quinta-feira, 1 de maio de 2014

A triste realidade de cada temporada



E o Amil fugiu.

É triste, mas a verdade é que já estamos acostumados com a despedida de patrocinadores do vôlei a cada temporada. Ainda assim, a saída do Amil pegou todo mundo de surpresa – se até o Zé Roberto não sabia (Lula?), imagina a gente.

Aí pergunto – e me indigno – por que toda aquela palhaçada de passagem de cargo do Zé para o Paulo Cocco se o patrocinador sabia que não iria permanecer? Certamente a decisão não foi tomada de uma hora para outra. A Amil poderia ter saído de forma mais decente, sem enganar treinadores, jogadores e torcida. 

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Nessas horas é que vemos como nossa liga nacional é frágil. Esta saída do Amil em conjunto com a medida do ranking, que agora só possibilita a inclusão de duas jogadoras de 7 pontos por time, batem forte na qualidade da Superliga. Vamos viver novamente uma debandada de jogadoras do Brasil. Sheilla e Fabíola, ao que consta, são as primeiras.

Nosso campeonato está desamparado e não vejo atitudes da nossa Confederação para melhorá-lo. Está tudo nas mãos dos grandes clubes (e seus super patrocinadores) e da mídia. Para CBV, como bem mostraram as denúncias recentes, o que interessa é saber o quanto dá para tirar de dinheiro da Superliga e aproveitar para encher os próprios bolsos. Aí investe aqui e ali na seleção e no vôlei de praia, afinal são ótimas vitrines e o resto a gente sabe bem para onde vai...

O campeonato nacional precisa ser seriamente repensado e discutido. O vôlei não vai existir sem patrocínio. Ok, esta é a maior verdade de todas. Então, como trabalhar com esta realidade? Como minimizar esta dependência? Como evitar que a cada saída de uma empresa o vôlei se desestabilize? Como estimular que mais empresas se interessem pelo esporte?

Enfim, inúmeras questões que precisam ser debatidas antes que seja tarde demais. Temos um lindo cartão de visitas, as nossas seleções, mas, na verdade, nossa estrutura está apodrecendo. O esporte e seus bons resultados não vão se sustentar por muito tempo se não fizermos esta renovação interna. 


7 comentários:

Anônimo disse...

Olha acho que está na hora de uma liga independente, onde os atletas tenham o peso maior nas decisões da superliga. Está na hora das receitas adquiridas serem rateadas com as equipes, pra mim essa é a principal mudança que precisa acontecer. Da para o vôlei ser mais rentável se por exemplo a venda de direitos para tv paga, aberta e internet., sendo que não se pode uma mesma emissora obter dois contratos, quem comprou os diretos de tv aberta não pode participar da licitação da tv fechada .

Zé Henrique disse...

Laura disse tudo.
Só faltou dizer que Dani Lins vai ficar mais graciosa ainda com a sainha do Osasco. :-)
Zé Roberto "Lula" Guimarães. Rsrsrrsrsrs
Aliás, o PSBD estava querendo(ainda quer?) o Bernardinho para disputar o governo do Rio...
Acho que o Bernardinho poderia começar sua carreira de gestor/político pela presidência da CBV.
Tem competência, e boas intenções, para fazer as coisas melhorarem.
Como técnico ele já ganhou tudo.

Luiz Felipe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luiz Felipe disse...

Boa reflexão. Eu particularmente fico me perguntando as razões do sucesso de outras ligas pelo mundo e o que falta ao Brasil. A liga turca, por exemplo. Não estou nem falando de Japão ou Itália, países desenvolvidos, com boas ligas tb. A Turquia é um país de muitas semelhanças com o Brasil, em termos econômicos e sociais, e que mesmo sem seleções top, mantém talvez o melhor campeonato feminino da atualidade. A proximidade do país com a Europa e a Rússia certamente facilita em muito a atração das atletas para o país, mas não explica tudo. O que será que eles têm que a gente não tem? Patrocínios, TV, apoio da Confederação local? Fico curioso.

Paulo Roberto disse...

Como sempre digo é um realidade muito triste pro esporte coletivo mais vitorioso do país. Os grandes clubes e a CBV não tem interesse e não vão mudar nada enquanto seus lucros forem garantidos. Pra mim, os únicos que podem mudar essa realidade são os atletas, principalmente os selecionáveis. Sheilla parece que começou a entender o peso que seu nome carrega. Primeiro tem que fazer barulho, como elas estão fazendo e depois partir pra ação, quem sabe até com um boicote. Sei lá, mas alguma coisa precisa ser feita pra ontem.

Anônimo disse...

Luiz Felipe, dizer q a TURQUIA eh semelhante ao BRASIL foi demais!
Ou vc nao conhece o Brasil ou nao conhece a TURQUIA, OU NAO CONHECE OS DOIS!!!
Trabalho viajando e ja tive o prazer de estar na Turquia mais de uma vez, nao da p/ comparar a organizacao e o desenvovimento da Turquia com a desordem e o regresso do Brasil, alavancados pela corrupcao!

Luiz Felipe disse...

Anônimo, seja lá quem vc for, não se preocupe, conheço bem os dois países. Brasil e Turquia são economias emergentes com índices de desenvolvimento humano semelhantes. Isso que quis dizer. Os indices de percepção de corrupção são semelhantes tb. Evidentemente, a história e mesmo a religião de ambos países são bem diferentes, mas isso não explicaria a diferença entre as duas ligas. Pelo que vc dá entender, seria a "corrupção" e a "desordem" que torna a SL brasileira pior que a turca? Obrigado pelo esclarecimento, vc é genial.