O Brasil por Zorzi

 
Pessoal, estava lendo outro dia o blog do ex-jogador Andrea Zorzi, no site da FIVB, e encontrei uma análise bem interessante que ele escreveu sobre o time feminino do Brasil. 
 
A crítica foi feita após o jogo contra a Holanda, no GP. Coloco aqui somente o trecho da análise, mas quem quiser conferir todo o texto pode ir no site http://2009wgpfinal.splinder.com/.

Obviamente estava escrito em inglês e eu fiz a tradução. Perdoem os erros na passagem para o português, mas acho que a essência do texto será bem compreendida.
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" (...)
O que me impressionou foi a suavidade e a naturalidade com as quais as atletas brasileiras sempre reagem às dificuldades. Elas mantêm-se focadas em evitar o desperdício de energia e continuam a jogar de forma inteligente mesmo quando o jogo torna-se bem difícil.
Acho que esta atitude positiva é o resultado das habilidades individuais -, técnica e tática – e, acima de tudo, os bons hábitos desenvolvidos.

Permitam-me usar a definição de 'hábito' utilizada na psicologia: “atividades que você faz sem pensar, que consomem menos energia do que outras pois você não tem que gastar tempo motivando-se para fazê-las.”

No vôlei bons hábitos são fundamentais e o Brasil tem muitos. Elas têm a clara idéia de como querem jogar.

O Brasil não é o melhor time no mundo somente porque a distribuição de jogo é mais rápida ou porque o bloqueio é mais eficiente (embora atue de forma excelente nestes fundamentos).

O Brasil é a melhor equipe porque consegue jogar em um bom nível sem gastar muita energia. Tem tantos bons hábitos que, na maioria das vezes, naturalmente e aparentemente sem esforço fazem a escolha certa.

Quero deixar esta ideia clara com o seguinte exemplo:
 
Recentemente eu escrevi que gosto do esforço que o time Russo tem feito para melhorar sua defesa. Durante as três primeira partidas elas obtiveram êxito, mas hoje, num jogo difícil contra a Alemanha, elas perderam o foco e voltaram a sua velha atitude. Isto aconteceu porque elas ainda têm que pensar em todo o processo de melhorar a sua defesa, pois a mudança ainda não está fixada na cabeça. (...)”

Depois ele finaliza dizendo que, por estes motivos, o Brasil está a frente das demais equipes.

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Gostei muito do comentário dele. É uma observação que não tinha passado pela minha cabeça. O mais curioso é o Zorzi observar isso em um momento em que o Brasil está abaixo de suas capacidades. Certamente esta característica brasileira era mais visível em outros anos, principalmente ano passado.
 
Ele faz outros comentários positivos sobre o Brasil que nós, como torcedores, não notamos. Enquanto pegamos no pé da nossa seleção, Zorzi enaltece algumas qualidades. Nada como pontos de vistas diferentes...

Comentários

Anônimo disse…
Mas por traz do hábito (tem q existir uma boa escola na categoria de base do vôleibol), e também tem q existir TALENTO, senão não tem como acontecer, o hábito é aquela informação q fica armazenada no subconsciente, como andar de bicicleta, aprendemos na infância, podemos ficar anos sem pedalar, mas se hj, tivermos q pegar uma bicicleta vamos conseguir. Mas, em outras palavras, o q ele quis dizer é q apartir do momento q um obstáculo não se torna mais um problema q precisamos coscientemente pensar para resolver é porque já conseguimos desenvolver o tal do hábito.

Pra mim, uma das jogadoras q mais me chama atenção pelo talento é a Sassá, a facilidade como ela passa, defende, ataca e saca é impressionante, a Sassá definitivamente é uma craque.

Agora, quanto a não desperdiçar energias desnecessariamente, isso no meu ver, é uma questão de consciência tática, vôleibol é um esporte q quanto menos vc erra, maior a chance de vc vencer. eX; o passe foi ruim? o levantamento foi pior? passa a bola pro outro lado porque:, 1 - O adversário pode errar 2- Podemos garantir no nosso bloqueio 3- e temos defesa pra consertar e repetir toda jogada novamente de forma q seja digna de propiciar a um ataque adequado.

ps: Mas uma partida com dois times de alto nível técnico e de força, não arriscar numa jogada de contra-ataque pode ser uma estratégia muito arriscada.
Edson disse…
O Brasil jogou "pro gasto" nesse Grand Prix. Em nenhuma partida, exceto a contra Alemanha no Rio, a seleção mostrou um vôlei de encher os olhos, e mesmo assim foi campeão invicto. Das duas uma, ou as outras seleções estavam muito fracas ou o Brasil foi competente pra ganhar mesmo não jogando o máximo que poderia. Eu acredito piamente na segunda alternativa.

Esse time tem uma qualidade que me agrada imensamente, mesmo não jogando bem, vence. Na hora H elas mostram porque sõ as melhores. Os ties vencidos mostram isso. Em muitos momentos vimos Mati, Thaísa, Fabiana... apagadas, mas na hora que a seleção mais precisou elas não se esconderam. Jogaram como campeãs que são.

