O Brasil e A Bota


Amanhã começa a Copa Brasil de Vôlei. Neste final de semana é o torneio feminino; no próximo, o masculino. Vou conferir de perto os jogos de sexta e sábado. Vou tentar fazer alguma análise, mas a intenção mesmo é tietar! :o)
 
Na verdade, não vai dar pra ter muita ideia de como serão os times para essa temporada. As jogadoras da seleção mal chegaram para treinar com o resto do grupo. Mas um torneio assim é legal para dar uma esquentada no cenário nacional. Enfim, colocar os times em exposição, mostrar quais jogadoras participarão da Superliga, etc.
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Das 12 jogadoras da seleção, 9 jogarão no Brasil esta temporada. Bom número. Fora outras que poderiam estar no exterior – como é o caso da Carol Gattaz e Érika – mas reforçam os elencos nacionais.
 
Parece ser esta a tendência tanto pro feminino como pro masculino: os nossos “estrangeiros” sendo repatriados. Claro que tem toda aquela questão dos pontos de cada jogador(a). Quem jogou no exterior volta “zerado” para o Brasil. Não sei como fica para a próxima temporada esta questão. Mas certamente a CBV fará de tudo pra mantê-los por aqui.
 
Também precisamos ter patrocinadores mais fixos, pois, como ocorre hoje em dia, não há campeonato que se mantenha em alto nível. Talvez com este apoio e um incentivo para trazer jogadoras estrangeiras possamos ter uma Superliga bem mais interessante.

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Porém, estamos ainda anos-luz do campeonato italiano. Se a nova regra de diminuir os jogadores estrangeiros permitidos por time ocasionar uma queda de qualidade, ainda sim o mercado da Itália em torno do vôlei continuará forte. São várias as cidades com tradição, envolvidas com o vôlei, coisa que aqui ocorrem com poucas.

A cada ano, lá na Itália, acontece um evento chamado Volley Land. Cada vez em uma cidade, o evento exibe partidas de profissionais, proporciona o encontro entre os jogadores e as crianças, e conta com stands das equipes participantes de cada divisão do campeonato italiano onde alguns jogadores dos times estão presentes para autógrafos e fotos. Difícil imaginar, no momento, isso no Brasil.

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Sabemos bem que o que importa mais é o mise en scène do que o conteúdo. Se a organização e patrocinadores exaltam seu produto, não interessa se os atletas são de seleção, estrangeiros ou “de casa”. Por isso, eles chegaram num nível e organização e marketing que aqui penaremos ainda para conseguir alcançá-los. Principalmente quando se trata de marketing e investidores.
 
Tomara que não percamos a oportunidade que esta temporada está nos dando de poder contar com os “selecionáveis” jogando no nosso país. E não só eles. Todo ano perdemos jogadores para países com campeonatos fracos como Turquia e Rússia.
 
É que, enquanto lá fora os atletas podem pensar em uma “carreira” no vôlei, aqui jogar vôlei é quase um “bico” em que um ano se está empregado e no seguinte já não se sabe.

Comentários

M.L. disse…
Belo post. Gostei especialmente do título.