O trio que deu o Bi ao Rexona

Rexona 3x1 Molico/Osasco

O Sul-americano é um campeonato de uma partida só, infelizmente. As equipes brasileiras jogam a semana inteira para cumprir tabela e se preparar para a final. Receei que essa diferença de qualidade entre os jogos classificatórios e a decisão pudesse prejudicar o desempenho de Molico e Rexona. Mas os times até que fizeram uma boa final, revivendo, em parte, a rivalidade de Rio e Osasco que estava meio fora de moda ultimamente.

Para se fazer uma análise mais justa, tem que se considerar somente o segundo e terceiro sets, pois mostraram “a real” de cada equipe. E neste miolo da partida, o Rexona foi superior em 3 aspectos, que o levaram ao bi do campeonato:

- Poder de definição no ataque. Depois de um primeiro set ruim, a Natália voltou pontuando e variando o seu ataque, dando segurança na definição das jogadas ao time. A Gabi, apesar da má atuação na recepção, explorou muito bem o bloqueio pesado do Osasco.

A Andreia iniciou o segundo set como titular e virou com facilidade as primeiras bolas, que ajudaram o ataque carioca a recuperar a confiança. Não foi a principal atacante, mas não desperdiçou bolas e manteve o bom nível de aproveitamento do trio pelas pontas.

O mesmo não se pode dizer do Osasco, que ficou meio capenga neste sentido. Mari atuou bem como oposto (e espero que permaneça como titular), mas Gabi não colaborou e Carcaces, ainda que a principal pontuadora, deu pontos importantes em erros.

- A distribuição do ataque foi mais homogênea e inteligente por parte da Fofão. Enquanto a levantadora carioca conseguiu, a partir do segundo set, colocar cada vez mais suas centrais na partida, o Osasco foi, aos poucos, esquecendo as jogadas com as centrais. Para mim, a qualidade do passe não é desculpa, pois nenhuma das equipes teve uma recepção regular. Acho que a Dani Lins foi perdendo a confiança, assim como todo o time, ao longo da partida e deixou de forçar estas bolas tão importantes para o Osasco.

Desencucado com a opção de ataque pelo meio, o bloqueio do Rexona, que estava preso à possibilidade dessas bolas, cresceu e equilibrou a disputa em um fundamento no qual, até então, o Osasco tinha vantagem.

- Defensivamente o Rexona foi melhor. Foi um time mais atento e, também, mais organizado na armação dos contra-ataques. Fabi fez uma grande partida junto com a Fofão e a Natália. O Molico parecia mais lento na reação para a defesa, além de bobear nas largadas da Natália. Acho que a presença da Mari fragiliza o time neste ponto. 



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Admito que o primeiro set avassalador quase me fez acreditar que a final do Sul-americano representaria o renascimento do Molico na temporada. Não foi. O time mostrou ainda algumas fragilidades que preocupam – principalmente na questão anímica, é um time que acusa o golpe muito fácil.

Mas o Osasco não está longe de recuperar sua combatividade. Os retornos de Dani Lins e Thaísa ainda podem render muito mais e trazer o time mais próximo daquilo que sempre o caracterizou, de ter uma jogada forte pelo meio.

Acho também que o Luizomar encontrou a formação ideal do time, com Gabi e Mari ao lado Carcaces, e deve bancá-la. Chega de troca-troca. Para o Luizomar, ultimamente, esta é a única saída quando o time vai mal, e não é. Hoje mesmo no início do quarto set, quando o Osasco foi bloqueado uma bola atrás da outra, ele fez trocas simples (Mari pela Ivna; Adenízia pela Lara) quando o problema não estava na definição e sim na armação e opção das jogadas – o que uma simples orientação ajudaria. Se quisesse trocar jogadoras, que fizesse uma inversão. 

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No caso do Rexona, é um time com potencial para crescer muito mais. Parte deste crescimento passa por uma melhora na recepção. Até agora o time tem se valido demais da competência da Gabi e da Natália no ataque, mas desperdiça duas boas opções com a Jucy e a Ana Carol quando o passe não funciona legal. 

