Jornada dupla pesada


Que dia complicado para as seleções brasileiras no GP e no Pan! Uma derrota e uma vitória suada que vieram por motivos muito parecidos, como vamos ver a seguir nos comentários. 


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Pan – Brasil 3x2 Porto Rico

Mais uma vez, o Brasil se complicou contra Porto Rico. Mas ao contrário da estreia, não foi o ataque o principal problema brasileiro. Garay e Rosamaria até que deram, a partir do segundo set, maior vazão a este fundamento. Sim, ainda assim desperdiçamos muitos contra-ataques por falta de uma organização melhor, mas esta dificuldade já era mais ou menos esperada.

O que “quebrou as nossas pernas” – assim como no GP – foi a falta de um bom saque para que nosso bloqueio entrasse na partida. Deixamos a levantadora e as atacantes porto-riquenhas muito à vontade. Não colocamos pressão alguma no outro lado da quadra para forçar os erros de lá. Não conseguíamos fazer uma sequência de pontos sem entregá-los facilmente depois com algum erro de saque.

A atuação da Ocasio e da Aurea Cruz, que esteve bem apagada na primeira partida, foi absurda. Imaginei que elas perderiam o fôlego durante a partida, mas se mantiveram em alta o tempo todo. Foi somente com a melhora da relação saque-bloqueio que as coisas começaram a se encaixar melhor para o Brasil. Porto Rico começou a dar mais pontos em erros, e nós começamos a bloquear mais e a ganhar as trocas de bola.

Mas tudo à base de muito suor e sofrimento. Tanto que o Brasil novamente teve que correr atrás do placar no tie-break. E, de novo, como numa mágica, a Joycinha e, desta vez também, a Ana Tiemi entraram e recuperam o set com bons saques, pontos de bloqueio e ataque. 
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Vai entender... O Brasil chega no último momento e faz tudo o que tinha que ter feito desde o início. E a Joycinha, que sequer entrava na inversão 5x1, desencanta totalmente. Acho que ela é, como se fala no futebol, “jogadora de segundo tempo”, não serve para ser titular, pois tem efeito curto. Ela diz que continua se irritando com o tempo da bola. Eu digo que já passou da hora dela esperar a bola perfeita. Se quer bola perfeita, não pode ser oposto.

Ela pode se mirar num exemplo que está ao lado dela: Fernanda Garay. Não interessa se a bola tá boa ou ruim, ela tenta dar um jeito. É nessas horas que separamos as jogadoras de seleção e de clube. No jogo de hoje, usando exemplo do futebol também, Garay cobrava o escanteio e ia cabecear. Minha mãe, vendo a partida, resumiu bem: “Coitada da Garay, tem que fazer tudo!”.

Ela segurou muito as pontas na defesa, junto com a Brait, e no ataque, principalmente nas inversões, quando ela ficava sobrecarregada sem ter a companhia da Rosa. Cheguei a pensar que a inversão no tie-break não seria uma boa ideia. Meu medo era ficarmos sem força de ataque tendo que contar somente com a Garay. Mas o peso da camisa e a estrela do treinador acabaram, ainda bem, me contrariando e valendo a classificação para a final. Será que vamos ter que contar de novo com eles para conquistar o ouro?
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GP- Brasil 0x3 Rússia
Uma semana depois, a Rússia nos dá um troco muito bem dado no GP.

Claro que sabíamos que, com as principais em quadra (leia-se Goncharova), a Rússia não seria o mesmo adversário da semana passada. O Brasil precisaria ser mais do que foi para batê-las novamente, principalmente ter um ataque mais eficiente.

Acontece que, como temíamos, o ataque não funcionou. E pior: o que vinha funcionando bem também não. O Brasil não encontrou, durante toda a partida, uma forma de explorar o passe russo. Por consequência, o bloqueio não entrou. E aí foi uma avalanche de efeitos negativos em todos os outros fundamentos.

