É bronze! GP - Brasil 3x1 Itália



Nos despedimos do Grand Prix com o bronze e com alguns pontos a comemorar e outros nem tanto.

A partida contra a Itália resume bem o desempenho brasileiro na maior parte do GP. Carol e Jucy foram as protagonistas do jogo e do campeonato. Ambas foram os destaques no bloqueio e no ataque e comandaram a seleção. Os jogos nos quais o Brasil não conseguiu acioná-las foram aqueles nos quais mais enfrentou dificuldades.

Aí caímos no principal problema brasileiro: a dificuldade de pontuar no ataque e contra-ataque com as ponteiras. Isso tornou algumas disputas fáceis mais trabalhosas e as difíceis, muito desequilibradas contra o Brasil. 
 


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Acho que o GP valeu bastante pra colocar pra jogar a Gabi, Carol, Natália e Léia e, também, pra deixar claro o gap que há ainda entre elas e as titulares. Mas só jogando e passando por estas experiências para elas crescerem.

Natália e Jucy estiveram na seleção do torneio, sendo eleitas as melhores das suas posições. Admito que me surpreendi ao ver a Natália como melhor ponteira. Ganhou por ter sido quem melhor uniu o desempenho na recepção e no ataque. Ainda assim, a Natália, pelo tempo de estrada que já tem, precisaria oferecer muito mais regularidade e ser mais confiável.

A Jucy teve um momento muito especial no GP. Apesar de ter a seu favor uma característica quase que exclusiva entre as centrais atuais, que é de ser muito rápida e ágil (a Adenízia é quem mais se aproxima dela neste sentido), fica difícil imaginar que ela consiga um espaço no time brasileiro. Acho que o torneio foi pra ela um canto dos cisnes.

A Léia não foi bem, ao meu ver, nesta fase final do GP. Sei que ela é muito boa, mas cometeu erros técnicos difíceis de se aceitar para uma líbero. Sassá, na sua estreia na sua posição, esteve melhor. Léia ainda tem um longo caminho para trilhar se quiser incomodar a Camila Brait, que esteve muitíssimo bem tanto no GP como no Pan.

Carol e Gabi também ainda têm uma longa estrada. Caíram de rendimento na fase final, mas mantiveram uma certa regularidade ao longo de todo o GP. Gosto da Carol, acho que, além do bloqueio, tem um saque muito bom e poder de decisão.

E vejo evolução na Gabizinha. Acho que ela está desenvolvendo melhor outros fundamentos como bloqueio e passe. No ataque, ela está tendo que aprender a se virar mesmo quando a bola não vem do jeito ideal pra ela, que é com velocidade. Aí são muitos mais erros que acertos, é verdade. Mas ela encara numa boa, não esmorece e assume a responsabilidade, o que acho muito positivo para uma jovem como ela.




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Ainda que possamos questionar a divisão das equipes para os dois torneios, acho positivo que o Brasil tenha dado este passo de testar as jogadoras reservas. Nenhuma delas roubou a nossa atenção ou surpreendeu a ponto de questionarmos as titulares, mas está valendo o processo e a experiência pelas quais elas estão passando porque logo ali adiante elas podem estar provocando algumas dúvidas quanto quem deve defender o time principal.

Comentários

Paulo Roberto disse…
É Laura, como você disse num outro post, o que foi feito esse ano era pra ter sido feito antes. Não questiono a qualidade ou a competência do ZRG e da CT, mas os métodos são bastante difíceis de se compreender. Como você também disse nos comentários do outro post, concordo que ele prioriza o currículo ao planejamento a médio e longo prazo e isso nos traz situações como a da semi final do mundial passado: os EUA anularam o nosso jogo e a CT simplesmente se perdeu porque não tinha ninguém pra substituir à altura as titulares e porque isso? Porque ninguém tinha a experiência necessária para aquele momento.
Pode parecer que sou meio redundante, mas salta aos olhos as falhas nos planejamentos tanto da SFV como na SMV, e me parece que as respectivas CTs são as únicas que não enxergam.
Luis Carlos disse…
Acho que Natália precisa acreditar mais nela, ela é uma atacante extraordinária, ataca muito, bloqueia bem e defende bem também. Ela só precisa acreditar mais nela, pra mim ela é titular da seleção principal, não temos nenhuma atacante no time titular com tanta força.
Welmer Sales disse…
Esse GP deixou claro o principal problema do Brasil: a ineficiência no ataque principalmente nas extremidades.

A seleção brasileira durante os jogos cria muitas oportunidades de contra-ataque, mas se as jogadas com as centrais forem bem marcadas temos enorme dificuldade de virar pelas pontas e confirmar os contra-ataque e acho que a CT tem que começar a ver formas de solucionar esse problema. Acredito que uma das formas que se poderia solucionar esse problema seria utilizando mais variações de ataque: utilizando tempo atrás com as centrais, utilizando mico, desmico, between, jogadas que praticamente foram esquecidas pelo voleibol moderno. Contra os EUA principalmente, o Brasil tem que usar o mesmo trunfo que eles usam contra seus adversários, a velocidade, assim acho que essa dificuldade no ataque com as ponteiras e opostas poderá ser solucionado.
Nei disse…
Welmer, eu super concordo com seu comentário no que se refere às variações de jogadas. Em Pequim ganhamos jogando desta forma. Bolas mais curtas na entrada, saindo do bloqueio, desmico de saída com Sheila, tempo atrás com Walewska e Fabiana. Isso é muito necessário pra enfrentar um time que estuda tanto o nosso como os EUA. A seleção está pobre nesse sentido. Outra coisa: precisamos de jogadoras de extrema com força física. Muitas vezes pra desmontar bloqueio e defesa montados, só força. Valeu.
Paulo Roberto disse…
Concordo Welmer.

