Hegemonia se vai, e base preocupa CBV

(matéria publicada domingo, na Folha de São Paulo)

Entidade quer rever formação da geração que passou em branco em Mundiais pela 1ª vez desde 1999

MARIANA BASTOS
DE SÃO PAULO


O vôlei brasileiro perdeu a hegemonia nas categorias de base. Pela primeira vez desde 1999, o Brasil encerrou o ano sem um título mundial.
O fim da supremacia preocupa técnicos e a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) em relação às futuras gerações de jogadores que defenderão o país nas Olimpíadas de 2016, no Rio, e de 2020.

No feminino, a equipe infantojuvenil terminou em sexto, e a juvenil foi vice.

No masculino, a situação é ainda mais crítica. O time sub-21 ficou em quinto. Já o sub-18 foi eliminado logo na primeira fase e pode terminar no máximo em nono no Mundial, que se encerra hoje.

As campanhas atuais são pífias se comparadas às dos últimos dez anos. Em 2009, por exemplo, o Brasil ergueu dois troféus (no infanto feminino e no juvenil masculino).

Em 2001, o país atingiu o ápice, com três títulos mundiais na base (dois no masculino e um no juvenil feminino), além de um vice no infanto feminino. Dessa geração, as seleções adultas herdaram Murilo, Leandro Vissotto, Jaqueline, Paula Pequeno, Sheilla e Sassá.

"Desde 2000, tivemos um excelente desempenho em Mundiais de base. Conquistamos 18 medalhas, sendo 11 de ouro, cinco de prata e duas de bronze. Neste ano, usamos o mesmo método de trabalho. Por isso, algo aconteceu", diz Ary Graça, presidente da CBV, via assessoria.

O dirigente conta que vai organizar um seminário com todos os técnicos e os supervisores das seleções de base. "Vamos avaliar o que deu errado e propor melhorias para retomarmos a hegemonia."

MOTIVOS DO FIASCO
Para os técnicos das seleções de base, há fatores internos e externos que explicam o fiasco brasileiro em 2011.

"O Brasil tinha vantagem antes em relação aos adversários porque se preparava mais para os Mundiais, mas os outros países copiaram isso. Atualmente eles investem tanto ou mais que a gente na base", diz Maurício Thomas, técnico do infanto feminino.

Na categoria, a campeã mundial foi a Turquia, que revelou a central Akman, de 16 anos e 1,92 m. A atleta já treina com a seleção principal.

"Hoje, a vantagem é dos outros times, porque, principalmente as seleções europeias, têm um biótipo melhor que o nosso", afirma Thomas.

Leonardo Carvalho, treinador da seleção masculina juvenil, ainda atribui a queda de rendimento na base a problemas de dentro do país.

"A estrutura dada às seleções de base é boa, mas há poucos clubes que fazem um bom trabalho no mirim e no infantil. Os atletas acabam jogando muito pouco", conta o treinador. "Em campeonatos regionais e nacionais das categorias infanto e juvenil, o nível técnico vem caindo."

Para Luizomar de Moura, técnico da seleção feminina juvenil e do Osasco, a situação preocupa, mas não chega a comprometer o futuro do vôlei brasileiro. "Lógico que todos nós ficamos tristes, até porque não é normal perder, pelo histórico que temos. Mas o objetivo das seleções de base, mesmo não vencendo, está bem encaminhado."

A categoria juvenil masculina, por exemplo, já rendeu um bom fruto. Ontem, o destaque da sub-21, Ricardo Lucarelli, estreou pela seleção principal no amistoso contra o Japão, no Rio. O Brasil venceu por 25/20, 25/19 e 25/22.

Desde revés de 2010, país caça gigantes


Após o Mundial adulto feminino de 2010, quando o Brasil perdeu para a Rússia na final, a CBV ligou o sinal de alerta. As russas tinham uma média de altura bem superior à das brasileiras.

Segundo Maurício Thomas, técnico da seleção feminina infanto, a confederação o orientou a formar atletas de maior estatura. "No caso do infanto, já estamos investindo em atletas com biótipo mais alto para a Olimpíada de 2016."

Mas, segundo ele, a nova estratégia acabou custando a vitória no Mundial infanto. O Brasil, cuja média de altura de 1,82 m é alta para a categoria, ficou em sexto.

"A mescla das altas com as baixinhas é a receita de sucesso nessa categoria. As melhores atletas desse Mundial não eram altas. Mas, no futuro, as grandonas vão ser mais bem aproveitadas."

"Esta geração [da base] é alta e, certamente, continuará contribuindo para o vôlei brasileiro", diz Ary Graça, presidente da CBV.

Comentários

Anônimo disse…
Ano passado foi o sexto lugar no Mundial Infanto 2011, este ano, a mesma comissão técnica fica em vice na final do Sul Americano Infanto feminino, perdendo para o Perú.

Vamos contextualizar essa derrota... Cerca de 14 seletivas de janeiro a junho de 2011, mais de 200 meninas observadas em todo país, notícias de que haviam mais de 50 meninas com perfil internacional, 20 meninas selecionadas até ficar as 12 escolhidas "pela comissão técnica", 6 meses de treinos em Saquarema em tempo integral, amistosos na Europa e no Brasil, etc.



