É pro Fantástico?


Pessoal, fiquei sabendo da participação das meninas no Rock Gol por vocês. Fui conferir no Youtube como a Mari e a Sheilla se saíram enfrentando aqueles dois.

Foi engraçado como sempre, mas o “Bola na Fogueira” foi cruel. Digo isso porque poderiam ter poupado a Sheilla que já estava, só por participar do programa, quase se escondendo de vergonha. Chegou a dar pena, tadinha...

De qualquer forma, como vocês mesmos comentaram, é legal ver o pessoal do vôlei participando destes programas. Não estamos acostumados a vê-los fora de quadra – e nem eles estão acostumados a ser mais “midiáticos”.
 ***************************

Falando nisso, aproveito para comentar um assunto que tem me chamado a atenção. O atleta moderno virou um misto de empresário e de celebridade. Se quiser ampliar seu campo de atuação, tem que cuidar de outros atributos que não estão exatamente ligados ao esporte. Saber se expressar bem pode render convites para comentar partidas na televisão ou fazer palestras. Ter um site, uma assessoria, criar uma “marca” em torno de seu nome são outras opções para ser exploradas.

Por exemplo, a Paula. Pouco tempo antes de começar as Olimpíadas lançou seu novo site e a sua marca: P4. Através do site, pode-se adquirir camisetas com o logo estampado. E a Paula tem o carisma e a desenvoltura necessárias para sustentar tais projetos.

 ***************************
 
É uma forma de pensar a carreira de um jeito menos restrito. Coisa que os jogadores de futebol já fazem há mais tempo, ajudados, é claro, pela exposição enorme que possuem na TV aberta.
 
Os americanos fazem muito isso. No vôlei, os italianos têm mais essa cultura de fomentar a imagem de um atleta que, muitas vezes, não tem uma carreira assim tão significativa. A Francesca Piccinini já lançou uma biografia, assim como Francesca Ferretti, que comentei aqui posts atrás. A maioria das jogadoras possui site oficial, algo ainda não muito comum entre as brasileiras.

 ***************************

Sinceramente, tenho certa antipatia por esse rumo empresarial e/ou midiático que alguns jogadores tomam. Esclareço o porquê. Se o atleta tem a oportunidade de criar recursos com sua imagem, lucrar de outras formas além da sua carreira esportiva (que sabemos é curta e é muito inteligente quem se prepara para o momento de parar), tem todo o direito de o fazer.
 
Mas há sempre um limite. Acima de tudo, está a carreira esportiva, está o ambiente que originalmente ele está inserido. Se ser atleta virou uma possibilidade de ser uma “celebridade”, isto é só um ornamento. A essência é ser um atleta. E há tantos que cruzam essa linha e se tornam uma personagem midiática. O esporte torna-se um atalho para a fama que, por conseguinte, sobrepõe-se a carreira de atleta.

 ***************************

Por exemplo, quando a seleção feminina discutia a questão de acabar com as musas, não era só pelo fato da vaidade e das intrigas entre as mulheres. O problema é que “ser musa” virou uma posição a ser disputada. A discussão não era se era melhor escalar a fulana ou beltrana, mas sim em saber se a musa era a Leila ou a Ana Paula. Com tal “rótulo” a jogadora daria mais entrevistas, atrairia mais atenção do que o time, seria convidada pra isso e pra aquilo, etc. Uma vez o atalho construído, é um belo caminho para se desviar do objetivo primordial: jogar vôlei.
 
O mais bizarro e mais evidente exemplo disso foi alguns anos atrás na era Marco Aurélio. Com a debandada das principais jogadoras, Karin Rodrigues tornou-se a capitã do grupo. Como um passe de mágica, tornou-se também a musa. É claro que não fui eu nem foram vocês que a escolheram a “bela da seleção”. É óbvio que a própria Karin se autodenominou a nova musa. O que lhe rendeu? Foto sensuais numa revista masculina (na VIP, se não me engano) e participações em programas de TV.
 
É de se lembrar que na época a seleção feminina estava mais escondida que o Osama Bin Laden. Ela se auto promoveu. Se o time não aparecia por méritos técnicos (e ela muito menos), Karin tratou logo de tomar pra si o título de musa – que geração atrás de geração foi a forma pela qual a seleção feminina conseguiu algum destaque na imprensa.

 ***************************

E é esse tipo de atleta que não gosto. Alguém que mistura os papéis de esportista e celebridade, que se preocupa tanto em construir uma boa imagem comercial que perde a naturalidade.
 
Pode ser uma visão romântica do esporte, mas prefiro ver as meninas participando timidamente e não muito a vontade no Rock Gol, do que ver alguma delas aparecendo na televisão simplesmente para bombar a sua imagem. Assim como prefiro ver a Fabizinha sendo super atenciosa com os torcedores e sem demonstrar qualquer pretensão com tal gesto, do que um atleta que também atende a todos, mas que se nota não ser nada espontâneo.

Comentários

Anônimo disse…
Concordo, LaCauDa. Alguns esportistas passam a representar personagens em quadra - e fora dela - e isso tira energia e foco da sua atividade principal: jogar. Não é preciso ser muito perspicaz para perceber que a postura exaltada de Giba e Nalbert em quadra, por ex., sempre foi muito mais pras câmeras do que uma manifestação espontânea. Fora aqueles esportistas que têm tantos negócios e atividades extra-esporte que esquecem do mais básico: jogar. É o caso típico do Beckham. Sempre foi melhor personagem que jogador.
Anônimo disse…
O mundo tá mto comercializado, as pessoas fazem tudo para aparecer e ganhar dinheiro, é a sociedade do espetáculo mesmo. concordo com o que você falou, o esporte perde alma assim.