domingo, 26 de abril de 2015

O melhor, indiscutivelmente


Rexona/Ades 3x0 Molico/Osasco

Só havia um time em condições de tirar o título da Superliga 14/15 das mãos do Rexona: o Molico das quartas e semifinais. Só que o Molico que entrou em quadra esteve mais para o da fase classificatória, aquele time inseguro, com dificuldades nos ataques e confuso defensivamente.

Já o Rexona entrou com a sua melhor versão do campeonato – incluindo aquelas bobeadas que tanto fizeram os adversários acreditarem  que era possível bater a equipe. Mas elas não foram suficientes para estragar o ótimo trabalho que todo o time fez na final.

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A melhor dupla de ataque da SL apareceu com destaque. Natália e Gabi pouco desperdiçaram as oportunidades de pontuar. O sistema defensivo carioca, então, funcionou perto da perfeição. Saque, bloqueio, defesa e contra-ataque. Foi este circuito, bem executado pelo Rexona desde o início da partida, que construiu a vitória.

Como sempre aconteceu na SL – até mesmo na derrota contra o Sesi – o Rexona teve o controle do jogo nas mãos. Ele definiu, com seus erros e quedas de rendimento, os melhores momentos dos adversários. E foi assim também contra o Molico.

O Osasco teve mérito próprio somente na conquista da vantagem inicial do terceiro set, quando o seu sistema defensivo finalmente entrou na partida. O saque começou a fazer estragos na recepção carioca e o bloqueio começou a pontuar. 

Mas assim como construiu a vantagem, por conta própria a destruiu. Primeiro, nos erros de recepção. Luizomar demorou para sacar a Samara, principal alvo da Jucy na sequência de saques que conduziram o Rexona à retomada no set. Segundo, nos erros bobos de saque e ataque cometidos.

Neste ponto, vem a decepção com o desempenho individual de certas jogadoras: o primeiro, com a Carcaces. A cubana esteve longe de ser aquilo que o Osasco precisava, a bola de segurança. Errou em momentos decisivos. A segunda decepção ficou com a Thaisa. Nem bloqueio, nem saque, nem ataque. Ela pouco ajudou a equipe. Ao menos, ela teve caráter suficiente em admitir que o prêmio de “craque da galera” não poderia ter ido para suas mãos.

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Acho que há pouco a se dizer ao final de mais uma Superliga. 

O título foi para a melhor equipe de todo campeonato. Equipe que passou a temporada toda sem uma oposto titular, mas mesmo assim se manteve a mais forte no ataque. 

No fim, tivemos uma SL mais interessante na fase de classificação do que nas finais. Não só em competitividade, mas também em qualidade - que, de modo geral, foi bem baixa nesta temporada. Acho que só tirando o Bernardinho da SL para ela voltar a ter alguma graça. Está difícil achar alguém que consiga fazer frente a ele. Os profissionais mais competentes não estão em equipes com peças fortes o suficiente para equilibrar a disputa com o "Todo Poderoso". E o contrário também acontece, vide Luizomar no comando do Osasco.

E, para finalizar, fico extremamente feliz que o título tenha ido para a Fofão. Ela merecia fechar a carreira sendo campeã da SL. Ainda temos o Mundial de Clubes pra nos despedirmos de vez dela, mas quero compartilhar com vocês o post que fiz quando ela se despediu da seleção brasileira, em 2008. Acho que resume bem a minha admiração pela jogadora e o quanto ela merece cada aplauso e título conquistado: Por quem os ginásios choram

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Pê esse:

- Acho esta espera de 15 dias por um jogo único de final um total anti-clímax. A SL, para mim, já era quase passado. Os torcedores saem do clima da competição, as jogadoras e comissões técnicas têm que lidar com uma ansiedade prolongada e desgastante, e ainda atrasa o calendário de todo mundo.

2 comentários:

Paulo Roberto disse...

Foi um jogo de um time só. E não foi o melhor jogo do Rexona. Acho que esse tempo de duas semanas entre as semi e a final acabou contribuindo para uma queda no nível técnico do jogo.

Pelo lado do Molico tudo deu incrivelmente errado. Dani nunca foi levantadora de consertar passe, é excelente com passe A, mas com passe B encarna a Pane e se perde em quadra e foi o que vimos hoje: muitas bolas imprecisas para as ponteiras (nunca foi um primor nisso), quando o passe saia escolhia mal as atacantes, quando tinha a bola nas mãos acionou pouco as centrais. Thaísa muito apagada, mesmo quando acionada não correspondeu e não conseguiu ler o ataque adversário. Carcaces muito irregular. Ivna voltando a ser Ivna. Até Camila Brait cometeu alguns erros de passe, coisa muito rara de se ver. Adenízia foi a única atacante que fez alguma coisa enquanto pode. Mari, pensei que ia fazer o jogo do retorno mas também recebeu muita bola espremida na rede.

Pelo lado do Rio, acho que venceram por errarem menos. Natália fez um bom jogo, mas nada do que vinha fazendo nos playoffs. Gabi e Régis da mesma maneira. Fabi foi espetacular na defesa, como sempre. As centrais apareceram bem, principalmente porque a Fofão foi magistral nas jogadas pelo meio. Era como se dissesse olha Dani, aprende.

Merecido o título para o time que fez a melhor campanha. Merecido para o adeus da melhor levantadora que esse país já produziu. Me sinto meio órfão agora que sei que ela realmente parou.

Valeu Fofão!

ZHenrique Miranda disse...

Minha musa Dani Lins foi realmente bem mal hoje. Aliás, no mundial já não foi bem e nessa superliga pior ainda.
Não sei se ainda é titular absoluta da seleção brasileira.
Se é, está só um ou dois passos na frente na Fabíola - já foram uns dez.
Torço pra que ela se recupere, como disse Bernardinho ontem:
"É melhor do Brasil"
Mas precisa jogar!

PS: O jogo em si foi anti-climax.
Só houve um time em quadra, e ele foi campeão.
Justo.