Um Adendo

Estava lendo a página de Andrea Zorzi, no site da FIVB, onde ele transcreve as declarações do técnico italiano da Rússia, Giovani Caprara, e da Gamova após o jogo contra Itália.
 
A jogadora reclama do horário da partida (10h da manhã em Pequim). O treinador da preguiça das jogadoras.
 
Gamova: "Jogar às 10 horas é muito cedo, por isso fizemos um jogo fraco."
 
Caprara: "... os dois times jogaram no mesmo horário: não posso aceitar uma desculpa tão boba. A verdade é que as jogadoras russas não gostam de trabalhar pesado. Estou tentando mudar essa mentalidade errada, mas não tenho obtido sucesso, pois estou sozinho. Ninguém me apoia verdadeiramente neste processo."
 
Ele chega também a comentar que depois dos três amistosos que fizeram contra a Pôlonia antes dos Jogos, as jogadoras reclamaram estar muito cansadas.


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Enquanto a Rússia continuar ganhando, a mentalidade nunca vai mudar. As jogadoras devem pensar que não há porque se matar treinando se fazendo o que fazem agora já basta para disputarem as finais dos principais torneios.
 
Todo mundo achava que com a chegada de Caprara a Rússia se tornaria um time imbatível, pois aliaria a altura com uma técnica mais apurada. Mas até agora nada mudou. Caprara deve sofrer uma resistência incrível para inserir suas idéias de trabalho.
 
Fico só imaginando que time seria esse se fosse mais esforçado. Por exemplo, se melhorasse defensivamente o que ele não ganharia em desempenho. Mas só quando elas realmente caírem muito de rendimento e sofrerem com derrotas é que irão valorizar o trabalho "duro" que Caprara tanto insiste.

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Em pensar que as jogadoras brasileiras abrem mão de tudo e fazem qualquer coisa para participar e vencer pela seleção. A capacidade de entrega do grupo atual é admirável. Nem sempre o esforço ganha jogo, mas espero que essa Olimpíada seja diferente. O nosso suor deve valer muito mais do que o russo.

Comentários

Anônimo disse…
Parabéns.
Como gostei do seu cyber boteco, vou indicá-lo a outras pessoas. "Debalde, e voltarei" (I Juca-pirama). hehe ...
Inté,
Mg
Zeca disse…
Isso é uma coisa que me surpreende. Não só no vôlei, mas no futebol também, os brasileiros - quem diria! - trabalham mais que os europeus. No Brasil, treino em 2 turnos, no futebol, é comum; na Europa, o que vigora é o meio turno mesmo. No vôlei, pelo jeito, também é assim. Mari falou numa entrevista à Monet que na Itália a preparação física é inferior àquela feita no Brasil; a consequência disso são jogadoras com nível inferior ao desejável quando chegam à seleção. Mas se os resultados são bons dos dois lados, talvez eles sejam mais eficazes e, em tempo menor, consigam melhor preparação...