Todas as 12 jogadoras selecionadas são as melhores em seus Clubes/Estados de origem, a maioria talentosa, evoluídas tecnicamente, e foram indicadas pelos respectivos técnicos que as treinam desde que começaram no voleibol. Me parece que se chegaram onde estão é porque muitos desses predicados, buscados pelo técnico Thomas, elas já possuíam..



A derrota na final significou tb a quebra de uma hegemonia de 14 Campeonatos de base infanto(cerca de 30 anos) seguidos conquistados pelo Brasil.



Agora, lendo essa reportagem do site da Globo Esporte, descobri que a culpa foi do "ginásio lotado do Perú que fez pressão nas meninas do Brasil"... Será que nas 14 edições anteriores o ginásio estava vazio?? As outras desculpas eu nunca tinha ouvido falar, o que mostra pelo menos criatividade, que é questão cultural, talvez seja o mundo que elas vivem (a comissão técnica vive em um mundo diferente??) e a pérola das justificativas foi culpar os pais pela "super proteger" suas filhas.


http://globoesporte.globo.com/esporte-estudantil/noticia/2012/12/tecnico-da-selecao-brasileira-de-base-observa-atletas-no-volei-em-cuiaba.html



"Todos tem culpa" e seria tão bacana se a comissão tb assumisse sua parcela nesse caso, afinal são 12 jogadoras escolhidas por eles, e todas com emocional fraco com pais que as super protegem? Que tal dizer que talvez o trabalho não tenha sido adequado, talvez alguns problemas de última hora fugiu ao controle tipo contusão, ou mesmo que o Perú fez um trabalho de aprimoramento e mudanças melhor que do Brasil? Se eles ganharam me parece que algo eles fizeram melhor do que essa comissão técnica. Nossa população é bem maior que a do Perú, assim como duvido muito que eles tenham tido a grana que foi gasta com toda essa preparação bem como a oportunidade/possibilidade de observar 200 jogadoras!



Se não ganhamos o Sul Americano que tem um nível técnico e físico bem inferior as grandes seleções de base da Europa, USA e Ásia, como fica o Mundial ano que vem?? Vai dar tudo certo e o ginásio não vai estar lotado e a comissão técnica vai "achar" 12 meninas perfeitas que os "pais não super protegem"??
Anônimo disse…
Este ano a história se repete, com a mesma comissão técnica, perdendo para o Perú na final do Sul Americano Infanto feminino.

Vamos contextualizar essa derrota... Cerca de 14 seletivas de janeiro a junho de 2011, mais de 200 meninas observadas em todo país, notícias de que haviam mais de 50 meninas com perfil internacional, 20 meninas selecionadas até ficar as 12 escolhidas "pela comissão técnica", 6 meses de treinos em Saquarema em tempo integral, amistosos na Europa e no Brasil, etc.



Todas as 12 jogadoras selecionadas são as melhores em seus Clubes/Estados de origem, a maioria talentosa, evoluídas tecnicamente, e foram indicadas pelos respectivos técnicos que as treinam desde que começaram no voleibol. Me parece que se chegaram onde estão é porque muitos desses predicados, buscados pelo técnico Thomas, elas já possuíam..



A derrota na final significou tb a quebra de uma hegemonia de 14 Campeonatos de base infanto(cerca de 30 anos) seguidos conquistados pelo Brasil.



Agora, lendo essa reportagem do site da Globo Esporte, descobri que a culpa foi do "ginásio lotado do Perú que fez pressão nas meninas do Brasil"... Será que nas 14 edições anteriores o ginásio estava vazio?? As outras desculpas eu nunca tinha ouvido falar, o que mostra pelo menos criatividade, que é questão cultural, talvez seja o mundo que elas vivem (a comissão técnica vive em um mundo diferente??) e a pérola das justificativas foi culpar os pais pela "super proteger" suas filhas.


http://globoesporte.globo.com/esporte-estudantil/noticia/2012/12/tecnico-da-selecao-brasileira-de-base-observa-atletas-no-volei-em-cuiaba.html



"Todos tem culpa" e seria tão bacana se a comissão tb assumisse sua parcela nesse caso, afinal são 12 jogadoras escolhidas por eles, e todas com emocional fraco com pais que as super protegem? Que tal dizer que talvez o trabalho não tenha sido adequado, talvez alguns problemas de última hora fugiu ao controle tipo contusão, ou mesmo que o Perú fez um trabalho de aprimoramento e mudanças melhor que do Brasil? Se eles ganharam me parece que algo eles fizeram melhor do que essa comissão técnica. Nossa população é bem maior que a do Perú, assim como duvido muito que eles tenham tido a grana que foi gasta com toda essa preparação bem como a oportunidade/possibilidade de observar 200 jogadoras!



Se não ganhamos o Sul Americano que tem um nível técnico e físico bem inferior as grandes seleções de base da Europa, USA e Ásia, como fica o Mundial ano que vem?? Vai dar tudo certo e o ginásio não vai estar lotado e a comissão técnica vai "achar" 12 meninas perfeitas que os "pais não super protegem"??