(Dis)Torcendo


Não estou habituada a assistir aos jogos de vôlei nos ginásios. A minha cidade sediou alguns jogos da Ulbra, do vôlei masculino, e da seleção feminina, mais especificamente o Sul-americano de 1995.

Foi em 95, aliás, que tive o primeiro contato ao vivo com uma partida de vôlei. Fui ao ginásio, sentei bem perto da quadra, ouvia o que diziam na quadra, me espremi na grade pra conseguir um autógrafo e fui ignorada pelo Bernardinho. Foi fascinante.

Lembro que a torcida Banco do Brasil estava presente. Se eu sentasse na arquibancada que seria filmada pela TV, ganhava a camiseta do banco. Se fosse pro outro lado, tinha que devolvê-la. O máximo de entretenimento antes e após as partidas eram as músicas tocadas no ginásio. E não eram exatamente muito animadoras, chegavam a colocar Legião Urbana, (Pais e Filhos) para se ter uma noção.

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Vocês imaginam o choque quando mais de 10 anos depois, em 2007, fui assistir novamente a seleção feminina no Rio de Janeiro, pelo Pan-americano. Tinha animador de torcida gritando, distribuição de brindes a cada intervalo, funk, axé e dance, compondo uma mistura nauseante. Enfim, todo um “espetáculo” que não me interessava e que me afastava daquilo que realmente queria: assistir a partida.

Neste Grand Prix, também no Rio, foi igual só que com o acréscimo dos jacarés. Sim, dezenas de homens fantasiados de jacarés jogando bolinhas, camisetas e sopas instantâneas. Mas para ganhar o brinde tem que mostrar animação. Então a torcida se levanta e, como macacos amestrados, imitam os jacarés (bizarra esta frase, não?), cantam o que o animador-mestre manda e brigam por qualquer coisa que atirem para ela.

 
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Eu não consigo. Podem me chamar de velha, de sem graça ou do que for. Acho um saco. Saio zonza destes lugares, não consigo prestar atenção no jogo e não consigo torcer direito, pois estou mais preocupada se não vou ser acertada por um brinde “atirado” por uma bazuca. Sabe como é, não dá pra confiar muito nestes jacarés de hoje em dia.
 
E o mais frustrante: não se pode ter contato com as jogadoras. Elas atenderam o público somente na sexta-feira, nos outros dias entraram direto para o vestiário – salvo uma ou outra exceção. No Pan foi a mesma coisa. O máximo que fazem agora é - elas também! – jogarem os malditos brindes pra torcida. Algo do tipo “joguem qualquer coisa que os macaquinhos se distraem”.


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Estas experiências marcantes me levaram a certos pensamentos. Um foi o de fugir imediatamente do ginásio, outro foi considerar a hipótese de metralhar o carinha do microfone, as caixas de som e qualquer infeliz fantasiado de jacaré. E, por último e mais profundo, questionei a capacidade do vôlei de mobilizar uma torcida.

Quando se vai ao estádio de futebol não é preciso ninguém no meio do campo incitando os torcedores a gritar. Pode ter a torcida organizada que dite alguns gritos, mas as reações são espontâneas. Isto porque é paixão, é competição e não um espetáculo de entretenimento.
 
Esta coisa de animação de torcida e de intervalos permeados de atrações é importada dos EUA. É a cultura deles, as partidas da NBA são exemplos clássicos disto. Tem gente que gosta, mas, para, mim isto não é torcer.

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Acho que o vôlei tem também o poder do futebol e não precisa de artifícios para estimular sua torcida a gritar. Os torcedores são o espelho do time em quadra. Qual o mal de ficar calado, de reclamar ou de incentivar, tudo isto à vontade e espontaneamente? Por que temos que ficar enquadrados numa imagem de torcedores sempre animados e satisfeitos?

Vou ao ginásio para assistir a uma partida e até comer uma pipoca. Se eu quisesse ver jacarés, malabaristas ou batucada ia no zoológico, no circo ou num show. Se quisesse ganhar brinde, ia num bingo. 
 
Jogo de vôlei é esporte e não uma mistura de tudo isso. Mas pelo andar da carruagem, se eu quiser ver uma partida de vôlei, ao invés de ir ao ginásio, vou ter que ficar em casa mesmo.

Comentários

Edson disse…
LaCauda, entendo seu ponto de vista. É compreeensível. Há pessoas que de fato não se sentem bem com todo esse "show".

Eu particularmente gosto. Não pulo feito "macaco" pelos brindes, mas acho legal todo e qualquer esforço de tornar os intervalos dos jogos mais divertidos. Não gosto daquele animador 'oficial' dos jogos das seleções, acho ele totalmenet babaca, mas se ele, fazer o quê.

Hoje, mais do que nunca, o esporte para sobreviver, precisa contagiar o público. Fazer com quê haja um inteiramento torcida-seleção. Nada mais fácil do que colocar músicas de boate pra tocar e dar brindes, que aliás não são lá essas coisas, para os torcedores.

