De volta com o Paulista

Admito: a ressaca após o bronze brasileiro no Mundial durou muito tempo no Papo. Acontece que tive uns dias de férias (provavelmente, mais do que as selecionáveis) e, depois, uma viagem a trabalho que me deixaram afastada do blog.

Mas hoje consegui voltar ao vôlei assistindo à primeira partida da final do Paulista. 
A novidade da decisão deste ano é que, ao lado do Molico/Osasco, está o São Cristóvão Saúde/São Caetano.

Novidade sim, surpresa não. Ora, o adversário do Sanca nas semifinais foi o Sesi que, pelo que li, continua aquele mesmo time inconstante, comandado pelo indeciso Talmo, que muda frequentemente a escalação. Que me desculpem os torcedores e atletas do Sesi, mas mesmo o histórico recente de conquistas do time paulistano (título Sulamericano e vice da Superliga) não tornou a equipe confiável.

Assim, não é surpreendente que um time como o Sanca, que conta com a competência do Hairton Cabral, tenha chegado à final. E fico feliz com esta conquista. O Sanca faz um ótimo trabalho no vôlei, dando espaço para jogadoras jovens e sempre se fazendo presente na Superliga com equipes competitivas dentro daquilo que seu orçamento permite. Sem falar, novamente, no Hairton, que merece, assim como o time, uma recompensa pelo trabalho que tem feito nos últimos anos. 
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Bom, vamos chegar ao ponto: a primeira partida da final do Paulista, Molico 3x0 São Caetano.

É engraçado que o Sanca tenha entrado com tanto peso nas costas para esta decisão. Tenso, não soube lidar com uma responsabilidade que nem deveria ser dele. O único que tem algo a perder nesta final é o Molico.

O Sanca se sentiu muito pressionado pela excelente marcação de bloqueio do Osasco. Só conseguiu se libertar quando ele respondeu à altura, mas de forma diferente, complicando o passe do Molico.

Este vai ser o principal problema do time do Luizomar nesta temporada, como já havíamos comentado quando o elenco foi fechado. Carcaces é, ao mesmo tempo, o ponto mais forte e o mais frágil do time.

O seu volume de ataque é essencial para uma equipe que tem uma oposto tão pouco consistente como a Ivna. Mas sua fragilidade no passe compromete o andamento do time algumas vezes na partida.

Mas ela também não tem companhias lá muito animadoras na linha de passe. Já conhecemos a dificuldades da Mari neste fundamento. Ela perdeu lugar para a Samara, que, entre as opções, é a melhor saída para Luizomar. Mas a Samara ainda precisa ser testada. Ainda não se sabe bem como ela vai reagir na recepção quando pressionada.

Uma pequena amostra ela deu hoje, e não foi positiva. Ela se perdeu em certos momentos no passe, se mostrando ainda insegura. No fim, acho que o Molico vai enfrentar o mesmo problema da temporada passada: Luizomar vai continuar achando que a Gabi faz alguma diferença na recepção e haverá constantes trocas entre as ponteiras/oposto. 
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Voltando à final... 
Gostei da qualidade da partida a partir do segundo set. O equilíbrio esteve mais baseado nos resultados das estratégias de jogo de cada equipe do que de erros. De um lado, o Molico com o jogo do adversário bem estudado e marcado; do outro, o Sanca pressionando no saque a linha de passe osasquense.

O que fez a diferença foram os recursos individuais do Molico. Carcaces e Thaisa fizeram a diferença para o Molico nas horas decisivas dos sets.

Enfim, o mais legal é que a final teve cara de decisão mesmo: clima quente, torcidas presentes e envolvidas no jogo, e ainda uma rivalidade particular entre Mara e Thaisa, que deu um tempero a mais à decisão.

A missão do Sanca, que já era complicadíssima antes de começar esta final, agora ficou ainda pior. Fica difícil o título escapar das mãos do Osasco. Mas espero que, ao menos, tenhamos um replay do que vimos nos dois últimos sets da primeira decisão.

Comentários

Welmer Sales disse…
Muito legal ver o São Caetano na final Time muito voluntarioso e que conhece suas limitações, mas que se esforça ao máximo, sempre buscando endurecer as partidas contra os times mais fortes.

Essa partida foi uma partida muito boa para se assistir. Embora a equipe de São Caetano tenha começado titubeante, a partir do segundo set as meninas melhoram e endureceram a partida com Osasco. O clima dentro de quadra era de decisão mesmo, jogadoras com ânimos exaltados e muita provocação, e Thaisa e Mara protagonizaram as ações nesse ponto e deixaram a partida ainda mais interessante. Uma pena que no terceiro set o Hairton tirou a Mara do cruzamento de rede com a Thaisa, o jogo poderia ser ainda mais quente.

Osasco ganhou pois tem jogadoras melhores e estas definiram o resultado. Carcaces e Thaisa podem desequilibrar e vão desequilibrar em um Superliga enfraquecida em relação a temporada passada. Acho que a equipe de Osasco melhor que o da temporada passada, pois mesmo que tenha problemas no passe, o time tem uma jogadora que ataca muito bem bolas altas e isso pode ajudar muito a equipe.

Pra finalizar, mesmo ficando fora da final do Paulista, fiquei bastante empolgado com a equipe do Pinheiros, um time jovem, que tem muito potencial e que pode enfrentar de igual pra igual times de maior investimento. Fiquei feliz também por poder ver Rosamaria jogando como titular, e ela mostrou ter muito potencial, acho que ela pode se desenvolver muito nas mãos do Wagão.

P.S. 1: nos últimos dias tenho lido muitos boatos sobre Jaque poder jogar no Pinheiros nessa temporada, ficaria muito feliz de poder vê-la jogando no Pinheiros, acho que ela cairia como uma luva nesse time e com ela no time o Pinheiros subiria um nível e se tornaria uma ameaça real aos favoritos.

P.S. 2: não sei se tu chegaste a ver, Laura, mas fiquei bem entusiasmado com as partidas da Garay e da Fabiola no Campeonato Russo, acho que essa temporada fará muito bem para ambas, mas em especial para Fabiola. Acredito que depois dessa temporada na Rússia veremos uma nova Fabiola.
Laura disse…
Oi, Welmer! Não, não tenho acompanhado o camp. russo. Tomara que vc esteja certo!

Sobre a Jaque, eu tenho ouvido falar que ela pode fechar com o Minas. Ela acrescentaria a qq time, afinal quase todos precisam de uma ponteira de qualidade. Mas, no caso do Pinheiros, para ele poder disputar em igualdade contra os favoritos, acho q depende tb da sua força de ataque, de como Renatinha vai responder durante a SL.
Aprendi a amar vôlei feminino por meio dos jogos Brasil x Cuba na década de 90. Desculpem-me, mas provocações tornam o clima quente, empolgante...rsrs...desde, claro, que tudo fique dentro da quadra! Fiquei admirado com as pancadas de Carcases! Bom Osasco term em seu plantel uma jogadora com a força e experiência dela. Em relação à recepção, deixaria a Samara como titular mesmo para ganhar confiança e experiência, e não ficaria no troca troca de ponteiras, como foi na superliga anterior.
Zé Henrique disse…
Tomara que vocês estejam errados em relação a Fabiola.
É que torço pela Dani Lins V.C. :-)