sexta-feira, 10 de abril de 2015

Rexona, de novo


Rexona/Ades 3x0 Camponesa/Minas

O mais provável aconteceu: o Rexona se classificou para a sua 11ª final de Superliga. 

Conseguiu o passaporte para a decisão voltando a apresentar um bom voleibol, o que é mais importante. Fazia tempo que não víamos, por exemplo, o ataque carioca funcionando bem com todas as suas jogadoras. A dupla Natália e Gabi voltou a ser decisiva, superando qualquer dificuldade que os erros de recepção - cometidos por elas mesmas - tenham imposto.

Na verdade, o passe do Rexona funcionou bem. Deu um mínimo de estabilidade para que as atacantes, guiadas pela Fofão, virassem com tranquilidade. O mesmo, no entanto, não se pode dizer do Minas.

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Infelizmente, o Minas se despede da competição jogando abaixo do que poderia apresentar. Não sei qual problema veio primeiro, os erros de recepção ou a baixa confiança. Mas a realidade é que nem tecnicamente nem animicamente o time lembrou as suas melhores atuações.

Achei o Minas acuado e abatido. A Jaqueline, principal motor do time, esteve apagada – se compararmos com suas atuações anteriores. Foi bem marcada pelo Rexona, mas também não demonstrou a garra e a energia que vimos durante toda a temporada. Ela, que sempre foi o termômetro da equipe, exemplificou bem o que o Minas foi nesta partida.

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Não só da Jaqueline, mas senti falta de uma postura mais decisiva das jogadoras experientes do time: Gattaz, Wal e Mari. Por isso, pego leve com as jovens jogadoras. Sim, a líbero Tica sentiu a pressão, mas sua substituta, a Laís, segurou bem as pontas apesar de ter sido perseguida pelo saque do Rexona. Achei injusta também a cobrança do Queiroga para cima da Naiane nos dois primeiros sets. O passe não funcionava e ele cobrava a levantadora que, ao meu ver, fez o que estava ao alcance dela. 

O Minas, de modo geral, foi pouco agressivo, do saque ao bloqueio. A equipe precisava beirar a perfeição para bater o Rexona, ainda mais com o time carioca funcionando bem como nesta partida. Talvez por isso, em busca desta perfeição, as mineiras tenham se segurado para controlar os erros e perderam em agressividade. Mesmo quando tinha o placar a seu favor, o Minas parecia não querer – ou não saber - pegar as rédeas do jogo. 

O Rexona, por sua vez, deu suas bobeadas na cobertura de bloqueios e na recepção nos inícios dos sets. Porém, quando o caldo engrossou e chegaram os momentos decisivos, não desperdiçou uma chance. Teve conjunto e individualidades que decidiram. Teve postura de campeão.

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Pê ésse:

- O Minas caiu fora da SL e, com ele, levou a melhor jogadora do campeonato: Jaqueline.


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As primeiras selecionadas

O Zé Roberto divulgou a primeira lista de convocadas para a temporada da seleção este ano, que inclui os Jogos Panamericanos e o Grand Prix. (aliás, uma palhaçada o Brasil não poder jogar a Copa do Mundo...)

Gostei de ver ali os nomes de Rosamaria e da Michelle Pavão, as únicas, na minha opinião, que podem ter espaço na seleção principal. 

Nomes como os de Angélica e Jéssica me fazem um pouco de confusão, principalmente a segunda. Sei que esta é uma lista bem ampla, que pode acabar numa seleção B ou em nada, mas nenhuma das duas fez uma temporada boa o suficiente para serem lembradas.

Não entendo a insistência do Zé Roberto com Ana Tiemi e Joycinha. Para mim, elas tiveram as melhores oportunidades no passado e não corresponderam. Ou seja, deveriam ser página virada. Em campeonato coreano e romeno todo mundo vira destaque.

A surpresa fica por conta da Sassá. Não duvido que o Zé esteja pensando em trazê-la de volta para a seleção principal para ser reserva da Jaque. O Brasil – e o mundo – está pobre de jogadoras deste estilo. Se este for o caso, a pergunta que fica é: seria ela a melhor escolha? Eu preferiria olhar para frente e investir em jogadoras mais novas, como é o caso da Michelle.