Quanto às jogadoras darem autografos, acho totalmenete compreensível elas só pararem um dia. Deve ser muito chato, pra elas, depois de um jogo, ter que tirar fotos sorrindo, dar autografos e ouvir vários "eu te amo". Também compreeendo o lado dos torcedores que, muitas vezes, só terão uma oportunidade de ver seus ídolos de perto e querem um pouco de atenção. É uma relação difícil, mas os dois lados devem ser compreendidos. Sem falar que isso vai muito da personalidade das jogadoras também,o fato de parar ou não um tempinho pra atender. A Sheilla, por exemplo, tem uma paciência do caralho, nunca vi igual. Todo jogo ela para pra atender todo mundo. Já a Paula, se você quiser um autografo, tem que torcer para o time dela vencer e ela ter acordado de bom humor, caso contrário, ela vaza na primeira oportunidade.
Anônimo disse…
Anônimo
Não é bem esta imagem que a Sheilla transmite quando joga em Osasco (Ou quando está com Mári). Eu vejo justamente o contrário, Uma Paula sempre muito animada e dando autografo ate dentro do carro.

Eu até gosto destes animadores, mas os de Osasco exageram.

Eu até sinto falta deles quando o jogo é no Vilaboin por exemplo, é um cemiterio total.

PS: Ontem a Thaís estava muito bem, pegou Fê Gritz (1,94 de altura) várias vezes no block.


Gabriel de Jesus
Edson disse…
Gabriel, em Osasco, pelo menos nessa última Superliga, Mari e Sheilla sempre estiveram em um ambiente 'holtil' quando o jogo era em Osasco. Como elas poderiam ser simpáticas? Eu não seria se tivesse que ouvir o que elas ouviram.

Sobre a paula, vem justamente do que eu falei. Quando ganha, é uma pessoa, quando perde é outra. Como ela sempre ganhou nessa última Superliga quando jogou contra a Blausiegel, exceto pelo jogo em Barueri, ela sempre dá autografos. Voc~e viu ela dar autografos depois das finais de turno perdidas contra o Rexona?
Anônimo disse…
Sobre os animadores de torcida:

Acho o fim, da vontade de pegar os brindes( dados pelos patrocinadores do "circo do vôlei") só pra jogar de volta em cima dele. OK, o cara ta sendo pago pra aquilo, eh o trabalho dele e até ahe eh compreensível, mas o pior eh q ele se sente, mas tem q lembrar q nem todo mundo no Ginásio tem 8 anos de idade pra se divertir com as brincadeiras dele.

Na ásia rola direto menininhas fazendo coreografia de aula aeróbica, boring..

O único tipo de animação q acho aceitável, pq tem haver com a proposta do evento esportivo fora a música, eh quando convidam alguém pra sacar e se acertar ganha o tal do brinde, quando na melhor das vezes é uma camiseta ou uma mini-sopa knorr.

Gente, por favor, Paula e Sheilla estão entre as mais simpáticas sem dúvida nenhuma, e não vou mencionar outros nomes pra não mexer em casa de marimbondo de outros fã-clubes.

Crowley.
LaCauda disse…
Edson, compreenderia se fosse uma opção das jogadoras atender ou não os fãs, mas não foi o caso destas competições. Acho q foi a organização que as mandou direto pro vestiário, seja lá por qual motivo. Tanto que algumas, entre elas a Mari, 'escaparam' para atender o público.

Critico mais esta questão porque a SF joga tão poucas vezes no Brasil que o natural é que, quando elas joguem, possa haver um maior contato entre torcedores e jogadoras.

Sobre a paciência ou não das jogadoras, pela pouca experiência que tenho nesta situações, vi que a Sheilla sorriu pra todo mundo mas não atendeu a ninguém. E a Paula foi atenciosa, mas com uma simpatia meio forçada. Principalmente se a gente comparar com a Fabizinha que é extremamente atenciosa, paciente e espontâneamente simpática.

Mas aí vai da personalidade de cada uma...
Anônimo disse…
Já começou as histórias sobre a Tiemi na Ásia...

Matéria legal do site da CBV. http://www.cbv.com.br/cbv2008/noticias.asp?IdNot=11913

Não sabia que ela tinha família lá. Será que a Japa fala japônes?! rs.
Paulo disse…
Toda essa palhaçada é feita para atrair público pro ginásio, o que é bom, afinal o ginásio fica lotado, o povo fica animado e coisa e tal.

O que me preocupa mesmo não são os brindes, a música(que eu gosto muito) e toda aquela gritaria, mas sim o fato de que essa gente que vai ao ginásio so pra ver "As campeãs olímpicas", pra ver o time que teve destaque no Jornal Nacional, não entenda absolutamente nada de volei!!!
É claro que há o pessoal que entende e muito, mas essa popularização excessiva leva um pessoal ao ginásio que qdo o árbitro levanta os dois polegares, acham que o jogo está duplamente bom...

nada contra a popularização do volei...ao contrario...mas uma boa parte do publico de volei hj em dia so vai pra ver "As campeãs olímpicas", ou "O time do Bernardinho"...e não somente o voleibol...
Anônimo disse…
Acho que o fato de não "entender" de vôlei, ou que vai lá pra tietar o atleta famoso, nem incomoda. Tem que começar de alguma forma, certo? E não se pode querer fazer do esporte um clubinho privado.

