem ponteira dos EUA, embora seja uma grande atacante, deixa a desejar na recepção. Aliás, no ataque ela deu uma canseira na defesa brasileira, sempre variando os ataques, e, diferentemente da sua companheira de posição, não enfrentava o bloqueio brasileiro cegamente. Acho que é a única jogadora que me preocupa, as outras atacantes de extremidade, Fawcett e Kristin, sempre achei medianas e superestimadas.

2 - Adenízia é a melhor jogadora brasileira no Pan. É a principal opção no ataque e tem rendido também no bloqueio. Espero que continue assim.

3 - Mari rendeu muito bem fundo de quadra. Na defesa, seu aproveitamento só foi menor que o de Garay e Brait e, na recepção, seu aproveitamento só foi menor que o da Brait. No ataque, ela não foi bem, mas acho que o fato de enfrentar os EUA pela primeira vez numa competição pode ter influenciado seu desempenho nesse fundamento.

4 - Acho que Rosamaria tem que ser a titular. Embora ainda falte potência nos seus golpes, ela é melhor tecnicamente que a Joyce, que só sabe bloquear. Nos tie-breaks jogados contra Porto Rico e EUA, ela virou bolas importantes e acho que isso pode ajudá-la a ganhar a titularidade.

5 - Sobre as levantadoras, Fabíola ainda é, pra mim, a melhor opção para 2ª levantadora nas Olimpíadas, isso se ela ganhar outra oportunidade na seleção depois de ter pedido dispensa. Embora eu goste muito da Macris, que tem mostrado uma personalidade incrível, tenho dúvidas se ela estaria pronta para a competição. Quanto a Ana Tiemi, nem sei o que ela tá fazendo na seleção, muito fraca, imprecisa e com levantamentos lentos e previsíveis, quero entender como tinha gente pedindo Tiemi na seleção.

Paulo Roberto disse...

Tive a mesma leitura que sua. Bom ver a Garay rendendo de novo perto do que já rendeu. Ana Tieme mostra que não há mais espaço pra ela na seleção. Bom também é ver a Adenízia chamar a responsabilidade depois de tanto tempo como banco de duas, que se não forem as melhores, estão estre as três melhores do mundo em sua posição. Sobre a Macris, confesso que esperava um pouco mais. Tá muito imprecisa e lenta e, como você disse nos contra-ataques parece querer se livrar da bola o mais rápido possível. Vamos ver se esse tempo de treinamento a mais servirá pra refinar a precisão e o entrosamento com as atacantes.

Thiago V. S. Sena disse...

Gostei da partida. Apesar das falhas - que foram inclusive citadas no post - o Brasil se comportou bem.
Gostei muito da partida da Mari Paraíba. Pode não ter aparecido muito no ataque, mas na linha de passe ela contribuiu e muito, além de ter ajudado na cobertura, com defesas seguras. O que você achou, Laura?

Agora eu acho que nossas levantadoras (principalmente a Macris) precisam ser um pouco mais ousadas. O passe vinha na mão e se buscava a bola na ponta (muito bem marcada). Até a diagonal curta da Garay estava bem marcada, até com duas na cobertura. E a Macris insistia na bola na ponta, tendo Adenízia bem ali no meio-de-rede. É meio inacreditável isso. Nos poucos lampejos, quando ou elas tentavam de segunda ou buscavam a primeira bola com as centrais, o Brasil conseguia pontuar.
O Zé vai ter um pouquinho de trabalho, mas com o tempo a coisa vai engrenar (assim espero).
Outra coisa: Joycinha vai ter que remar um pouquinho se quiser beliscar uma vaga nesse time... Rosamaria, apesar das falhas, foi mais efetiva, principalmente no quarto set.

Laura disse...

Oi, Thiago! Acho que a Mari se saiu bem tb. No ataque era difícil que ela se destacasse, mas no fundo ela foi muito segura e deixou a Garay e a Brait tb seguras, o que foi fundamental.

Paulo Roberto, acho que foi uma partida de muitos altos e baixos da Macris. Por vezes ela acelerava o jogo legal, de repente vinha com bolas muito lentas, como vc mencionou. E concordo com vc que é bom ver a Adenízia voltar a destacar, ela vinha de uma temporada apagada na seleção e no clube.

