A Sérvia veio para ficar

Hoje aconteceram as finais dos campeonatos Europeu e do Sul-americano. E não poderiam ter sido mais diferentes. Enquanto Alemanha e Sérvia fizeram um jogo disputadíssimo, vencido pelas sérvias somente no quinto set, o Brasil conquistou com facilidade o seu 17º título continental.

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A edição deste ano do Europeu foi bastante significativa. Primeiro porque é raro que as duas principais equipes do continente, Itália e Rússia, não estejam entre os 3 primeiros do Europeu.

Assim deixou clara a decadência da Itália. Apesar da Rússia ter caído nas quartas-de-final, o time russo costuma dar esses tropeços e, mesmo assim, não deixar de ser um grande adversário. Além disso, não sofre os problemas estruturais que a Itália passa para montar seu time.

E outro motivo que torna o Europeu deste ano especial é que lançou uma seleção como séria candidata a ser protagonista das próximas competições mundiais. Falo da Sérvia, claro.

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A Alemanha e a Turquia fizeram grande campeonato. O time turco foi a surpresa, sob o comando do brasileiro Marco Aurélio Mota. Além da sempre eficiente Darnel, o time tem a jovem Özsoy que ajuda a dividir o peso de carregar o ataque turco.

Já a Alemanha, após a campanha pífia do GP, conquistou com um vôlei de qualidade a medalha de prata no Europeu. O time ganhou com a volta da Grun e conta com Furst e Kozuch em ótima fase. O problema é a falta de estofo, consistência e maturidade para “bancar” as suas conquistas. Aconteceu isso no GP e na final de hoje, quando perdeu o quarto set de virada, depois de uma pane do time. É o clássico “medo de ganhar”.

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A Sérvia, pelo contrário, parece não sofrer desse problema. É um time com personalidade e com recursos que vão além da força ofensiva. Conta com uma com boa levantadora e bom sistema defensivo. Na final, mostrou não ser dependente da oposto Brakocevic.

Apesar da qualidade que tem, a Sérvia não fez um grande jogo tecnicamente na final. Mas demonstrou ser um time com estrela, com espírito vencedor.

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Sei que o campeonato Europeu costuma trazer surpresas. Seleções que alcançam resultados excelentes e fazem grandes atuações no Europeu, mas que, ao disputarem torneios de nível mundial, sucumbem às equipes tradicionais. Holanda, Polônia, Turquia, Alemanha e a própria Sérvia já passaram por isso. Mas desta vez, acredito que a Sérvia tenha vindo para ficar.

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