Por Quem os Ginásios Choram



Domingo despediu-se da seleção brasileira um dos grandes nomes do vôlei feminino. Foi um bonito final pra quem teve uma linda história no esporte. De um jeito muito humilde e discreto, Fofão transformou-se de “eterna reserva” a líder da seleção brasileira. 
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O azar que colocou duas excelentes levantadoras compartilhando a mesma geração poderia determinar o fim de uma carreira que praticamente não havia começado. Imagino quantos são os atletas que suportariam tanto tempo sendo reserva numa equipe e persistiriam em busca de um espaço como titular. Quando a Fofão poderia se firmar como titular da seleção, houve toda aquela confusão com o técnico Marco Aurélio Motta e depois, com a chegada do Zé Roberti, a reconvocação da Fernanda Venturini.
 
Depois de Atenas, porém, parecia ter chegado o momento de assumir um papel de destaque. Haja vontade e determinação para, depois de tantos anos entre reserva e titular na seleção, começar mais um ciclo olímpico praticamente do zero.

É interessante ver que foram nestes últimos anos em que ela recebeu o reconhecimento que tanto merecia. Foi exaltada e admirada pelos torcedores e críticos esportivos italianos, quando defendeu o Perugia.

E quando voltou à seleção, comandou e levou o time a uma conquista inédita. Todos sabem que se não fosse ela, o Brasil não ganharia o ouro olímpico. Ela virou símbolo de uma geração que fez história.



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Seria o suficiente para se nomear um grande ginásio de “Hélia de Souza”. Mas a Fofão nunca pediu reconhecimento, nunca se colocou num pedestal. Enquanto uns perdem tempo contando títulos e cobrando elogios e homenagens, outros – como a Fofão – conquistam o reconhecimento com suas ações. Baixinha na altura, Fofão mostrou-se uma gigante em matéria de caráter.

E é aí que está o seu maior valor. Quem se detiver apenas na sua extraordinária qualidade técnica não irá entender a real importância de uma atleta como a Fofão. É por toda sua história, por ser um exemplo de disciplina, profissionalismo, humildade e, sim, por ser genial tecnicamente é que ela merece cada aplauso, cada agradecimento e cada homenagem rendida.

É curioso que entre tantas estrelas das gerações em que ela participou, a jogadora de quem menos se ouvia falar foi aquela que, no final das contas, brilhou mais. Brilho de ouro.

Comentários

André disse…
Belo post, parabéns. Emocionante.
Anônimo disse…
Concordo em genero numero e grau.
Anônimo disse…
Hélia é discreta, dentro e fora dos 81m2. Sempre foi assim, e a eficiencia parece ter crescido junto c/ o silencio dela mesma. Se agora tudo é adeus, deixo aqí minhas modestas palvras: Fofao, adeus e obrigado.
Inté
Mg
Anônimo disse…
Eu como alguém completamente apaixonada pela Sheilla, ainda espero o post sobre ela ouviu?
Falando ainda mais serio ela é gigante, joga d+, e a mais regular, mais cabeça do grupo, adorei quando ela puxou a responsábilidade pra ela na semi, e foi gigante na final!