Atuação de gala... norte-americana

E o nono título do GP para o Brasil foi mais uma vez adiado. Numa partida em que nada deu certo para seleção brasileira, os Estados Unidos brilharam e venceram, com todo mérito, seu quarto título da competição.

Cheguei até a escrever que o Brasil, nesta final, retrocedeu à fase de classificação. Mas não acredito que seja o caso. O Brasil não retrocedeu, ele sequer entrou em quadra. Foi daqueles dias “não”, em que a história começa mal e não há jeito de consertá-la.

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A seleção brasileira repetiu o início de partida que fez contra a Rússia. A diferença é que, depois do começo nervoso e de muitos erros, o Brasil não conseguiu se encontrar e fazer o seu jogo.

Os EUA até deram uma chance às brasileiras no primeiro set, cometendo erros demais. Mas no restante do jogo, as norte-americanas comandaram a partida e não deram nenhuma brecha para a recuperação brasileira.

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Os EUA também repetiram a atuação que tiveram nas semifinais contra a Sérvia. Saque agressivo, variação de ataque e, principalmente, forte marcação do bloqueio e defesa. Esse trio, saque, bloqueio e defesa, minaram o ataque brasileiro. Mérito dos EUA e do técnico Hugh McCutcheon, que “engoliu” o Zé Roberto. 

O Brasil não conseguiu aplicar qualquer estratégia. Ou melhor, a única que aplicou, a de sacar na líbero Davis, deveria ter sido repensada durante a partida.

Com o passe na mão, Berg fez o que quis e nosso bloqueio “dançou” a maioria das vezes. E quando não foi driblado, Logan Tom – numa partida sensacional  - vencia o bloqueio com inteligência e habilidade.

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Enquanto o ataque norte-americano fluía, o nosso penava. Nenhuma jogadora se salvou da forte marcação do adversário. Por isso, acho injusto reclamar da distribuição da Dani Lins. 

Sim, ela por vezes insistiu na jogada com a Garay. Faltou, novamente, a tranqüilidade e a clareza de enxergar o jogo de fora, sem entrar no clima de nervosismo da equipe. Mas acredito que esse é um problema que a Fabíola também possui. 

E no que se refere à distribuição, a situação brasileira estava complicada, até mesmo para as centrais. É fácil dizer que ela deveria ter usado mais as jogadas com as meios-de-rede, mas a realidade é que as mesmas eram bloqueadas seguidamente ou não eram eficientes. 

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No fim, o que faltou foi paciência e qualidade para o Brasil ir trocando a bola até conseguir pontuar. Acho que também faltou ousadia ao Zé Roberto. Na situação terrível que a partida estava, ele poderia ter saído da clássica opção pela inversão 5 e 1 e ter mexido no time de forma mais agressiva. A Tandara, por exemplo, não precisava ter substituído a Sheilla, poderia ter entrado como ponteira passadora. 

De qualquer forma, não acredito que fizesse grande diferença. Não foi mesmo um bom dia para o Brasil. Por isso, nada de fazer terra arrasada. Deve-se reconhecer a grande atuação dos EUA, mas a seleção que entrou em quadra hoje não é a verdadeira seleção brasileira.

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