A defesa cometeu erros técnicos bobos. Os contra-ataques eram muito mal armados, a maioria era devolvida de graça para a quadra da Rússia que, por sua vez, sabia aproveitar as oportunidades. 
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Mesmo com todos os erros bobos cometidos pela Rússia no primeiro e, principalmente, no segundo sets, o Brasil não conseguiu achar seu ponto de alavancagem na partida. Era beneficiado pelas falhas para, em seguida, ele mesmo errar um saque. Não teve uma sequência que desse confiança ao time e o fizesse engrenar.

A Rússia nos enterrou em bloqueios porque nosso sistema de ataque foi mal do passe ao golpe final. Gabi e Natália não tiveram a consistência das partidas anteriores. A Dani fez, a meu ver, sua pior partida no GP. Lembrou-me muito a sua temporada no Molico pela falta de ousadia e visão da marcação adversária. Não fez o bloqueio russo se movimentar puxando as centrais com mais frequência ou optando pela maior distância. E, se digo isso da atuação da Dani, é porque sei que ela tem capacidade de consertar e forçar jogadas quando o passe não é o ideal.

Por fim, nosso trio de ponteiras esteve muito inseguro e não soube explorar o bloqueio russo. O comportamento das meninas me lembrou os das colegas do Pan na partida contra os EUA. A parada era mais complicada, mas tanto Gabi como Monique tinham habilidade para se safar melhor. 
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Num dia muito ruim do Brasil, acho que faltou o Paulo Coco ter tentado mais alternativas. O banco não é rico de opções, mas algumas poderiam ter sido testadas. Uma era uma simples troca da Monique pela Ivna. Não acredito que melhoraríamos no ataque, mas o bloqueio ganharia um bom reforço. Outra era, para o terceiro set, tentar uma formação com a Natália como oposto e Gabi e Suelle nas pontas, para ver se equilibrava o passe e liberava a nossa atacante mais forte.

Enfim, acho que o treinador ficou meio que resignado com a derrota. Uma pena. Não pela classificação final, que sabemos que esta não é a proposta deste ano, mas porque o Brasil poderia ter sido mais competitivo na partida. 

Comentários

Welmer Sales disse…
Hoje foi dia de passar raiva com as duas seleções. Primeiro, contra Rússia, onde o time só tinha que apresentar o que vinha jogando até então para encaminhar a partida para um resultado positivo, tudo começa a dar errado o time saca mal, o bloqueio não se encontra e a defesa perde bolas fáceis, aí o time passou a depender daquele que tem sido o menos consistente dos fundamentos brasileiros, o ataque, e foi aí que as coisas se complicaram e o time não conseguiu reverter. Além disso, acho que o Paulo Coco foi conservador demais, eu sei que o banco brasileiro não é lá essas coisas, mas do jeito que as coisas estavam andando dentro da partida ele poderia ter investido na Ivna, que é uma oposta com porte físico maior que o da Monique, ou numa formação com Natália na Saída, ao invés de se dar por vencido e não testar uma mudança sequer.

No segundo jogo do dia, as coisas foram mais tensas rs... Primeiro, eu não estava em casa e tive que assistir o jogo pelo celular, quer dizer, achei que iria assistir, mas não vi pois a Record não passou o jogo no seu canal principal e sim na Record News, onde o sinal pegava em preto e branco e chiando ainda por cima, não tava fácil hahaha. Então, tive que me contentar em acompanhar o jogo apenas pela narração, mas o narrador é muito chato, mas falava mal das brasileiras que contava realmente o que acontecia na partida e isso me irritava profundamente, já que tenho um sentimento de posse muito grande pelo vôlei brasileiro, em especial o feminino, então, não aceito ninguém falando das meninas que não seja eu ou pessoas que eu saiba que acompanham o voleibol de perto, além disso, o canal ainda tentava transmitir simultaneamente uns três eventos esportivos o que dificultava eu saber o que realmente estava acontecendo na partida.