O o que acho chato é que a torcida brasileira acha que tudo é futebol e não sabe se portar nas arquibancadas. Isso é um saco e tira a paci~encia de quem vai ao ginásio pra simplesmente ver uma boa partida de vôlei.

E a gente vê lances que me faz ficar com vergolha alheia. Já ouviram essa expressão? "Vergolha alheia". Você fica com vergonha pela atitude do outro.

E Laura, não é que vc esteja ficando velha... é que as coisas fugiram um pouco do seu propósito mesmo.

Logan
Adroaldo disse…
Não havia pensado antes sobre isso...Nos anos 80 me diverti muito assistindo a partidas entre Pirelli e Atlantica Boa Vista, jogos que enchiam o Ibirapuera, em plena quarta-feira, terminando muitas vezes, a 1 da manha e é verdade, não haviam os tais "animadores".era muito bom!!!
É amiga, os tempos mudaram, e entendo que a maneira como as coisas acontecem hj são indispensáveis para a sobrevivência do nosso esporte.
Aqui, em Taboão da Serra, como em qualquer outro canto deste país, somente o fato de trazer um bom jogo, não é suficiente para se garantir o sucesso do evento, infelizmente, pois eu também gostaria que não fosse assim, os animadores, brindes, músicas e otras parafernálias dão muito mais vida ao espetáculo.
Concordo com a LaCauda, mas os tempos mudaram...
Com relação aos autógrafos, a coisa é diferente nos clubes, até porque o número de pedidos de autógrafos e fotos, são bem menores que o de uma seleção...Imagine ter que atender a 10.000 pessoas...impossível! Porém é muito importante que os responsáveis pelo evento deem ouvidos a queixas como essa, pois sem a identidade com a torcida, não só a nossa, mas, qualquer seleção perde o sentido.
De qualquer maneira ótima a abordagem e excelente a discussão desenvolvida neste assunto.
Anônimo disse…
Mas em compensação, antigamente, não havia 1 ginásio no Brasil, q quando chovesse não havía goteira. era um tal de balde pra lá, pano de chão pra cá, por isso q o jogo terminava 1 da madrugada.
adroaldo disse…
Na próxima semana começa o Paulista Feminino!!
É claro que na fase de classificação as grandes equipes estarão desfalcadas das selecionáveis, mas está aí uma grande oportunidade para jogadoras jovens aparecerem naquele que é o segundo melhor campeonato do país, perdendo em importância e investimento, somente para a Superliga.
Vão aí algumas dicas para ficarmos atentos:
O Sanca apresenta neste campeonato a reestréia no feminino do excelente Mauro Grasso. A equipe mescla experiência e juventude e será uma ótima ver como se sai Regla Bell ao lado de Fofão.
O Osasco também traz para este campeonato uma equipe mesclada com jogadoras bastante jovens. Destaque para a ótima Izadora, oposta que jogou a última SL pela equipe do Sport.
O Pinheiros vem com a sua melhor equipe nos últimos anos. Expectativa com a presença da Oposta Lia, agora atuando com as cores Azul/Preto e Branco.
Franca montou uma ótima equipe, onde eu destacaria a Central Luciane, ex Banespa e a Glauciele, jogadora da Seleção Juvenil.
São Bernardo aposta na experiência e traz em seu grupo atletas importantes como Luciana Ruiz e Simone Rivera.
O volei Futuro monta com Willian a sua mais forte equipe feminina de todos os tempos.Destaque para a excelente Ana Cristina.
Piracicaba, sempre muito bem dirigida pelo Zeca, irmão do Chico dos Santos, aposta no entrosamento do seu grupo. É bom ficar de olho na ponteira Morgana e na ótima líbero Léia.
Bem já que falamos de todos os times, quando possível deem uma olhada em Taboão. Nosso time formado em sua grande maioria por atletas muito jovens, aposta em algumas Juvenis como a ponteira Ohana Louise, a central Bruna, além da Paulety (ex- Praia), além da categoria da Fernanda Janaina.
Quem quiser saber um pouco mais sobre o Paulista, estou a disposição.
Um abraço a todos do blog.
Adroaldo
Anônimo disse…
excelente Ana Cristina??? Kkkk Faz-me-rir.. falsa levantadora



Susan Boyle
Anônimo disse…
Isso de elas irem direto pro vestiario só pode ser coisa da organização. Ano passado, depois da olimpiada, em Fortaleza elas distribuiam autografos por um tempao apos as partidas...
LaCauda disse…
Adroaldo, obrigada pelas informações. Fique sempre a vontade para colocá-las aqui no blog!

Abçs