Welmer, assino embaixo de todas as suas considerações! A Vansant certamente é a atacante deste grupo dos EUA que mais merece atenção. Sempre achei a Fawcett mediana tb. Acho jogadora de curta validade na partida. E tb apostaria na Rosamaria. Acho que ali tem mto mais potencial e vai render, se não agora, no futuro, mais frutos ao Brasil. O engraçado foi o Nalbert dizer que a Joycinha tem muito potencial pra crescer. Ouço esta frase, sem brincadeira, há uns 10 anos! Há mto q ela deveria ter deixado de ser uma promessa e ter virado uma confirmação.

Paulo Roberto disse...

Rosamaria me chama muito atenção. Acho que temos uma grande jogadora pra ser trabalhada. Será que encontramos finalmente a substituta da Sheila?

Welmer Sales disse...

Acredito que nenhuma grande jogadora surge pronta e por isso acho que a Rosa pode ser uma das boas jogadoras do Brasil a médio prazo, vejo um bom potencial nela e o biotipo físico dela é muito parecido com os das jogadoras brasileiras que se destacaram na última década como Sheilla, Mari, Jaque...

Por falar em Sheilla, não cheguei a vê-la jogar no seu início de carreira, mas acredito que ela tenha passado pela mesma dificuldade que a Rosa tem passado (vocês que acompanham o vôlei feminino há mais podem falar com mais propriedade). Sheilla é muito habilidosa e sempre se destacou mais pela técnica que pela potência de seus golpes então, acho que a Rosa pode trilhar o mesmo caminho, é importante que ela desenvolva sua visão de jogo e suas técnicas de ataque, mas também ganhe mais potência, pois contra grandes defesas a força às se faz necessária.

Laura disse...

Welmer, pelo que me lembro, a Sheilla começou apresentando um nível acima do que a Rosa tem hj. Não foi um estouro como a Mari, mas foi conquistando aos poucos o destaque como oposto. É verdade que ela ganhou mais potência com o tempo, acho que principalmente depois que começou a jogar na Itália.

A Rosa, me parece, tem até mais potência de ataque a ser explorada do que a Sheilla, mas é menos habilidosa. Ainda assim, é quem tem o perfil mais parecido com a nossa oposto titular. Torço muito para que a comissão técnica foque às atenções nela.

Rony Lima disse...

Não conhecia esse blog, parabens pela iniciativa!
Olha falando um pouco desse jogo...

O que Joycinha, Michelle, Tiemi e Bárbara estão fazendo na seleção?
Enfim, Adenízia e Brait tem sido bem regulares. Garay parece que tem recuperado um pouco a sua potência no ataque. Mari PB cumpriu bem o seu papel de substituir a Jaque.

Sobre a Macris, eu esperava mais, mas acho que ela está no caminho certo. Vai ser excelente para o próximo ciclo. Nesse ciclo ainda fico com a experiência da Fabíola.


Alysson Barros disse...

Confesso não ter prestado atenção nesse jogo. Porém não vi a Macris nessa instabilidade toda. Achei que a instabilidade foi causada principalmente porque as atacantes não viravam bolas. Todas, sem exceção, tiveram dificuldades em algum momento. Mari Paraíba, por exemplo, ficou só no tapinha. Michele é uma nulidade e Joycinha continua sendo uma incógnita.

Foi o primeiro jogo que eu "vi" da seleção no Pan, mas algumas coisas já se destacaram, apesar de não ter assistido ao jogo com atenção:

1) Ana Tieme é um desastre enquanto levantadora e talvez devesse tentar mudar de posição e virar atacante, quem sabe assim melhora a coisa pro lado dela;

2) O passe da Garay está péssimo;

3) Não existe segunda central, o Brasil joga apenas com Adenízia (apesar dos pesares, porque não aprecio o jogo dela e a considero muito deselegante em quadra);

4) Acho a Macris ousada e, considerando que foi a primeira vez que jogou contra os EUA, acho que ela foi bem, reiterando, creio que os problemas apresentados foram decorrentes da falta de opção segura para virada de bola. Mari Paraíba, por exemplo, não virava nada que não fosse na sorte;

5) Vi bola cair na frente e pelos lados da Brait que não deveriam acontecer.