Campanha regular?

Matéria Folha de São Paulo - 19/11/2011
 
Seleção feminina perde supremacia
Em 5º na Copa, Brasil iguala pior campanha da era Zé Roberto e vê EUA no topo do ranking
 
MARIANA BASTOS

Acostumado a conduzir suas equipes ao pódio, o bicampeão olímpico como técnico José Roberto Guimarães enfrentou uma de suas experiências mais amargas à frente da seleção feminina nesta Copa do Mundo, no Japão.
 
Teve que prorrogar o sonho de classificação para a Olimpíada de Londres-2012 e viu a seleção feminina ficar pela primeira vez sem uma medalha na Copa desde 1991.
 
A equipe brasileira até venceu a República Dominicana ontem por 3 sets a 0 (25/21, 25/10 e 25/17), em sua última partida no torneio, mas encerrou sua participação em um modesto quinto lugar.
 
Levando em consideração só a era Zé Roberto, que se iniciou em 2003, a campanha também foi desastrosa. Ao lado do Grand Prix de 2007, esta foi a pior colocação obtida pela seleção feminina em um torneio com o técnico.
 
Com Zé Roberto, a equipe ficou sem medalhas só em 15% dos torneios disputados.
 
Nos últimos quatro anos, permaneceu incólume na primeira posição do ranking, mas a supremacia chegou ao fim com o desempenho irregular na Copa do Mundo.
Vice-campeã, a seleção dos EUA superou o Brasil na lista feminina e é a nova líder.
 
O treinador brasileiro evitou fazer críticas duras à campanha de sua equipe. Atribuiu a queda de rendimento ao crescimento das rivais.
 
"Não diria que o desempenho foi ruim, e sim regular. Algumas equipes evoluíram, como é o caso da China, da Alemanha e da Itália, que não foram bem no Grand Prix. O Japão jogou melhor em casa. A Sérvia também me chamou muito a atenção", disse.
 
"O nível do feminino está muito equilibrado. Os próximos Jogos Olímpicos prometem ser os mais equilibrados dos últimos anos, mas vejo os EUA um pouco à frente das outras equipes", completou.
 
 
Zé Roberto lembrou também das dificuldades enfrentadas pela equipe devido à ausência de três jogadoras lesionadas -Natália, Jaqueline e Fernanda Garay.
 
E voltou a criticar duramente o sistema de pontuação da Copa, o mesmo que será usado pela primeira vez na próxima edição da Superliga.
 
Até 2010, vitórias em torneios internacionais valiam dois pontos, e derrotas, um. A partir deste ano, as vitórias por 3 sets a 0 e 3 a 1 valem três pontos. Em caso de 3 sets a 2, o vencedor ganha dois pontos, e o perdedor, um.
 
Nos dois sistemas, o Brasil encerraria a Copa em quinto.
"Você tem que ser Einstein para entender o sistema de pontos. Deveria ser claro, como no futebol", declarou.
 

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Eu não sei qual a dificuldade de entender o sistema de pontos da Copa do Mundo. Talvez ele não fosse necessário nesta competição como será na Superliga, para tentar equilibrar o campeonato. De qualquer forma acho simples e justo.

Isso não apaga a campanha ruim da seleção brasileira. O Zé Roberto pode querer amenizar a situação, dizendo que 8 vitórias e 3 derrotas é um desempenho regular. Não é. Pode ser para a Alemanha, o Japão, para o Brasil é ruim.

Temos que, mais do que olhar para os números, avaliar a atuação brasileira, que foi péssima. Entendo a precaução do Zé ao analisar a seleção, tentando valorizar os adversários e evitando criticar o Brasil. Mas as declarações dele têm dado a impressão de que ele não viu a mesma Copa do Mundo que nós.

Se as declarações são só formas de não criar uma crise, tudo bem. Porém, se ele realmente acha isso, é para se ficar preocupado com o futuro da seleção...

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