Lembro que quando a Fabíola ainda estava no Osasco, ela trouxe de volta algumas dessas jogadas (que o masculino ainda usa, mas também vem diminuindo),quando a Garay e a Jaque já tinham deixado o time e as ponteiras era muito irregulares (Sanja e Boseti). À epóca causou até estranhamento e surpresa. Ela usava os jogos mais fáceis pra treinar e tentar surpreender em algum momento, mas foi só. Acho que um dos trunfos da seleção de 2008 foi justamente ter uma leque de jogadas muito amplo. Não era só a qualidade das atacantes, mas a variação de jogadas que a Fofão tinha na mão. Era um jogo bonito de se vê e muito, muito eficiente.
Marco Barbosa disse…
Os cariocas ao menos podem comemorar o bronze do WGP 2015 para o "Rexona"! Brincadeiras à parte, gostaria de dizer que sempre admirei a capacidade norte-americana de formar boas jogadoras, cultas, bem trabalhadas nos fundamentos, disciplinadas e com conhecimento da tática do jogo. Nos últimos anos conseguiram juntar essas boas jogadoras em um bom time (ou vários, como vimos agora), colhendo resultados de um trabalho sério e intenso que todos temos acompanhado com prazer, mesmo lidando com a desvantagem de não ter uma liga doméstica e tendo suas jogadoras dispersas pelo mundo, às vezes atuando em campeonatos mais fracos. Aqui no Brasil jamais teremos nada nem parecido com a NCAA, por falta de recursos e pelo fato de nossos líderes políticos e os burocratas paulofreireanos da educação considerarem que esporte competitivo é algo por demais capitalista para ser ensinado às nossas crianças e jovens. Visto deste ângulo é motivo de orgulho que nós consigamos pôr em quadra uma SFV capaz de vencê-las e conquistar-lhes o respeito e até a admiração, mas preocupa o fato de a distância entre nós estar visivelmente aumentando. Nossa última grande conquista ocorreu mais devido a um momento mágico de superação e contar com isso sempre simplesmente não é uma boa estratégia. Penso que antes de começar a SL a CBV deveria promover um congresso reunindo os técnicos dos times da liga. Chamaria também os principais personagens da base, como SOGIPA, MacKenzie, Fluminense, o pessoal de Nova Trento e tantos mais, para conversar com os técnicos das seleções adulta e de base; se a vaidade permitisse, convidaria o Kiraly, o MacCutcheon ou o Doug Beal para também falarem sobre seu trabalho bem sucedido, não por achar que possamos ou devamos copiá-los, mas por entender que chegamos a um momento em que uma inspiração é necessária para que nosso vôlei não caia na estagnação que logo se transformará em retrocesso. Saquarema é um lugar aprazível e não custará caro bancar um fim-de-semana por lá para que as cabeças cuja competência nos trouxe até aqui repensem os caminhos da técnica e da tática do vôlei brasileiro.
Léia e Joycinha NEVER MORE!
Paulo Roberto disse…
Excelente comentário Marco Barbosa.
O grande problema do vôlei brasileiro é de gestão em todos os sentidos: técnica, operacional, financeira, administrativa. E dinheiro não faltou. O Banco do Brasil vem despejando caminhões de dinheiro na CBV nos últimos anos.
Cacciatori disse…
1 - Onde tava com a cebeça Paulo Coco pra substituir Gabi pela Ellen??? Gente quem é Ellen!?

2- Tirando Gabi e Monique será q precisa desenhar q jogadoras de 1.78m/1.80m na Seleção não da????

3- Mesmo assim, ainda q a Gabi sendo a melhor atacante da nossa Superliga, ela não tem condições de ser a nossa atacante de segurança na Seleção, nossas atacantes de segurança vão continuar sendo as nossas meios Thaísa e Fabizona!

4- Léia um terror , pq não deixaram a Sassá como líbero?

5- Pq não deixou Rosamaria jogar mais? Joycinha só tamanho e já rodada.

6- Nem Bárbara, nem Angélica, (Bárbara um pouquinho melhor),
mas com certeza se tivesse levado a Bia e a Letícia Hage, o rendimento das meios no PAN sería melhor!

7 - Destaque mesmo nesses dois eventos, ficou pra 3 jogadoras, GARAY q levou praticamente o time nas costas, JUCIELY q brilhou no Grand Prix e jogou com muita garra, e CAMILA BRAIT q deu show no PAN.

8- Adenizia foi bem e Macris também.

Laura, observações?
abraços

C.
Laura disse…
Oi, Cacciatori! Bom ler vc por aqui de novo! =)

Não tenho muito o q acrescentar, acho que vc resumiu bem estes dois testes da seleção. Sobre as centrais, a Bia é que recusou a convocação. Sem dúvida ela teria ajudado mais que as duas que foram, mas a opção foi dela. Tanto Angélica como a Bárbara só confirmaram o que já deduzíamos: não são jogadoras de seleção. A Angélica, até, me parecia meio alienada dentro de quadra, perdida, fora do clima das partidas. A Bárbara, ao menos, estava mais ligada, atenta.
Welmer Sales disse…
Pessoal, tava olhando aqui a lista e jogadoras inscritas para o Mundial sub-18 e para aqueles que reclamam da falta de jogadoras com boa estatura surgindo nas categorias de base, altura não é problema para essa geração de atletas nascidas em 1998/1999. Agora, é torcer para que essas meninas tenham talento e sejam bem trabalhadas
Welmer Sales disse…
A quem interessar, aqui está o link da página com o perfil das jogadoras.

http://u18.women.2015.volleyball.fivb.com/en/competition/teams/bra-brazil/players