Terra Estrangeira


Não faz muito tempo a presença de jogadoras brasileiras no exterior tornou-se uma constante. O que era já comum no vôlei masculino tornou-se usual também no feminino.

Na verdade, o vôlei segue o mesmo percurso do futebol e de tantos outros esportes. O mercado estrangeiro já faz parte do cenário esportivo brasileiro. É lá fora que nossos atletas se destacam e ganham maturidade.
 
Se repararmos bem, muitas jogadoras brasileiras chegaram ao auge ou se destacaram quando jogaram no exterior. A Sheilla praticamente surgiu na Itália. Não sei se continuasse em um clube brasileiro ela teria ascensão tão rápida. A própria Fofão teve nesses últimos anos – jogando fora daqui – a melhor fase de sua carreira.

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Todas elas tiveram em comum o destino: a Itália. E lá não é só financeiramente mais atraente. Também é mais tecnicamente desafiador.

Acontece que novos mercados estão surgindo e, como sempre, usando o dinheiro como principal – às vezes único – atrativo. Turquia, França, Rússia e Espanha têm sido as principais opções. O grande porém é que o nível de competição e exigência é muito abaixo daquele encontrado na Itália. São mercados em formação e que se assemelham em um aspecto ao brasileiro: existem duas, no máximo três, equipes que despontam e têm recurso para bancar um elenco forte.

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Não acredito que a jogadora que opta por um desses destinos tenha o desejo de ajudar ou ser a precursora do desenvolvimento do esporte nesses países. É a grana que fala mais alto. E não há problema em fazer tal escolha motivada pelo dinheiro. Mas até que ponto essa escolha pode interferir na sua carreira? Será que há um momento ideal para isso?
 
Não acho que seja coincidência a queda de rendimento da ítalo-cubana Tay Aguero, neste ano, com o fato de ter jogado a última temporada na Turquia. Antes mesmo de ter acontecido todo aquele enredo nas Olimpíadas, no Grand Prix ela não esteve bem. E recém tinha feito um ótimo ano em 2007.

Já a Walewska foi pra Rússia - nesta temporada 08/09 - num momento em que não tem mais pretensões de disputar um espaço na seleção. O que ela realmente pretende é fazer seu pé de meia.

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É nessa hora que penso se a Mari e a Sheilla fizeram a melhor opção em voltar ao Brasil. Sei que cada uma tem seus motivos pessoais e não discuto isso. Mas pensando especificamente nas suas carreiras, acho que foi muito cedo o retorno.

Parece estranho que ao mesmo tempo em que eu queira um campeonato brasileiro forte e disputado, acredite que a “repatriação” não foi uma boa idéia para as jogadoras. Tenho que ser realista e ver que os parâmetros de qualidade aqui são mais baixos.
 
Imagino que no momento em que já se teve a experiência de jogar no exterior, num nível que lhe exige muito mais, atuar aqui deve ser uma diferença significativa. Exige um tempo para a atleta se dar conta que não terá um cenário que naturalmente puxe por ela. A cobrança por melhor rendimento terá que ser dela e de seu treinador.
 