Além disso, há um ponto de interrogação na posição de oposto que tem pesado contra o time. Bruna não anda bem e Andreia voltou há pouco para brigar pela posição. O Rexona não precisa de uma oposto carregadora de piano, mas ao menos alguém que divida a responsabilidade com a Natália e a Gabi e segure as pontas quando uma das duas não está bem. 

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A gravidez da Tandara

Quando a gente comenta um assunto como esse, podemos sempre ser um pouco insensíveis. Por isso, já peço desculpas se meu comentário se ativer mais as consequências esportivas da gravidez da Tandara do que às humanas e afetivas.

Efetivamente, o afastamento da Tandara não vai afetar a seleção. A trajetória da jogadora no time nacional tem sofrido com tanta falta de sequência que, desde 2012, não sabemos o quanto, objetivamente, ela contribui. Até agora, por diversos motivos, a Tandara dos clubes não apareceu na seleção.

Portanto, no presente, faz pouca diferença. O que se pode lamentar é o potencial que, mais uma vez, não poderá ser desenvolvido na seleção. Era mais uma chance que ela tinha de, quem sabe, finalmente, lutar pela titularidade com a Sheilla ou a Garay ou quem fosse. Talvez, num futuro pós-Rio 2016, isso sim faça falta para o Brasil.

Comentários

Eduardo Araujo disse…
Oi gente finalmente um poste, parece que o pessoal anda desmotivado com o vôlei.
Mas falando de vôlei, vejo vários problemas para o Osasco, vamos por partes.
Os participantes Brasileiros dessa competição que é uma piada, o formato devia ser igual o mundial de clubes de futebol, os amadores se matam entre si e os dois melhores fazem a semi final com os times bons.
Mas já que os times brasileiros tem que jogar, o Osasco fez a maioria das partidas com o time titular, a desculpa era para pegar um entrosamento melhor, como se isso fosse possível com times que nem conseguem devolver o saque, o treino entre titulares e reservas é mais difícil, afinal 25 a 4 não é jogo de vôlei.
E mesmo assim o Osasco não teve a seleção do campeonato, a Dani Lins uma jogadora de 7 pontos, ser eleita a melhor levantadora é obrigação!!
Mas não adianta ser eleita a melhor da competição e na hora que realmente importa, não jogar nada, uma jogadora de 7 pontos tem que fazer a diferença.
Não vem me falar que a culpa é da Thaisa e da Ade que não estão pedindo bola, a levantadora é o cérebro do Time, ela que tem que colocar as jogadoras para jogar.
Oq eu vi hoje foram bolas lentas, levantamentos errados tanto no meio como nas pontas, obrigando varias vezes as jogadoras largarem ou ficarem em cima do bloqueio.
Jogadora de 7 pontos tem que fazer a diferença!!! não vem falar que a o passe não esta 100%, qualquer levantadora joga com passe 100% na mão.
Ate agora não mostrou a que veio, começou a SL de uma forma péssima, depois se machucou e agora voltou e ainda esta jogando como uma jogadora de 3 pontos.
Pegamos uma jogadora de 7 pontos, por causa disso perdemos a jaqueline e ate agora nada demais da GRANDE DANI LINS.
A unica coisa positiva dessa derrota humilhando, principalmente esse 4 set, foi que a Mari voltou a jogar.
Paulo Roberto disse…
O erro do Molico, insisto, foi na montagem do elenco. Uma levantadora de nível de seleção não pode ser tão dependente da qualidade do passe como é a Dani Lins. E ontem, mesmo no melhor momento do Molico que foi o 1º Set, ela não jogo com as centrais. Foram escassas as bolas pra Thaisa e Ade.
A formação inicial parece mesmo ser a mais indicada diante de um elenco como o que o Luizomar tem a disposição. Espero que ele pare com o troca-troca que vem marcando essa temporada do Molico possa apostar de vez no time que começou o jogo ontem e, espero que para o bem do projeto a CT seja trocada ao fim da temporada.
Quanto ao Rexona é mais uma demonstração da genialidade do Bernardo. Fico extrmamente feliz em ver a Fofão ainda jogando em alto nível. Infelizmente vai passar vergonha no Mundial por causa das limitações da CBV que não permite que times de ponta sejam formados no Brrasil