Ouro Cercado de Mães

 
Tava demorando, mas ela apareceu: Érika. A ex-ponteira da seleção, ex-futura levantadora, ex-aspirante a cantora, comentou a declaração da Mari sobre os Jogos de Atenas e sobre o título olímpico conquistado pelas meninas.
 
“Tem gente que fala demais. Se elas jogaram bem agora e conquistaram o ouro, parabéns. Mas não podem esquecer que isso é consequência de uma história de, no mínimo, 20 anos do vôlei feminino. Essa medalha é tanto delas, quanto minha, da Ana Moser, da Fernanda Venturini.”

Érika, você tem razão. Tem gente que fala demais mesmo. Uma delas é você.

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Não se pode negar que uma geração carrega uma herança - tanto negativa como positiva - daquelas que a precederam. A rivalidade que tanto se enfatiza quando há um jogo entre Cuba e Brasil não veio de hoje. Se há tanta pressão ao redor deste confronto é devido ao embate (literalmente) das seleções nas Olimpíadas de Atlanta. Assim como algumas características de jogo seguidas até hoje são frutos das gerações de Jaqueline e Fernanda Venturini.
 
Qualquer equipe, em qualquer esporte, carrega um passado. É tudo um processo de evolução. Erra, aprende e melhora. E é perfeitamente natural – e é bom que seja assim – que a geração de hoje supere a passada.

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Agora, dizer que a medalha é “tanto delas, quanto minha” é demais. A medalha é do grupo atual e ponto final. O que interessa é quem tava em quadra, quem jogou, quem treinou.
 
Definitivamente, não é a história que entra em quadra. Não foi a Márcia Fú, nem a Isabel e muito menos a Érika que ganhou a medalha de ouro. Foi sim a Mari, Sheilla, Fabi, Fofão etc. Do contrário, a cada conquista a medalha terá centenas de mães. Quando a Érika ganhou o bronze em Sidney, ou quando venceu um Grand Prix, dividiu os méritos com as jogadoras passadas? Certamente não.

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Não quero desprezar o histórico da seleção feminina. Como falei, acredito mesmo que as derrotas e vitórias de uma geração compõem as futuras gerações. Também acho que o vôlei feminino precisava de mais ‘cancha’, de todas experiências vividas até hoje para, finalmente, conseguir o ouro olímpico.

Mas a medalha é inteirinha de quem trabalhou no grupo atual. Talvez a maior contribuição que a Érika e a Venturini tenham dado pra essa medalha, foi terem ficado longe, muito longe da seleção.
 

Comentários

André disse…
Concordo plenamente. Belo post. Parabéns.
Anônimo disse…
Beijing, volleyball 2008 tem nomes: Zé + Fofao + Sheila + Fabiane + Fabi + a eqipe do BRA (nessa ordem). A Érica e cia, bem tem nome: eqipe do BROnsil - aqele amarelo enferrujado, c/ cara de cachoro q caiu do caminho de mudança ... proncovô? oncotô? qemcossô?
Inté
Mg
Letícia Prezotto disse…
li na internet essa declaração como sendo da Ana Paula (que jogou com a Larissa na Olimpíada) e não da Érika.
La Cauda disse…
Letícia, na verdade as duas deram declarações parecidas. Mas tenho certeza q esta é da Érika. Aliás, no post "Extrapolei, exagerei..." de setembro, eu comento, aí sim, a declaração da Ana Paula.