Comentários

Anônimo disse…
Eu concordo com vc sobre a questão do mercado.Não querendo comparar, mas já comparando,é a mesma situação de jogadores brasileiros de futebol que estão indo para o Qatar.A única coisa que os motiva para isso é a grana,pq é um mercado novo e de baixíssimo nível técnico.E assim como no vôlei,no futebol italiano também há um nível excelente que faz com que o atleta cresça. No caso da Walewska,eu acho que ela está certíssima...Já é experiente,tem vários títulos e depois do ouro vai se afastar da seleção,então tá mais do que certa de querer fazer o tal pé de meia.Agora já no caso da Mari e Sheilla como falamos,eu não concordo com a vinda prematura delas também não.A Sheilla tinha até motivos pessoais,mas...A Mari não sei ao certo pq veio,talvez pra jogar perto da Sheilla e claro pelo dinheiro que deve ter sido grande.Mais uma vez eu digo que elas iriam crescer cada vez mais ficando por lá com o Zé e jogando em alto nível por mais um bom tempo.Mas enfim,espero que isso não prejudique suas carreiras e que um dia elas possam voltar,quem sabe.Torço muito para a Mari.
Anônimo disse…
Pela Mari *
hahaha
Anônimo disse…
Olha, a coisa não é por aí. Jogar no exterior sem dúvida só trouxe benefício para a carreira da Sheilla. Da Mari... acho que o ganho foi mais pessoal! Mas isso não quer dizer que elas só são o que são porque foram para a Itália. A Mari apareceu foi no Finasa, pelo-amor-de-deus. Foi para a primeira olimpíada como jogadora do Finasa! A Jaqueline caiu de rendimento quando jogou na Itália e só teve problemas na Espanha. A Gattaz despencou de rendimento na Itália! A Valeskinha foi embora porque os grandes times não a quis mais e ela recusou o Pinheiros. Ela não fez nada mais do que figuração nas olimpíadas. Paula Pequeno, Fabiana, Fabizinha, Sassá, Carol Albuquerque e Thaísa nunca nem saíram do Brasil. E como você explicaria Cuba? As jogadoras que servem a seleção cubana não podem nem sair da ilha pra jogar em outros mercados. Quantas chinesas você acha que atuam na Europa? Não é bem por aí mesmo!!! Sheilla e Mari não caíram de rendimento porque voltaram pro Brasil. O problema é que elas assinaram com um clube com um técnico ruim e com infra-estrutura a desejar. Mas foi escolha delas. Molharam a mão delas. Aposto e ganho: se elas tivessem jogando pelo Brusque, mesmo ganhando um pouco menos (uma vez que o Rexona e o Finasa já estavam com os times fechados), estariam com o rendimento muito melhor.
Anônimo disse…
Ora,ninguém disse que caíram de rendimento. E não é só por causa do alto nível da Itália,é pela questão do técnico também,e pela estrutura do time realmente.São várias questões que estão incluídas nisso.Em nenhum momento aqui foi dito que para uma jogadora ser boa ela tem que ir jogar na Itália,ou que as daqui não prestam.Nada disso.Um bom exemplo é a Paula.O que foi dito foi,principalmente,em relação a Mari e Sheilla.Entretanto não podemos negar que o nível de lá é melhor,e ao mesmo tempo que queremos vê-las jogando por aqui,ficamos receosas quanto as suas carreiras por algum motivo que possam sair prejudicadas. Jogando em um time de baixa estrutura e com um técnico fraco,acho difícil elas evoluírem.Mas quem sabe estamos enganados.Só o tempo irá dizer.
Laura disse…
Anônimo, eu não disse que atuar no exterior é um presuposto de jogar bem. Como vc mesmo falou, China e Cuba são bons exemplos.

Tb não disse que a Itália é um exemplo de formação de atletas, até pq aqui no Brasil somos melhores nesse quesito e no de preparação física.

Sei muito bem onde a Mari surgiu e, até agora, ela só trabalhou com técnicos brasileiros. Mérito total deles na formação da Mari. Assim como as meninas q vc citou q nunca sairam daqui e são ótimas jogadoras.

E não afirmei q todos q vão para lá se dão bem.

O que eu disse é que o ambiente na Itália é mais competitivo. Lá vc é naturalmente mais exigido - esteja jogando na pior ou na melhor equipe, esteja trabalhando com qualquer comissão técnica.

Aqui se vc joga com o Bernardinho, pouco interessa quais são teus adversários. Ele certamente te exigirá ao limite. Mas se não é o caso, não vai ser o cenário do campeonato brasileiro que te exigirá.

O que questiono é a mudança. Qual o melhor momento de sair de um campeonato de alto nível onde vc está indo muito bem para outro abaixo (seja Brasil, Rússia, etc.)? A Wal foi no momento certo, já as meninas do SC penso que não.
Anônimo disse…
A coisa tá esquentando entre São Caetano e Osasco hein?! rsrsrs imagino como as meninas do sanca devem estar engasgadas com Paula e cia. Tomara que consigam "desengasgar"!
Laura disse…
Carol, é verdade! Elas não devem aguentar mais ver as "vermelinhas". Mas nem adianta, pq nessa fase já vai ter outro jogo entre elas.