quarta-feira, 25 de março de 2015

Artilharia decisiva


Pinheiros 2x3 Molico/Osasco

Ganhou quem que teve maior poder de definição. O Molico teve, com Thaisa e Carcaces pontuando com constância, a segurança necessária para levar este play-off.

O Pinheiros foi batido pela péssima qualidade da sua linha de recepção, que impediu que a Macris jogasse com a velocidade necessária para quebrar o alto e bom bloqueio do Osasco. Assim, o ataque teve muita dificuldade de virar de primeira. O esforço do Pinheiros para colocar a bola no chão era 10 vezes maior do que o das adversárias.

Por isso não entendi o Wagão ter mantido a Rosamaria como titular durante toda a partida. Ela foi bem somente no primeiro set, depois perdeu a potência. Sempre quando a Renatinha entrou nas inversões, rendeu muito bem. O treinador deveria ter começado com ela no quarto set. 
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Acho também que faltou ao Pinheiros uma tática de saque mais agressiva. Se percebi bem, elas miraram na Gabi, que entrou bem e segura na partida no lugar da Samara. Não entendi porque não buscaram mais a Carcaces. Há que se destacar que o Molico blindou a cubana em certas passagens no fundo de quadra, com Brait e Gabi a protegendo. Mas ainda acho que o Pinheiros não soube se aproveitar da principal fragilidade do Osasco.

Mesmo quando conseguiu recuperar as desvantagens do terceiro e quinto sets, o mérito não esteve exatamente no seu saque. Para mim, nestas ocasiões, a dificuldade foi do Osasco, mais especificamente da Dani Lins, em insistir com jogadas previsíveis e marcadas e não usar todo o repertório que o time tinha a seu favor. 

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Sei que o Osasco errou demais - sobretudo no saque, facilitando a vida do Pinheiros justamente quando ele tinha que lidar com sua pouco efetiva virada de bola - e tomou sequências de pontos que quase lhe custaram a classificação. Mas, de forma geral, gostei da atuação do time.

Gostei da consistência na recepção, da postura agressiva do time no tie-break quando o caldo engrossou e do aproveitamento do ataque. A inversão 5x1 também tem funcionado bem, principalmente a entrada da Mari, que tem sido uma arma importante para mudar as configurações da partida em determinados momentos.

Acho que conseguir a classificação num jogo difícil e tenso como foi contra o Pinheiros, torna o Osasco mais cascudo e confiante para o confronto das semifinais. Veremos.

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Lamento final

É uma pena que o confronto não tenha ido para o terceiro jogo. Antes que os torcedores do Osasco me acusem de secadora, confesso: sou uma simpatizante do Pinheiros, da sua capacidade de recuperação e de complicar a vida dos favoritos. Fora que queria um pouco mais de emoção nestas quartas-de-final. 


De qualquer forma, o Pinheiros tem o que comemorar. Ele nunca é feito para ser um dos protagonistas de uma competição, mas vai sair desta temporada com o título da Copa Brasil e, portanto, à frente de, ao menos, duas equipes importantes e que receberam investimentos maiores do que ele.

4 comentários:

Mateus CS disse...

Jogo de um time só. Apenas no primeiro set teve disputa de dois times, pois nos demais o Osasco jogou tanto a favor como contra ele mesmo. Não se pode admitir 37 erros de um time experiente como esse. É inaceitável. Pra sorte do Osasco o Pinheiros caiu muito de rendimento nesta reta final, senão teria ido pra casa nas quartas mesmo.

Dani está muito mal. Previsível, levantando bolas sem visualizar o bloqueio adversário, dando dois toques. Não voltou bem da lesão não.

Adenízia é outra que ficou pelo caminho. Como perdeu rendimento nessas últimas duas temporadas. Tem que abrir o olho, pois não irá pras Olimpíadas com esse voleibol aí de jeito algum.

Thaisa finalmente acordou. Postura às vezes muito arrogante, porém é um monstro em quadra.

E FINALMENTE nosso querido Luizomar optou por mudanças durante os sets, promovendo as trocas do 5-1 com o time estando bem ou mal. Tem que arriscar mais, meu garoto.

Gabi fez uma boa partida, mas é sempre isso. Uma boa, uma ruim. Samara sem condições, tadinha. Antes dos 10 primeiros pontos do 1 set e a menina já estava com uma fisionomia apavorada, tadinha.

Parabéns ao Osasco e principalmente ao Pinheiros, que mesmo com certas "limitações" financeiras, fez uma ótima temporada.

E Laura, muito obrigado pelo blog. Uma das poucas ferramentas que temos pra discutir o esporte. Um beijo!

Laura disse...

Obrigada, Mateus!

Você lembrou bem. A Adenízia não está bem nesta temporada. Acho que tanto a Carol como a Bia, apesar de não estarem fazendo uma temporada tão forte quanto a passada, têm condições de tirá-la do posto de terceira central na seleção.

Nei disse...

Eu acho que o Pinheiros poderia ter ganhado se não fosse a mal vontade da Rosamaria. Parecia que tava de birra, errando porque queria. Não gostei da postura dela e pior ainda da do técnico que não a tirou de quadra.
Dani tá péssima desde Londres, que foi sua última atuação boa. Leitura de jogo muito ruim e agora esses dois toques recorrentes quando levanta para a entrada de rede, a la Ju Carrijo.
Adenízia já era mesmo. Já deu na seleção, só clube agora. Nada mais a comentar.

Paulo Roberto disse...

O grande problema da Adenízia é ficar tanto tempo com o mesmo técnico. Já era pra ela estar num outro patamar, incomodando a titularidade na seleção da Fabiana ou Thaísa. Falo isso porque via um ótimo potencial nela. Entretanto, o rendimento dela caiu desde a virada de turno da temporada 2013/14 e coincidentemente, depois que o ZRG a substituiu no último jogo da Copa dos Campeões em 2013 quando era uma das melhores em quadra.

Enfim, quando terminou a última temporada pensei que ela fosse querer viver novas experiências, quem sabe até no exterior pois, vinha de boas temporadas, nas quais vinha dividindo com a Thaísa a liderança em bloqueios. Acho que ela se acomodou nessa identificação com Osasco e perdeu a chance de se tornar uma grande central. Tomara que ainda haja tempo.