Extrapolei, Exagerei, Passei da Conta


As declarações abaixo foram feitas pela jogadora de praia e ex-central da seleção feminina, Ana Paula sobre a conquista da seleção feminina nas Olimpíadas de Pequim.


"(...) achei que faltou humildade para algumas meninas. Não havia a menor necessidade de fazer aqueles gestos de mandar calar a boca, respondendo aos críticos no fim do jogo.”
 
“A nossa geração era pé no chão e cabeça no lugar. Se alguém pensasse em cometer uma asneira dessas, vinha uma mais experiente e nos orientava"


É curioso falar que a geração dela era “cabeça no lugar”. Se houve geração mais “descontrolada” emocionalmente foi a dela. É de se lembrar que quem saiu no braço com as cubanas foi a própria Ana Paula e as suas colegas. De racional, pouco tinha aquele grupo. Uma das mais experientes era Márcia Fú, que certamente incitava mais a briga do que orientava. As pessoas esquecem logo o passado e fantasiam uma perfeição que não tinha e não tem em qualquer grupo.

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Não entendo porque incomodam tanto as manifestações de algumas jogadoras e do Zé Roberto após a final olímpica. Foi ofensivo? Não. Quem passou pela pressão pelas quais eles passaram nos últimos anos, além do desrespeito e da desconfiança, é completamente compreensível que extravase daquela maneira depois da maior conquista da carreira.
 
Foi falta de humildade? Não. A equipe passou brilhantemente pelos Jogos Olímpicos exatamente porque demonstrou sempre muito respeito aos seus adversários. Em nenhum momento após vitórias importantes como contra a Rússia e China, pela semifinal, as jogadoras fizeram declarações arrogantes ou respondendo as críticas. Focaram-se no que acontecia no momento, e só. Deixaram pro final, ao terem a medalha de ouro no peito e durante um breve momento, para dar um recado àqueles que duvidavam de suas capacidades.

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Todo mundo sabe como é cruel a crítica dos brasileiros. Todo mundo sabe como esse grupo sofreu com tanta desconfiança. A reação foi a mais natural possível. Não recrimino e acho que foi muito bem feita. Tinham o direito de fazer o que quisessem para desabafar e comemorar. Elas não tinham recém vencido uma partida de buraco entre amigos. Elas tinham sido campeãs olímpicas. Mais que isso, impossível. Qualquer tipo de manifestação após uma vitória deste tamanho é compreensível. Não é o racional que atua neste momento.

Não julgo os “gestos” e as declarações do grupo atual, como não julgo a reação brasileira no jogo contra as cubanas na Olimpíada de 96. Foi um barraco? Foi. Mas todo mundo envolvido com aquele time, sejam atletas ou torcedores, ficou extremamente frustrado com a derrota. Assim, qualquer forma de manifestação após uma derrota daquele tamanho e acompanhada de uma provocação cubana era perfeitamente compreensível.

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O esporte é assim. Não é só razão, não é só emoção. Quem é atleta está sempre cercado de pressões e expectativas e ao alcançá-las ou não a reação é inesperada. Ninguém com um pouco de sangue nas veias alcança o êxito ou falha e vai dormir. Alguma reação é esperada e imprevisível. Pode-se sair virando cambalhotas ou socando quem aparecer na frente.

Sabendo disso, era de se esperar que uma atleta como a Ana Paula, que já passou e passa por tudo isso, não tenha tido um pouco de sensibilidade para entender a reação das meninas de ouro. Ela não saiu no tapa contra as cubanas? Não chorou ao ser eliminada em Pequim? Foi algum vexame? Foram alguma vergonha as reações dela? Não, foram humildemente humanas.

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Pê ésse:

- A tempo: no confronto entre os campeões italiano e brasileiro na Salonpas Cup, deu Rexona. Não pude acompanhar o jogo, vi só alguns momentos pela internet. Mas é de impressionar o número de bloqueios feitos pela equipe carioca. Também é de se destacar a pontuação de Joycinha e Érika. Pelo pouco que vi, o Pesaro sofre com o pouco volume de defesa. Como é um torneio relativamente longo, a equipe tem tempo de se acertar. É bem provável que, se acontecer mais uma vez este confronto, a história seja outra.

Comentários

Anônimo disse…
Engraçado esse pessoal das "antigas". Saíram no tapa com cubanas, choravam a toda hora, abusavam da arrogância (refiro-me à Venturini) e agora vêm querer dar lição de moral. Ah, vão se cagar! Deixem de dor de cotovelo e aplaudam, suas nojentas!
Unknown disse…
Gostaria de falar q amei ter encontrado esse blog, faz uma semana e entro todo dia pra ver se tem novas postagens,simplesmente fantástico:D
Agora essa Ana Paula sei não adora aparece, o gesto da Mari mais q justo foi ela quem ficou 4 anos sendo apontada, queria ver se fosse a Ana Paula ela e ridícula.
Queria deixar uma frase q li hoje, pois acho q reflete muito bem a seleção de vôlei feminina e as criticas q elas sempre levaram:

˝É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfo e gloria, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito, nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota˝

˝Theodore Roosevelt˝
Anônimo disse…
Ótimo post. Bela frase Anne.
Ana Paula foi incoerente e infeliz nos seus comentários, eu não entendo como jogadoras como ela conseguem praticamente ignorar ou minimizar tamanha a vitória para o nosso volleyball feminino e ainda ficar criticando as meninas de ouro, dando ênfase para essas "asneiras" - como ela mesmo chamou o ato da Mari e Fabi. La Cauda, seria essa a maneira que os brasileiros demonstram o orgulho e gratidão pela conquista do ouro?
Ai ai ai..
Anônimo disse…
Como dizia o Tom Jobim, brasileiro tem ódio do sucesso...
Anônimo disse…
kkkkkkk
acho que o Jobim tinha razão oO
Laura disse…
Eu me lembrei exatamente da frase do Tom qd li o comentário da Ariane! Tens toda a razão, Ariane. Ana Moser e Virna comentaram a vitória ressaltando o merecimento da seleção. Enquanto a Ana Paula vem criticar um detalhe irrelevante justo na maior vitória do vôlei brasileiro. É dor de cotovelo...

Anne, bonita frase. Tb acho q tem td a ver com a seleção!


Anne, Ariane, a revolta(...) e brsileiros(...), obrigada pelos coments! Espero que continuem visitando o blog e deixando suas opiniões! Vou tentar atualizar o mais frequente possível, apesar de ainda estarmos em uma fase do ano pouco movimentada...

Abraços!