Eis as convocadas:

Ana Tiemi (levantadora)

Angélica (central)

Ellen (ponta)

Francynne (central)

Jéssica (oposto/ponta)

Joycinha (oposto)

Juma (levantadora)

Léia (líbero)

Letícia Hage (central)

Macris (levantadora)

Mara (central)

Michelle Pavão (ponta)

Paula Borgo (ponta/oposto)

Rosamaria (oposto)

Sassá (ponta)

4 comentários:

Welmer Sales disse...

Não tem muito o que falar da partida. Esperava mais do Minas, mas o time foi muito bem marcado, principalmente a Jaque, a jogadora mais importante do time, e o time não se encontrou em quadra. Há de se destacar aqui a ótima partida do Rexona no saque, o time conseguiu desestruturar a equipe do Minas com um ótimo desempenho nesse fundamento.

Deixo aqui meus parabéns à equipe do Minas que teve um crescimento incrível durante a competição. É um pouco frustrante ver o time se despedir da competição jogando abaixo do que pode, mas fizeram uma grande campanha e isso merece destaque.

Quanto ao Rexona, mesmo eu achando que o Minas tinha condições equilibrar a série, o time carioca não fez mais que obrigação ao confirmar a classificação para a final.

Falando da convocação, não entendi Sassá, Jéssica, Joycinha e Ana Tieme na lista. Acho que tem jogadoras muito mais merecedoras de uma oportunidade e sequer foram lembradas, como a Thaisinha. Eu sei que muito vão citar a altura dela como empecilho, mas ela merecia ao menos uma chance de treinar em Saquarema. Ela vem se destacando ano após ano na Superliga (jogando muito melhor que muitas das jogadoras da lista) e acho que esse ano, que não tem competições muito importantes, ela poderia receber uma oportunidade de vestir a camisa da seleção.

Vinicius disse...

Falando com relação a convocação, esse ano serão três seleções:
uma pra disputar o mundial sub 23, outra para grand prix e outra pan americano já que serão em datas bem próximas.

Apesar da relação ter saído Sassá como ponteira, o Zé Roberto a convocou para jogar de líbero apostando em sua transição para a posição, assim como fez com Arlene em 2003 e obteve muito êxito.

Sassá é uma das jogadoras mais técnicas e habilidosas do vôlei brasileiro, compensa sua falta de altura com uma técnica apuradissíma, porém, considero essa transição muito válida para o vôlei brasileiro...

Paulo Roberto disse...

Sobre a SL acho que o Minas já entrou na série semifinal satisfeito, faltou um pouco de sangue nos olhos como disse em um comentário anterior. Parabéns ao Rexona, e principalmente ao Bernardo que sabe lapidar seus times para momentos decisivos.

Sobre o ZRG é simples: coerência não é uma palavra que anda no vocabulário dele, aliás nunca andou.

Sobre a Jaque, acho que é a melhor jogadora que temos na atualidade juntamente com as centrais. Assim como no Minas, ela é o termômetro da Seleção. Se ela vai bem, o time joga bem, se ela tá mal o time joga mal. parecido quando tínhamos a Ana Moser.

Laura disse...

Vinicius, sobre a Sassá, não há dúvidas que ela possa fazer esta transição. Só não sei se a seleção, ainda que não a principal, seja lugar para isso. O Zé Roberto reclama tanto que não há renovação, mas também não colabora dando espaço para novos nomes ganharem experiência aos poucos em competições menos importantes.

Aliás, apesar de considerar muito sensato dar uma folga para Sheilla e Cia no GP, acho muito estranho que o Zé Roberto tenha optado por isso. Ele nunca foi de abrir mão da força máxima, mesmo em anos "mais pobres" em competições, vide os pós-Olimpíadas. Ainda estou com uma pulga atrás da orelha em relação a isso. Acho que é a melhor escolha poupá-las e testar outras jogadoras, mas não combina em nada com o Zé Roberto. rsrs

Paulo Roberto, tb acho. Hj a Jaqueline é a melhor jogadora que temos. Sem ela, a seleção cai muito de rendimento.

Welmer, já vimos que esta convocação, para algumas, não quer dizer grande coisa. Vai ser só uma passagem para representar a seleção em alguns torneios. Poucas podem ter alguma chance real. Por isso, concordo com vc. Apesar da baixa estatura, a Thaisinha fez muito mais na temporada do que a Jéssica, por exemplo. Então, não custava nada chamá-la pro grupo.