Depois de ter contado o que me estressou na transmissão, vou contar o que me deixou tenso na partida. E a primeira foi logo no início de partida, a primeira das poucas coisas que consegui ver no meu celular foi o que mais me irritou: Joyce como titular. Em todas as partidas até aqui na seleção seja no GP ou no Pan ela não mostrou em nenhuma que ela merecia ser titular, aí a primeira imagem que consegui decifrar foi o rosto dela e a minha reação foi: "Que p**** é essa! O Zé só pode estar querendo perder essa partida!". Durante a partida, o baixo aproveitamento no bloqueio, principalmente nos dois primeiros sets, também me irritou muito e a cada ponto da Aurea Cruz só aumentava. Ainda bem que durante a partida o time conseguiu se recuperar e sair com a vitória.

PS 1: Não sei se fiquei mais irritado de ver a Shcherban e a Pasynkova virando bolas com facilidade no jogo do GP ou com a Aurea Cruz virando as bolas com tranquilidade no jogo do Pan.

PS 2: É incrível a má vontade da mídia com voleibol. Desde a conquista incrível do voleibol de praia nos dois naipes há um tempinho atrás, tenho acompanhado as páginas do FB dos principais jornais brasileiros (Folha, Estadão e O Globo que são as mais curtidas) para ver se eles noticiam e divulgam os feitos do esporte, mas dificilmente sai alguma coisa. Ainda que para quem acompanha o esporte, a vitória de hoje, se levada em conta a tradição, pudesse ser menos complicada, esses grandes meios de comunicação deveriam noticiar. Numa simples comparação, se a seleção de futebol tivesse virado uma partida que tivesse perdendo de 2x0 mesmo contra um time mais modesto isso ganharia destaque com muito mais facilidade.

Desculpem comentário imenso rs
Abraão disse…
Nao livro a cara de ninguém nessa derrota do Brasil para a Russia, mas ao meu ver, alguns foram mais responsáveis que outros para esse desfecho desastroso. A começar pelo Paulo Cocco, ele sempre foi inseguro como comandante, não falo de suas qualidades como técnico de voleibol, mas sim de suas características humanas, ele se perde junto com o time, o seu destempero foi sintomático, não houve estratégia pra sair da situação que desde o começo se mostrou ruim. A respeito da Dani Lins não existe mais o que falar. Tecnicamente ela e espetacular, mas seu refinamento técnico so não e comparável a sua falta de inteligência, quando o jogo aperta, salvo em raras circunstancias, ela e tomada por uma tal cegueira que beira a insanidade, não a toa carrega sobre si o incomodo rotulo de Pani Lins, ontem mereceu com louvores o apelido jocoso, soltava a bola pra qualquer lado sem se preocupar em observar a movimentação do bloqueio russo e as atacantes que se virassem com qualquer tijolo que viesse se suas mãos. Por exemplo, o jogo ruim das ponteiras na minha opinião não pode se classificar apenas como responsabilidade delas mesmas. Natalia esteve bem a partir da segunda metade do primeiro set, mas quando deveria receber mais bolas pra adquirir confiança, foi esquecida em sucessivas passagens pela rede ate que quando voltou a receber não pode atacar pois ja se perdera completamente como o resto do time; Alem do que ou as bolas vinham mal levantadas, espetadas, baixas( todo mundo sabe a melhor bola da Natalia, quanto mais alta melhor, vide o sucesso que ela sempre tem com Fabiola que e muito mais precisa nesse tipo de jogo). Mas enfim, como eu disse, ninguém se isenta nessa derrota, Natalia tem muito mais jogo do que mostrou nessas duas partidas. Também pra ela tem faltado melhor postura. De todas as jogadoras que tem atuado, ela, junto com Dani, são as mais experimentadas e ja passou da hora de abraçarem a responsabilidade que lhes cabe, fazer valer toda a expectativa que sempre se criou em torno delas.
Laura disse…
Bah, Welmer, não vi pela Record, mas imagino o teu sofrimento! Eu tb não gosto de ver transmissões com pessoas que não acompanham o esporte.

E é verdade, Abraão. O Paulo "se foi" junto com a equipe, não mostrou saídas, não tentou nada.