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Esse Final Four não será "mamão com açúcar" como parece. Teremos uma seleção peruana embalada por sua fanática torcida, os EUA com um time renovado mas que tem bons valores e a sempre perigosa contra o Brasil R. Dominicana. Será uma boa oportunidade para vermos essas "novatas" em ação de fato.
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Quando o SuperPaulistão vai começar? Até agora vi jogos fracos e sem torcida. No interior pode até sendo um sucesso, mas na capital é um fiasco. Os jogos do "Super Pinheiros" no masculino levou tanta gente ao ginásio quanto o mediano Pinheiros/Mackenzie. Espero que as olímpicas deeem um jeito nisso. Quarta tem Osasco x Blausiegel, com todos os desfalques do Osasco, acho que dá Blausiegel.
Anônimo disse…
Se a desculpa pela Dani Lins é entrosamento, eu espero que ela vá e jogue um Final Four PERFEITO, pois, apesar de só ter time furreca, terá a oportunidade de jogar somente com todas as jogadoras que jogou a vida toda, já que a Mari e a Sheilla não estarão. Será que algum canal de TV transmitirá?
Anônimo disse…
Pra mim, o tal “hábito” vem do fato destas jogadoras serem treinadas pelos técnicos mais vitoriosos do voleibol brasileiro. Pois vejam: a base da SFV é composta, em sua maioria, por jogadoras das equipes de RJ e Osasco, por isso digo q esta evolução técnica e tática é fruto dos trabalhos desenvolvidos nestes clubes.

Por exemplo: no RJ do Sr. Bernardo, os treinamentos não dispensam aqueles “canhões” atirando pra tudo qto é lado. Não é a toa q eles possuem Fabí, considerada a líbero nº 1 do país. Já a Fabiana é um outro exemplo de jogadora q desenvolveu muito de sua potencialidade e porque não dizer “mentalidade” de jogo, praticamente após passar pela equipe do RJ. E hoje tá aí, ganhando títulos de melhor bloqueadora e, quem diria, melhor ATACANTE em torneios dificílimos como GP e tal.

Antigamente, uma central ganhar um torneio como maior pontuadora era praticamente uma utopia. E qdo a equipe do RJ perdeu suas melhores atacantes de ponta, o Bernardinho logo tentou “compensar” o volume de jogo centrando a responsabilidade da bola de segurança nas centrais (isto qdo ainda contava com Thaísa em seu elenco). Em minha opinião, o jogo das “melhores” centrais do Brasil cresceu muito e se desenvolveu praticamente por lá.

Já pela equipe de Osasco, o jogo q era praticamente centrado nas extremidades com a experiente Paula (hoje atuando por outro clube) ou na jovem Natália (à época com 18 anos) muito contribuiu para dar maior confiança para esta jovem jogadora q chegou a ficar entre as 3 maiores pontuadoras em certa edição da SL!

E se antes, como reserva na SFV, cometia mais erros, por exemplo, atacando pra baixo e contra o bloqueio ou atacando pra fora; hoje, percebe-se a evolução de seu jogo, creio eu pela carga de responsabilidade q assumiu na equipe de Osasco. Só q tem um probleminha aê: lá em Osasco, ela joga de oposto e não tem responsabilidade no passe, já na Seleção ela atua de ponta com responsabilidade no passe e ainda tem muito o q evoluir neste fundamento. Pra mim, quando estabilizar o passe, vai ser a jogadora a ser marcada. Quanto aos potentes ataques (que parece nem fazer força pra isso) q o Zorzi denominaria por “hábito”, eu diria é uma característica nata desta jogadora.

O JRG recebe muito de contribuição no quesito “qualidade técnica” dos clubes brasileiros, principalmente RJ e Osasco, por desenvolverem o potencial individual destas jogadoras. Daí é só trabalhar (e explorar) ainda mais, na Seleção, as habilidades pessoais de cada uma: Thaísa e Fabiana no saque/ataque; Gattaz no bloqueio e mais recentemente no ataque; Sassá no saque/recepção/ataque; Natália, Paula, Mari e Sheilla nos ataques; Fabí e Brait no passe/defesa e por aí vai.

Lins tem uma missão especial demais... Ainda em evolução, mas tem a vantagem de “conhecer” e assim poder explorar as habilidades de grande parte das atacantes por atuarem no mesmo clube. O mesmo eu diria da Tiemi, embora seja reserva da Albuquerque em Osasco.

Em resumo: o que o Andréa Zorzi denominaria por “hábito”, eu diria, é um misto de “jogo-força” com “jogo-inteligência” (por explorar as habilidades individuais de cada jogadora). Foi assim e justamente por conta disso, q vencemos este GP muito embora estivéssemos a “anos-luz” do vôlei apresentado lá em Pequim.

Lukas.
LaCauda disse…
Sem dúvida a formação que nossas jogadoras recebem no Brasil é grande responsável por este 'hábito'. O Zé tem o privilégio de receber atletas preparadas por Bernardinho e tantos outros competentes treinadores.
No fim, o 'hábito' é uma mistura de treinamento e talento.
Anônimo disse…
Se a Copa Panamericana que teve o time titular foi ignorado pela TV imagina entao esse Final Four que vai de "Mistão". kkk...
Anônimo disse…
O Final Four será realizado no Peru, ou seja, terá transmissão, pelo menos dos jogos do peru. Eles sempre mostram.